5.4 Noise
5.4.2 Quantization noise
• Caixas com 20 comprimidos de 10 mg.
SEDUSPAR (Lab. Hexal)
• Caixas com 20 comprimidos de 5 e 10 mg.
FARMACOCINÉTICA
E MODO DE USAR
A buspirona é um composto ansiolítico do grupo das azapironas com características farmacológicas distintas dos benzodiazepínicos e de outros fár- macos ansiolíticos. É uma agonista parcial 5HT1, não apresentando efeitos musculorrelaxantes, an- ticonvulsivantes ou hipnóticos. Potencializa me- nos os efeitos do álcool e oferece menos risco de abuso ou dependência que os BDZs. Foi aprovada em 1986 pelo FDA para uso no transtorno de an- siedade generalizada.
É rápida e bem-absorvida após administração oral. É extensamente metabolizada no fígado, princi- palmente por oxidação, produzindo metabólitos com aproximadamente 1/4 da atividade da bus- pirona. Apenas 4% da droga chegam à circulação inalterados. Atinge o pico de concentração no sangue em aproximadamente uma hora e meia após a ingestão. A administração concomitante com os alimentos retarda a absorção gastrintes- tinal, aumentando a quantidade de buspirona inalterada que atinge a circulação; a eficácia e ocorrência de efeitos adversos, entretanto, não são afetadas. O equilíbrio plasmático é atingido
BU
SP
IR
M
ED
IC
AM
ENT
OS
: I
NF
OR
M
AÇ
ÕE
S B
ÁS
IC
AS
em aproximadamente dois dias. Apesar de a ab- sorção oral ser de 100%, sua biodisponibilidade é de apenas 4% devido ao extenso metabolismo de primeira passagem. Mais de 95% do fármaco liga-se a proteínas plasmáticas, em especial à al- bumina (69%). O volume de distribuição após uma administração EV é de 5,3 L/kg.
Sua meia-vida geralmente se situa entre 2 a 3 ho- ras, podendo variar, entretanto, de 1 a 14 horas. Após uma única dose, 29 a 63% são excretados pela urina em 24 horas sob a forma de metabóli- tos. Dezoito a 38% são excretados nas fezes1,2.
A buspirona é utilizada no transtorno de ansieda- de generalizada, no qual apresentou uma eficácia semelhante aos benzodiazepínicos3. A resposta
se inicia depois de duas semanas, enquanto a dos benzodiazepínicos é mais rápida. Parece produzir efeitos mais duradouros que os BDZs no trata- mento em longo prazo, acima de 6 meses, e não provoca reações de abstinência por ocasião da suspensão. Também foi eficaz no TAG com sinto- mas depressivos associados4. Estudo mais recente
comparando a eficácia da venlafaxina com a da buspirona, no tratamento da ansiedade generali- zada, concluiu ser a buspirona menos eficaz que a venlafaxina5.
É uma alternativa interessante para a retirada de BDZs, em pacientes que os utilizam cronicamen- te6. O tempo de latência de início de efeito é de 1
a 2 semanas de uso, algumas vezes com melhora importante somente após 4 a 6 semanas. Pacien- tes que usaram previamente benzodiazepínicos respondem pobremente à buspirona, talvez por não sentirem de imediato os efeitos sedativos e relaxantes daqueles7.
Sua eficácia foi estudada em vários outros trans- tornos; mas os estudos não são conclusivos: na depressão8,9, para potencializar o efeito de anti-
depressivos em pacientes refratários10, no trans-
torno obsessivo-compulsivo11, na fobia social12.
No pânico, foi ineficaz mesmo tendo sido utiliza- das altas doses13. Estudos isolados constataram
eficácia no estresse pós-traumático14 e no auxílio
à retirada do álcool em pacientes dependentes15.
A buspirona foi utilizada ainda eventualmente no tratamento de pacientes que se tornaram agressi- vos depois de traumatismo craniano e em crianças com transtorno do comportamento desafiante ou de oposição, mas sua eficácia não foi estabelecida de forma consistente nesses quadros.
A dose inicial para o tratamento da ansiedade é de 15 mg/dia, dividida em 3 tomadas de 5 mg.
