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2. Theory and background

2.4. Detergent induced solubilisation of lipid membranes

“Onde há fumaça há fogo.”

É com este dito popular que gostaria de concluir este trabalho, que mais que uma constatação de evidências foi um indicativo de que por trás de uma simples ação motora, de uma situação de aula está toda uma rede de interações imbricadas e interatuantes.

Todo esse processo de busca, de construção de conhecimento, de relações é permeado por sensações, sentimentos, visões de mundo e experiências vividas que não podem ser com- putadas, mas aparecem nas entrelinhas de cada comunicação, seja ela escrita, verbal, corporal ou sensorial. Isso não pode ser medido, mesmo que pese intensamente nos resultados daquilo que é objetivo e alerte a todo o momento para o perigo de se querer reduzir ao objetivo aquilo que é subjetivo por natureza – a ação humana.

Os dados estatisticamente significativos extraídos desta pesquisa são como uma “fu- macinha” vista de longe em meio à floresta, como na estória de Joãozinho e Maria. Tais da- dos, no entanto, já permitem vislumbrar um longo caminho que se abre, no qual, como bem fazem as crianças, é preciso caminhar devagar atento a cada detalhe, a cada “flor” que aparece no percurso. Esta é a palavra mais significativa deste trabalho – percurso. Desde as disciplinas cursadas, a diversidade de informações, a escolha do caminho, a elaboração do projeto, a bus- ca de fundamentação, o contato com as escolas, com o corpo docente, com as mães e os pais, com as crianças, com os colaboradores, toda uma trama de relações e interações foi se estabe- lecendo e traçando um caminho que a cada situação era reorientado, exigindo reflexão e deci- sões com os olhos no horizonte, mas com os pés no chão de uma experiência vivida e que desde o início trouxe consigo uma pergunta: quem é esta pessoa que se apresenta, que aparece e se relaciona com o mundo, com os outros, consigo mesmo e com cada vivência?

Como já foi dito no início, esta conclusão é indicativa. Quem se move, age, sente e se relaciona só o faz porque é um corpo. Apesar de os estudos levantados sobre o desenvolvi- mento afetivo e social pouco tocarem neste aspecto, os estudos em psicomotricidade são unâ- nimes em destacá-lo. Os instrumentos de avaliação utilizados foram uma primeira tentativa de se capturar um dado objetivo em meio a tanta subjetividade, como se quisesse pinçar uma gota de azeite em meio à água. No entanto, seu valor é inestimável, já que é a partir deles que se pôde dar um primeiro passo e pelo menos saber aonde não se quer chegar. A avaliação ob- jetiva de uma expressão motriz não pode ser reduzida à execução final, talvez seja preciso

encontrar formas de se medir e pontuar também questões subjetivas que transpassam cada momento de teste, como o estado emocional, o temperamento, o contexto de quem avalia e é avaliado, as experiências prévias e tantas outras variáveis que muitas vezes ainda nem foram estudadas, mas que já podem ser intuídas por um olhar atento. É preciso abrir novas linhas e não perseguir uma existente para esgotá-la. Voltar-se para o processo.

As vivências (presente) podem ser negativas ou positivas, a experiência (passado) no entanto é sempre positiva, porque é o resultado de nossas reflexões diante do vivido e do co- nhecimento adquirido. Não pensamos sozinhos, encontrei vários pares neste caminho e fui me associando a eles. Revisitar é diferente de reinventar a roda, mas saber que ela foi inventada, não surgiu simplesmente. Este é o ponto que nos permite voltar e avançar. Não se pode abrir mão do próprio olhar, porque ele é singular, mas expressa a unidade de um todo.

A reflexão do passado, que permite uma visão menos ingênua do presente, mostra que as ações atuais têm muito do que está em sua origem na construção social. Na imagem da criança que se tem hoje em dia ainda se encontra a negligência tanto na superproteção, que não deixa ver o desejo da criança, quanto nos “asilos” de crianças, hoje representados pelas creches e pelas escolas, onde elas são uniformizadas. Nos dois extremos, a autonomia, no sentido de orientar-se pelo próprio desejo, é tolhida, impedindo a apropriação de si mesmo. Como será possível para a criança ter iniciativa? Como aproveitar suas potencialidades para receber da sociedade a herança cultural e científica como instrumentos de produção? Como ela pode se colocar aberta para construir o novo, com seu sentimento de “indústria”? Inovar nada mais é do que uma imitação criativa. Para se ter criatividade é preciso ter-se e saber-se um entre os outros, tendo seu espaço garantido. Se a criança demorou tanto tempo em nossa sociedade para ser reconhecida em sua singularidade, não se pode ter a ingenuidade de pensar que agora ela é sempre respeitada como ser humano em seu iniciar. É preciso estar atento a uma ação reflexiva para que os valores atuais da sociedade não excluam a criança. É preciso lembrar sempre que a educação em suas origens tem uma visão equivocada da criança, assim como a ciência tem uma base biológica forte sobre o desenvolvimento.

O surgimento da natação para bebês permitiu uma visão mais crítica das metodologias atuais para aprender a nadar. Ficou evidente que uma aprendizagem impositiva leva à aquisi- ção de tensões que impedem uma postura hidrodinâmica relaxada. Este estudo sugere que o programa experimental não interferiu de forma estatisticamente significativa no desenvolvi- mento das crianças e que um grupo não se diferenciou do outro após a intervenção, mas suge- re também, que mais que variar as formas é preciso mudar a relação com quem está apren- dendo a nadar, respeitando e cuidando das pessoas e das relações.

São muitas evidências para se mudar a direção em que se está caminhando na ação e- ducativa. Se realmente o que se quer são crianças socializadas e não adestradas. Educar para serem confiantes na sociedade e nas pessoas com quem convivem, conscientes de seus direi- tos e deveres, saudáveis em todos os seus aspectos, enfim, capazes de transformar e construir um mundo cada vez mais justo e solidário. Só assim se dá uma educação orientada para a paz, que siga a dinâmica da vida. Apesar de o sentimento de confiança básica ser mais orgânico, ligado à homeostase, estar sempre presente, pode ser ampliado, mas não excluído. A natureza humana é dinâmica e uma constante dialética entre natureza e cultura.

“...e o que é o homem, é no fim de tudo a soma das vezes que consegue vencer a na-

tureza em si mesmo...