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Saker om administrative tvangsvedtak i helse- og sosialsektoren

In document Forhandlinger i Odelstinget nr. 52 (sider 163-181)

Foram então realizadas 60114 entrevistas a jovens adultos, cujas idades variavam, à altura da entrevista, entre os 18 e os 29 anos, sendo que a maioria deles/as tinha mais de 20 anos (28 jovens

113 Ver anexo II para um quadro síntese das posições sociais dos/as entrevistados/as 114

Geralmente a pesquisa qualitativa e, nomeadamente, a utilização da técnica de entrevistas, implica o conceito de ponto de saturação (Bertaux e Bertaux-Wiame (1981, in Mason, 2009 [2002]), ou seja o ponto em que se percebe que se tem uma imagem daquilo que se passa e que se pode gerar uma explicação apropriada para isso. Será então importante perceber se o número de entrevistados/as escolhidos/as providenciam acesso suficiente aos dados que permitem responder às questões de partida. Ora, no caso deste trabalho considera-se que em termos de jovens entrevistados/as heterossexuais com o ensino secundário e mais se atingiu este ponto de saturação, mas o mesmo não se pode dizer dos/as entrevistados com um nível de escolaridade igual ou inferior ao 9º ano de escolaridade e aos/às jovens com uma orientação sexual não heterossexual. Isto deveu-se a um conjunto de fatores. Assim, estes/as foram jovens de mais difícil acesso para a entrevistadora, em face: à sua posição social e à sua rede de relações; à tendência para o aumento da escolaridade dos/as jovens em geral, embora ainda hajam bastantes desigualdades em relação ao sistema de ensino; ao facto de os/as jovens com uma orientação sexual não orientação sexual poderem estar mais fechados perante estranhos, em face do domínio da heterossexualidade e da existência de homofobia na sociedade; e/ou aos constrangimentos pessoais e de tempo sofridos pela entrevistadora que levaram ao fim da procura de mais jovens com estas características. No entanto,

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tinham entre os 18 e os 23 anos, e 33 jovens tinham entre os 24 e os 29 anos). Estes/as jovens eram todos/as portugueses/as ou filhos/as de emigrantes portugueses, não havendo, portanto, diversidade étnica115. Dos/as jovens entrevistados/as, 30 eram homens e 30 eram mulheres, dos quais 25 homens eram heterossexuais, 4 eram homossexuais e um era bissexual. No caso das jovens mulheres, 25 eram heterossexuais, 4 eram lésbicas e uma era bissexual. Procurou-se entrevistar jovens que estivessem numa relação amorosa e jovens que estivessem sem parceiro/a, embora os/as jovens envolvidos/as numa relação amorosa (23 jovens com namorados/as e 12 jovens a viver em conjugalidade) sejam um pouco mais dos/as que estão sem parceiros/as (25 jovens). No entanto, a maioria dos/as jovens não entrou ainda em conjugalidade ou em parentalidade, sendo que apenas uma minoria tem filhos (6 entrevistados, 5 mulheres e um homem) e/ou vivia em conjugalidade (11 coabitavam e uma era casada).

Procurou-se ainda diversificar o nível de escolaridade dos/as entrevistados/as. Obteve-se assim: 9 jovens com frequência até ao 9º ano de escolaridade; 23 jovens com a frequência do ensino secundário (entre o 10º e o 12º ano de escolaridade); 14 jovens a frequentar o ensino superior; e 14 jovens já licenciados. Em termos de situação perante o trabalho, 12 jovens eram estudantes, 4 estavam desempregados/as, 3 estavam à procura do primeiro emprego, 32 trabalhavam, e 9 eram trabalhadores/as estudantes. Tendo em conta que 18 dos/as jovens não se encontravam a trabalhar (ou porque estavam desempregados, à procura de emprego ou a estudar), pode dizer-se que os/as jovens inseridos/as no mercado de trabalho eram sobretudo empregados/as executantes (22), existindo ainda jovens operários (7), jovens profissionais técnicos e de enquadramento (8), e um pequeno grupo de jovens trabalhadores/as independentes (4, dos quais 2 são proprietários de negócios e 2 têm trabalhos relacionados com as artes)116. Para alguns/algumas destes/as jovens, especialmente para algumas das jovens mulheres, há uma descoincidência entre as qualificações escolares e a sua situação perante o trabalho e/ou o tipo de profissão que têm. Assim, várias das jovens com o ensino superior estavam à altura desempregadas, com dificuldade em conseguir um primeiro emprego que correspondesse, de alguma maneira, ao curso frequentado e/ou aos seus objetivos, ou encontravam-se “sub-empregadas”, em trabalhos menos qualificados, por exemplo, como empregadas de balcão ou de loja. Ora, de acordo com Costa (2012: 84), “o segmento social que mais tem sido afetado pelas dinâmicas recentes do mercado de trabalho é o dos/as jovens adultos/as, os/as quais experimentam crescentes dificuldades de emprego, com os consequentes riscos de carência de rendimentos – embora a situação

