Kapittel 6: Interne spenninger innenfor den unionistiske identitetsdanningsprosessen
6.1 Religiøse forskjeller innenfor protestantismen
Genette (1979) descreve a narrativa como um produto das relações e interações dos seus componentes em vários níveis e todos os seus aspectos são encarados como unidades dependentes entre si: o discurso é caracterizado pela ordem cronológica dos acontecimentos em um texto narrativo; a história, pela seqüência na qual os acontecimentos realmente ocorrem, e a narração, pelo ato de narrar.
O papel do narrador também é aprofundado nos estudos de Genette, destacando-se a sua dinâmica própria relativa à história.
Genette ainda distingue vários tipos de narrador, mediante o seu lugar na diegese: narrador autodiegético, isto é, aquele que narra as suas próprias experiências como personagem central dessa história; narrador homodiegético, isto é, aquele que, não sendo personagem principal da história, narra os acontecimentos a ela inerentes; narrador heterodiegético, ou seja, aquele que não fazendo parte da história, a narra. Para Genette o narrador intradiegético visa a um narratário também intradiegético, assim como o narrador extradiegético visa a um narratário extradiegético.
O narratário extradiegético pode identificar-se com o leitor, não se confundindo, entretanto, com o leitor real do texto, o interlocutor. Entenda-se então, o interlocutor como o leitor que não é necessariamente aquele a quem o texto está destinado. O narratário existe ainda que não apareça mencionado no discurso do
narrador. O narratário intradiegético é uma personagem concreta podendo ou não interferir na intriga.
Genette relaciona cinco funções para o narrador, sendo que todas elas caminham juntas e nenhuma pode ser excluída. São elas:
- comunicativa, que consiste em dirigir-se explicitamente ao narratário; - metanarrativa, observada nos comentários do narrador sobre a organização do texto;
- testemunhal ou modalizante, que exprime a relação do narrador com a história narrada;
- a explicativa, pela qual são dadas ao narratário certas informações complementares consideradas importantes para a compreensão da história;
- generalizante ou ideológica, que corresponde a opiniões do narrador, julgamentos gerais sobre o mundo, a sociedade e as pessoas.
A diferença entre história e discurso está presente em outros estudiosos da narrativa.
Eco (2004) retoma a oposição formulada pelos formalistas russos entre fábula e enredo : fábula é o esquema fundamental da narração, a lógica das ações e a sintaxe das personagens, o curso de eventos que dizem respeito a objetos inanimados , ou também a idéias. O enredo, pelo contrário, é a história como de fato é contada, conforme aparece na superfície, com as suas deslocações temporais, saltos para frente e para trás (ou seja, antecipações e flash-back), descrições, digressões, reflexões parentéticas. Num texto narrativo, o enredo identifica-se com as estruturas discursivas.
A palavra enredo, para Mesquita (1986), pode assumir variações de sentido, sem nunca perder o sentido essencial de <<arranjo de uma história>>. Por isso, todo enredo contém uma história e é corpo de uma narrativa.
Segre (apud Reis e Lopes, 1988) retoma o termo fábula numa acepção próxima à dos formalistas russos: um nível de descrição do texto narrativo, constituído pelos materiais antropológicos, temas e motivos que determinadas estratégias de construção e montagem transformam em intriga.
Através dos tempos, o enredo foi sendo associado ao mito (do grego mythos: intriga ou desenvolvimento factual de uma história), fazendo com que o ouvir/ler histórias seja uma atividade antropológica-social e naturalmente indissociável do ser humano. Entre o mito, que remete os acontecimentos ao tempo primordial das origens, e o romance, introduziu-se na narrativa o tempo da história, que é linear, e , pouco a pouco, as marcas temporais passam a ordenar os fatos narrados e a dominar o desconhecido.
Inicialmente, a sucessão de eventos míticos era o bastante como seqüência narrativa; porém, nas transformações posteriores, pela perda do engajamento com um sentido e com uma ordem gerais vai-se introduzindo a necessidade do estabelecimento da relação de causalidade entre um antes e um depois: algo acontece porque outro fato aconteceu antes.
No texto literário, varias técnicas são introduzidas, tais como processos de encadeamento, justaposição, encaixe de episódios, anulamento de uns, permanência de outros, até que a narrativa se torne um processo de construção da linguagem.
Segundo Mesquita (1986), o enredo pode ser focalizado como categoria estruturante da narrativa de ficção em prosa, categoria que compreende tudo o que compõe o plano de ação, as transformações das situações que se sucedem na ordem/desordem em que as apresenta o discurso que narra.
As formas de narrar, desde o mito até o romance, são igualmente acompanhadas das formas de construção do enredo.
Podemos dizer que o enredo é estruturado pelo principio lógico da causalidade e pela lógica temporal. Assim, o sentido de um texto está relacionado ao enredo: mundo apresentado/ representado/produzido na obra.
A diferença proposta entre história e discurso é mantida nos estudos narrativos, a fim de se distinguir o discurso que narra, da forma pela qual se narra.