Duas doses diárias de 7,5 mg parecem ser igual- mente efetivas. A dose pode ser ajustada de acor- do com o quadro do paciente, adicionando-se 5 mg a cada 2 ou 3 dias. Usualmente, a dose média no transtorno de ansiedade generalizada varia en- tre 30 e 40 mg/dia. A dose máxima é de 60 mg/ dia; entretanto doses de até 90 mg já foram utili- zadas. Um estudo mostrou que 2 doses diárias de 15 mg tiveram o mesmo efeito no controle dos sintomas de ansiedade do que 3 doses diárias de 10 mg. Não há necessidade de se ajustar doses em idosos. Os pacientes com insuficiência hepá- tica ou renal devem ser monitorados e, se neces- sário, a dose deve ser diminuída.
FARMACODINÂMICA
E MECANISMOS DE AÇÃO
O mecanismo de ação da buspirona não é bem- conhecido e envolve vários neurotransmissores. Tem grande afinidade pelos receptores serotonér- gicos, particularmente os receptores 5HT1A, e uma afinidade moderada pelos receptores D2. Seu metabólito ativo é um antagonista α2-adre-
nérgico. Embora apresente ação ansiolítica, não atua como os benzodiazepínicos por meio do complexo GABA-canais de cloro e não possui efei- tos hipnóticos, anticonvulsivantes e de relaxamen- to muscular.
A buspirona é o protótipo do ansiolítico agonista parcial 5HT1A. Possui alta afinidade serotonérgi- ca, pré e pós-sináptica. Nos receptores 5HT1A pré- sinápticos (auto-receptores), age como se fosse um antagonista: sua ativação pela buspirona inibe a descarga serotonérgica do núcleo dorsal da rafe, diminuindo o turnover da serotonina. Nos recep- tores pós-sinápticos, age como agonista parcial. Acredita-se que, em função da demora do início, a ação ansiolítica dos agonistas parciais 5HT1A se deva mais a fenômenos de adaptação neuronal do que propriamente à ocupação imediata de re- ceptores, de forma semelhante ao que ocorre com os antidepressivos no tratamento da depressão16.
Ela possui ainda fraca afinidade pelos receptores D2 e D3. Em estudos animais, a buspirona em doses elevadas aumenta a atividade dopaminér- gica na substância negra. Estimula a produção da prolactina, podendo produzir irregularidades mens- truais e galactorréia. Esse efeito é dose-dependente. Seu metabólito principal (1PP) atua nos receptores α2-adrenérgicos, aumentando os níveis de nore-
pinefrina, razão pela qual ela não é eficaz no pâ-
BU
SP
IR
M
ED
IC
AM
ENT
OS
: I
NF
OR
M
AÇ
ÕE
S B
ÁS
IC
AS
nico ou na síndrome de retirada dos benzodiaze- pínicos1. Não piora as habilidades motoras após
administração aguda ou crônica. Interage pouco com depressores do SNC, como o álcool. Sua inter- rupção não provoca síndrome de retirada, absti- nência nem dependência. Sua principal desvanta- gem em relação aos BDZs é a demora de duas se- manas ou mais para o início de ação.
O uso da buspirona não indica tolerância cruzada com os BDZs e os barbitúricos. Não provoca alívio dos sintomas da síndrome de abstinência destes. Pode, entretanto, ser o fármaco de escolha em pa- cientes ansiosos com alto potencial de abuso de drogas e/ou dependentes de álcool e ansiolíticos.
REAÇÕES ADVERSAS
E EFEITOS COLATERAIS
Mais comuns: cefaléia, fadiga, excitação, insônia,
náuseas, nervosismo, sudorese, sonolência, tontu- ras.
Menos comuns: alergias, acatisia, anorgasmia,
amenorréia, anemia, agranulocitose, anorexia, boca seca, cãibra, cefaléia, congestão nasal, con- traturas musculares, constipação intestinal, des- conforto gástrico, depressão, diarréia, diminuição ou aumento da libido, disfagia, disforia, dificulda- de para urinar, distonia, dor no peito, dor de gar- ganta, dor nos seios, edema, ejaculação retarda- da, falta de ar, flatulência, galactorréia, ganho ou perda de peso, ginecomastia, hepatotoxicidade, hiperventilação, impotência, inquietude, insônia, linfocitopenia, movimentos involuntários, palpita- ções, pesadelos, precipitação de glaucoma, pruri- do, rash cutâneo, rigidez muscular, sedação, ta- quicardia, tremores, virada maníaca, vômitos, zumbido.
INDICAÇÕES
Evidências consistentes de eficácia: • transtorno de ansiedade generalizada3-5.