considera-se importante ter-se conseguido diversificar um pouco os/as jovens entrevistados/as em termos do seu posicionamento social.

115 Na região de Leiria, até recentemente existia muito pouca diversidade étnica, havendo alguns indivíduos de etnia cigana e alguns retornados das ex-colónias portugueses, que podem ser brancos, mestiços, ou negros. Nos últimos anos assistiu-se a um aumento do número de brasileiros/as na região, assim como ao surgimento de imigrantes provenientes dos países de leste europeu, e de indivíduos de origem asiática, dando assim conta do aumento da diversidade étnica. Contudo esta está longe da diversidade étnica existente nas maiores cidades do país, sobretudo em Lisboa. O facto de se não se ter procurado indivíduos autoidentificados com outras etnicidades foi também propositado, na medida em que seria um fator complexificador da análise.

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seja muito variável, consoante os países, as origens sociais, os níveis de escolaridade e os apoios do Estado”. Os/as jovens encontram-se assim num contexto em que existem: elevados níveis de desemprego e precariedade laboral; maior necessidade de formação ao mesmo tempo que há a perceção de que uma licenciatura já não garante, por si só, o acesso a um estatuto social mais alto; custos elevados de autonomia residencial; e/ou a possibilidade de processos de estagnação de mobilidade ou de mobilidade descendente (Costa, 2012). Ainda assim, de acordo com vários autores (Almeida, 2013; Costa, 2012; Galland, 2011; Furlong e Cartmel, 2007), a frequência do ensino superior continua a ser uma garantia de acesso a uma ocupação profissional e/ou a rendimentos mais elevados117.

Já os pais dos/das jovens, quanto à sua profissão tendiam a ser, sobretudo, empregados/as executantes e/ou operários, assim como profissionais técnicos e de enquadramento. Existiam ainda um conjunto menor de pais que eram empresários, dirigentes ou profissionais liberais, e trabalhadores independentes. Contudo, esta imagem é complexificada pela situação perante a profissão e o tipo de trabalho do pai e da mãe, e pelo falecimento ou afastamento de um dos pais (geralmente o pai). Não se indo entrar aqui em pormenor, apresentam-se estes dados apenas para referir que, tendencialmente, os/as jovens com pais com profissões mais qualificadas tendiam a ser os/as que tinham um maior nível de escolaridade, enquanto que, no sentido inverso, os jovens com os pais com profissões mais desqualificadas eram os que tendiam a ter um menor nível de escolaridade e a exercer profissões menos qualificadas, como operários ou como empregados/as executantes. Contudo, é visível o caso de alguns jovens, com pais em profissões mais desqualificadas, que fizerem um investimento nos estudos e que frequentaram e/ou frequentam o ensino superior (tendo ou não finalizado os estudos). Existem também casos, embora estes sejam minoritários, de casos em que os pais dos/das jovens tinham profissões mais qualificadas, mas em que os/as jovens trabalhavam em profissões mais desqualificadas e/ou que “optaram” por não continuar a estudar e/ou entrar na faculdade. Ou seja, parece, assim, existir, entre os/as jovens, evidências de transmissão social geracional, de mobilidade social ascendente e, num menor número de casos, de mobilidade social descendente.

