Laura Padilla
– 49 anos, piqueteira, participou dos primeiros piquetesem Cutral-có e Plaza Huincul (Neuquén), e é conhecida como a “madre de los
piqueteros”. Nasceu em El Perdido (Província de Buenos Aires). Quando tinha um ano, seu pai foi contratado pela empresa Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) e a família se trasladou para General Roca. Sua mãe era dona de casa e também teve um pequeno comércio. Tem um irmão, jornalista, professor de História e ex-combatente da Guerra de Malvinas. A família morou, também, em Tostado (Santa Fe), em virtude do emprego do pai. Laura teve uma filha que criou sozinha. Casou-se em 1984 e teve mais dois filhos. Separou-se em duas ocasiões do marido por maus-tratos e, em julho de 1993, a separação deu-se de forma definitiva. Em 1994, começou a trabalhar como professora dando aulas de reforço. Após ter participado no levante em Cutral-có, estudou para Leiloeira e Corretora Pública (1997), para Oficial de Justiça (2000), e realizou vários cursos de Especialização em Violência Familiar, Maus-tratos e Abuso Infantil (2001 e 2002). Em 1999, fundou o grupo Por tu família, que trabalha a questão da violência familiar e pensão alimentícia, e desde então, mantém uma importante luta contra o sistema judiciário argentino.
Emma Martín
– 55 anos, participante e membro fundadora doMovimiento de Mujeres en Lucha (MML), em Rosario (Santa Fe). É a filha caçula de
uma família de seis irmãos. Seu pai começou trabalhando como boiadeiro e com o tempo conseguiu alugar 10 hectares e estabelecer seu próprio tambo9, que administrou de 1939 a 1955. Neste ano, junto a um sócio, comprou um campo em Roldán (Santa
9 Equivalente ao brasileirismo de Rio Grande do Sul tambo, estábulo onde se ordenham as vacas para
38 Fe), onde estabeleceram um tambo e uma pequena produção agrícola. Posteriormente, o sócio vendeu-lhe sua parte da propriedade. Emma viveu toda sua vida no campo. Casou-se em 1974, com um produtor de hortaliças; tendo a opção de morar na cidade, escolheu permanecer no campo. Tiveram três filhos: dois homens e uma mulher. Sua filha mulher teve um filho. Emma mora desde seu casamento em uma propriedade de 20 hectares, em Rosario (Santa Fe). Em 1995, começou a participar do MML.
Norma Durante
– 54 anos, participante e pessoa de referência doMovimiento de Mujeres en Lucha (MML), em General Roca, Província de Río Negro.
Sua mãe, María Luisa Del Hierro, e seu pai, José Durante, instalaram-se na cidade de Buenos Aires após o casamento. Porém, sua mãe quis voltar ao lar familiar. Assim, Norma e sua irmã foram criadas no sítio do seu avô Celestino Del Hierro, perto de General Roca. Norma estudou nessa cidade, casou-se e teve dois filhos, os quais, após seu divórcio, ficaram ao seu cuidado. Em uma segunda união, teve uma terceira filha. Trabalhou no Hogar de Niños de General Roca, posteriormente, no Banco Los Andes até o momento em que a instituição faliu e ficou desempregada. Em 1979, prestou concurso para entrar na Polícia Provincial e ingressou nessa Instituição, permanecendo até 1999, ano em que se aposentou. Com a morte do avô, assumiu simultaneamente o trabalho de produtora. Em 1998 começou a participar do MML regional.
