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Kapittel 4: Unionistpartiets politikk i forhold til «de andre»

4.2 Valgordningen

Contar uma história é uma arte que atravessa os séculos. O conto é uma forma de expressão, oral ou escrita, cujo conteúdo é capaz de retratar sua época, a cultura na qual estão inseridos os sonhos e desejos de seus autores, os sonhos e desejos de seus leitores, conforme a interpretação pessoal do autor, ao mesmo tempo pode ser atemporal, envolvendo, dando espaço ao leitor para imaginar, completar, interagir com a história contada.

No início, o papel do contador de histórias não era lúdico, ao contrário, era de incutir medos.

Segundo Hohlfeldt (1988), o conto de criação popular não continha, em si, o conhecimento técnico da língua, mas somente as histórias do povo. Por essa razão, durante longo tempo, permaneceu como domínio exclusivo de um povo simples, que não pôde registrá-lo com a escrita, mas passou-o, oralmente, de geração a geração.

O termo conto, com os estudos narrativos, tornou-se complexo, na medida em que é tratado, pela Teoria Literária, como um gênero literário ou como uma narrativa que se desenrola num determinado período de tempo, como o contar oral ou escrito de uma história.

Nesta dissertação, embora tenhamos como ponto de partida que “ A bela adormecida no bosque “ é um conto oral, no sentido de contar histórias para um auditório, as versões pesquisadas são de documentação escrita, podendo ser analisado tanto pelo seu aspecto escrito, como pelo papel social do contador de histórias em uma determinada época.

Muitos são os estudiosos que encontraram nas narrativas orais tradicionais (orais, pois tem como base a oralidade, mas que tem sido estudadas a partir de sua

forma escrita), e principalmente nos contos, um espaço privilegiado para os estudos interdisciplinares, como apresenta Nascimento (1993: 251):

‘Os trabalhos de Claude Lévi-Strauss sobre os mitos, estendidos aos contos populares, de Vladimir Propp sobre a morfologia (1928, 1970) e raízes históricas (1985), de Alan Dundes (1964) e Claude Brémond (1973), de Denise Paulme (1976, 1980); do grupo de pesquisadoras do Centre Nacional de la Recherche Scientifique, de Paris, Geneviève Calame- Griaule, Veronika Görög, Suzane Platiel, Diana Hay-Hulman e Christiane Seydou (1977, 1980) sobre o conto popular africano; as análises semióticas de Lotman (1973), Greimas (1966, 1975); de Joseph Courtès (1976) e Pierre Maranda (1973); de Meletinsky (1970) sobre estrutura e tipologia; a análise estética de Mihai Pop (1970), Jacobs (1959), Banó (1984), entre muitos outros, mostram claramente não apenas o interesse acentuado nessas áreas de estudos, mas a própria estruturação de algumas disciplinas com base no vasto material narrativo popular.‘

Podemos citar, no Brasil, os estudos de Câmara Cascudo (1944, 1946, 1947, 1972, 1976, 1978, 1980 e outros) sobre o folclore nacional e suas raízes.

Temos por ponto de partida, nesta dissertação, analisar versões de um mesmo conto, sendo este visto como um depoimento no tempo, que possui uma condição de elaboração e que pode ser interpretado em perspectivas diferenciadas em função do tempo de leitura, permitindo-nos ver modificações estruturais, ressematização, e reenunciação.

Sobre o contar histórias, Gotlib (1985:12) propõe que:

“O contar (do latim computare) uma estória, em princípio, oralmente, evolui para o registrar as estórias, por escrito. Mas o contar não é simplesmente um relatar acontecimentos ou ações. Pois relatar implica que o acontecido seja trazido outra vez, isto é: re (outra vez) mais latum (trazido), que vem

de fero (eu trago). Por vezes é trazido outra vez por alguém que ou foi testemunha ou teve notícia do acontecido.“

Segundo Coelho (1984), os contos de fadas e os contos maravilhosos são praticamente iguais em relação à forma, já que os dois pertencem ao universo do maravilhoso; porém no nível da problemática, por suas posições em relação à vida. Os primeiros apresentam uma problemática existencial, cujo objetivo é a auto - realização, ligada ao ideal, aos valores eternos, ao espírito. Os segundos têm, como ponto principal, uma problemática social, ligada ao sensorial, ao concreto, à vida prática.

Como os contos de fadas e outros contos participam da literatura infantil, e esta tem uma relação com os conhecimentos sociais, há um intrínseco liame entre literatura e cultura.

Os contos de fadas são, segundo Coelho (1984:13-14)

“contos com ou sem a presença de fada que têm argumentos que se desenvolvem dentro da magia feérica (reis, rainhas, príncipes, gênios, bruxas, gigantes, anões) e têm como eixo gerador uma problemática existencial (...) ligada à união homem –mulher . (...) são de origem celta, integrados no ciclo novelesco arturiano.”

Os contos de fadas existem há muitos séculos, inicialmente eram contos folclóricos da tradição oral e que não se pareciam em nada com histórias infantis, pois envolviam questões adultas, como sexo e canibalismo. Na modernidade, os contos foram reformulados a fim de atender a esse novo público infantil, visto que nem sempre a criança foi reconhecida como tal.

“A moda dos contos de fadas declinou com o estouro da Revolução Francesa, quando os interesses das classes superiores tiveram de se defrontar com os das classes inferiores. Ainda assim, a onda dos contos de fadas na França, que durou do final do século XVII ao final do XVIII, foi diretamente responsável pelo florescimento do conto de fadas na Europa e nas Américas a partir do século XIX. Os valores e comportamentos-padrão estabelecidos pelos contos de Perrault exerceram e continuam a exercer poder sobre a forma como lemos e interpretamos contos de fadas hoje em dia, seja por intermédio das coleções ilustradas para crianças, das versões cinematográficas de Walt Disney, dos anúncios de televisão ou de outras utilizações nos veículos de comunicação de massa.”

Os contos de fadas e suas mais diversas análises são importantes, na medida em que fazem parte da individuação do ser humano.

Segundo Bettelheim (1980:50): “o conto de fadas oferece materiais de fantasia que sugerem à criança, sob forma simbólica, o significado de toda batalha para conseguir uma auto-realização, e garante um final feliz.”

Além disso, o conto de fadas também se estabelece como mediador para a socialização da criança, orientando-a acerca do funcionamento da vida em sociedade: a função de cada um, o seu trabalho. Richter e Merkel (1993:28) consideram que:

“a atração do conto folclórico para a criança reside [...] na elaboração de um esboço razoável da sociedade; isto é, cada personagem com seu papel definido em relação às outras e sua posição é designada, no contexto geral da organização social. “

O conto de fadas é conhecido, de forma geral, como socialmente universal, devido a sua tradição oral. E ainda hoje, que dispomos de um grande número de publicações que visam ao público infantil, é ainda através da oralidade que se estabelece o primeiro contato da criança com a literatura.

Os pais têm (porque ouviram, ou porque leram) contos de fadas internalizados e utilizam-se deles sempre que possível ou necessário, pois assim o fizeram também os seus próprios pais, professores ou adultos que cercaram sua infância ou adolescência.

Podemos dizer, assim, que o conto de fadas faz parte de uma prática discursiva que permeia uma grande parte dos grupos sociais. Não podemos afirmar que todos os grupos os leiam da mesma forma, visto ser a leitura um processo dinâmico, e a focalização dos pontos mais interessantes, para cada grupo, varia muito. Embora haja variação interpretativa, a coerência mais global do conto de fadas, relativa a personagens e percurso narrativo, tende a um consenso para as leituras.