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Qualitative analysis

Objetivando-se conhecer as possíveis correlações entre as variáveis dependentes e as variáveis explicativas, subdividiu-se a amostra, conforme o atendimento das subcategorias: paraplegia ou tetraplegia; tempo de lesão medular menor que quatro anos ou tempo de lesão medular equivalente e acima de quatro anos; idade inferior a 29 anos ou idade equivalente e acima de 29 anos; sexo feminino ou sexo masculino; ensino médio, ensino superior incompleto ou ensino superior completo. Posteriormente foram correlacionadas as variáveis dependentes (constituídas pelos 20 fatores que compõem os instrumentos quantitativos do estudo) com as variáveis contínuas:

tempo de lesão e idade dos participantes, conforme atendimento de cada uma das subcategorias descritas acima.

8.9.1. Análise dos subgrupos constituídos pelos participantes, conforme o nível neurológico 8.9.1.1 Variáveis dependentes e tempo de lesão medular

Na Tabela 43 verificam-se associações positivas e moderadamente significativas entre o tempo de lesão medular e os fatores ‘capacidade funcional’ e ‘tenacidade e inovação’, entre os integrantes da amostra que apresentam diagnóstico de paraplegia. Os resultados para os indivíduos com tetraplegia revelam correlações do tempo de lesão medular e os domínios ‘limitações’, ‘saúde geral’ e ‘vitalidade’ do SF-36. São verificadas também correlações positivas entre o tempo de lesão medular e as medidas de resiliência (Escala de Resiliência e o fator ‘Satisfação no Trabalho’). Assim sendo, considera-se que os indivíduos com tetraplegia que apresentam maior tempo de lesão medular, avaliam-se mais favoravelmente nos respectivos fatores.

Tabela 43.

Correlações entre variáveis dependentes e tempo de lesão medular, para a amostra subdividida conforme o nível neurológico

Tempo de Lesão Medular

Variáveis dependentes Paraplégica Tetraplégica Capacidade Funcional 0,376* 0,402 Limitações - 0,211 0,681** Saúde Geral -0,176 0,714** Vitalidade 0,057 0,493* Escala de Resiliência 0,065 0,582** Tenacidade e Inovação 0,355* 0,013 Satisfação no Trabalho 0,259 0,528*

Notas: Correlações não-paramétricas de Spearman; rho* = p-valor < 0,05 e rho** = p-valor < 0,05. 8.9.1.2 Variáveis dependentes e idade dos participantes

Na Tabela 44, pode-se constatar que a idade dos participantes apenas correlaciona-se com a variável ‘assertividade’ (IR) entre os participantes com tetraplegia. A distribuição da amostra conforme o nível neurológico, não prediz qualquer correlação entre as variáveis dependentes e a idade dos participantes para os indivíduos com diagnóstico de paraplegia.

Tabela 44.

Correlações entre variáveis dependentes e idade dos participantes, para a amostra subdividida conforme o nível neurológico

Idade

Variáveis dependentes Paraplégica Tetraplégica

Assertividade 0,306 0,508*

8.9.2. Análise dos subgrupos constituídos pelos participantes distribuídos conforme o atendimento das condições: maior ou menor que quatro anos de lesão medular

8.9.2.1. Variáveis dependentes e tempo de lesão medular

Observa-se (Tabela 45) associação negativa entre o tempo de lesão medular e o uso da estratégia de enfrentamento ‘Praticas religiosas/ Pensamento Fantasioso’ entre os participantes com menos que quatro anos de lesão medular. Assim, considera-se que quanto menor o tempo de lesão do subgrupo, que tem menos que quatro anos de lesão medular, maior é o uso da referida estratégia. Já em relação àqueles que apresentam mais que quatro anos de lesão medular, não se observa qualquer correlação entre a estratégia ‘práticas religiosas/ pensamento fantasioso’ e as variações do tempo de lesão medular. No caso, também do subgrupo com menos que quatro anos de lesão medular, maior o tempo de lesão, melhor é a percepção da ‘Capacidade Funcional’. O uso da estratégia de enfrentamento ‘Suporte Social’ é ampliado, no subgrupo com mais que quatro anos de lesão, quanto maior for o tempo de lesão dos respectivos participantes.

Tabela 45.

Correlações entre tempo de lesão medular e as variáveis dependentes para dois grupos distintos, conforme o atendimento das condições < ou ≥ que quatro anos de lesão medular

Variáveis dependentes

Tempo de lesão medular < que 4 anos ≥ que 4 anos Práticas religiosas/Pens.Fantasioso − 0,407* 0,158 Suporte social − 0,305 0,405* Capacidade funcional 0,432* 0,000

Dor 0,089 0,451*

Notas: Correlações não-paramétricas de Spearman; rho* = p-valor < 0,05 e rho** = p-valor < 0,05.