Evidências incompletas: • depressão8,9;
• como potencializador de ISRSs no tratamento da depressão refratária10;
• na retirada de benzodiazepínicos (substituição paulatina, não tendo efeito sobre os sintomas de retirada)7;
• transtorno obsessivo-compulsivo11;
• transtorno do estresse pós-traumático14;
• anti-craving em pacientes alcoolistas15.
CONTRA-INDICAÇÕES
• Hipersensibilidade ao fármaco; • uso associado de IMAOs;• em bipolares pelo risco de induzir viradas ma- níacas;
• insuficiência renal (contra-indicação relativa); • glaucoma agudo;
• lactação;
• insuficiência hepática grave.
INTOXICAÇÃO
Não foram observados óbitos em seres humanos por superdose acidental ou deliberada. Os sinto- mas são: náuseas, vômitos, sonolência, tontura, miose e distúrbios gástricos, parestesias e con- vulsões.
Tratamento da superdose: medidas gerais de su- porte, seguidas de lavagem gástrica imediata.
SITUAÇÕES ESPECIAIS
Gravidez
Não há evidências de teratogenicidade em ani- mais nem em humanos. Estudos envolvendo ratos e utilizando doses 30 vezes maiores que as doses máximas usadas em humanos não evidenciaram a ocorrência de efeitos teratogênicos. Mas não há pesquisas que garantam seu uso seguro na gravidez. Portanto, deve-se avaliar a relação risco/ benefício para decidir sua utilização (Categoria B do FDA).
Lactação
É excretada no leite de ratos e, possivelmente, no leite humano, devendo por esse motivo ser evita- da durante o aleitamento materno.
Crianças
A buspirona é bem-tolerada em crianças e adoles- centes em doses de 30 mg ou mais. Em crianças, os níveis séricos tendem a ser mais elevados do que em adultos. Os efeitos colaterais mais comuns são tonturas, mal-estar digestivo e cefaléia17.
BU
SP
IR
M
ED
IC
AM
ENT
OS
: I
NF
OR
M
AÇ
ÕE
S B
ÁS
IC
AS
Idosos
A eficácia e a tolerabilidade da buspirona foram avaliadas no tratamento da ansiedade em pacien- tes idosos em doses que variaram de 15 a 30 mg. O tratamento com a buspirona foi bem-tolerado, com doses semelhantes às utilizadas em adultos, sendo que mais de 75% dos pacientes não relata- ram reações adversas.
LABORATÓRIO
Os níveis séricos são proporcionais às doses ingeri- das. Pode (muito raramente) provocar elevação da TGO e da TGP, eosinofilia, leucopenia e trom- bocitopenia. Pode ainda provocar hiperprolacti- nemia, um efeito relacionado à dose.
PRECAUÇÕES
1. Embora aparentemente não comprometa o desempenho motor, é conveniente, em fun- ção das diferentes respostas individuais, reco- mendar ao paciente que tenha cuidado ao dirigir veículos ou operar máquinas perigo- sas, etc.
2. Administrar com cautela em pacientes com insuficiência hepática e renal, pois sua me- tabolização é essencialmente hepática. 3. É importante lembrar que a buspirona pode
provocar elevações de pressão arterial se utili- zada juntamente com IMAOs.
4. Cuidar a associação com ISRSs: podem ocor- rer convulsões.
5. Maior absorção quando ingerida com alimen- tos.
6. A freqüência cardíaca deve ser avaliada perio- dicamente em pacientes que fazem uso desse fármaco.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Gelemberg AJ. Buspirone: seven-year update. J Clin Psychiatry 1994; 55: 222-229.
2. Napoliello MJ, Domantay AG. Buspirone: a worldwide update. Br J of Psychiatry 1991;159 (12): 40-44. 3. Ross CA, Matas M. A clinical trial of buspirone and diazepam in the treatment of generalized anxiety disorder. Can J of Psychiatry, 1987; 32: 351-355.
4. Gammans RE, Stringfellow JC, Hvizdos AJ, Seidehamel RJ, Cohn JB, Wilcox CS, Fabre LF, Pecknold JC, Smith WT, Rickels K.Use of buspirone in patients with generalized
anxiety disorder and coexisting depressive symptoms. A meta-analysis of eight randomized, controlled studies. Neuropsychobiology 1992; 25(4):193-201.
