Dadas as condições mencionadas anteriormente, em 1999, a produção de aço bruto total no Mundo Ocidental deveria cair por volta de 4,5%, e em 2000 deve haver uma recuperação de 2%.
Usando resultados das análises do capítulo anterior, essas previsões para o aço implicavam, para o uso real de minério de feno no Mundo Ocidental, em 1999 uma queda de 26,5 milhões de toneladas, e para 2000 uma recuperação de 11 milhões de toneladas.
Para 1999, alguma redução nos estoques de minério de feno foi esperada, notadamente na América do Norte.
As exportações de minério de ferro para a Europa Oriental a partir do Mundo Ocidental deveriam cair em 1999 e suas exporta ções para a China deveriam aumentar em 1999 e 2000.
A produção de minério de ferro do Mundo Ocidental para 1999 estava prevista cair em pelo menos 5%, sendo que em 2000 esperava -se uma recuperação de 2,5%.
Era esperado uma redução na demanda por minério de feno nos países produtores em 1999, enquanto que as exportações do mundo ocidental deveriam cair 3%. Para 2000 previu -se uma recuperação de no máximo 2,2% Nas exportações ocidentais.
7 - Conclusões.
A indústria mundial de minério de ferro está agora emergindo dentro do novo milênio com renovado otimismo, depois de um ano difícil em 1999 marcado por cortes de preços e reduções nos volumes de vendas. A recuperação econômica mundial agora reverteu a tendência decrescente na demanda de aço que come çou em 1998, deflagrada pela crise financeira asiática, e que continuou até a metade do ano de 1999. Os projetos que foram adiados por razões econômico/financeiras foram agora reiniciados, e os maiores produtores estão buscando .aumento de capacidade para satisfazer a demanda crescente.
Tendo previamente adiado o desenvolvimento da lavra da área C, por motivos de mercado, a BHP está agora progredindo com o projeto. Rio finto também anunciou o compromisso de realizar o desenvolvimento do depósito de Namuldi. Em janeiro de 2000, a North recebeu cartas de cada uma das siderúrgicas japonesas intencionadas em comprar o minério de West Angelas por um período de 8 anos que começaria na primeira metade de 2002. A CVRD investiu US$152 milhões na construção da planta de pelotização com capacidade de 6Mt por ano, em São Luiz, e investiu US$30 milhões no desenvolvimento da mina de Brucutu. Os dois principais produtores mundiais de minério de ferro, Brasil e Austrália com aproximadamente 66% da participação do mercado internacional de exportações, continuarão o seu domínio neste mercado.
A pressão para aumento de salários e melhorias em eficiência trarão uma renovação necessária para a consolidação da indústria. A CVRD adquiriu a Socoimex, Samitri e entrou em uma aliança com a BHP no controle da mina da Samarco. Rio Tinto adquiriu a North e esperam-se novas fusões, racionalizações e montagens para a divisão das fatias do mercado de minério de ferro.
A produção mundial de minério de ferro pode ser dividida cm 05 b locos, sendo dois de maior importância: a América Latina (onde se situa o Brasil como maior produtor) e a Oceania (com a Austrália como principal produtor). Os outros blocos são a América do Norte, CEI ( Ex-União Soviética) e Ásia.
Durante a década de 90, a grande mudança que mareou o panorama mundial no mercado de minério de ferro foi o desmembramento da União Soviética. reduzindo pela metade a sua produção. paralelamente houve mu aumento na produção da China da mesma ordem de grandeza.
Durante a metade do último século, houve grandes instabilidades nas produções e exportações de minério do mundo inteiro, o que se deveu a vários fatores, entre eles podem ser citados a entrada em operação de diversas minas, crises econômicas nos grandes blocos consumidores, boicotes entre outros.
A integração mineração siderurgia que vem se desenvolvendo ao redor do mundo desde a década de 70, em forma de joint ventures entre os produtores de minério de ferro e aço, de
forma a se assegurar a compra e venda do minério de fe rro, se desenvolveu durante a década de 80 em forma de contratos a longo prazo, permitindo aos compradores a obtenção de informações que aumentaram o seu poder de negociação.
