6. Operability analysis
6.5 Subsea spool installation case study
6.5.1 Installation methods study
I. Caracterização 1. Nome? Paulo Salvador 2. Idade? 54
3. É jornalista há quantos anos?
30
4. Breve descrição do percurso profissional até chegar ao atual canal?
Rádio universidade, Rádio Geste, Renascença, Jornais (Sete, Semanário), Jornal Universitário, RTP e TVI.
5. Há quantos anos desempenha a atividade enquanto jornalista neste canal?
26 anos
II. Jornalismo de Investigação e Grandes Reportagens Televisivas
6. Como é que vê o jornalismo de investigação que se tem feito e que se faz atualmente em Portugal?
O jornalismo de investigação é o género mais nobre da profissão. Antes de haver TVs privadas só a RTP tinha grande reportagem. Foi a escola de todos. Com o surgimento da SIC e TVI houve um incremento deste produto. A SISC foi quem mais apostou numa primeira fase. Mais tarde a TVI também o fez. Há exemplos de grande qualidade em qualquer um dos três canais generalistas. NO entanto a GR é um produto caro pelo que as TVs privadas tiveram períodos em que investiram consoante o mercado publicitário o permitia. A SIC investiu muito no arranque do projeto, depois desinvestiu. A TVI fez o caminho inverso. Primeiro não podia, mas na última década tem vindo a investir cada vez mais e hoje é quem mais investe no jornalismo de investigação. Penso que é um género que tende a aumentar.
7. Considera que a grande reportagem é por excelência o género jornalístico da investigação?
8. Considera que existe liberdade de expressão que permita dar a conhecer determinados assuntos através das grandes reportagens televisivas?
A questão não pode ser colocada em termos gerais, mas sendo assim respondo em termos gerais. Sim em termos gerais há liberdade para o fazer
9. Existem pressões a quem faz jornalismo de investigação, nomeadamente através das grandes reportagens televisivas? Que tipo de pressões? Por parte de quem? Com que objetivo?
A pressão sobre quem denuncia ou informa o público sempre existiu e sempre existirá. É inerente à profissão. O importante é saber lidar com essas pressões de forma que não afete o essencial da reportagem. As pressões são de todo o tipo porque todos querem influenciar quem conta a história. Ou para defenderem o seu ponto de vista ou para atacarem o de outros. No fundo todos os protagonistas querem sempre influenciar a história que vai ser contada.
10. A contenção de custos que tem vindo a atingir vários meios de comunicação já atingiu a investigação jornalística e a grande reportagem televisiva? De que forma?
Atingiu a GR em períodos diferentes e em canais diferentes conforme respondi na pergunta número 6. Neste momento quer a TVI quer a SIC investem muito neste género jornalístico como fator diferenciador na guerra de audiências.
11. As fontes adquirem maior importância no contexto do jornalismo de investigação? De que forma se gere a relação com estas quando se realiza uma grande reportagem em que existem denuncias sobre pessoas e/ou entidades? Como foi gerida essa relação no caso da sua grande reportagem “Viver na Coreia”?
A fórmula deve ser sempre a mesma e um dos princípios básicos da nossa profissão. Respeitar as fontes, respeitar o contraditório e verificar os factos. Isso deve ser universal. Claro que devemos sempre tentar localizar fontes que nos merecem mais credibilidade e muitas vezes isso só se consegue com o tempo.
12. Acredita que grandes reportagens, vão continuar a ser, no futuro, o género de investigação por excelência? Ou a rapidez com que atualmente é necessário produzir conteúdos pode ameaçar os géneros que exigem maior tempo na recolha de informação e profundidade no tratamento jornalístico?
Há uns anos daria outra resposta. Mas neste momento, dada a guerra de audiências, acredito que a GR pode ser o elemento diferenciador para fidelizar audiências e ganhar notoriedade. Acredito que as TVS vão continuar a investir.
13. Considera que existe um modelo de grande reportagem televisiva? Que características tem esse modelo? Por exemplo ao nível da duração da grande reportagem?
Historicamente as GR tinham, até aos anos 90 uma duração de 50 minutos. A partir de certa altura, ao serem integradas dentro dos jornais e devido à pressão publicitária que alongava os mesmos, a sua duração foi alterada para o máximo de 30 minutos. Uma opção de gestão de tempos de jornal e custos publicitários hora. Não existe um modelo a não ser na duração e na profundidade da abordagem.
14. Se não existe um modelo, existe alguma referência em termos de reportagem que seja seguida ou que seja vista como o modelo a seguir?
Não creio que haja.
15. Qual a sua opinião sobre a tendência de serialização das grandes reportagens televisivas? Acredita que este é um formato narrativo que vai dominar o futuro da grande reportagem? Que vantagens apresenta?
Não acredito que seja uma tendência de futuro. Acontece sobretudo por uma questão de rentabilização de custos e é decidida caso a caso, tendo em conta o potencial de interesse e impacto para a audiência.
