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Proper lift-off scenarios

In document MASTER’S THESIS (sider 53-58)

4.   Allowable sea states using different fender models

4.4   Result and discussions

4.4.1   Proper lift-off scenarios

No desenho e planificação da investigação que pretendemos desenvolver começamos por uma das etapas mais importantes: a definição do problema de investigação. Clara Coutinho realça que toda a “investigação envolve sempre um problema, seja ele (ou não) formalmente explicitado pelo investigador”. A autora faz ainda a distinção entre a forma como o problema pode ser definido, em função do tipo de metodologia adotado.

Na investigação que adota uma metodologia de cariz quantitativo, a formulação do problema faz-se via de regra numa fase prévia, seja sob a forma de uma pergunta (interrogativa), seja sob a forma de um objetivo geral (afirmação). Quando a investigação adota uma metodologia qualitativa, menos estruturada e pré-determinada, o problema pode ser formulado de uma forma muito geral, como que “emergindo” no decurso da investigação (Coutinho, 2015, p. 49).

Considerando que neste trabalho optámos por uma metodologia de tipo misto, como veremos no ponto seguinte, entendemos que a definição do problema deveria ser feita numa fase prévia, seguindo a revisão bibliográfica efetuada, e como forma de “focalizar a atenção do investigador para o fenómeno em análise, desempenhando o papel de “guia” na investigação” (Coutinho, 2015, p. 47).

Para a elaboração deste “guia” existem, no entanto, diversas possibilidades, ou seja, o problema de investigação pode ser definido de diferentes formas, em função do tipo de revisão da literatura efetuada, mas tendo também em conta a própria realidade que se pretende

estudar. O problema de investigação pode assim ser definido, de uma forma muito geral, como: o estudo das Grandes Reportagens Televisivas enquanto jornalismo de investigação ou dito de outra forma, o jornalismo de investigação e as Grandes Reportagens Televisivas a partir da perspetiva dos jornalistas que trabalham nos órgãos televisivos. No entanto, “na opinião de Cardona Moltó (2002), é desejável que a definição do problema seja o mais específica possível contendo os aspetos essenciais do estudo, ou seja, fazer referência ao que se estuda (objeto de investigação), com quem se vai levar a cabo a investigação (sujeitos) e como se estuda o problema (definição de variáveis)” (apud Coutinho, 2015, p. 50).

Seguindo a proposta dos autores, entendemos que podemos definir o problema de investigação de forma mais específica. O propósito deste estudo é então o de investigar a importância que as grandes reportagens televisivas têm no contexto do jornalismo de investigação, considerando as tendências, estruturas e modelos de produção jornalística seguidos na atualidade. O trabalho pretende fazer esta análise a partir da perceção dos jornalistas e considerando também as funções, repercussão e impacto que as Grandes Reportagens Televisivas podem ter na sociedade.

Formulado desta forma, e ainda que através de uma afirmação e não da tradicional interrogação, consideramos que fica claro qual o objeto da investigação, mas também os sujeitos e as variáveis que são consideradas. Diretamente relacionado com o problema em estudo, encontram-se os objetivos da investigação. De acordo com Cardona Moltó (2002), podemos falar de objetivos “exploratórios (descritivos) ou analíticos (explicativos ou preditivos)” (apud Coutinho, 2015, p. 51). Neste trabalho os objetivos são exploratórios ou descritivos, na medida em que “aproximam-nos a problemáticas pouco conhecidas e implicam: identificar e/ou descrever características ignoradas até ao momento; quantificar a frequência de algum fenómeno social; selecionar problemas ou áreas de interesse para a investigação” (idem).

Os objetivos são então exploratórios e descritivos, porque embora o jornalismo de investigação não seja uma temática nova, a verdade é que são ainda escassos os trabalhos académicos sobre a relação entre as Grandes Reportagens Televisivas e esta vertente jornalística. Por outro lado, ao procurarmos analisar as tendências, estruturas e modelos de produção das Grandes Reportagens Televisivas na atualidade, podemos contribuir para a exploração e descrição de uma nova realidade na qual podem surgir novas questões de investigação. Neste contexto, o estudo é guiado por três objetivos principais:

- Estudar a importância que as Grandes Reportagens Televisivas têm no contexto do jornalismo de investigação;

- Analisar as tendências, estruturas e modelos de produção das Grandes Reportagens Televisivas;

- Analisar as funções, repercussão e impacto que as Grandes Reportagens Televisivas podem ter na sociedade na perspetiva dos jornalistas que as produzem.

Depois de definirmos o problema e os objetivos do estudo, centramos a nossa atenção nas hipóteses de investigação. A definição das hipóteses varia também, como a problemática, em função do paradigma de investigação que se decide seguir.

Sendo uma previsão de explicação de um fenómeno que está expresso no problema a investigar, resulta óbvio que o papel da hipótese numa investigação dependerá da perspetiva ou paradigma - quantitativa/positivista ou qualitativa/interpretativa - em que se insere a investigação propriamente dita (Coutinho, 2015, p. 53).

Como veremos no ponto seguinte, neste trabalho optámos por uma metodologia mista, o que nos obrigou a considerar hipóteses dedutivas, características dos estudos quantitativos, mas também indutivas, mais comuns nos estudos qualitativos, e que não sendo formuladas inicialmente, emergem no decurso da investigação. Neste sentido, se a hipótese de investigação é uma possível explicação para o problema em estudo, consideramos neste trabalho cinco hipóteses principais:

H1. As Grandes Reportagens Televisivas continuam a ter um papel importante no contexto do jornalismo de investigação uma vez que a sua produção tem aumentado nos últimos anos em Portugal.

H2. A escassez de profissionais e a rapidez com que é necessário produzir conteúdos na atualidade são fatores que estão a afetar as Grandes Reportagens Televisivas, enquanto género que exige maior tempo na recolha de informação e profundidade no tratamento jornalístico.

H3. A complexidade das histórias e a necessidade de aprofundar o tratamento jornalístico contribuem para a adoção de novos formatos na produção das Grandes Reportagens Televisivas.

H4. A tendência de serialização das Grandes Reportagens Televisivas afeta a compreensão do público e transforma produtos jornalísticos em conteúdos ficcionais. H5. As Grandes Reportagens Televisivas são determinantes ao nível da vigilância dos poderes e da prestação de contas (accountability), funções tradicionalmente asseguradas pelo jornalismo de investigação.

As hipóteses foram formuladas, como referimos, tendo em conta o problema a investigar, mas também a forma como a investigação se desenrolou, ou seja, no decurso da própria recolha de dados foram emergindo novas hipóteses que considerámos, por entendermos que podem contribuir para cumprir os objetivos da investigação. No entanto, importa lembrar que a

intenção do trabalho não é fazer inferências da amostra para a população, mas apenas tentar recolher dados que permitam estudar a produção das Grandes Reportagens Televisivas no contexto do jornalismo de investigação, através da perspetiva dos profissionais, e dessa forma explorar tendências e modelos.

Depois de definirmos o problema, os objetivos e as hipóteses de investigação, avançamos no desenho do trabalho, com a explicação da abordagem metodológica que decidimos seguir e que nos orientou através de uma metodologia mista.

3.2. A complementaridade entre paradigmas de

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