1.2 Rammer for oppgaven
1.2.2 Problemet med å fastsette definisjoner på forhånd
A história nas mãos dos poderosos também segue caminhos sinuosos. Principalmente, se pela frente, está o destino do poder. Pressionam, ameaçam até verter sangue das consciências, os métodos da velha truculência, usam para nada desfazer.
O momento é de profunda nostalgia. Não pelo que se ouve, lê ou vê em imagens e em fotografias, mas pela decadência da criatividade. Que falta ética na política é uma verdade, mas exigi-la de instituições corruptas, da mesma forma é uma infantilidade! Seria como (sem querer ser estúpido ou grosseiro) que a besta parisse o próprio cavaleiro.
A razão maior desta decepção é perceber que a esquerda se apresenta sem razão. Sem inteligência, se quisermos um termo de eloqüência. Vejamos se não é esta a armadilha: uma parte defende-se por “formação de quadrilha”; uma outra disputa os destroços do partido que sobraram; e, um grupo enorme segue a agenda que os burgueses colocaram.
Felizmente há uma parte mais consciente que almeja algo maior. Sabe que o caminho eleitoral por si só não traz nada de melhor, pois é o espaço onde manda a burguesia. Nos poderes representativos não há democracia, nem tampouco ética e moral. Ali impera o poder do capital, e os honestos serão sempre minoria.
É lamentável e até de fazer pena: ver os burgueses fazer jogo de cena, e um pelotão seguindo os mesmos passos; quando não, são flagrados aos abraços, como se o cão e o gato nunca tivessem divergido, bem apontaram as pesquisas que os partidos, por 6% dos eleitores não são ainda esquecidos.
Decepção maior é observar belas cabeças críticas, engambelando-se com a “pequena política”. Arrastam-se sobre os erros cometidos, dizendo que “tinham pressentido” e que isto “não daria bom resultado”; ao invés de aproveitarem este vazio deixado e apresentarem uma boa reflexão, que aponte um caminho à nação, para que tudo isto seja superado.
Ninguém avança satirizando caveiras. O futuro é uma estrada com barreiras, que somente quem é astuto pode ultrapassá-las. Só a força organizada pode derrubá-las e apontar para uma nova construção. Guardai a energia para a revolução e esqueçais as intrigas e o fracasso, a história é feita passo a passo, tijolo por tijolo como na construção.
A direita está muito satisfeita. Enquanto se diverte a esquerda se digladia. Esta agenda é uma patifaria, astuciosa para camuflar. Sabem que o modelo é difícil sustentar. Por isso fazem estas bravatas. Se o PT urinou nas alpercatas, a direita já as tinha, enlameadas. Se a esperança foi desperdiçada, pelo tudo ou pelo nada, temos que continuar.
Na tradição revolucionária da história, seja com derrotas ou com vitórias, aprendemos fazendo avaliações. Trancados em duras reuniões, apontamos os acertos e os desvios. Lavamos como nas águas dos rios, as trouxas dos vícios e do oportunismo. Por mais difícil que fora suportar, no final sempre se viu reafirmar, que o caminho é a revolução e o socialismo.
Impedimento; cassação; reforma partidária para a próxima eleição; ética na política com empresas financiando candidatos; com a mídia e seus refinados aparatos, é assunto para esconder a crise do modelo, que os ricos já não sabem como defendê-lo.
O que terá que ficar para trás ficará. Pois ninguém se dedicará a carregar o que não se necessita. É hora, depois de feita a crítica, de avançar para a “grande política”, deixando para trás as fofocas e as intrigas. Juntar-se como em um ninho de formigas, para fazermos uma pátria, justa, solidária e mais bonita.
Cartas de Amor Nº 137
À CONFIANÇA
Quem desconfia, não se fia, seja em conselhos ou em péssimas companhias. Há em quem se possa confiar, mas é preciso sempre se preparar para possíveis emboscadas. É a lição que podemos tirar desta História que vai aqui contada.
Um homem vivia à beira de uma estrada, não tinha rádio, não lia jornal, mas acreditava em seu tino comercial. Vendia sanduíches com um sabor especial. Aos poucos foi crescendo e se desenvolvendo; empregou gente e levou à falência todos os concorrentes.