A nível religioso dividiu-se, inicialmente, os/as jovens em 4 grupos, a partir dos seus auto- posicionamentos perante a religião, das suas crenças e das suas práticas religiosas, passadas e presentes: jovens católicos praticantes (3 rapazes e uma rapariga, com o ensino secundário e superior; heterossexuais); jovens católicos não praticantes com forte socialização religiosa e/ou católicos praticantes de forma irregular – ex-catequistas, ida à catequese e/ou à missa, e/ou forte fé pessoal (12 jovens, 8 raparigas e 6 rapazes, heterossexuais e homossexuais, todos os níveis de escolaridade); jovens católicos não praticantes/cristãos (a grande maioria; 18 raparigas e 14 rapazes; todos os níveis

117 Sobre a continuada importância da frequência do ensino superior e dos conhecimentos e competências adquiridos neste, assim como sobre a persistência do acesso desigual à educação, apesar de existirem atualmente processos de alargamento e de prolongamento da escolaridade, ver, entre outros, Almeida (2013), Costa (2012), Galland (2011) e Furlong e Cartmel (2007).

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de escolaridade; heterossexuais e homossexuais); e jovens que se consideram ateus ou agnósticos (12 jovens, dos/as quais 3 jovens mulheres com ensino secundário e superior, e 9 jovens homens tendencialmente com o ensino secundário ou mais; jovens heterossexuais, homossexuais e bissexuais). Por uma questão de simplificação e também pelo pequeno número de jovens que se autoidentificou como católico praticante resolveu-se reorganizar os/as jovens em: mais religiosos/as (católicos/as praticantes e não praticantes com uma forte socialização religiosa), católicos não praticantes (católicos não praticantes e cristãos) e não religiosos (ateus e agnósticos). É ainda de sublinhar que, independentemente da sua posição perante a religião, vários/as jovens referiram que foram educados como católicos/as pelos pais, podendo mesmo ter ido à catequese, mas que depois se tornaram católicos não praticantes, com uma crença individualizada ou com pouca crença, ou mesmo ateus. Para além disso, a crença em algo superior tendia a ser independente da prática religiosa (por exemplo expressa na ida à missa) ou da crença na instituição igreja. Foram assim vários/as os/as jovens católicos/as não praticantes, com forte socialização religiosa ou não, que referiram acreditar em Deus. Aliás, foram poucos/as os/as jovens que se assumiram como católicos/as que referiram que a religião não tinha qualquer importância na sua vida. A importância que a religião assume na vida destes/as jovens está, geralmente, associada a períodos de maior dificuldade nas suas vidas, em que a crença em Deus se torna um refúgio, um porto de abrigo, uma força para ultrapassar situações, podendo ser uma fonte de paz e tranquilidade.

A maioria dos jovens era natural da região de Leiria e residente nesta, no entanto existiam também jovens naturais de outros concelhos ou de outros países, visto serem filhos/as de emigrantes portugueses, que por vários motivos, como o trabalhar ou o vir estudar no ensino superior, se deslocaram para esta região; uma minoria de entrevistados/as sendo da região de Leiria e passando parte dos fins de semana e férias nesta região, em casa dos pais/familiares, encontrava-se a estudar e/ou a trabalhar noutros sítios do país.

As entrevistas foram, então, realizadas na região de Leiria118. Leiria é uma pequena cidade, capital de distrito, no litoral centro de Portugal, tendo como principais atividades económicas a industria (composta maioritariamente por pequenas e médias empresas, por exemplo, do sector dos plásticos) e o comércio. A região de Leiria foi considerada como sendo caracterizada como uma malha urbana- industrial complexa, devido à difusão das suas unidades fabris, com “um vasto espaço, social e economicamente muito dinâmico” (Lourenço, 1991), derivado à melhoria das vias de comunicação,

118 Por região de Leiria entenda-se aqui o distrito de Leiria e o concelho de Ourém. Apesar de existirem “vários mapas para a mesma região” (Vieira, 2004), que tanto incluem como excluem alguns das zonas pertencentes ao distrito de Leiria, assim como o concelho de Ourém, optou-se, por motivos práticos (em termos de mapa político definido da região) utilizar a dimensão correspondente ao distrito de Leiria, acrescentando o concelho de Ourém, por uma questão de identificação identitária dos indivíduos residentes neste concelho, e da própria investigadora, na medida em que há uma crescente identificação entre Leiria-cidade e Ourém/Fátima, assim como o aumento dos fluxos económicos e socioculturais entre as duas zonas. Contudo, embora se tenha aberto espaço regional de pesquisa, também por motivos práticos (de deslocação e de redes de conhecimento) procurou-se, mais ativamente, entrevistados/as no concelho da Marinha Grande e de Leiria.

