5. Helseadferd og psykisk helse
5.3 Psykisk helse
De forma a dar enquadramento à estratégia de intervenção após identificação e caracterização do perfil dos principais factores de risco cardiovascular da população estudada, é fundamental e prioritário a avaliação do risco global cardiovascular em todos os indivíduos estudados (DGS, 2007). Para se poder planear adequadamente a intervenção e abordagem terapêutica ou outra, o primeiro passo é calcular a categoria de risco à qual cada indivíduo pertence (ARS-Norte, 2006). Esse risco é determinado pela acumulação e associação de alguns factores de risco e ponderado em função da sua relação e representa a probabilidade de ocorrência de um evento cardiovascular num determinado período de tempo, ou seja, o Risco Absoluto (DGS, 2007).
Os factores considerados neste cálculo são o género, idade, tabagismo, pressão arterial sistólica e colesterol total (Conroy et al., 2003). A DGS (2007) afirma que outros factores poderão condicionar o risco ou agravar esse risco: excesso de peso/obesidade, nível de actividade física e nível de stress, ansiedade e depressão.
O risco global cardiovascular dado pelo SCORE risk (Sytematic Coronary Risk Evaluation), corresponde ao risco estimado de desenvolver DIC fatal nos próximos 10 anos (Conroy, et al., 2003). O seu cálculo pretende dar uma melhor estimativa de risco individual e melhor reflectir as implicações dos serviços de saúde nos factores de risco cardiovascular e é realizado com base nas tabelas de SCORE (ANEXO 1) (Conroy et al., 2003). Após consulta dessa tabela encontramos a seguinte caracterização da população por SCORE de risco (Tabela 22).
83 n % <1% 176 29,3 1% 178 29,6 2% 84 14,0 3 - 4% 96 16,0 5 - 9% 58 9,7 10 - 14% 6 1,0 >=15% 3 0,5
Tabela 25 – Categoria de SCORE de risco
No que se refere ao SCORE total de risco, em média, estes indivíduos têm um valor médio de 1,94% (±2,6) de risco absoluto de desenvolver DIC. O valor mínimo de risco encontrado é 0 e o máximo 32.
Na categorização do SCORE total de risco cardiovascular global, 29,3% dos indivíduos tem SCORE de risco inferior a 1% (muito baixo) e 9,7% tem risco entre 5-9% (alto/muito alto), ou seja, compatível com necessidade de intervenção imediata (DGS, 2007). De destacar que 1% dos indivíduos tem risco entre 10-14% e 0,5% tem risco superior ou igual a 15%. Estes valores podem ser comparados aos encontrados por Santiago & Serra e Silva, (2003) onde 6,7 % dos indivíduos estudados apresentava risco alto /muito alto de evento de DCV, com os homens com maior percentagem em relação às mulheres. E, de modo análogo poderemos dizer que tal como Santiago & Serra e Silva, (2003) referem, a elevada prevalência de indivíduos com risco moderado (Risco de 3-4%) podem transformar-se em casos de risco alto, se não houver mudanças nos estilos de vida.
Como se conclui, através da observação da Escala de Avaliação de Risco a 10 anos, utilizada neste estudo (Anexo 1), os factores considerados para a ponderação e cálculo do risco relativo de desenvolver DIC são a idade, género, tabagismo, pressão arterial e nível de colesterol total. Logo, o risco de DIC estará directamente relacionado com esses factores.
No que se refere à análise da evolução do risco em função do género, verifica-se a existência de uma relação estatisticamente significativa (p<0,001), com uma relação estatística negativa (correlação de Spearman de -0,421), que nos mostra que no grupo de indivíduos estudados o risco de desenvolver DCV é menor nas mulheres. Relativamente à análise do risco por género em função do grupo etário, de salientar a não existência de indivíduos do sexo feminino com menos de 55 anos com SCORE maior ou igual a 5% e 2% (Gráfico 10). Por outro lado, verifica-se a existência de homens do grupo etário 45-49 com risco entre 3-4%, que pode facilmente aumentar para risco muito elevado (maior ou
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igual a 5%), e do grupo etário 50-54 com SCORE de risco 3-4% e 5%, o que se revela preocupante, já que esses grupos etários correspondem a idade precoce para desenvolver DCV.
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Gráfico 10 – SCORE de risco por género e grupo etário
A ESH & ESC, (2007) refere que os modelos de avaliação do RGCV têm limitações que devem ser apreciadas. Designadamente, não consideram a duração da exposição ao FR ou doença e a sua quantificação é usualmente baseada em alguns FR, com atenção limitada a outras variáveis muito relacionadas com a DCV, como por exemplo o nível de actividade física e o stress.
A DGS (2005) refere ainda que a obesidade aumenta o risco de desenvolver DCV. Confirmando esta afirmação, encontramos relação estatística (p<0,001) entre o nível de risco/SCORE total de risco de DIC e a presença de excesso de peso. Os indivíduos com excesso de peso têm SCORE de risco mais elevado relativamente aos restantes. Este achado refuta mais uma vez o impacto que o excesso de peso e obesidade têm nos indivíduos estudados, pela elevada proporção de indivíduos com excesso de peso/obesidade e a importante relação deste factor de risco com os restantes e com o risco de doenças crónicas, tais como as DCV (DGS, 2005).
Relativamente ao nível de actividade física e considerando o que é dito por Francis (1996), Padez (2003) e DGS (2006) acerca do aumento do risco de DIC em indivíduos com baixo nível de actividade física, neste estudo não se encontra relação estatística significativa entre o nível de actividade física e o SCORE de risco (p=0,286), não se verificando que os indivíduos com baixa actividade física apresentem SCORE de risco mais elevado. Ou seja, os dados encontrados neste estudo não nos permitem dizer que a actividade física é protectora relativamente ao risco de DCV. Estes valores, vêm mostrar que a actividade física dos indivíduos estudados não parece ter influência no SCORE de risco, ou seja, não
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existe evidência de que o risco de desenvolver evento fatal de DCV a 10 anos, esteja relacionado com o nível de actividade física. Considerando as fraquezas e limitações da utilização do IPAQ na população em causa, parece-nos de todo pertinente, em estudos futuros, aferir melhor estes resultados, através de um estudo mais pormenorizado do nível de actividade física, utilizando por exemplo o IPAQ versão longa e outro instrumento não auto-reportado, para minimizar o viés da sobrevalorização do nível de actividade física pela utilização de instrumentos auto-reportados.
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PARTE IV - Conclusão e reflexões finais