O filho que vivia há tempo na cidade havia estudado na universidade, doutorando-se em economia. Recebeu uma carta certo dia, onde o pai exultante informava que iria investir mais. O filho fez análises, cálculos bem reais e enviou a resposta com uma repreensão duríssima: “O senhor tome cuidado, porque o mundo inteiro será logo abalado por uma crise econômica gravíssima!”.
O velho ficou incomodado, mas não se atreveu a discordar do filho estudado. Cancelou todos os pedidos e em poucos meses quase estava falido. Então redigiu outra carta ao filho contando a situação. Informou que a crise havia chegado; que estava completamente arrasado e a ele pedia orientação.
O filho satisfeito pela análise acertada, disse ao pai que não podia fazer nada, que a situação estava assim em todos os lugares. O jeito era ter paciência e aguardar que a onda de falências fosse superada. E o velho ficou acreditando sentado na beira da estrada, sem ter ninguém por perto, dizendo: “O meu filho estava certo!”
Na longa estrada da história da humanidade, os países com suas sociedades organizam seus investimentos. Hoje os mais ricos com o conhecimento alertam os mais pobres para tomar cuidado, porque o mundo está sempre ameaçado por crises econômicas e de comportamento.
Comparam a metrópole com a beira da estrada e acham que aqui não se pode fazer nada. Com 53,9 milhões de pobres no país, há pessoas que defendem que a raiz da miséria é a crise mundial. Não podem mexer na economia em favor do social, porque voltará a inflação. E vão empobrecendo a nação, acreditando nas análises do grande capital. O tempo passa e nada acontece. A crise é sempre igual e a pobreza permanece.
Na política brasileira, também as falsas crises tornam-se costumeiras. Parlamentares com anos de experiência criam previsões e esperam as conseqüências. Alertam que a crise política está em andamento e enquadram o governo dentro de seu pensamento.
Vejam, pois estimados leitores, que o número de pobres é o mesmo que o número de eleitores, que votaram conscientemente, para eleger o presidente. Este, ao invés de acreditar em nosso grande potencial, mandou uma carta para o Banco Mundial e as promessas caíram no desleixo. Igual o investidor da beira da estrada, por não confiar nas circunstâncias aqui criadas, terminará com as duas mãos no queixo.
É preciso confiar na capacidade popular. Todos temos conhecimentos em política e em economia. Nos falta acreditar na rebeldia que é a condição para espantar todas as crises.
Se quisermos tempos mais felizes, precisamos semear novas sementes. Cultivá-las para que
cresçam independentes e que escondam as vergonhas e todas as cicatrizes.
Cartas de Amor Nº 138
AO DESARMAMENTO
Logo, logo, sem estar muito por dentro, o povo brasileiro votará pelo desarmamento. É uma forma de consulta popular, para saber se o “povo” deve ou não se desarmar.
É importante garantir a segurança e reduzir os dados da matança, seja pela autodefesa ou por vingança. Mas é preciso tomar consciência e exigir que o governo vá além com outras providências. A arma é sempre um perigo iminente. Mas veja que desarmar não é o suficiente. Foram entregues nesta campanha que pode ser um simples jogo, quatrocentas mil armas de fogo. Reduziu a mortandade? Reduziu em duas mil é bem verdade. Mas ainda são trinta e seis mil vítimas por ano. Prova de que, só desarmar pode ser um grande engano.
Há pessoas que atribuem a violência ao aumento da pobreza; mas suas causas estão na concentração da renda e da riqueza. Quanto maior for a acumulação, maior será a violência contra a população.
Mas é preciso desarmar. A arma é um objeto tão desnecessário! Ela transforma o cidadão em carcerário. Milhares de seres deixam de ser úteis à sociedade, que aumentam em quantidade a todo o instante. Só no Brasil passam de trezentos mil, nos presídios o número desses habitantes.
Desarmar o empresário, o latifundiário, os comerciantes e fazendeiros. Desarmar os roceiros para que deixem de ser caçadores. Desarmar, os analfabetos e os doutores, estejam eles no campo ou na cidade. Mas se não se desarmar o direito à propriedade, continuará a matança contra os trabalhadores.
