4. Results chapter
4.2 Interviews from out of school program informants
4.2.5 Empirical suggestions for the improved out of school program delivery
4.2.5.3 Need for emphasis on parents empowerment and motivation
Rosas (2002) apresenta traduções e textos humorísticos em inglês. A análise dos exemplos selecionados é baseada principalmente nos gatilhos, mecanismos linguísticos agenciados para a produção de um efeito humorístico e também no tipo do humor retratado e nas questões culturais que esses exemplos levantam para tradução. A princípio, o principal objetivo é ilustrar tipos de humor, a ênfase recai nos recursos mais comuns à construção de humor e as amostras apresentam uma tradução “literal”. Em um segundo momento são apresentados exemplos em que os gatilhos, inseridos numa situação que a autora chama de
coincidência linguística, não exigem traduções funcionais. Em razão da falta de correspondência no plano semântico, sintático e/ou fonético, uma vez que na maioria das vezes os gatilhos envolvem ao mesmo tempo vários planos linguísticos, são apresentados exemplos cujas traduções devem ser funcionais. Por fim são apresentados exemplos que envolvem a tradução de forma indireta e exemplos que constituem declarações e perdem a graça quando traduzidas “literalmente”.
Sobre as vertentes na construção do humor, os recursos mais comuns à construção do humor seriam os fatores culturais e linguísticos, a representação e a lógica, a quebra de expectativas, a quebra do princípio de cooperação, a inadequação de registro, a ironia, o PC (politicamente correto), os estereótipos e o reacionarismo. A autora dá exemplos da tradução literal (L) de algumas piadas nas quais os fatores culturais e linguísticos constituem a fonte do humor:
Ex. 1: Cow 1: “So, what do you think about this mad cow disease?”
Cow 2: “Terrible, absolutely terrible. I am just glad I am a penguin.”
(Rentzell, 1997)
(L): Vaca 1: Então, o que acha dessa doença da vaca louca?
Vaca 2: Terrível, terrível mesmo. Ainda bem que sou pinguim.
Nesse exemplo, o gatilho está no nome da doença. Se no Brasil a doença não fosse conhecida como o “mal da vaca louca”, a compreensão da tradução literal da piada seria impossível.Observa-se que a piada, exemplo de humor verbal, depende de fatores linguísticos.Vejamos o segundo exemplo:
Ex.2: Winter is nature’s way of saying ‘Up yours’.(Ross, 1998, p. 3)
A autora afirma que nesse exemplo a tradução literal é perfeitamente plausível e compreensível, porém, não é tão engraçado para alguém que mora em um país tropical no qual o inverno não é rigoroso. É sugerida a mudança da tradução de “Up yours” por uma expressão menos eufêmica.
Ex. 3: What did the Polish mother say to her pregnant, unwed daughter?
“Look at the bright side, maybe it’s not yours”.(Knott, 1987, p. 17)
(L): O que é que a polonesa disse à filha, solteira e grávida? “Veja as coisas pelo lado bom; talvez o bebê não seja seu”.
No terceiro exemplo, mesmo que o humor seja perceptível, a nacionalidade da mãe em questão, confunde o leitor/receptor. O problema reside na função semântica do substantivo “polonês”. Para um norte-americano, esse substantivo equivale ao adjetivo burro. Rosas (2002) admite que inserir uma nota de rodapé não seria a melhor opção para a plena compreensão da piada.
Quanto à quebra de expectativas é apresentado o seguinte exemplo:
Ex.4: I have an intense desire to return to the womb. Anybody’s. (Woody Allen, citado por Mackenzie, 1994, p. 39)
(L): Tenho um imenso desejo de voltar ao útero. Não importa de quem.
A combinação de palavras e sentidos, que de alguma forma são incongruentes ou inesperados, possibilita a quebra de expectativas promovida pelo humor. A expressão “voltar ao útero” é conhecida, a quebra das expectativas se deu pelo fato de o autor não utilizar o adjetivo “materno”. No próximo exemplo cria-se uma “lógica paradoxal” quando a frustração das expectativas criadas por implicaturas conversacionais é inerente aos textos humorísticos em geral.
Ex.5: ‘Does your dog bite?’
‘No.’
(Bends down to strike dog and gets bitten)
‘I tought you said your dog didn’t bite?’
‘It’s not my dog.’(Billy Connolly, citado por Ross, 1998, p. 41)
(L): ‘Seu cachorro morde?’ ‘Não.’
(Abaixa-se para acariciar o cão e é mordido) ‘Você disse que seu cachorro não mordia?’ ‘Esse não é meu cachorro.’
A ironia, segundo Rosas (2002), constitui uma característica marcante do humor inglês. Seria uma maneira elegante de dar vazão ao sarcasmo e à zombaria, como mostra o próximo exemplo:
Ex. 6: Dinner at the Huntercombes’ possessed only two dramatics features: the wine wa s a farce and the food a tragedy. (Anthony Powell, citado por Daintith, 1994, p. 350)
(L): Jantar na casa dos Huntercombes tinha apenas duas características dramáticas: o vinho era uma farsa e a comida, uma tragédia.