5. Davidson JR, DuPont RL, Hedges D, Haskins JT. Efficacy, safety, and tolerability of venlafaxine extended release and buspirone in outpatients with generalized anxiety disorder. J Clin Psychiatry 1999; 60(8):528-35.
6. Delle Chiaie R, Pancheri P, Casacchia M, Stratta P, Kotzalidis GD, Zibellini M. Assessment of the efficacy of buspirone in patients affected by generalized anxiety disorder, shifting to buspirone from prior treatment with lorazepam: a placebo-controlled, double-blind study. J Clin Psychophar- macol 1995 ; 15(1):12-9.
7. Sellers EM, Scneiderman JF, Romach MK e cols. Compara- tive drug effects and abuse liability of lorazepam, buspirone and secobarbital in nondependent subjects. J. Clin. Psychopharmacol.1992; 12: 79-85.
8. Fabre LF.Buspirone in the management of major depres- sion: a placebo-controlled comparison. J Clin Psychiatry 1990; 51 Suppl:55-61.
9. Rickels K, Amsterdam JD, Clary C, Puzzuoli G, Schweizer E.Buspirone in major depression: a controlled study. J Clin Psychiatry 1991; 52(1):34-8.
10. Appelberg BG, Syvalahti EK, Koskinen TE, Mehtonen OP, Muhonen TT, Naukkarinen HH. Patients with severe depression may benefit from buspirone augmentation of selective serotonin reuptake inhibitors: results from a placebo-controlled, randomized, double-blind, placebo wash-in study. J Clin Psychiatry 2001; 62(6):448-52. 11. Pato MT, Pigott TA, Hill JL, Grover GN, Bernstein S, Murphy DL.Controlled comparison of buspirone and clomipramine in obsessive-compulsive disorder. Am J Psychiatry 1991; 148(1):127-9.
12. Schneier FR, Saoud JB, Campeas R, Fallon BA, Hollander E, Coplan J, Liebowitz MR. Buspirone in social phobia.J Clin Psychopharmacol 1993; 13(4):251-6.
13. Sheehan DV, Raj AB, Harnett-Sheehan K, Soto S, Knapp E.The relative efficacy of high-dose buspirone and alprazolam in the treatment of panic disorder: a double- blind placebo-controlled study. Acta Psychiatr Scand 1993l; 88(1):1-11.
14. Duffy JD, Malloy PF.Efficacy of buspirone in the treatment of posttraumatic stress disorder: an open trial. Ann Clin Psychiatry 1994; 6(1):33-7
15. Malec E, Malec T, Gagne MA, Dongier M.Buspirone in the treatment of alcohol dependence: a placebo-controlled trial. Alcohol Clin Exp Res. 1996; 20(2):307-12.
16. Stahl SM. Essential psychopharmacology. 1. ed. Cambridge University Press, 1997.
17. Salazar DE, Frackiewicz EJ, Dockens R, Kollia G, Fulmor IE, Tigel PD, Uderman HD, Shiovitz TM, Sramek JJ, Cutler NR. Pharmacokinetics and tolerability of buspirone during oral administration to children and adolescents with anxiety disorder and normal healthy adults. J Clin Pharmacol 2001; 41(12):1351-8.
CA
RB
AM
AZ
EP
INA
M
ED
IC
AM
ENT
OS
: I
NF
OR
M
AÇ
ÕE
S B
ÁS
IC
AS
CARBAMAZEPINA
CARBAMAZEPINA (Lab. Abbott)
• Caixas com 20 comprimidos de 200 mg; • caixas com 20 comprimidos de 400 mg.
CARBAMAZEPINA (Lab. Biosintética)
• Caixas com 30 comprimidos de 200 mg.
CARBAMAZEPINA (Lab. EMS)
• Caixas com 20 comprimidos de 200 mg; • caixas com 60 comprimidos de 200 mg; • caixas com 20 comprimidos de 400 mg.
CARBAMAZEPINA (Lab. Eurofama)
• Caixas com 20 comprimidos de 200 mg; • caixas com 100 comprimidos de 200 mg.
CARBAMAZEPINA (Lab. Germed)
• Caixas com 20 e 60 comprimidos de 200 mg; • caixas com 20 comprimidos de 400 mg.
TEGRETARD (Lab. Cristália)
• Caixas com 20 ou 200 comprimidos de 200 e 400 mg.
TEGRETOL (Lab. Novartis)
• Caixas com 20 ou 60 comprimidos convencio- nais de 200 e 400 mg;
• frascos com 100 mL de suspensão a 2% (5 mL equivalem a 100 mg).