Desarmar os traficantes, os policiais, os vigilantes e até o Exército brasileiro. Exigir, que aqui e no mundo inteiro, se feche qualquer fábrica de armamento. Desarmar o político fraudulento de sua demagogia. Desarmar do poder a minoria para que a democracia seja de todos como é o vento.
Desarmar o banqueiro dos seus juros elevados. Desarmar o Estado, das leis que garantem a propriedade; que impõem para a sociedade a cega obediência. Desarmar todo político da incoerência, da opulência e da falta de lealdade. Desarmar o governo das cestas de caridade e, que a geração de renda elimine todos os tipos de carências.
Desarmar o agronegócio das sementes transgênicas. As empresas de exploração sistêmica das riquezas naturais. Desarmar ainda mais, de todos os agrotóxicos comercializados, impedir que sejam utilizados, nas lavouras e nos tratos animais.
Desarmar os madeireiros, que devastam dois milhões e meio de hectares todo ano. Os que matam as baleias pelos oceanos. Os que poluem com fumaça o ambiente. Desarmar os fabricantes que produzem os poluentes, o governo e o Exército norte-americano.
Desarmar os ricos da opulência e os pobres da paciência. Olhar a vida com clemência e pensar nas gerações futuras. Desarmar todas as ditaduras também as de democracias representativas. Desarmar todas as iniciativas que tornam a vida cada vez mais insegura.
Desarmar a enganação. Assumir o destino da nação e mergulhá-la na solidariedade. Não é por nada! É que, se o mundo continuar marchando nesta estrada, poderemos ter presente, mas é incerto se teremos descendentes, pois não terá futuro a humanidade.
Cartas de Amor Nº 139
AO SÃO FRANCISCO
São Francisco, rio e santo. Águas vertidas do pranto das margens secas estendidas. Margens que perderam a vida, águas que perderam o encanto.
Margens de velhas carcaças pelos anos carcomidas. Por não serem protegidas, desbarrancaram no leito, como um peso sobre o peito o rio já não respira; e parece uma mentira, mas também não se alimenta; e quem do rio se sustenta, sente que não tem mais jeito.
Pensam em sangrar o rio cortando qual estilete. Pra desviar um filete do sangue que já não tem. Dizem que é para o bem da pobreza do nordeste; na verdade os cafajestes controlarão o canal; não haverá nada igual, nos novos tempos vindouros, a água vai virar ouro nos baldes do capital.
Pra manter o Chico vivo é a grande reação. Contra a transposição, desta armação tão perfeita. Não pode querer colheita quem nunca plantou um grão! Nem pode existir razão em um projeto polêmico. O Chico é um escravo anêmico, que está indo ao mercado e será privatizado se não houver reação.
Em nosso grande nordeste há dez milhões de camponeses, e foi por diversas vezes que votaram em eleições; aguardando soluções que aqui nunca chegaram, somente os ricos ganharam e haverá continuidade, se a solidariedade não assumir os desafios, pois só as águas dos rios, ainda não são propriedade.
Se o presidente quisesse fazer uma obra bonita, atacaria a maldita propriedade fundiária, faria a reforma agrária e daria condições, para que os nossos sertões fossem todos protegidos. Tendo isto resolvido, se voltaria pra cidade, teria água em quantidade com os rios abastecidos.
Poderia então transpor as águas do São Francisco; não correria nenhum risco no conteúdo e na forma. Depois de feita a reforma e revitalizado o rio, pra não ficar no vazio teria leis por garantia, que enquanto raiassem os dias, as águas dos rios ou paradas, não seriam privatizadas nem vendidas suas bacias.
Este é o grande dilema que teremos de enfrentar, aqui e em qualquer lugar, que exista água corrente. Creiam, que daqui pra frente, nossas fontes naturais, com políticas liberais, serão todas perseguidas, saqueadas ou mesmo vendidas, para empresas comerciais.
Por isso é que a confiança está perdendo a paciência, pois os sinais de incoerência estão por todos os lados! Vemos milhões de acampados sem ver um palmo de terra! O agronegócio impera, poluindo o ambiente; e é o mesmo presidente, dos transgênicos e das barragens, que em tudo acha vantagem num modelo decadente.