Desta forma, os compradores, principalmente os japoneses controlavam grande part e das mineradoras no mundo inteiro, principalmente as de maior interesse econômico. que apresentavam maior poder de crescimento. Dentre estas empresas, se podem tomar como
exemplos a Mitsui & Co. com capital empregado na Mt. Newman. Goldswolihy, Robe River, Yanlicoogina c MBR. Outras empresas de destaque neste tipo de investimento são as japonesas Mitsubish, Mambcni, Nippon Steel e Sumitomo.
Como o mercado externo de minério de ferro é então controlado mais pelos compradores que pelos produtores fornecedor es, o que se nota é um jogo de inversões de
instabilidades, na produção e exportação deste bem mineral, beneficiando os países importadores.
Provavelmente o Brasil e a Austrália te pela estabilização das indústrias de gusa e aço do Japão e Alemanha.
Como os grandes blocos de mercados da Europa Ocidental e japoneses são controlados pelos consumidores mais que pelos produtores, quem na realidade controla a evolução da produção do minério de ferro são as indústrias siderúrgicas dessas regiões.
O paralelismo e a monotonia das curvas de evolução dos preços do minério de ferro no mercado internacional para finos, granulados e pelotas, demonstram tanto para o mercado japonês quanto para o mercado da Europa Ocidental, um controle na formação dos preços, que se dá a partir da realização de contratos de longo prazo. Nota -se um estabelecimento de limites de preços fixados pelas siderúrgicas e que são então seguidos pelas empresas de mineração, seguindo as tendências de demanda e rentabilidade da siderurgia.
Quanto à necessidade de aumento de produção, pode -se colocar que em relação às pelotas espera-se um acréscimo de 62 milhões de t (1999/2010), com predominância para o abastecimento do HBI/DRI em mais 44 milhões de t e 18 milhões de t para alto -forno. Em relação aos finos e granulados: acréscimo de 107 milhões de t (1999/2010) com predominância para o abastecimento de alto-forno, outros em mais 94 milhões de t e 13 milhões de t para HBI/DRI.
No global, serão necessários acréscimos na oferta de minério de ferro de 169 milhões de t, dos quais 112 milhões de t para usinas integradas e 57 milhões de t para fomo elétrico. No Brasil, a integração mineração metalurgia também apresenta relações diretas entre proprietários, existindo um emaranhado envolvendo praticamente todas as grandes empresas.
Por exemplo, a CSN, maior siderúrgica do país é dona da CSN Steel, que tem 31% das ações da VALEPAR, que controla a CVRD. A CVRD é também súcia da CSN, através da Docenave, com participação de 10,3%. A CVRD é tamb ém detentora de 21% do capital da USIMINAS, que controla 50% da COSIPA. Estabelece -se então um jogo que é controlado por diversas correntes e interesses.
A concorrência entre o Brasil e a Austrália para atender o mercado internacional de minério de ferro tem causado instabilidades nas indústrias dos dois países. Os brasileiros têm vantagem em relação à menor distância até a Europa maior número de clientes no mundo inteiro e boa infra-estrutura de transporte. Os Australianos têm maior proximidade do Japão, teor elevado do minério e menor custo de transporte das minas para o porto.
A médio e longo prazo vislumbra -se a oportunidade de crescimento da demanda por placas no mercado livre (o mercado cativo de placas é representado pelos produtores de BQ e chapas ), determinado por vários fatores como: crescimento das relaminadoras especialmente no sudeste asiático; maior utilização de placas adquiridas no mercado livre pelas usinas integradas com capacidade de aciaria insuficiente; usinas integradas com unidades u ltrapassadas e com alto custo de produção, como algumas localizadas nos EUA, na Europa e no Japão; fechamento de aciarias nos EUA e Europa por obsolescência e problemas ambientais.
Estimativas indicam que as placas no mercado livre representaram em 1999, algo ao redor de 5% da demanda total de placas da ordem de 350 milhões de t, atingindo 19 milhões de t. Sem considerar o adicional potencial existente pelas razões acima colocadas, estima -se o alcance de 25 milhões de t, em 2010, representando 5% do merca do.
