• No results found

4. Results and discussion

4.2. Characterisation of lipid-surfactant measurements

4.2.2. DDM and DMPC mixtures

Em outros grupos de idosos, as influências normativas graduadas por idade se referem ao período da vida em que os indivíduos começaram a estudar, descobriram outros espaços de socialização além-família, se tornaram adultos, escolheram profissão, optaram pelo casamento e vivenciaram paternidade, maternidade e avosidade, dentre outros. Entre os religiosos em geral e os Irmãos Maristas, no caso desta pesquisa, essas influências incluem a idade de ingresso na instituição religiosa, a formação institucional, a época da profissão de votos perpétuos, que assinala o compromisso definitivo de pertença institucional, e as funções exercidas como missão apostólica própria da vida religiosa consagrada. A investigação a respeito dessas influências por geração é um bom ponto de partida para o recorte intergeracional entre os idosos pesquisados, iniciando com a idade de ingresso na vida religiosa consagrada, conforme Gráfico 5.

Gráfico 5 – Idade de ingresso na instituição religiosa, com recorte por geração 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 08 - 11,7 11,8 - 15,5 15,6 - 19,2 > 19,2 Mais de 80 anos 70-79 anos 60-69 anos

No tocante à idade de ingresso na instituição, há um movimento de aumento na faixa etária quando se faz a leitura partindo dos Irmãos acima de 80 anos em relação àqueles da primeira geração da velhice. A média da idade de ingresso, no grupo pesquisado, é de 14 anos. O número varia se a análise é feita por geração: entre os Irmãos com mais de 80 anos é de 12,6 anos; entre 70 e 79 anos, 13,5; e entre 60 e 69 anos, 13,8. Os extremos, que estão fora da média, incluem um Irmão que ingressou aos 8,6 anos e outro que ingressou aos 33; para efeito de tabulação, este último foi desconsiderado, o que é metodologicamente correto quando um dado está fora do intervalo de confiança, ou seja, há distância significativa em relação à média.

Faz sentido que os Irmãos mais velhos, que ingressaram na instituição nas décadas de 1930 e 1940, fossem quase crianças. Nesse período, a maior parte da população brasileira vivia na zona rural e, portanto, com maior dificuldade de acesso à educação e outros benefícios que eram oportunizados pelo ingresso numa congregação religiosa. Havia predominância de prole numerosa nas famílias9, e a

opção pela vida religiosa, no contexto de então, além de oferecer oportunidades ao filho, trazia status à família. No relato bem-humorado do Ir. Hipólito, a respeito da sua opção por ser Irmão Marista, o pensamento do pai deve ter sido este: “Eu tenho 15 filhos, pode um ir embora, não faz falta!”

Uma vez dentro da instituição, o Irmão passava por quatro etapas de formação obrigatórias: Juvenato, Postulantado, Noviciado e Escolasticado10. Durante

esse período, cursavam as séries da educação básica e tinham aulas e atividades específicas da etapa, que incluíam, dentre outras, música, literatura, formação bíblico-teológica, liturgia, espiritualidade, retórica e conhecimento sobre o Instituto Marista e seu fundador, Marcelino Champagnat. Após essas etapas, o Irmão professava os votos perpétuos, que tornava oficial a pertença institucional, e era transferido da Casa de Formação para uma Comunidade Apostólica. Nessa etapa da vida religiosa consagrada, o Irmão geralmente atuava em Colégios e fazia o

9 Segundo o IBGE, a média de filhos por mulher, em 1940, variava entre 5,8 e 6,2.

10 Entre as gerações de Irmãos e Províncias, há diferenças no percurso e na estrutura da formação

institucional; esta se refere às décadas de 1930 e 1940. Atualmente, há mudanças inclusive na nomenclatura e duração de cada etapa.

curso universitário escolhido pelo Irmão Provincial, nome dado ao responsável pela gestão da Província e pelas deliberações relativas à vida e missão dos Irmãos.

Entre os sujeitos pesquisados, apenas um Irmão, que ingressou na instituição com idade superior a 30 anos, não tinha formação acadêmica. Todos os outros fizeram faculdade e se envolveram, com duração variada, com a educação básica, em sala de aula e em funções de gestão escolar. Aqueles que assumiam a direção de colégios tendiam a repetir essa função em outras localidades, quando eram transferidos de comunidade; o mesmo vale para as disciplinas lecionadas e funções administrativas. As falas dos entrevistados refletem isso, como o Ir. Gaspard, “professor por mais de 60 anos”, Ir. Deodato e Ir. João Alexandre, diretores “por 30 anos”, e Ir. Hipólito, tesoureiro “durante 27 anos”.

Entre as gerações de Irmãos idosos, há diferenças no estilo de vida e nos espaços de missão apostólica definidos pela Província, conforme Gráfico 6.