O discurso que narra compreende a história, a fabula, a matéria narrada que pode ter existência autônoma e até ser anterior à estruturação da obra literária. O discurso pelo qual se narra respeita a cronologia (narra-se antes o que aconteceu antes), obedece a ordem começo, meio e fim; respeita, ainda, o princípio da causalidade (os fatos são ligados pela relação de causa e efeito) e também a
verossimilhança (procura-se aparência de verdades, respeitando-se a logicidade dos fatos). Todavia, dependendo do gênero textual, na superfície enunciada do texto muitas vezes essa ordem e esse princípio são desrespeitados intencionalmente como, por exemplo, em histórias de suspense.
Um processo de transformação vem ocorrendo com o enredo, principalmente no âmbito da chamada “ literatura culta”, pois nas narrativas de transmissão oral , representantes principalmente das manifestações da cultura popular mantêm-se praticamente estável.
Nesse sentido, podemos afirmar que a maneira que se narra é uma questão que relaciona arte/sociedade, arte/público, diferenciando arte “erudita” ou “ culta” da arte “ popular”.
De forma geral, para evitar a complexidade, nas narrativas dirigidas ao grande público, as histórias populares, feitas para o povo, seguem a linearidade, e a construção do enredo, quase sempre, procura respeitar a tradição narrativa.
Todavia, ao se tratar da literatura culta, dirigida para um público de elite, a estruturação do enredo altera a linearidade.
O enredo será o produto das relações de interdependência entre a sucessão e a transformação de situações e de fatos narrados se considerado como a própria estruturação da narrativa de ficção em prosa.
Logo, o enredo não é a fábula, mas a elaboração estética do que diz a fábula, mediante uma instância narrante.
Sendo assim, a fábula representa um conjunto de vivências de personagens, em suas conexões internas, em sua seqüência temporal, causal e o enredo, na obra literária, é a disposição construída, de forma estética, desse conjunto.
Quanto à ação, no que diz respeito à narrativa tradicional - que tem suas origens na narrativa oral e que caracteriza a “ficção” do século XIX (Romantismo, Realismo, Naturalismo) – a situação inicial geralmente é apresentada por um equilíbrio entre as personagens. Com o surgimento de um motivo desequilibrador da situação inicial, começa o processo de transformações que se sucedem até a última, que constituirá o desfecho, que retoma o equilíbrio, daquele desequilíbrio, embora em uma situação diferente.
A ação será, portanto, o percurso seguido pelas personagens através das sucessivas situações.
Mesquita (1986) lembra ainda, que as funções de herói e de anti-herói não devem ser confundidas com as de protagonista e de antagonista. O herói é o sujeito consciente que produz a transformação e recupera o equilíbrio perdido. O anti-herói não recupera uma ordem perdida, uma perda, um dano sofrido. Ele acaba derrotado pelo mundo, ou porque suas forças não são suficientes, ou porque, embora reconhecendo a degradação do mundo a sua volta, não deseja mudá-lo; ou porque não tem consciência do que acontece a sua volta; ou porque conhece as regras do jogo dentro do mundo e, longe de querer modificá-las, julga que a saída é jogar o jogo, tal qual o vê ser jogado.
Uma matéria narrada é disposta, horizontalmente, em unidades sintagmáticas, mais ou menos autônomas de sentido, chamadas seqüências. A reunião de várias seqüências pode ser designada macro-sequência. Cada seqüência pode ainda compreender micro-sequências.
As seqüências compõem-se por episódios, situações, incidentes que, trabalhados pelo discurso narrador, constituem um enredo.
Mesquita afirma que, dentro dessa massa chamada de matéria narrada, encontramos o que se pode chamar de universo representado. Trata-se da materialidade do espaço físico em diferentes situações em que são apresentadas pelo discurso narrador.
O enredo necessariamente sofrerá, na sua estruturação, conseqüências, efeitos diversos, a partir dos diversos procedimentos do discurso.
O discurso que narra pode estruturar o enredo por vários gêneros , tais como cartas, diários, crônicas, romances. Embora haja essas variabilidades para a construção das personagens e suas ações, o discurso que narra constrói também, um universo que se instaura pelo e no texto, através de uma proximidade com um determinando “modelo” de construção.
Reis e Lopes (1988) tratam o enredo como a intriga. Segundo os autores, a dicotomia conceitual fábula/intriga foi retomada pela teoria literária contemporânea sob designações diversas (história/discurso e história/narrativa), porém sempre mantendo distinções para a referida dicotomia.
A problemática da intriga pode ser focada sob outro ângulo, diretamente ligado ao conceito de plot, termo usado pela teoria e crítica literária anglo-americana. Forster (1937) elaborou uma distinção entre story e plot que, embora não seja totalmente a distinção entre fábula e intriga proposta pelos formalistas russos, mantém com ela algumas afinidades.
O conceito de story compreende a seqüência de eventos temporalmente ordenados que suscitam no leitor/ouvinte o desejo de saber o que vai acontecer, desejo manifestado através de interrogações do tipo “e depois?”, “e então ?”. Para Forster, plot é definido pela particular ênfase à relação causal entre os eventos narrados, ou seja, à configuração lógico - intelectual da história. Assim, por exemplo, Forster diferencia : “ O rei morreu e em seguida morreu a rainha” – trata-se de uma
story- , de “ O rei morreu (causa) e depois a rainha morreu de desgosto
(conseqüência) ” – trata-se de um plot.