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com o consequente alargamento das áreas de acessibilidade. No contínuo urbano da região centro litoral (Silvano, 2001), no qual se inclui a região de Leiria, encontram-se várias aldeias urbanizadas, ou seja, aldeias industrializadas (Rémy e Voyé, 1992, in Filomena Silvano, 2001), transformadas em espaços dependentes do exterior (nomeadamente das cidades mais próximas), e que permitem novos estilos de vida, que passam por uma mobilidade quotidiana que coloca os seus habitantes em relação constante com o exterior. Acresce ainda que, de acordo com Torres et al. (2008), a região de Leiria tende a situar-se num meio-termo entre o Porto e Lisboa em termos religiosidade e de concentração de casamentos católicos, de taxas de nascimentos e de casamento (maiores na zona norte e menores em Lisboa), de taxas de divórcio (mais elevadas na zona de lisboa do que do Porto) e representações e práticas sobre/da vida familiar (com tendência a serem mais tradicionais na região do Porto e mais liberais na região de Lisboa, embora o nível de escolaridade e a profissão dos indivíduos tenham aqui bastante influência com os mais qualificados a terem práticas e representações tendencialmente mais liberais do que os menos qualificados). Mais recentemente os dados das estatísticas anuais referentes à região Centro (INE, 2013)119, nomeadamente os dados para a zona do Pinhal Litoral120, dão conta de como de como a taxa bruta de divórcio se aproximou do total do país (sendo de 2,5‰), os nascimentos fora do casamento são um pouco menores do que a média nacional (sendo de 42,8% para Portugal e de 40% para a zona do Pinhal litoral) e a proporção de casamentos católicos se mantém mais elevada do que a média nacional (sendo 39,5% para Portugal e 46,9% para a zona do Pinhal Litoral). O que estes dados parecem indicar é a coexistência na região de Leiria de traços “mais modernos” com “traços mais tradicionais”, o que faz desta uma região especialmente interessante de analisar.

O contacto inicial com os/as entrevistados/as foi feito essencialmente através de dois meios: procurou-se a ajuda de centros de saúde e do instituto português da juventude, onde existiam consultas de planeamento familiar e sexual para jovens, e onde eu própria e/ou a médica explicava o propósito deste trabalho; e utilizou-se a técnica da bola de neve, através de contactos com pessoas conhecidas, que indicavam possíveis entrevistados/as (duas dessas pessoas eram proprietárias de bares, o que explica, em parte, o facto de algumas entrevistas terem sido realizadas nos bares dos mesmos), e através dos/as jovens já entrevistados, que indicavam pessoas conhecidas que poderiam estar dispostas a realizar a entrevista. As entrevistas foram realizadas face a face, em locais escolhidos pelos/as entrevistados/as; sendo, na sua maioria, locais públicos, como cafés ou bares. Foram dadas garantias de confidencialidade aos/às entrevistados, pelo que os nomes que aparecem ao longo do texto são falsos. A duração das entrevistas variou entre os 50 minutos e as 4 horas, sendo que a

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Consultado em 10 de Outubro de 2013

http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=15003649 2&PUBLICACOESmodo=2

120 Embora a zona do Pinhal Litoral (Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós) não englobe todos os concelhos da região de Leiria, optou-se por este indicador por motivos de simplificação, na medida em que engloba os concelhos em que mais jovens entrevistados/as residiam ou de que eram oriundos: Leiria e Marinha Grande.

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maioria das entrevistas demorou entre uma hora e meia e duas horas. Estas foram gravadas, tendo sido parcialmente transcritas pela autora. Parte das entrevistas foram entregues para transcrição, por colegas pagos para o efeito, tendo sido totalmente revistas, pela autora, no final.

3.3.3. A relação da entrevistadora com os/as jovens entrevistados/as e a situação

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