16. De que forma é que, no seu entender, esta serialização pode afetar a compreensão por parte do público e a função de lhe propiciar um instrumento imediato de conhecimento?
Não creio que tenha grande efeito. Em alguns casos pode ser penalizador para a audiência, mas de uma forma geral são pouco episódios e as pessoas aceitam.
17. Na sua opinião considera que a complexidade das histórias e a necessidade de aprofundar e adicionar muitos detalhes são elementos que justifiquem este formato e a aproximação ao estilo ficcional (novela)?
Não acho que a complexidade justifique a extensão da história. A grande reportagem existe para contar histórias complexas. No entanto as televisões subvertem esse princípio para rentabilizar as audiências dos jornais.
18. Esta forma de contar histórias reais, como se fossem ficção e, portanto, um produto do entretenimento, não pode estar a prejudicar a informação jornalística?
Não, a reconstituição de cenas reais é uma ferramenta da narrativa do documentário e por vezes uma boa forma de visualizar e dar sentido ao que queremos contar. Se for feito com a devida ressalva de que é uma recriação e se não for romanceada, pode ajudar muito o discurso jornalístico.
19. Esta tendência de serialização das grandes reportagens televisivas pode ser entendida como uma forma de rentabilizar os conteúdos onde existe ou existiu mais investimento?
Já respondi.
20. Considera que um produto jornalístico, como as grandes reportagens televisivas, deve ser amplamente promovido como um conteúdo de ficção?
Não. Uma grande reportagem não é ficção, é jornalismo. O jornalismo nunca se promove como ficção.
IV. Temas, importância, função e impacto das Grandes Reportagens Televisivas
21. Na escolha dos temas de reportagem, existe preocupação em procurar histórias que captem a atenção do maior número de espectadores? Ou essa preocupação não existe? No caso da grande reportagem “Viver na Coreia”, como surgiu a escolha do tema? Foi um tema sugerido por si? Ou teve alguma grande reportagem que já tenha elaborado que foi fruto da denuncia que alguém fez e cujo tema foi investigado por si, partindo dessa ideia?
Quem trabalha em televisão comercial não pode trabalhar sem pensar na sua audiência. Trabalhamos para ela, sempre. No entanto há temas que se impõem para lá desta lógica. O jornalismo é isso mesmo. É determinado pela atualidade. Mas quando se pensa em temas á margem da agenda informativa do momento devemos refletir sobre o impacto que a nossa história poderá ter. Essa preocupação pode e deve existir.
22. Os temas escolhidos para as reportagens, seguem normalmente a agenda mediática ou existe liberdade para os jornalistas apresentarem propostas diferentes?
Existe liberdade total para os jornalistas proporem.
23. E uma determinada reportagem televisiva pode condicionar e/ou influenciar a agenda de uma estação televisiva? De que forma?
Sim, porque uma reportagem com grande impacto e audiência é potenciada pela estação em vários espaços televisivos da grelha de programação. Por exemplo há reportagens, como a que fiz em 2017 sobre o Telmo, que a reação foi tal que ele foi convidado para ir a vários programas de informação e até de entretenimento. E no ano seguinte voltámos a fazer nova reportagem para perceber o que lhe tinha acontecido.
24. Considera que a importância das grandes reportagens televisivas se mede em função da sua visibilidade, repercussão e impacto na vida (praça) pública?
De uma maneira geral sim, acho que são efeitos desejáveis para uma GR.
25. Considera que o objetivo final da investigação jornalística, neste caso apresentada sob a forma de uma grande reportagem televisiva deve ser o de informar o público sobre as irregularidades públicas ou privadas, políticas, económicas e sociais?
A GR não existe para determinados temas. Tudo por resultar numa grande reportagem. Sejam as irregularidades, sejam as injustiças sejam apenas as pessoas.
26. Existe uma responsabilidade social por parte dos jornalistas na denuncia de determinados assuntos?
Evidente. O jornalista tem sempre uma enorme responsabilidade social.
27. Na sua perspetiva, as grandes reportagens cumprem um papel social? São um género que podem cumprir a função de vigilância dos poderes e prestação de contas (accountability), que deve ser assegurada pelo jornalismo?
Sim, sem dúvida.
28. No âmbito das grandes reportagens que já realizou, qual a grande reportagem que se lembra de ter tido mais repercussão, em termos de visibilidade pública e de implicações para as pessoas envolvidas? Como foi o caso da reportagem “Viver na Coreia”?
Foram várias, mas talvez a maior tenha sido a do Telmo. O impacto de audiência e redes sociais foi brutal e alterou a vida de uma série de pessoas, sobretudo a do protagonista.
29. Qual a sua opinião sobre as grandes reportagens televisivas que têm sido realizadas em Portugal nos últimos dois anos? Como avalia o trabalho realizado pelos canais na concorrência neste âmbito?