8.9.2.2. Variáveis dependentes e idade dos participantes

As correlações entre as variáveis dependentes e a idade dos participantes, para dois distintos grupos derivados da amostra, estabelecidos conforme o atendimento da variável dicotômica, menos ou mais que quatro anos de lesão medular, são apresentadas na Tabela 46.

Tabela 46.

Correlações entre as variáveis dependentes e as idades dos participantes, para a amostra subdividida conforme o critério < ou ≥ que quatro anos de lesão medular

Idade dos Participantes

Variáveis dependentes < que 4 anos ≥ que 4 anos Práticas religiosas 0,036 0,405*

Assertividade 0,231 0,468*

Competência Emocional 0,039 0,536**

Notas: Correlações não-paramétricas de Spearman; rho* = ρ-valor < 0,05 e rho** = ρ-valor < 0,05.

Verifica-se, no grupo de pessoas com quatro ou mais anos de lesão medular, que ocorrem correlações positivas entre as respectivas idades e as variáveis ‘práticas religiosas’ (EMEP), ‘assertividade’ e ‘competência emocional’ (IR). Nesse sentido, quanto maior a idade dessas pessoas, mais positivas são as avaliações atribuídas aos respectivos fatores. Não foram constatadas correlações entre as variáveis dependentes e a idade dos participantes que apresentam menos que quatro anos de lesão medular.

8.9.3. Análise dos subgrupos estabelecidos conforme critério determinado pelas idades dos participantes, menor ou ≥ que 29 anos de idade

8.9.3.1. Variáveis dependentes e tempo de lesão dos participantes

Na Tabela 47 estão apresentadas correlações entre as variáveis dependentes e o tempo de lesão medular, para a amostra, dicotomicamente distribuída, em grupos independentes, constituídos pelos participantes com mais ou com menos que 29 anos de idade.

Tabela 47.

Correlações entre variáveis e o tempo de lesão medular, conforme atendimento do critério, menos ou mais que 29 anos de idade

Tempo de Lesão Medular

Variáveis dependentes < que 29 anos ≥ que 29 anos Práticas religiosas\Pens.Fantasioso − 0,411* − 0,165

Saúde Geral − 0,188 0,466*

Satisfação no trabalho 0,140 0,446*

Notas: Correlações não-paramétricas de Spearman; rho* = p-valor < 0,05 e rho** = p-valor < 0,05.

Para os subgrupos, definidos conforme a variável dicotômica, mais ou menos que 29 anos de idade (Tabela 47), verifica-se que, entre aqueles que apresentam menos que 29 anos de idade, quanto maior for o tempo de lesão, menor é o emprego da estratégia de enfrentamento, práticas religiosas/pensamento fantasioso, aferida pela EMEP. No caso dos participantes com mais de 29

anos de idade, observa-se, com o passar do tempo de lesão medular, avaliação mais positiva da qualidade de vida, no domínio ‘saúde geral’, e um maior uso dos indicadores de resiliência que integram o fator ‘satisfação no trabalho’, investigado pelo Inventário de Resiliência.

8.9.3.2. Variáveis dependentes e idade dos participantes

Para a distribuição dicotômica da amostra, conforme atendimento das condições: ser mais velho ou ser mais jovens que 29 anos, não são verificadas correlações entre as variáveis dependentes e as idades dos participantes.

8.9.4. Correlações estabelecidas para os participantes, conforme a distribuição pelo sexo 8.9.4.1. Variáveis dependentes e tempo de lesão dos participantes

Quando a amostra é distribuída, dicotomicamente, entre os sexos, verifica-se, no grupo feminino, forte correlação positiva entre maior tempo de lesão medular e o emprego dos indicadores de resiliência incluídos no fator ‘assertividade’ − Inventário de Resiliência. As correlações estabelecidas para a amostra distribuída, segundo o sexo dos participantes, entre as variáveis de interesse e o tempo de lesão, serão apresentadas na Tabela 48.

Tabela 48.

Correlações entre as variáveis dependentes e o tempo de lesão medular, para a amostra subdividida em dois grupos independentes estabelecidos conforme o sexo dos participantes

Tempo de lesão medular

Variáveis dependentes Feminino Masculino Capacidade funcional 0,040 0,360* Sensibilidade emocional 0,689** 0,147 Satisfação no trabalho 0,016 0,560**

Notas: Correlações não-paramétricas de Spearman; rho* = p-valor < 0,05 e rho** = p-valor < 0,05.