TEGRETOL CR (Lab. Novartis)
• Caixas com 20 e 60 comprimidos divisíveis de liberação lenta de 200 mg;
• caixas com 20 comprimidos divisíveis de libera- ção lenta de 400 mg.
FARMACOCINÉTICA
E MODO DE USAR
A carbamazepina foi sintetizada pela primeira vez em 1952. Foi utilizada inicialmente no tratamento da neuralgia do trigêmio e aprovada para o uso em epilepsia em 1974. Mais tarde, passou a ser administrada em pacientes portadores de mania e no tratamento do comportamento agressivo. A carbamazepina é um derivado iminoestilbeno com algumas propriedades semelhantes à imipra- mina. Após ingestão oral, sua absorção é lenta e errática. O pico sérico plasmático é atingido em 4 a 8 horas após a ingestão. A sua biodisponibili- dade não é completamente conhecida, tendo sido estimada em 55 a 59% em crianças e em 75% em adultos. Sua ligação com proteínas plasmáti- cas situa-se em torno de 75 a 78%; porém, seu
efeito terapêutico está relacionado à porção livre que varia de 7 a 31%.
Sua metabolização hepática ocorre por meio do sistema mitocondrial oxidativo CYP3A4, com inú- meros dos seus metabólitos apresentando ação anticonvulsivante. Menos de 3% é excretado pela urina. A meia-vida está entre 18 e 54 horas (mé- dia de 26 horas). A carbamazepina é uma potente indutora de enzimas hepáticas, particularmente CYP3A4, CYP1A2 e CYP2C9, induzindo o seu pró- prio metabolismo, podendo então a sua meia- vida ser reduzida para 5 a 26 horas, com o uso crônico, razão pela qual é fundamental controlar seus níveis séricos nos 3 a 6 primeiros meses de uso. Além disso, interfere no metabolismo de mui- tas drogas com as quais é frequentemente utiliza- da, como os antidepressivos tricíclicos e vários an- tipsicóticos, tanto típicos como atípicos. É excre- tada pelo rim (72%), sendo que 3% de forma inal- terada, e pelas fezes (28%).
A carbamazepina possui eficácia comprovada em pacientes com mania aguda. A sua eficácia como fármaco de manutenção nos transtornos do hu- mor bipolar (THB) é discutível, com alguns estudos demonstrando bons resultados, e outros, não. Certamente, quando associada a outros estabili- zadores do humor (em especial, ao lítio), ela dimi- nui a taxa de recorrência no tratamento de manu- tenção no THB. Também, em pacientes com ci- clagem rápida, a sua adição ao regime farmaco- lógico traz importantes benefícios profiláticos. As doses médias para tratamento de mania variam de 400 a 1.600 mg/dia, em média 1.000 a 1.200 mg/dia. A dose deve ser individualizada. A inicial é de 100 ou 200 mg à noite, com aumentos graduais para evitar efeitos colaterais. Um esquema pos- sível de aumento seria elevar 200 mg a cada 2 dias. Após 5 dias de uma dose estável (p.ex., 800 mg/ dia), fazer uma dosagem sérica (com intervalo de 12 horas entre a tomada e a coleta sangüínea) e, de acordo com os níveis e com a resposta clínica, seguir aumentando, se necessário, a dose. Após 2 a 3 semanas de tratamento, a meia-vida se reduz, sendo recomendável ingerir a dose diária em mais tomadas ao dia (p.ex, três vezes ao dia).
FARMACODINÂMICA
E MECANISMOS DE AÇÃO
A carbamazapina é um fármaco complexo que, ao mesmo tempo, tem importantes ações anti- convulsivantes nos níveis terapêuticos podendo, entretanto, provocar convulsões em caso de su-
CA
RB
AM
AZ
EP
INA
M
ED
IC
AM
ENT
OS
: I
NF
OR
M
AÇ
ÕE
S B
ÁS
IC
AS
perdose. Pouco se sabe dos mecanismos pelos quais exerceria seus efeitos antimaníacos. A carbamazepina bloqueia os canais de sódio pré- sinápticos, dependentes de voltagem. Ela tem alta afinidade pelos canais de cálcio inativados, au- mentando ainda mais o seu número. Acredita-se que o bloqueio dos canais de sódio iniba a libera- ção de glutamato na fenda sináptica. Essas ações seriam as responsáveis pelos efeitos anticonvul- sivantes da carbamazepina.
