4. Results and discussion
4.2. Characterisation of lipid-surfactant measurements
4.2.1. SDS and DMPC mixtures
González Rey (2005) aponta a responsabilidade do pesquisador perante o conhecimento produzido e a necessidade de desenvolver modelos específicos que proporcionem a interpretação das informações referentes ao problema estudado. Considerando também que “o objeto em estudo é o fator determinante para a escolha de um método, e não o contrário” (FLICK, 2009, p. 24), pareceu adequada a
66,6% 3,4% 30,0% Comunidades apostólicas Comunidades de formação Comunidades de idosos
opção pela pesquisa quantiqualitativa de caráter exploratório, cujo objetivo é, segundo Sampieri, Collado e Lucio (2006, p. 99), “examinar um tema ou problema de pesquisa pouco estudado”, proporcionando familiaridade para com o objeto de estudo em questão. Este modelo comporta possibilidades de que os resultados mudem o perfil da investigação de estudo exploratório para estudo descritivo, especificando “as propriedades, as características e os perfis importantes” do processo de envelhecimento entre os Irmãos Maristas (DANHKE, 1989, apud SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006, p. 101). O autor referenda esta flexibilidade e possibilidade de mudança no método de investigação como uma característica importante da pesquisa qualitativa, especialmente do tipo exploratório.
Definido o modelo, foram consideradas as vantagens e limitações de várias técnicas e instrumentos para a coleta dos dados. A primeira, grupo focal, foi descartada pela dificuldade de agrupar o número mínimo de participantes – 6 a 8, segundo Patton (apud FLICK, 2009, p. 181) – em um mesmo local e a provável resistência dos Irmãos idosos em serem filmados falando de si; foi analisada também a limitação dos mais idosos em se expressar em um grupo. Há que se considerar que, na formação religiosa pré-Concílio Vaticano II, recebida pela maioria dos Irmãos pesquisados, a discrição e o silêncio estavam entre as principais virtudes a cultivar, enquanto falar de si era tido como vaidade e, portanto, um comportamento a ser evitado. Vários deles cultivam ainda hoje essa discrição a respeito de si e consideram constrangedora a exposição em ambiente coletivo.
Também foi descartada a segunda possibilidade de técnica, a elaboração de Memorial. Embora tenha a vantagem de registrar a percepção do sujeito sobre sua trajetória de vida, destacando os pontos considerados mais significativos (BRUNER, 2001), os Irmãos mais idosos teriam dificuldade de coordenação motora para escrever à mão um texto tão longo, e muitos deles não utilizam computador. Havia ainda o risco de que a escrita não trouxesse os dados necessários aos objetivos da pesquisa ou que fossem insuficientes para fundamentar a descrição proposta. Apesar destas restrições, três Irmãos de várias idades fizeram o seu Memorial manuscrito.
Finalmente, optou-se pela coleta de dados por meio de entrevista semipadronizada, na qual, segundo Flick (2009), reconstroem-se os conteúdos da
teoria subjetiva a partir de três tipos de questões: abertas, respondidas pelos sujeitos pesquisados a partir do conhecimento que têm à mão; controladas pelas teorias e direcionadas às hipóteses e pressuposições teóricas do pesquisador; e confrontativas, que correspondem às teorias e relações apresentadas até então pelo entrevistado. As entrevistas, gravadas e posteriormente transcritas, comportam maiores possibilidades de apreender o que Flick (2009, p. 149) chama de “reserva complexa de conhecimento” dos entrevistados sobre o tema. Além disso, a entrevista possibilita a observação e o contato corpo a corpo entre entrevistador e entrevistado, permitindo a análise de reações corporais a questões problemáticas e a flexibilidade na abordagem das questões, de acordo com a postura de receptividade ou distanciamento dos entrevistados e com a necessidade de aprofundamento de determinados temas.
Dentre os formatos de entrevista semipadronizada, optou-se pela entrevista episódica, mais adequada do que a entrevista biográfica, pela possibilidade de mesclar narrativas de situações e questionamentos a respeito de relações abstrativas (FLICK, 2009), visto que as questões abordam períodos da trajetória de vida e situações atuais. Segundo o autor (FLICK, 2009, p. 177), essas entrevistas “são mais sensíveis e suscetíveis aos pontos de vista dos entrevistados” do que aquelas nas quais as questões são rigidamente estruturadas.
Pode-se fazer relação entre a entrevista como instrumento de pesquisa e a observação de González Rey (2005, p. 126) de que a conversação leva a pessoa pesquisada a “campos significativos de sua experiência pessoal, os quais são capazes de envolvê-la no sentido subjetivo dos diferentes espaços delimitadores de sua subjetividade individual”. Ou seja, é uma técnica que permite colher informações relativas tanto ao sujeito pesquisado quanto ao espaço institucional no qual sua subjetividade é estruturada – aspecto relevante, considerando-se o público pesquisado e os objetivos desta investigação.
Por outro lado, a qualificação do projeto de pesquisa apontou a necessidade de incluir técnicas para a coleta dos dados que captassem informações não verbalizadas pelos sujeitos em relação às suas percepções ou a questões que pudessem passar despercebidas na condução das entrevistas. Assim, definiu-se a
utilização de um percurso de pesquisa que incluiu três instrumentos para a coleta dos dados:
1. Entrevista episódica semipadronizada, conforme descrita anteriormente (Anexo A).
2. Coleta de fotos de vários períodos da vida, que permitem identificar elementos comuns na trajetória de vida dos Irmãos idosos. A seleção das fotos também se constituiu tempo de convivência com o Irmão e conversa a respeito de acontecimentos significativos de sua vida, sem a formalidade da entrevista.
3. Observação da dinâmica das comunidades de idosos. A inserção do pesquisador na rotina dos Irmãos destas comunidades, convivendo com eles nos momentos de oração, celebrações e refeições, além de conversas informais, permitiu a observação da dinâmica deste tipo de comunidade marista, incluindo as atividades da vida diária – AVD dos Irmãos, hábitos cotidianos, relações entre os Irmãos e destes com os funcionários e com a comunidade local.
É importante observar que o terceiro instrumento para coleta de dados agrupa características de dois modelos de pesquisa, a observação não-participante, na qual o pesquisador se insere em um grupo social para observar as atividades e inter- relações entre os sujeitos, e os estudos etnográficos, de duração prolongada e cujas estratégias metodológicas se baseiam na imersão do pesquisador no ambiente em que ocorre a pesquisa (FLICK, 2009). Sua inclusão na pesquisa, entretanto, é fundamentada em González Rey (2005), para quem a interação entre pesquisador e espaço social onde a investigação se desenvolve é fundamental, quando envolve sujeitos.