O ganho de qualidade de vida, no domínio da capacidade funcional, correlaciona-se positivamente com o maior tempo de lesão medular entre os participantes do sexo masculino. Conforme o aumento do tempo, com a lesão medular, também se observa aumento dos atributos que caracterizam o fator de resiliência ‘satisfação no trabalho’ (IR), entre os homens da amostra. As mulheres, conforme o aumento do tempo da lesão medular, demonstram maior ‘sensibilidade emocional’ (IR).

8.9.4.2. Variáveis dependentes e a idade dos participantes

Conforme resultado descrito na Tabela 49, as mulheres mais velhas tendem a ser mais assertivas (IR).

Tabela 49.

Correlações entre as variáveis dependentes e a idade dos participantes, para a amostra subdividida em dois grupos independentes estabelecidos conforme o sexo dos participantes

Idade dos participantes

Variáveis dependentes Feminino Masculino

Assertividade 0,604* 0,236

Notas: Correlações não-paramétricas de Spearman; rho* = p-valor < 0,05 e rho** = p-valor < 0,05.

8.9.5. Correlações estabelecidas para as três subcategorias amostrais, constituídas conforme o nível de escolaridade dos participantes

Considerando-se a amostra subdividida conforme o atendimento do critério escolaridade, configuram-se algumas correlações, estabelecidas entre as variáveis dependentes do estudo e as variáveis explicativas (tempo de lesão medular ou idade dos participantes), que poderão ser constatadas nas Tabelas 50 e 51.

8.9.5.1. Variáveis dependentes e tempo de lesão medular Tabela 50.

Correlações entre variáveis dependentes e o tempo de lesão medular para a amostra subdividida em três grupos distintos, estabelecidos conforme o nível de escolaridade

Tempo de lesão medular

Variáveis dependentes Ensino Médio Superior Incompleto Superior Completo Focalização na emoção 0,072 − 0,500* − 0,154 Práticas religiosas/ pens. fantasioso 0,170 − 0,372 − 0,532* Satisfação no trabalho 0,594* 0,019 0,556* Saúde geral − 0,399 0,229 0,687**

Notas: Correlações não-paramétricas de Spearman; rho* = p-valor < 0,05 e rho** = p-valor < 0,05, Legenda – pens. = pensamentos.

Verificam-se, entre os participantes que já concluíram o ensino superior, correlações, consideradas fortes, entre o tempo de lesão medular e as variáveis dependentes (‘práticas religiosas/pensamento fantasioso’; ‘satisfação no trabalho’ e ‘saúde geral’). Assim, quanto mais avançado o tempo de lesão, entre aqueles com ensino superior completo, maior é o emprego da variável dependente ‘satisfação no trabalho’ e melhor tende a ser a avaliação da ‘saúde geral’. No

caso da variável ‘práticas religiosas/pensamento fantasioso’, a correlação apresentada é negativa, dessa forma, quanto maior o tempo de lesão medular, menor é o emprego da respectiva estratégia de enfrentamento. Entre os participantes que atendem ao critério de ensino superior incompleto, observa-se correlação de moderada a forte, porém negativa, entre o tempo transcorrido com a lesão medular e o uso da estratégia focalização na emoção. Quanto mais tempo de lesão medular, entre aqueles que apresentam nível de escolaridade equivalente ao ensino superior incompleto, menor é o uso da estratégia de enfrentamento ‘focalização na emoção’. O fator de resiliência ‘satisfação no trabalho’ é significativamente maior entre aqueles que apresentam escolaridade correspondente ao ensino médio e também apresentam maior tempo de lesão medular.

8.9.5.2. Variáveis dependentes e a idade dos participantes

Percebe-se, entre os indivíduos mais velhos, que apresentam nível médio de escolaridade, uma forte tendência ao maior uso da estratégia de enfrentamento (EMEP), denominada ‘práticas religiosas\ pensamento fantasioso’. Observa-se que as pessoas mais velhas, que apresentam escolaridade equivalente ao ensino médio, também demonstram forte tendência ao maior emprego dos atributos de resiliência que compõem o fator ‘assertividade’ (IR). No caso dos participantes mais velhos, que apresentam escolaridade classificada como ‘ensino superior completo’, verifica-se uma avaliação mais positiva da qualidade de vida no domínio ‘saúde geral’ (SF-36). Esses resultados estão descritos na Tabela 51.

Tabela 51.

Correlações entre variáveis dependentes e a idade dos participantes para três subgrupos distintos, estabelecidos conforme o nível de escolaridade

Idade dos participantes

Variáveis dependentes Ensino Médio Superior Incompleto Superior Completo Práticas religiosas\Pens.Fantasioso 0,634** 0,190 − 0,340 Assertividade 0,518* 0,472 − 0,072 Saúde geral − 0,061 − 0,372 0,586*

Notas: Correlações não-paramétricas de Spearman; rho* = p-valor < 0,05 e rho** = p-valor < 0,05.