Gráfico 6 – Funções exercidas pelos Irmãos, com recorte por geração

Os Irmãos com idade acima de 80 anos foram preparados quase que exclusivamente para exercer o magistério nas escolas maristas, função desempenhada por eles a partir da década de 1940. Nesse período e até os anos

0 1 2 3 4 5 6 7 Mais de 80 anos 70-79 anos 60-69 anos

1960, todos os professores dos Colégios Maristas eram Irmãos11 e, por isso, a

opção pelo curso universitário de cada um era feita pelo Provincial, de acordo com a necessidade de professores nas escolas. Os professores eram titulares de cada turma, sendo responsável pelas aulas, disciplina e acompanhamento pedagógico dos estudantes sob sua responsabilidade.

A relação de obediência entre o Irmão e o Irmão Provincial, explicitada em vários relatos desta geração e na anterior, assim como outros focos de tensão entre opções individuais e deliberações institucionais, será discutida no Capítulo 5.

Para essa geração, o exercício do magistério era inerente à missão do Irmão Marista. Vale lembrar que o nome original da Congregação é Frères Maristes de Écoles – Irmãos Maristas das Escolas. Para as gerações posteriores, o movimento foi de deixar gradativamente os Irmãos em funções institucionais, e não mais em sala de aula. Uma razão primeira para isso foi o aumento das escolas, que tornou necessária a contratação de professores leigos, e a diminuição no número de Irmãos, nas décadas de 1960-1970, devido às mudanças trazidas pelo Concílio Vaticano II. Estas mudanças serão abordadas nos próximos tópicos. A prática comum aos Irmãos mais velhos, em que cada turma de estudantes contava com um Irmão responsável por ela, foi se tornando menos frequente. Para fins de comparação, na Província não há, atualmente, nenhum Irmão Marista lecionando para estudantes da Educação Básica; das 3112 escolas maristas da Província, 08

têm diretores Irmãos.

A função de Formador13, nome genérico dado aos Irmãos responsáveis pela formação dos jovens que ingressam na instituição religiosa, mantém certa regularidade, assim como a direção das escolas. Aqui, cabem duas observações. Sobre a função de Formador, é coerente que a formação dos Irmãos recém- chegados à instituição esteja sob a responsabilidade primeira de outros Irmãos, o que não exclui a presença de leigos e leigas nas aulas e atividades formativas

11 Apenas um Irmão desta geração fez referência a professores leigos, isto é, não religiosos, nos

Colégios Maristas.

12 O número inclui escolas privadas e públicas/conveniadas.

13 Nas Províncias do Brasil Marista, há diferentes funções entre os formadores, nomeados como

Mestres de Noviços, Vice-Mestres de Noviços e Formadores, responsáveis, respectivamente, pela coordenação das Casas de Formação, vice-coordenação na ausência do coordenador e dinâmica das aulas e atividades formativas. Aqui, a expressão Formador se refere a todas essas funções.

próprias das etapas de formação. Quanto à presença dos Irmãos na direção das escolas, muitos deles consideram como necessária para garantir a identidade marista do ambiente educativo. Vale observar ainda que, com as novas exigências da gestão escolar, não são muitos os Irmãos que preenchem os requisitos de formação acadêmica e perfil profissional necessários ao cargo. Alguns Irmãos idosos manifestam descontentamento com a ausência de um religioso nestes espaços, considerando-a como indício de afastamento da missão institucional.

Nas funções de governo, que incluem o Irmão Provincial e o Conselho Provincial, eleitos em Assembleia para governarem a Província durante determinado período, a diferença entre as gerações se dá, provavelmente, por uma particularidade do grupo participante da pesquisa. As funções de governo, assim como as outras categorias, são próprias da dinâmica institucional, daí a regularidade no exercício destas funções entre as diferentes gerações de religiosos. A influência destas atribuições para os idosos será aprofundada no Capítulo 5.

Além das falas, outro instrumento elucidativo das influências normativas, no contexto da vida religiosa consagrada, foi a coleta de fotos das diferentes etapas na instituição. A escolha entre as imagens, com os respectivos comentários dos Irmãos, foi bastante reveladora da dinâmica institucional, da trajetória de vida individual e da relação entre os sujeitos, além das percepções pessoais a respeito das mudanças ocorridas na vida religiosa consagrada ao longo das últimas gerações.

As influências normativas graduadas por idade podem ser sintetizadas pelas seguintes características:

 Ingresso na instituição até a primeira etapa da adolescência, para a grande maioria dos Irmãos;

Figura 1 – Grupo de formandos e formadores no Recife/PE, década de 1940.

 Substituição dos vínculos familiares pela pertença institucional;

Figura 3 – Jovem Irmão, já usando hábito, com os pais, década de 1950.

 Formação acadêmica com foco na educação, preparando os Irmãos para atuar predominantemente em escolas;

Figura 5 – Foto de formatura com o Irmão responsável pela turma; Uberaba/MG, década de 1950.

 Formação institucional internacional, incluindo cursos, projetos e atividades em vários países.

Figura 7 – Estudantes religiosos e leigos da Escola da Fé, passeando em Friburg, Suíça, década de 1970.