Fizemos uma pesquisa, um levantamento para descobrir o que cada jovem está fazendo atualmente, pois o grupo não tem se encontrado mais, após o término da intervenção até o último contato, no início de setembro de 2004.
S2: conseguiu vaga na creche para seus filhos, como tanto queria. Está trabalhando em um supermercado, havia se separado, mas voltou a viver com o marido e continua no Jardim Oriente, mas devido a todos os afazeres diários não tem participado de nenhum grupo de jovens;
S7: irmã da S2, continua estudando, disse sentir muita falta dos encontros no grupo de jovem. Tem participado de jogos na escola, que acontecem nos finais de semana, mas fica em outro bairro. Se sente muito só e sem perspectivas;
S9: se separou do marido e está vivendo com a família de sua mãe e sua filha em outro bairro, e que iria procurar emprego, pois o seu maior desejo é cuidar bem da filha;
S4: construiu alguns cômodos em cima da casa da sua família e mora com sua namorada e a filha dela, com quem disse ter um bom relacionamento, a menina gosta muito dele. Está trabalhando como vigia noturno e teve a moto que trabalha roubada por duas vezes, sendo que em uma delas teve uma arma apontada para a sua cabeça. Anda bastante assustado e revoltado com a falta de segurança e com a violência atual. Também sofreu um roubo na sua casa. Acredita que precisa mudar tudo, a começar pela polícia, que acredita estar envolvida com os bandidos e não está prestando serviço à comunidade como deveria. No entanto, continua trabalhando no mesmo emprego, pois precisa sustentar a nova família. Não participa de mais nenhuma atividade no bairro, durante o dia precisa dormir para o trabalho de vigia noturno;
O seu irmão, S8, também foi viver juntou com a namorada e moram com os pais dele. Está trabalhando e tem feito poucos desenhos, atividade que continua a fazer. Não tem participado de nenhum trabalho, ou grupo do bairro. Mas sempre que pode se junta com o irmão para tocar, outra paixão sua;
S10: também não se envolveu com mais nenhum grupo no bairro, pois tem vivido de bicos para ajudar nas contas de casa. Continua estudando e formou um grupo de Rap, que segundo ele, é a forma que encontrou de levar o nome do bairro a outros lugares, contando o que tem de bom e agradecendo às pessoas dali por toda a ajuda na melhoria da qualidade de vida que tem tido.
S3: está trabalhando em uma empresa de Tupi, sub-distrito de Piracicaba, como motorista de um caminhão. Apesar de acordar muito cedo, gosta muito do que faz e o
seu chefe confia muito nele e gosta do seu trabalho. Ele continua estudando à noite e tem sonhado muito com a faculdade que ainda pretende fazer. Devido aos compromissos não participa de nenhum grupo do bairro, e mora em outro lugar. Mas fez questão de contar que usa as dinâmicas que aprendeu no grupo ‘Água é Vida’, com seus colegas no trabalho;
S5: está muito envolvido com o teatro. Por não ter conseguido entrar no cursinho gratuito da ESALQ, desistiu de prestar vestibular nessa faculdade e vai tentar prestar Unimep, desde que consiga bolsa. Não tem participado de nada no bairro, pois sempre está fora dele, seja para trabalhar, estudar ou se divertir.
S6: continua trabalhando em um hipermercado, estuda e está namorando, costuma freqüentar a igreja da namorada e quer voltar a tocar guitarra. Também não participa de mais nenhum grupo no bairro.
E por fim, S1, que é o único participante do grupo ‘Água é Vida’ de outro bairro, do Parque São Jorge. Esse jovem tem uma história muito interessante, pois contou que depois do grupo ‘Água é Vida’ começou a liderar grupos, a falar mais o que pensava. Aprendeu a falar nos encontros do grupo, e por ser bastante tímido, a experiência o ajudou a mudar, começou a falar em casa sobre meio ambiente, também fala no grupo da igreja, que hoje ele lidera. Com isso, foi possível perceber que ele tem potencial e começou a conseguir exercitá-lo na vida pessoal.
S1, sobre o grupo ‘Água é Vida’, disse que sentia e sente que algumas pessoas se expunham na avaliação do dia somente para que o encontro terminasse logo, porque pensavam que tinham que falar para poder ir embora, mas não diziam o que realmente pensavam e sentiam.
Antes do projeto ‘Água é Vida’, ele sempre se mantinha calado, tinha vergonha de falar, de se expressar. Na época a banda da igreja tinha somente três pessoas, ele tinha que cantar, mesmo não sendo cantor. Mas hoje tem um grande grupo, com cantores e com a equipe de músicos quase toda completa, só faltando um tecladista.
Como isso aconteceu? Esse jovem percebeu que quando desejava algo, se concentrava para conseguir. Assim, foi trabalhando como servente de pedreiro e acabou comprando os instrumentos, além de contar com alguma ajuda da igreja. Também percebeu que tem facilidade para aprender a tocar instrumentos. E quando
percebe a facilidade de alguém para tocar um instrumento específico, ele ensina e vai aprendendo outro, e assim consecutivamente. Dessa forma, hoje está com um grupo animado, com bom entrosamento, tocando bastante, ensaiam e se divertem muito, mesmo não tendo retorno financeiro está se esforçando.
Após essa entrevista S1 me procurou pedindo ajuda pra fazer um cartaz no computador, para divulgar o seu novo trabalho: fretar ônibus para estudantes ou interessados que necessitem de um transporte. Fizemos o cartaz e espalhamos pelo Campus da ESALQ.
Esses são os caminhos encontrados por cada jovem, e assim eles continuam suas buscas de realizações pessoais e sociais, dentro de suas possibilidades, desejos, tristezas e alegrias.