Eleuteria “Mary” Segovia
– 54 anos, participante da CorrienteClasista Combativa (CCC), em Garín, Província de Buenos Aires. Nasceu em Itá,
Paraguai, em 20 de fevereiro de 1955. Seu pai trabalhava em uma olaria e sua mãe era dona de casa. Tiveram três filhos e se separaram quando ela tinha cinco anos. Sua mãe ficou responsável pelos filhos, mas decidiu ir para Buenos Aires à procura de emprego e deixou os filhos a cargo de terceiros. Mary, com sete anos de idade, foi encomendada à
39 família de um chefe da polícia. Começou a frequentar a escola, mas em virtude da ausência da mãe, a família retirou-a, obrigando-a a trabalhar como “serviente” das filhas. Aos 14 anos, fugiu da casa. Em seguida, a mãe tornou a procurá-la e a levou para Argentina. Trabalhou como empregada doméstica. Conheceu seu marido, pedreiro, também de origem paraguaio. Com quinze anos, decidem morar juntos. Aos 16, nasce a primeira de sete filhos. Em momento de dificuldade financeira trabalhou como empregada doméstica e produziu, também, pão para venda. Em 2002, começou a participar da CCC e, atualmente, se reconhece como piquetera.
Graciela Centurión
– 47 anos, encabeça a reivindicação de justiçapela morte de sua filha Mariana Victoria Sánchez e participa de outras mobilizações vinculadas ao combate da impunidade. Seu pai trabalhava em uma madeireira e sua mãe aposentou-se como porteira de uma escola particular; separaram-se quando ela tinha dez anos. Graciela se casou com 17 anos e teve dois filhos: Pablo e Mariana. A família se estabeleceu em Garín (província de Buenos Aires). Realizou cursos de confeitaria e trabalhou nesse ofício durante vinte anos. Fez o colegial em uma escola noturna e deu continuidade a seus estudos no Professorado em Artes Visuais. Em 17 de agosto de 2006, sua filha morre vitimada por um tiro na cabeça. Estava no carro de seu namorado, o policial Gabriel Omar García, no estacionamento de Mc Donald´s de Campana (província de Buenos Aires). As investigações rapidamente levaram a crer que a jovem tinha se suicidado. Rejeitando essa hipótese, Graciela, com o incentivo e apoio de familiares, amigos, vizinhos e do grupo da CCC que funciona no bairro, iniciou uma série de mobilizações até conseguir o afastamento do cargo de Gabriel García e apontar sua responsabilidade como acusado do crime.
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María Tereza Rosario
– 38 anos, é liderança sindical da fábrica dealimentos Kraft Foods, ex-Terrabusi, há mais de dez anos. Nasceu na cidade de Florida, Província de Buenos Aires. Seu pai trabalhava como coletor de resíduos num clube e sua mãe como empregada doméstica e cozinheira. María tem quatro irmãos, um mais velho e três irmãs mais novas. Ao concluir o colegial, realizado no período noturno, começou o curso de Arquitetura na Universidad de Buenos Aires (UBA), mas pelas condições financeiras da família abandonou os estudos e decidiu trabalhar para contribuir com o orçamento familiar e ter autonomia. Trabalhou algum tempo como babá e como vendedora num pequeno comércio. Em 1990, foi contratada pela fábrica Terrabusi. Em 1994, concorreu como candidata a membro da Comissão Interna da fábrica e foi eleita. No ano seguinte, começou a militar na Corriente Clasista
Combativa (CCC) do Partido Comunista Revolucionario (PCR). Sendo reeleita, desde
então, é delegada, defendendo os direitos de trabalhadoras e trabalhadores nessa fábrica do setor da alimentação com 2.800 pessoas.
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A trajetória de Laura tem como fundo o impacto das privatizações das empresas do estado nas economias do interior do país, principalmente a venda da empresa
Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF). Nossa entrevistada protagonizou os primeiros
levantamentos que deram origem a uma nova forma de protesto: o piquete (bloqueio de rodovias), em torno da qual surgiu um novo ator social: o piqueteiro. Assim, passou a ser conhecida como “madre de los piqueteros”, e foi quem assinou o acordo com o governador do estado, Felipe Sapag, para levantar o piquete de seis dias, chamando a atenção do país para a crise que começava a se sentir nas economias do interior. Sua trajetória é diferenciada em relação às outras que serão apresentadas, pois há uma produção pessoal, jornalística e acadêmica em torno dela.