5. Helseadferd og psykisk helse
5.1 Helseadferd og matvaner
Após analisados estes dados não podemos deixar de reflectir acerca da diferença entre a percentagem de indivíduos com presença de cada um dos Factores de Risco e o seu conhecimento acerca da sua condição ou acerca do controlo do respectivo Factor de Risco, nos casos em que há toma de medicação para esse factor.
Um dos aspectos importantes para a melhoria da qualidade de vida de uma população é o aumento da sua capacidade de compreender os fenómenos relacionados à sua saúde. O conhecimento sobre um determinado desfecho em saúde pode ser útil para ajudar a evitar o surgimento de um agravo, podendo também influenciar na busca pelo tratamento, quando a doença já está estabelecida (Borges, Rombaldi, Knuth & Hallal, 2009). Na tabela 22 apresentam-se os dados percentuais relativos ao autoconhecimento dos Factores de Risco em paralelo com os resultados obtidos na avaliação e presença de cada um dos factores de risco. È possível que diferenças culturais, sócio-econômicas e regionais estejam associadas com os níveis de informação (Borges et al., 2009). Como já se referiu anteriormente neste trabalho, maiores graus de escolaridade podem estar relacionados com maior acesso à informação e afectar o conhecimento e/ou a capacidade de compreensão das informações recebidas, pelo que, considerando o que já se disse ao longo deste trabalho, parece-nos pertinente perceber de que forma estes indivíduos, conhecem de facto a sua condição de saúde e como estão controlados os factores de risco de DIC. Daí, a importância dada por nós ao autoconhecimento dos factores de risco (tabela 21).
Reportando-nos aos dados apresentados na tabela 13 e pesquisando o controlo da diabetes/glicemia em jejum (tabela 22), verificamos que 2% dos indivíduos com diabetes não tinha conhecimento deste aspecto. Dos indivíduos medicados para diabetes a média do valor de glicemia é 154,8 (±54,3) mg/dl (mínimo 73; máximo 323). Apenas 17,5% dos indivíduos tem valores de glicemia normais (<110 mg/dl). Todos os restantes apresenta valores elevados de glicemia em jejum maiores ou iguais a 111 mg/dl) o que se revela preocupante, dado o grande impacto social e económico da diabetes (DGS, 2008a), por poder evidenciar a dose sub-terapêutica que pode estar a ser feita ou a não adesão a outras estratégias preventivas e de tratamento da diabetes, como seja o controlo da alimentação e a prática de exercício físico.
67 Factor de Risco Antecedente Medicado Factor de risco
controlado Com Factor de Risco % Dislipidémia 45,4 23,1 54,7 45,3 Hiperglicémia 10,6 6,7 17,5 82,5 HTA 35,6 24 21,5 78,5 Excesso de Peso 37,9 0,7 3,5 96,5
Stress, ansiedade ou depressão 47,3 9,8 52,5 47,5 Tabela 22 - Paralelismo entre os antecedentes e medicação para cada factor de risco e a presença ou não do
respectivo factor de risco
A nível da dislipidemia, a diferença entre a percentagem de indivíduos que sabia ter valores elevados de colesterol total e os que apresentavam valores compatíveis com dislipidemia (cut off de 190 mg/dl) é de 11,7%, que corresponde à percentagem de indivíduos que desconheciam ter dislipidemia. Entre os indivíduos medicados para dislipidemia (tabela 11) o valor médio do nível de colesterol total é 188,84±31,8 mg/dl (mínimo 150, máximo 282). Destes 64% tem valor de colesterol total inferior a 200 mg/dl, 20,9% tem valor entre 180-199 meg/dl e apenas 15,8% tem valor de CT inferior ou igual a 150 mg/dl. Dos indivíduos medicados para dislipidemia, 45,3 % mantém valores de CT iguais ou inferiores a 190 mg/dl, ou seja compatíveis com dislipidemia (tabela 22).