Estes indicadores apontam para a Oportunidade das mineradoras de ferro competitivas, como as que atuam no Brasil, de passarem a considerar a integração até a produção de placas, dado a vantagem competitiva existente, com possibilidade de produção de p lacas a baixo custo através de usinas à base de fornos elétricos
O estudo "A Ascensão das Mini Mills no Cenário Siderúrgico Mundial" publicado em setembro 2001 pela Gerência Setorial de Mineração e Metalurgia, no BNDES -Setorial No. 12, aborda a evolução desta rota tecnológica, assim como dos processos de redução direta no mundo.
EM 1997, H. Duisenberg apresentou um artigo no 10° Simpósio internacional do Minério de Ferro, que se deu em abril de 1997 em Berlim, Alemanha, e outro na 2a Conferência do Minério de Ferro, que se deu em novembro de 1997 em Charlotte, N.C., EUA.
O artigo apresentado em Berlim tinha o titulo de "O Mercado de Minério de Ferro, nos aspectos de curto e longo prazos", c o artigo apresentado em Charlotte tinha como título "O futu ro do minério de ferro: tudo ou nada ( Boom or bust)".
Entre outros aspectos relevantes, apresentados, é importante se notar que:
A demanda total de aço nos países desenvolvidos ( Europa Ocidental, Canadá. EUA, Japão) e na Austrália e Nova Zelândia. pod e muito bem continuar pelos próximos 10 anos ou mais, no seu ritmo atual de crescimento de 1,7% ao ano, mas depois do ano 2010 deve haver um longo período de estagnação ou mesmo declínio. Esta conclusão é obtida a partir do modelo de simulação de demanda, desenvolvido no início dos anos 80, e explicado em detalhes no Iron Ore Markct 1 996-UNCTAD.
Baseado em um modelo matemático de extrapolação. o Banco ING, nos Países
baixos, em sua edição de 7998 do perspectief' alcançou um resultado similar em relação ao crescimento econômico dos Países Desenvolvidos (+Austrália e Nova
Zelândia)
• A indústria automotiva nos Países Desenvolvidos (+Austrália e Nova Zelândia), deverá lucrar, até o ano 2003, com a demanda crescente de reposição, repetindo o aumento das vendas de carros durante 7982-89.
• O consumo per capita de aço no Japão em 1997, muito alto em parte devido ao nível de atividade da construção civil, que proporcionalmente é muito maior que
em outros países, parece agora não sustentável, ou seja, parece estar acima do limite de equilíbrio, devendo diminuir nos próximos anos.
O consumo de aço per capita na Tailândia e Coréia aumentou a um nível acima mesmo do nível do Japão, dando margem a ocorrência de uma mudança de tendência repentina. Em relação à formação de preços, enquanto a sabedoria convencional dita que a competição é o melhor modelo, o autor acha que a natureza oligopólica de duplo lado do mercado de minério de ferro tem várias vantagens. Esta estrutura de mercado serve ao interesse de ambos com pradores e fornecedores, bem como ao bem estar global. Sinais atuais de descontos de preços são portanto um sinal de desenvolvimento de distúrbio. (UNCTAI) 1999).
Que o comércio global livre é melhor é outra sabedoria convencional; isto pode ser verdade sob certas condições. Para o comércio internacional, o modelo de vantagens comparativas é muito mais adequado. (em economia, este conceito mede o grau de competitividade internacional de um produto de um dada país em relação à competitividade de um outra produto daquele mesmo país. Para o autor, parece que o termo "vantagens comparativas " esta cada vez mais sendo usado incorretamente como sinônima de um produto ou indústria sob discussão.) Apenas baseado neste modelo
pode-se garantir lucros a ambos os lados, independentemente do seu nível de competitividade. Para que isto funcione, é necessário que haja a escassez de recursos. O desemprego e o subemprego globais estão agora enfraquecendo a dinâmica do comércio, que está se tomando mais determinado por compet itividade, que pode resultar em um jogo de resultado nulo ou negativo. Além disso, com as mudanças de câmbio, a competitividade de um país pode mudar da noite para o dia. O futuro geográfico internacional do mercado é cada vez mais difícil de se prever. Como conseqüência, uma nova capacidade em um certo ponto geográfico pode se dar em um local errado alguns anos mais tarde. O que pode ser bom para o crescimento econômico mas que dificilmente será para aumentar o padrão de qualidade de Vida.