“O uso de tecnologia não é o alvo, mas sim um meio para permitir práticas pedagógicas que favoreçam a aprendizagem”
Mike Sharples
Se, no início da implantação de uma nova tecnologia, é muito comum que os professores tentem utilizá-la da mesma forma que faziam com ferramentas antigas, a proposta do trabalho foi lançar luz sobre o potencial dos equipamentos móveis na elaboração de propostas didáticas diferenciadas, mostrando também as principais dificuldades e os maiores desafios enfrentados para que possamos refletir a respeito de sua utilização nas escolas. O importante é observar as outras possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias e utilizá-las para fazer coisas que antes nem sequer imaginávamos.
A pesquisa nos mostra que estamos vivenciando um período de transição entre o conhecimento das tecnologias móveis e sem fio para a efetiva adoção desses dispositivos em práticas educativas mais adequadas à sociedade atual, na qual o professor já deixou de ser a fonte exclusiva de informações dos estudantes. Assim sendo, almejamos que os tablets, potencializadores de trabalhos em rede, de uma aprendizagem personalizada, ubíquos e cada vez mais populares, sejam uma das molas propulsoras de mudanças nas práticas didáticas, favorecendo a aprendizagem ativa, a colaboração entre os estudantes, entre os professores e entre os alunos e os professores.
As possibilidades de aprendermos a qualquer hora e em qualquer lugar oferecidas pelas novas tecnologias devem ser consideradas, sem esquecermos o papel do professor como mediador de todo o processo. O professor estabelecerá metas, fará questionamentos, instigará a pesquisa e garantirá o rigor e a qualidade dos trabalhos. Com relação à visão dos professores nos trabalhos que mencionaram essa questão, observamos também o desconhecimento sobre as possibilidades de aplicação do dispositivo em aulas e ainda a resistência por parte de alguns profissionais, indicando, mais uma vez, a urgência de haver capacitação contínua dos professores, seja na formação inicial, seja na formação em serviço.
Criar ambientes de aprendizagem em que os estudantes possam desenvolver habilidades criativas é o papel do professor. Como profissionais da área da educação, devemos estimular a criação de contextos nos quais a aprendizagem ocorra através de projetos de criação utilizando áudio, vídeo e imagens.
As novas tecnologias possibilitam a Educação em uma nova dimensão, em que um novo conhecimento e outras habilidades são priorizados, como já citamos. Entre essas habilidades, a necessidade de desenvolver e priorizar o pensamento criativo como aspecto fundamental da cognição humana. De acordo com Roszak (1998, p.143), “a mente pensa com ideias e não com informação. E acrescenta: a principal tarefa da Educação é ensinar os jovens a lidar com ideias: como avaliá-las, expandi-las e adaptá-las a novos usos”. Na verdade, para o autor, as ideias é que organizam as informações e não o contrário.
Uma vez que estamos tratando desse novo contexto, os estudos indicaram que a integração da tecnologia na sala de aula é um processo que envolve a mudança no sistema educacional e não acontece instantaneamente, ou seja, demanda um longo período de tempo e envolvimento de professores e alunos, investimento na formação dos professores e também na infraestrutura tecnológica da escola. Nesse processo, deve haver uma mudança na cultura da escola, e a tecnologia servirá para apoiar o trabalho pedagógico em sala de aula.
Sendo assim, um novo contexto se instala em sala de aula no momento em que, a partir de um celular ou de um tablet conectado à Internet, o estudante tem acesso a quase tudo a que teria se estivesse em frente a um computador pessoal. Vale destacar que, embora o tablet seja praticamente um minicomputador, seu uso não o substituiu, pois nem todas as tarefas que antes eram feitas nos computadores ou laptops podem ser realizadas nos tablets. O que deverá ocorrer é o incentivo à criação de outras atividades, em que os maiores potenciais da ferramenta sejam significativos para a aprendizagem dos alunos: a mobilidade e grande autonomia da bateria. Arriscamos dizer que é um equívoco substituir os computadores por tablets na escola toda. O cenário ideal é que os equipamentos convivam em harmonia e que professores e alunos possam decidir quando é o melhor momento de utilizar cada um deles. Um exemplo bem simples é a digitação de longos textos. Apenas para citar um exemplo, para quem está acostumado com o teclado de um
computador pessoal, a tarefa transferida para o tablet torna-se cansativa e muitas vezes verdadeiramente trabalhosa.
Sobre a promessa de os tablets revolucionarem a Educação nos próximos anos, ainda é cedo para responder a essa questão, mas acreditamos que analógico e digital deverão conviver em harmonia, um complementando o outro. Em outras palavras, quando o giz e a lousa se fizerem necessários - e certamente teremos momentos em que o uso dos mesmos será de grande valia - continuaremos com eles, por outro lado, no momento em que a tecnologia realmente trouxer um ganho para a aprendizagem ou mesmo para que os alunos desenvolvam outras habilidades necessárias à nova era, lançaremos mão dos aparatos tecnológicos com clareza de que são meios úteis para aquele tipo de trabalho. Atualmente, os pesquisadores nos fazem refletir sobre o "pensar fora da caixa", isso quer dizer que devemos utilizar o novo em tarefas verdadeiramente diferentes das tradicionais. Caso contrário, as novas tecnologias serão apenas um fim em si mesmas. Se lançarmos mão das novas tecnologias para "informatizar" o ensino tradicionalmente expositivo e centrado no professor, nossos alunos digitais pedirão unanimemente para retornarmos ao velho e bom quadro negro.
Finalizamos reforçando algumas lacunas de pesquisa, deixando-as como sugestões de futuros trabalhos:
01. Faltam pesquisas que analisem a implantação das novas tecnologias sob o ponto de vista dos professores.
02. Faltam pesquisas que tratem especificamente dos tablets no ambiente educacional.
03. Faltam pesquisas que relacionem o uso dos tablets com o Ensino de Matemática.
04. Faltam pesquisas que se proponham a discutir, com equilíbrio e isenção, os pontos fortes e os pontos fracos do uso dos tablets na sala de aula. Desse análise concluímos que as pesquisas sobre o uso do tablet em sala de aula ainda não avançaram muito e temos poucos resultados concretos, principalmente no que diz respeito à melhora do desempenho acadêmico dos alunos. Se o tablet será ou não uma ferramenta que ajudará a mudar a Educação
ainda é uma questão sem resposta, o que podemos inferir é que essa ferramenta tem potencial para apoiar trabalhos colaborativos, possibilitar uma aprendizagem dentro e fora da sala de aula e aumentar a autonomia do aluno na busca de informações e na construção de seu conhecimento.
Certamente, este estudo é apresentado com grande dose de incompletude, devido ao tempo e também à inexperiência da pesquisadora. O que nos consola é que:
O bom artífice deve evitar a busca inflexível da solução de um problema até torná-lo perfeitamente isolado e autossuficiente; [...] A alternativa positiva a essa compulsão de resolver está em aceitar um certo grau de incompletude no objeto, decidindo deixá-lo sem solução. [...] O bom artífice aprende a identificar quando é o momento de parar. Persistir no trabalho pode levar a uma degradação. (SENNETT, 2013, p. 292)
Ao final de um trabalho como este, existe sempre a esperança de que ele caia nas mãos de professores extremamente competentes e que digam: “ Mas isso eu já estou fazendo com meus alunos”. Esperamos que a maioria dos profissionais da Educação já esteja buscando alternativas aos antigos métodos educativos e preparando a próxima geração para viver em uma sociedade conectada, colaborativa, responsável e crítica.
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