No caso da HTA, 20,3% dos indivíduos que tem HTA não tinha conhecimento disso. Os indivíduos medicados para HTA, apresentam um valor médio de 91,32 (±12,165) mmHg de PAD e 154,92 (±22,5) mmHg de PAS, ou seja, mantêm um valor médio de pressão arterial compatível com HTA. Fazendo um estudo mais detalhado da situação dos indivíduos face à HTA, verificamos que entre os 24% de indivíduos medicados para HTA 78,5% mantém HTA e 21,5% tem valores de PA controlados.
A diferença entre a percentagem de indivíduos com auto-percepção de Excesso de Peso (37,9%) e os indivíduos que de facto têm excesso de peso (72,7%) (tabela 22) é de 34,8% o que significa que 34,8% dos indivíduos que tem excesso de peso, não considerava que o seu peso fosse excessivo. No entanto, 3,5% dos indivíduos que se auto-reportam como tendo excesso de peso, tem peso normal; 47,4% tem efectivamente excesso de peso e 49,1% é obeso. Estes valores revelam que, relativamente à consciência do que é ter excesso de peso, ou à imagem corporal, os indivíduos estudados parecem, na generalidade, ter esses conceitos desfasados da realidade.
Dos indivíduos que auto-reportam antecedentes pessoais de stress, ansiedade ou depressão (tabela 10), 30,6% apresentam evidência de sinais dessas condições, segundo
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resultado obtido na aplicação da EADS. A diferença entre a totalidade de indivíduos que apresentam resultados na EADS que revelam sinais de stress, ansiedade ou depressão e os que referem antecedente de uma dessas condições é de 27,2%. Dos indivíduos medicados para este factor de risco, 47,5% mantêm sinais de stress, ansiedade ou depressão, ou seja, não tem o factor de risco controlado.
Assim, relativamente ao controlo dos factores de risco, entre os indivíduos estudados, verificamos que na generalidade, perto de 80% dos indivíduos que sabia ter hiperglicemia e HTA e que estava a fazer medicação para o mesmo não tinha o factor de risco controlado. Perto de metade dos indivíduos que tinha diagnóstico de dislipidemia e auto-reportava sinais de stress, anisedade ou depressão não apresentava controlo desse factor. Quase a totalidade dos indivíduos com excesso de peso, apesar de terem essa noção, não tinham esse importante factor de risco controlado.
Este fenómeno revela-se preocupante, pois, constatamos que apesar de identificados os problemas, grande parte dos indivíduos continua a apresentar deficiências no controlo dos diferentes factores de risco da DCV/DIC, evidenciando assim, que, apesar dos esforços feitos pela DGS, pela implementação e criação do Programa Nacional de Prevenção e Controlo das Doenças Cardiovasculares, muitos continuam a ser os casos não controlados e a identificação de novos casos com factores de risco dessas doenças. Independentemente da causa para esse não controlo dos factores de risco, o que nos parece notório, é que em algum momento os programas implementados podem estar a falhar, contribuindo assim para uma situação de défice de controlo dos factores de risco e consequente possibilidade de aumento da incidência e prevalência das DCV. Sabemos ainda que a redução do risco cardiovascular global, depende do controlo dos FR modificáveis, que é potenciado pela continuidade de cuidados (Okai & Lopes, 2009).
Por outro lado, e porque para as pessoas poderem mudar comportamentos e adoptar estilos de vida mais saudáveis no sentido de melhorar o seu estado e condição de saúde é importante terem consciência e conhecimento desse factor (Sardinha, Matos e Loureiro, 1999), os resultados obtidos e a constatação de que grande parte dos indivíduos não tem controlo sobre os factores de risco, ao nível educativo e formativo, reforçando a necessidade de se continuar a intervir de forma agressiva e a monitorizar os resultados obtidos (DGS, 2006 e Borges, 2009).
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4.3.2 Caracterização da amostra em relação ao conjunto dos Factores de Risco