Essas ações anticonvulsivantes parecem ser exer- cidas em nível da amígdala por meio de receptores benzodiazepínicos do tipo periférico. Esse sistema está relacionado à entrada do cálcio e ao transpor- te de colesterol na membrana, produzindo um aumento da formação de pregnenolona, sendo depois transformada, em um esteróide neuroativo com ação anticonvulsivante, em receptores ben- zodiazepínicos do tipo central.
Atua ainda sobre a noradrenalina e o GABA (dimi- nui o turnover deste) e sobre receptores gluta- matérgicos do tipo NMDA.
Exerce uma série de ações a longo prazo sobre o TRH, a substância P, a somastotatina, os receptores α-adrenérgicos, a adenosina e sobre o turnover do fosfoinositol (IP3).
REAÇÕES ADVERSAS
E EFEITOS COLATERAIS
Mais comuns: ataxia, diplopia, dor epigástrica,
náuseas, prurido, sedação, sonolência, tonturas.
Menos comuns: agranulocitose, alopecia, altera-
ção do ECG, alteração da função hepática, anemia aplástica, aumento do apetite, bradicardia, dor abdominal, dermatite esfoliativa, diarréia, disar- tria, eosinofilia, eritema multiforme, fotossensi- bilidade cutânea, ganho de peso, gastrite, hepa- totoxicidade, hiponatremia, leucocitose, leucope- nia, nistagmo, petéquias, prostatismo, rash cu- tâneo, síndrome da secreção inadequada do hor- mônio antidiurético (ADH), síndrome de Stevens- Jonhson, sudorese, tremores finos, trombocito- penia, urticária, vômitos.
INDICAÇÕES
Evidências consistentes de eficácia:
• em diversas apresentações de crises convulsivas; • episódio de mania aguda1, 2.
Evidências incompletas:
• profilaxia de episódios maníacos3-14;
• em cicladores rápidos quando associada ao lí- tio15;
• na retirada do álcool16.
CONTRA-INDICAÇÕES
Absolutas
• Existência de problemas hematológicos; • insuficiência hepática.
Relativas
• Em pacientes com bloqueio cardíaco.
INTOXICAÇÃO
Manifesta-se por tonturas, estupor, arritmias ven- triculares, hipo ou hipertensão, bloqueio AV, con- vulsões, nistagmo, hipo ou hiperreflexia, hipoter- mia, discinesias faciais ou da boca, depressão res- piratória e coma. Raros óbitos ocorreram, mesmo em pessoas que ingeriram 10 a 20 g. O risco maior é em crianças17.
Manejo
• Fazer lavagem gástrica e administrar carvão ati- vado (5 a 100 g a 12,5 g/hora);
• monitorar níveis séricos da droga;
• manter funções vitais: uso de vasopressores se houver hipotensão e vias aéreas permeáveis; • controle das convulsões (se ocorrerem); • administrar carvão ativado a cada 4 a 6 horas,
e sorbitol a 70% por sonda nasogástrica para catarse, especialmente se os níveis séricos esti- verem elevados;
• flumazenil para bloqueio central em caso de coma;
• fazer hemodiálise ou hemoperfusão em pa- cientes com condições cardiocirculatórias ins- táveis ou estado de mal epiléptico complicado com hipomotivlidade intestinal que não te- nham respondido à terapia convencional17.
SITUAÇÕES ESPECIAIS
Gravidez
A carbamazepina está associada a um risco 2 a 3 vezes maior de malformações, em especial espi- nha bífida, quando utilizada nos dois primeiros
CA
RB
AM
AZ
EP
INA
M
ED
IC
AM
ENT
OS
: I
NF
OR
M
AÇ
ÕE
S B
ÁS
IC
AS
trimestres de gravidez. Ainda pode causar fenda palatina, atresia anal, meningomielocle, genitália ambígua e face anticonvulsivante (hipoplasia da região média da face, nariz curto, narinas everti- das e lábio superior longo). Os recém-nascidos expostos à CBZ podem apresentar uma deficiência reversível de vitamina K , alteração da coagulação e hemorragia cerebral com dano neurológico ir- reversível. Também está descrita alteração transi- tória da função hepática com elevação da bilirru- nina direta, da gama-glutamiltransferase, baixo peso ao nascimento e retardo do crescimento in- tra-uterino. Não fica claro se a carbamazepina