O humor étnico tem por objetivo inferiorizar o alvo através de sua ridicularização. Rosas (2002) afirma que esse tipo de humor se caracteriza pelas invectivas contra determinado grupo racial ou nacionalidade, o que nos leva à questão dos estereótipos. O
humor étnico, ao lidar de forma aberta e direta com os estereótipos, reforça ao mesmo tempo, os vínculos entre os membros do grupo dominante e entre os membros do grupo-alvo e ainda pode representar uma maneira aceitável de dissolver tensões, contribuindo para a coesão social. É exigido pelo humor étnico o reconhecimento e a aceitação dos estereótipos apresentados, o que não significa que haja concordância na veracidade de um estereótipo nos dois lados de uma equação desse tipo. Na grande maioria das culturas verifica-se a existência de estereótipos que são similares e variam apenas o alvo específico em cada cultura. Como apresentado anteriormente, a burrice para o americano corresponde ao polonês, já para o brasileiro é o português e para o francês, o belga. Rosas (2002) acredita que banir as piadas étnicas é tarefa desnecessária e impossível, uma vez que, a priori o humor só pode ser analisado em relação à situação do emissor e do receptor e à maneira e ao propósito com que é utilizado. Vejamos o seguinte exemplo:
Ex. 7: ‘We don’t serve coloured people.’
‘That’s fine by me. I just want some roast chicken.’(Ross, 1998, p. 23)
(L): ‘Não servimos negros.’
‘Por mim, tudo bem. Eu só quero frango assado mesmo.’
No exemplo infere-se que o emissor está se referindo a uma pessoa negra, seria um gatilho de ordem sintática, o verbo servir é bitransitivo. O termo “coloured people” sai do emissor como objeto indireto e chega ao receptor como objeto direto. Em português, o verbo servir apresenta as mesmas características possibilitando assim a tradução literal da piada.
Rosas (2002) nos lembra de que as línguas tendem a ser muito diferentes em termos de sua estrutura semântica: a polissemia de uma palavra em uma língua pode não estar presente na palavra equivalente em outra língua. Existem, no entanto, as coincidências linguísticas. A autora apresenta o seguinte exemplo:
(L): Meu cérebro é meu segundo órgão favorito.
Na declaração de Woody Allen o gatilho envolve apenas o plano semântico, trata-se de um caso em que o humor se baseia primariamente no aspecto verbal, porém, existem equivalências de sentido entre os elementos-chave do gatilho nas línguas-culturas envolvidas.
Quando um texto humorístico apresenta problemas no compartilhamento de referências culturais, na correspondência em alguns níveis linguísticos (sintático, morfológico, fonético, semântico, ou pragmático) entre as estruturas das línguas-culturas envolvidas, Rosas (2002) sugere duas traduções funcionais (F) desse texto. Vejamos o seguinte exemplo:
Ex.9: Marriage is like a bank a ccount. You put it in, you take it out, you lose interest. (Ross, 1998, p. 64)
(F) a: Qual a semelhança entre o casamento e uma conta bancária? Nos dois você põe, tira e vai perdendo rendimento.
(F)b: Qual a diferença entre o casamento e uma conta bancária?
Nos dois você põe e tira. Só que, no casamento, o que vai pro espaço são as juras e, na conta, os juros.
A primeira proposta mantém total similaridade entre os elementos por conta da ambiguidade semântica. Na segunda proposta joga-se com a semelhança parcial para tirar partido de uma característica de uma língua que não se verifica na outra: a existência de palavras de gênero masculino e feminino. Vejamos a seguir exemplos de traduções funcionais de piadas que apresentam respectivamente ambiguidade sintática (Exemplo 10) e fonética (Exemplo 11):
They both fuck up trees.
(F): Qual a diferença entre a chuva ácida e os macacos? Uma fode (com) as árvores; o outro, nas árvores.
O verbo foder reúne duas acepções: prejudicar e copular. A proposta de Rosas (2002) é explicitar a diferença dessas acepções na própria pergunta.
Ex.11: Teacher: “What are you:animal, vegetable or mineral?”
Student: “Vegetable, I‘m a human bean!” (Phillips, 1974, p. 80)
(F): Professora: Você é animal, vegetal ou mineral? Joãozinho: Mineral, eu sou de Minas.
A tradução conserva em tudo o contexto presente no texto de partida. O gatilho está presente na homofonia das palavras (being e bean). A autora propõe outra homofonia com relação ao substantivo mina (jazida de minério) e o estado de Minas Gerais. No final de seu livro, Rosas (2002) apresenta exemplos de textos que exigem tratamento especial por que: a) envolvem apenas indiretamente a tradução, embora pressuponham o conhecimento da língua- cultura estrangeira, ou b) constituem declarações de veracidade atestadas pelas fontes consultadas que perdem a graça quando traduzidas “literalmente”. O exemplo apresentado a seguir exige do receptor algum conhecimento da língua inglesa:
Ex. 12: O boxeador Maguila embarcou para os Estados Unidos para participar de uma luta. Ao descer do avião, foi recebido por um grupo de admiradores que traziam uma faixa com os dizeres: “WELCOME MAGUILA’. Enfurecido, voltou-se para seu treinador e perguntou: “Quem é esse Well? Vou acabar com ele!”.