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3.1 Empirical strategy

3.2.2 Rationale

Como citamos na seção anterior, a presente pesquisa refere-se a um estudo de caso, em que acompanhamos uma professora das séries iniciais do Ensino Fundamental. Desse modo, nesta seção é relevante situar e apresentar o contexto no qual essa professora estava inserida. Em seguida revelaremos o perfil da referida professora.

O contexto e os critérios de escolha de nosso universo de estudo tiveram como primeiro passo o encontro entre os pesquisadores e o corpo diretivo de uma Escola pública da rede estadual do estado de São Paulo (Diretora, Vice-Diretora e Coordenação Pedagógica), para apresentar os objetivos da pesquisa e os seus possíveis desdobramentos, que se deu no primeiro semestre de 2009. Com duração de aproximadamente três horas, esse primeiro encontro possibilitou o esclarecimento de todos os questionamentos e a percepção de pontos de

convergência entre os nossos objetivos como pesquisadores, e os objetivos do corpo diretivo fundamentados em sua proposta pedagógica.

O segundo passo foi o encontro com o grupo de professoras para apresentação dos objetivos e formas de desenvolvimento do estudo. Esse encontro foi realizado durante a Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), que teve duração de duas horas. Nesse momento, fizemos a exposição de nossos objetivos de estudo, estabelecendo assim o nosso primeiro contato com as professoras.

A princípio, todo corpo docente se mostrou receptivo ao desenvolvimento do estudo, que foi selado com a assinatura do Termo de Livre Consentimento (Apêndice 1) para a participação da pesquisa. Foi a partir desse encontro e da assinatura do referido termo que começamos a observar melhor o grupo com a finalidade de conhecer as professoras, pois teríamos que acompanhar uma delas na sua sala de aula.

Dessa forma, delimitamos o quadro no qual esteve inserido nosso estudo, pois a professora que acompanharíamos fez parte do grupo formado por 14 professoras das séries iniciais do Ensino Fundamental que, na ocasião, esteve assim distribuído: três professoras da 1ª série11, quatro professoras da 2ª série, quatro professoras da 3ª série e três professoras da 4ª série.

Como já citamos, dentre essas professoras, tínhamos que acompanhar uma delas, e, para tanto, optamos por alguns critérios que julgamos relevantes: (a) lecionar, na ocasião, na 3ª série; (b) exercer o cargo de professora efetiva na Rede do Estado; (c) ter um tempo médio de experiência na profissão; (d) por último, mas não menos importante, a aderência da professora que acompanharíamos.

A relevância de nossos critérios é justificada levando em conta que a professora trabalharia o Campo Conceitual Multiplicativo: (a) com a série que já tivesse tido, de maneira formal, o ensino da multiplicação e divisão, ou seja, que esse conteúdo não tivesse que ser introduzido, mas sim ampliado; (b) o fato de _______________

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Vale relembrar que a escola em que realizamos a pesquisa ainda não estava reorganizada de acordo com a Lei nº 11 274, aprovada em fevereiro de 2006, que regulamentou o Ensino Fundamental de nove anos. A escola ainda mantinha a divisão dos anos iniciais em quatro séries.

ser efetiva da Rede do Estado poderia significar certa estabilidade e, assim, poderíamos supor um maior comprometimento com a Educação; (c) o tempo de serviço na Educação foi relevante, pois julgamos que o fato de a professora ser novata profissionalmente poderia prejudicar a qualidade de suas reflexões. Em contraponto, uma professora próxima da aposentadoria por tempo de serviço, poderia implicar certo desinteresse de possíveis mudanças de sua ação pedagógica; (d) além do que a participação dessa professora de forma motivada seria decisiva para o bom andamento de nosso estudo.

Nosso estudo de caso acompanhou uma professora da 3ª série em três momentos distintos, a saber: no processo formativo com dimensões colaborativas; na ação de sua prática profissional em sala de aula (ministrando o conteúdo de Matemática discutido no processo formativo); assim como na reflexão sobre a sua ação por meio de entrevista semi-estruturada, realizada logo após as referidas aulas observadas.

Após expor o quadro onde se encontrava o estudo de caso, qual seja, em um processo formativo com dimensões colaborativas, apontar e justificar os devidos critérios adotados da professora que gostaríamos de acompanhar e destacar os momentos os quais a acompanharíamos, passaremos a seguir a revelar seu perfil.

4.2.1 Perfil de nossa participante de pesquisa

Nesta subseção revelaremos o perfil da professora que acompanhamos no nosso estudo que, a partir de agora, passaremos a chamá-la de professora Maria. Antes de sabermos quem acompanharíamos, Maria, assim como todas as outras professoras, respondeu a um questionário (Apêndice 2), que aborda dois enfoques distintos, o primeiro referente à formação e tempo de serviço, e o segundo refere-se à relação com a Matemática.

Quanto ao primeiro enfoque, a professora Maria teve como primeira formação o Magistério (Nível Médio) para as séries iniciais do Ensino Fundamental e, como segunda formação, o curso de Pedagogia (Nível Superior).

Além desses, consta o curso de Pós-Graduação (especialização Lato-Sensu) em Psicopedagogia.

Com relação à sua trajetória profissional, ela ministra aulas há, pelo menos, onze anos (de 11 a 15 anos), exclusivamente na rede estadual de ensino e, na ocasião, em uma turma de 3ª série. Ao ser questionada sobre quantas vezes na semana se dedica ao ensino de Matemática, a professora Maria respondeu que se dispõe a abordar conceitos matemáticos cinco vezes. Quanto à sua relação com a Matemática ela respondeu, nesse questionário que elaboramos, que em sua trajetória estudantil ela gostava “mais ou menos” de Matemática e que seu gosto não mudou atualmente.

É importante ressaltar que abordaremos o surgimento da professora Maria, na próxima seção, no momento oportuno, segundo a linha do tempo.