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Motion control system Java code

In document MASTER’S THESIS (sider 85-91)

5.   Application and analysis of motion control system

5.4   Motion control system

5.4.2   Motion control system Java code

No processo de produção das Grandes Reportagens Televisivas é possível seguir por caminhos distintos, optando por modelos e formas alternativas de contar as histórias. Apesar de existirem diferenças, quisemos perceber se podemos falar de um padrão nos trabalhos realizados em Portugal, mas também quais as características que podem diferenciar uma Grande Reportagem Televisiva.

As opiniões dos jornalistas entrevistados variam quando se fala de modelos e características das Grandes Reportagens, desde logo no que diz respeito à duração. Para quatro dos jornalistas entrevistados, atualmente uma Grande Reportagem tem em média 30 minutos, longe dos 50 minutos que os trabalhos tinham nos anos 90. Apesar deste ser o tempo médio dos trabalhos, os jornalistas realçam que não devem existir limites no que diz respeito à duração. Para alguns existe, no entanto, um modelo comum de Grande Reportagem, enquanto que para outros não existem nem modelos, nem mesmo referências a ser seguidas, uma vez que são os assuntos tratados que acabam por definir as caraterísticas do trabalho jornalístico.

Entre os jornalistas que defendem que não existe um modelo de Grande Reportagem a ser seguido, encontram-se Paulo Salvador (TVI) e Diana Matias (SIC), que acreditam que o importante numa Grande Reportagem não é medido pela duração ou formato da mesma, mas sim pela profundidade da abordagem. Diana Matias realça ainda a flexibilidade das Grandes Reportagens como uma importante característica, não podendo por isso falar-se de um modelo único. As Grandes Reportagens tanto podem apresentar-se em episódios, como em formatos mais longos, tudo depende do assunto a ser tratado. José António Pereira (RTP) também acredita que as Grandes Reportagens têm formas únicas de serem produzidas, por isso não existe um modelo comum a todas. “Cada assunto torna a reportagem única”, seja pela forma como os factos estão apresentados ou até mesmo pela maneira como a história é contada, dependendo do critério do jornalista. Alexandra Borges (TVI) também não acredita em modelos, mas sim numa “reinvenção de abordagens”, salientando que a duração ideal da reportagem vai ao encontro daquilo que a história necessita para ser contada. Pedro Coelho (SIC) partilha desta ideia, realçando que não existe um modelo, mas que uma grande reportagem deve ter 30 minutos de duração.

Rolando Santos (TVI) concorda que não existe um modelo, mas sim um método de trabalho, com muitos anos, em que estando estipulado o tema se procedem às seguintes etapas: “procurar as fontes, obter informações, confirmar essas informações com outras fontes independentes” e, posteriormente, analisar com cuidado toda a informação e reproduzir um produto que se aproxime o máximo possível da realidade que se quer retratar na reportagem. Este é o método que o jornalista da TVI acredita existir, realçando que um dos fatores mais

importantes na produção deste conteúdo são os valores éticos que tornam a profissão do jornalista uma profissão credível, valores que se têm vindo a perder com o tempo.

Sem uma opinião completamente definida, Carlos Rico, jornalista da SIC, confessa que não sabe se se pode falar num modelo, nem mesmo em termos de duração, porque essas caraterísticas variam de acordo com o material que se decide utilizar no trabalho e decorre da própria investigação. O jornalista explica que no âmbito da “Grande Reportagem SIC”, existem reuniões antes da Grande Reportagem ser realizada, onde se decide “o ângulo de abordagem, possíveis intervenientes, calendarização de todos os passos da história, etc.”.

Há, no entanto, outros jornalistas que defendem que se pode falar de um modelo no âmbito da produção da Grande Reportagem Televisiva. Jacinto Godinho revela que existe um problema ao nível do formato, na forma como as Grandes Reportagens passaram a ser produzidas. De acordo com o jornalista da RTP, as Grandes Reportagens Televisivas passaram a ser produzidas como se fossem “uma espécie de pequenino telejornal”, onde a peça é estruturada com entrevistas, onde o jornalista quando seleciona um tema já pensa em quantas pessoas tem de entrevistar, quantos vivos tem de fazer e de que imagens necessita para realizar a peça. No entanto, para Jacinto Godinho, a Grande Reportagem não pede isso, uma vez que “a estrutura de uma Grande Reportagem tem uma linguagem diferente. Pode ser feita apenas com um caso, pode ser contemplada com um olhar diferente”. Uma grande reportagem deve adquirir uma cultura e uma linguagem que lhe são próprias.

Luís Loureiro, por sua vez, revela que existe um modelo-comum, com o qual não concorda. Para o jornalista da RTP, a estrutura atual da Grande Reportagem, aplicada 99% das vezes, baseia-se no “off/entrevista, off/entrevista, off/entrevista, off/entrevista”. O jornalista defende que a Grande Reportagem não tem de ser orientada só pela entrevista e o off do jornalista. Luís Loureiro realça que é preciso que “contemos uma história tal como a história pede para ser contada e isto significaria uma desconstrução total dos modelos sobre os quais normalmente são estruturados os trabalhos de Grande Reportagem”. Nesse sentido, o jornalista acredita que na fase do terreno, quando se está a trabalhar numa Grande Reportagem, é importante captar todas as imagens e posteriormente visionar todos os “takes” que foram realizados, porque existe uma “riqueza escondida no material que nos traz o terreno que nós muitas vezes não sabemos que existia”. Neste sentido, é necessário analisar o material recolhido atentamente e de forma crítica para que não se produzam conteúdos seguindo a lógica de um modelo assente numa estrutura predeterminada.

4.3.2. A tendência de serialização das Grandes Reportagens

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