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5. Discussion Chapter

5.4 Program integration into the community

4.1 Astérix chez les Bretons (Asterix entre os Bretões)

Astérix chez les Bretons é o oitavo álbum da coletânea. A trama gira em torno do personagem Jolitorax, primo de Astérix que vem à Gália pedir a poção mágica criada pelo druida Panoramix, para expulsar os romanos. Acompanhado de Astérix e Obélix, o bretão retorna a sua região (a Bretanha), que no momento está sob o comando do governador romano Caius Roideprus. Ao chegarem, os gauleses entram em contato com hábitos bretões: temperar pratos com molho de menta, tomar cerveja em temperatura ambiente no lugar de vinho, trabalhar cinco dias e descansar dois, o hábito dos bretões de cultivar jardins e finalmente, parar o que estiverem fazendo para tomar água quente (o chá foi apresentado a eles depois por Panoramix). Os gauleses, juntamente com o bretão, se refugiam em uma estalagem que pouco depois é invadida por soldados romanos a procura dos gauleses. O barril que contem a poção mágica é levado pelos romanos, assim, Jolitorax, Astérix e Obélix começam a procurar o barril. Os romanos por sua vez, não sabem em qual barril se encontra a poção. A caça ao barril os leva a uma partida de futebol e após uma batalha contra os romanos na qual a poção é perdida e os gauleses são dados como mortos pelos romanos, Astérix e Obelix retornam a aldeia bretã e prometem ajudar Jolitorax mesmo sem a poção. Porém, Astérix encontra algumas ervas com as quais consegue preparar a poção e a distribui entre os bretões e os habitantes das aldeias próximas. A batalha contra os romanos é vencida e os heróis gauleses voltam para sua aldeia.

Quanto à personalidade dos bretões, tem-se a impressão de que são pessoas polidas, comedidas que raramente se irritam e quando isso acontece não se compara às explosões sentimentais dos gauleses.

Os bretões, assim como os gauleses, têm nomes que terminam com sufixo –ix, já os habitantes de onde hoje é a Escócia têm o prefixo Mac-. A forma de falar dos bretões guarda uma semelhança estrutural com a língua inglesa, os adjetivos vem antes dos substantivos. O

bretão usa uma roupa confeccionada em tweed, tecido que apresenta estreita relação com o guarda-roupa inglês.

Na página 5 acontece o encontro dos piratas, personagens que aparecem em alguns álbuns e que são as grandes “vítimas” dos gauleses, e o imperador Julio César em sua galera. Como normalmente acontece, o navio dos piratas afunda.

Entre os tripulantes está um personagem negro, provavelmente um representante do continente africano, que não pronuncia a letra “r”. Na tradução do álbum foi mantida a supressão da letra. O tipo físico do personagem (negro, forte, lábios grossos) e sua forma de se expressar levam o leitor a criar a imagem estereotipada de um africano.

O tradutor do álbum não precisou recorrer a grandes mudanças quanto à forma de falar dos personagens bretões. As línguas francesa e portuguesa apresentam estrutura semelhante: adjetivo após o verbo. Por esse motivo tanto o leitor francês quanto o leitor brasileiro são capazes de identificar a ascendência inglesa por parte dos bretões.

Em alguns momentos foi necessária a mudança de sinônimos, na página 6 quando em francês é usado o termo “fin de semaine” para diferenciar do termo usado normalmente (weekend), em português o tradutor optou pela expressão “semana-fim” com o intuito de manter a estranheza provocada pela expressão na língua original do álbum.

4.2 Astérix chez Rahàzade (As mil e uma horas de Asterix)

Em Astérix chez Rahàzade, vigésimo oitavo álbum da coleção, o faquir Kiçàh aterrissa com seu tapete voador na aldeia gaulesa de Asterix em busca do bardo Assurancetourix por sua capacidade de fazer chover quando canta. Kiçàh explica ao chefe Abraracourcix, ao druida Panoramix e aos guerreiros Astérix e Obélix que vem de um reino situado no vale do rio Ganges onde o clima é quente e seco na maior parte do ano e que durante alguns meses, durante a época das monções, é irrigado pelas chuvas. O problema segundo o faquir é que mesmo em época de monções sua região não recebeu nem uma gota de chuva. O guru Kiwoàlàh, que segundo o faquir tem contato direto com os deuses, disse que se não chover em mil e uma horas a princesa Rahàzade, filha do rajá Cékouhaçà, será sacrificada para que a ira

dos deuses seja amainada.Após o consentimento do chefe, Astérix, Obélix acompanhado de seu cãozinho Idéfix, Assurancetourix e o faquir, partem no tapete voador até o reino de Rahàzade.

Durante a viagem os personagens encontram o grupo de piratas que aparecem em alguns álbuns e que temem os gauleses, passam por Roma, encontram um comerciante grego, sobrevoam a Grécia, a Fenícia, fazem uma rápida parada na Pérsia para consertar o tapete e finalmente chegam ao vale do Ganges. Lá chegando, depois de tantas aventuras e mudanças de temperatura, Assurancetourix fica afônico e sua cura, segundo os médicos do rajá, se dará quando o bardo passar uma noitemergulhado em uma mistura de leite de elefanta, excrementos de um jovem elefante e pelos de um elefante ancião. O bardo é levado à floresta onde mora o criador de elefantes chamado Pourkoipàh. Assurancetourix é sequestrado a mando do guru malfeitor e recuperado por seus amigos com a ajuda do faquir. Finalmente, faltando cinco minutos para o término do prazo, Astérix salva a princesa do cadafalso, o bardo recupera sua voz e canta provocando a tão esperada chuva. Os gauleses voltam para sua aldeia com os agradecimentos do faquir, do rajá e de sua filha.

O fato de a cultura do faquir ser tão distante da cultura gaulesa proporciona inúmeras situações nas quais o estranhamento, principalmente por parte de Obélix, com referência a algumas atitudes, começa com a imagem do faquir, magro, barba branca, pele escura, ele usa um turbante e veste uma calça tipicamente indiana. O turbante é confundido pelo peixeiro da aldeia com uma atadura na cabeça do indiano. Quando o faquir diz que estava há vinte dias sem comer, Obélix, grande glutão desmaia de emoção. Quando partem no tapete, Obelix é impedido de carregar uma carroça de javalis assados como suprimento. Mais uma vez, os nomes dos personagens os identifica como pertencentes a determinada cultura, o nome dos indianos apresentam a letra k e / ou terminam por – ah (Kiçàh, Kiwoàlàh, Pourkoipàh, etc.), o nome do grego é Karédas. Obelix fica curioso ao ver algumas vacas e Kiçàh explica que são sagradas. Os gauleses encontram na floresta indiana animais desconhecidos para eles, um tigre, cobras gigantes, macacos. O tratador dos elefantes se encanta pela força de Obélix e tenta a todo custo mantê-lo consigo para ser “treinado”. A grande quantidade de deuses da religião hindu é retratada no embate dos faquires Kiçàh e Mercikhi (assecla do guru vilão).