3. Skole
3.2 Foreldreinvolvering i skolen
Os fundamentos para este estudo estão intimamente ligados à percepção de vários factores sobre a prestação de cuidados, decorrentes da experiência de trabalho hospitalar, principalmente em equipas de tratamento para pessoas com doença mental grave.
Essa experiência e a oportunidade de participar em vários processos de implementação de práticas como a psicoeducação, a terapia familiar comportamental, o case management e a intervenção precoce na psicose, evidenciaram limitações que na nossa perspectiva devem ser objecto de estudo.
Os factores acima enunciados são de vários níveis, com uma implicação conjunta no grau da melhoria e da inovação dos cuidados de saúde prestados, fundamentados nos capítulos anteriores deste trabalho e que aqui sumariamente enunciamos:
• Existem barreiras à implementação de práticas que comprometem a melhoria dos cuidados de saúde mental. Essas barreiras assumem várias formas: barreiras das práticas em si, dos profissionais, dos contextos e dos próprios doentes.
• A cultura e a história assistencial são, de igual forma, contribuintes neste processo, incluindo a cultura das instituições, a cultura de liderança e a cultura dos profissionais.
• Assegurar cuidados com qualidade implica, não só a utilização de técnicas efectivas, como um grau alto de fidelidade de utilização das mesmas.
Adicionalmente, os passos dados para implementar melhores cuidados têm poucas vezes uma actividade estruturada subjacente, assentando, ao invés, na premissa de que a evidência inerente a uma prática é argumento suficiente para que seja adoptada e que a sua implementação resultará pelo simples facto de ter sido objecto de investigação clínica temporária num serviço.
A forma complexa como todas estas dimensões interagem com as idiossincrasias regionais, locais e por vezes institucionais, constituem um desafio para o estudo das suas implicações no processo.
A percepção da existência, hoje em dia e em Portugal, de uma capacidade para formar profissionais cada vez com maior qualidade, com mais recursos disponíveis, é acompanhada
pela percepção das dificuldades de implementação nos serviços, existentes numa fase posterior aos programas de treino.
Na primeira parte do nosso trabalho tivemos a oportunidade de constatar vários factores relacionados com a implementação de práticas baseadas na evidência e com a influência de algumas práticas na própria organização de serviços, que constituíram para nós um fundamento adicional de estudo. Os dados demonstram que apesar de todo o progresso científico muitas pessoas continuam sem acesso aos serviços de saúde mental e que, em muitos casos, os cuidados não têm a qualidade suficiente. Nesse sentido as organizações internacionais têm desenvolvido esforços para que os países reformem os seus serviços, e muitos países, incluindo Portugal, estão neste momento a implementar reformas na saúde mental (Ministério da Saúde, 2008).
A experiência destes países mostra que os processos de implementação de modelos de intervenção terapêutica, como o Modelo da Gestão de Cuidados (MGC), são lentos e complexos, não dependendo somente do grau de efectividade (Grol & Grimshaw, 2003), ou da complexidade das práticas a implementar (Teare et al., 2001).
O MGC é definido como uma prática baseada na evidência (Thornicroft, 1991), utilizada por profissionais de saúde mental com o objectivo de ajudar as pessoas com doença mental grave a participar no seu processo terapêutico, reduzindo a susceptibilidade a recaídas e melhorando a capacidade de lidar eficazmente com os seus sintomas (Mueser et al., 2002). O seu desenvolvimento teve, concomitantemente, o intuito de evitar que o tratamento ficasse fragmentado, aquando do encerramento das grandes instituições psiquiátricas e da consequente transferência dos serviços para a comunidade. Dentro destes modelos, os que contribuem para a melhoria dos doentes e para a efectividade dos serviços de saúde mental contêm ingredientes comuns, como a informação sobre a doença e o tratamento, a promoção da adesão ao tratamento, a prevenção de recaídas, a resolução de problemas e o estabelecimento de objectivos (Ziguras & Stuart, 2000).
As estratégias para implementar práticas baseadas na evidência são críticas para a melhoria dos serviços (Hansson, 2001). Existem, apesar de toda a evidência, muitas barreiras à implementação destas práticas e as investigações sobre a implementação servem de campo de testes para a criação de conhecimento acerca da ligação entre a ciência e a prestação de cuidados (Goldman et al., 2001).
Ao constatarmos que as práticas validadas pela ciência estão longe de estar claramente disseminadas nos serviços de saúde mental, fundamentamos a necessidade de considerar outros componentes associados às características dos serviços, à cultura organizacional e de liderança, aos utentes e às famílias (Brooker et al., 2003).
Em Portugal, continuamos a carecer de investigação na área da implementação de práticas terapêuticas, onde a formação e o treino são essenciais para que os serviços disponham de profissionais cada vez mais habilitados a prestar cuidados de qualidade, e a desenvolver os
programas e as intervenções que melhor respondem às necessidades clínicas e psicossociais das pessoas com problemas de saúde mental (Caldas de Almeida et al., 2007). Também parca é a investigação na área de serviços, preterida em relação à investigação clínica e relegando para segundo plano as diligências necessárias para assegurar, além da efectividade da prática, a efectividade da implementação.
Considerando que um conjunto de profissionais tinham adquirido competências específicas no MGC, através de um programa de formação nacional idêntico para todos os serviços de saúde mental, concluímos que esta seria uma oportunidade óptima para investigar não só o grau de implementação deste modelo, como também os facilitadores e as barreiras à sua correcta implementação. A decisão da caracterização dos resultados estratificados por regiões é fundada na hipótese de que, apesar de sermos um país de pequena dimensão geográfica e populacional, poderemos encontrar diferenças regionais substanciais que devem ser consideradas no momento do planeamento de programas de treino.
Embora existam vários estudos sobre as barreiras e os facilitadores à implementação de práticas baseadas na evidência, a maior parte desses estudos é baseado em entrevistas semi- estruturadas a profissionais (Cabana, 1999), relegando para segundo plano a utilização de instrumentos padronizados.
Em complemento, podemos afirmar que não existem, em Portugal, estudos sobre as barreiras e os facilitadores à implementação de práticas de saúde mental.
Pelas razões anteriormente descritas, consideramos importante desenvolver uma investigação na área da implementação de uma prática baseada na evidência, enquadrada nos facilitadores e barreiras à sua implementação.