Então se torna importante apoiar o Frei Luiz. É o orgulho do país aos poucos se levantando. Ele está no comando, contra a transposição; fez da fome a condição de um movimento de massas; contra as mentiras e trapaças se ergue descalça a verdade, impondo-se a crueldade, para evitar a desgraça.
Todo povo brasileiro está chamado a jejuar, é a forma de lutar que encontramos neste instante; seja aqui perto ou distante terá força este protesto, que aos poucos e em um só gesto se ampliará esta rede. Se não houver solução, seguindo a transposição, o frei morrerá de fome e o rio morrerá de sede.
Cartas de Amor Nº 140 AO RECONHECIMENTO
Reconhecer é um dever. Seja na alegria ou na dor, é sempre conveniente agradecer a quem nos presta algum favor.
Este costume vem desde a antiguidade, quando iniciou a engatinhar a humanidade. De lá pra cá o ser humano viveu aos empurrões e, aprendeu que as contradições movem os sonhos e as disputas. Descobriu também com muito estudo, que a vida não é um “vale tudo”, mas, cooperação, organização e lutas.
A propósito desta situação, há um conto que incita à reação. Mostra-nos ele que havia um trabalhador e seu patrão que estavam intrigados. Um por ser muito explorado, não achava mais sentido na obediência. O outro não tolerava a resistência do pobre esfarrapado.
Só para acertar as contas levaram uma semana! Com a grana, comprou um sítio e uma choupana. O senhor o difamou nas redondezas, dizendo que ele ‘não valia nem as despesas que lhe deu’. Mas, precisando dos serviços seus, o procurou fingindo gentileza.
“Trabalhe para mim mais uma vez, pelo menos por um mês, até que eu possa me recuperar!”. O pobre respondeu que ‘ia pensar’, e por fim, aceitou ajudá-lo novamente. Voltou ao posto de gerente, mas logo adiante, o senhor recomeçou a reclamar.
Demitiu-se e no final do ano, fazia planos durante os festejos natalinos. Era noite, dobravam os sinos, quando avistou na porta uma cesta de presente. Envolto em papel bem reluzente, estava uma quantidade de esterco de animais, e, para feri-lo ainda mais, trazia junto um bilhete: “Para comê-lo não se apresse,pois cada um recebe o que merece!”.
O pobre homem nada respondeu, até que um dia o senhor adoeceu e acamado sentia fortes dores. Por ser Natal enviou-lhe algumas flores, com um bilhete e uma frase redigida: “Cada um sempre dá o que tem de melhor em sua vida”.
E dizia mais o bilhete acompanhado: “Com o esterco outrora enviado, cultivei flores e edifiquei o meu jardim; se quiser recebê-las até o fim, continue com sua contribuição”. E acrescentou em sua exposição: “Tudo é importante nas mãos de quem trabalha, inclusive as ofensas dos canalhas, que se confrontam com nossa projeção”.
Então chega a nossa vez de compreender. Há anos buscávamos o poder, até que um dia os patrões encurralados, chamaram alguns trabalhadores para um lado, e propuseram um alívio para o cerco. Pediram garantias para os contratos, mas lá pelo meio do mandato, mandaram-nos uma cesta com esterco.
Pensaram que nos estavam derrotando, na verdade destroçaram apenas o comando, não a perspectiva em seu vigor. Agradecemos o favor, de pôr à prova as nossas deficiências. Seguiremos com humildade e paciência, fortalecendo o caule de cada flor.
De jeito algum nos prestaram um desserviço! Ao contrário, nos fizeram recordar os compromissos com a ética e os valores. Por isto não somos perdedores e, nem estamos entrando em decadência. Somos como as palmeiras imperiais, que precisam dos fortes vendavais, para testarem as suas resistências.
A crítica e a autocrítica são princípios revolucionários; podem vir de aliados ou dos adversários e, nos ajudam a melhorar cada dia mais. Com o esterco que estão hoje nos mandando, não se iludam, estamos cultivando, as flores para os vossos funerais.
Ensina-nos o provérbio em sua integridade: “Quem fala a verdade não merece castigo”. Aprendemos com os fatos esta lição e, entendemos o sentido da outra citação que, devemos sempre, (por nos avisarem dos perigos), “amar os nossos inimigos”.
Cartas de Amor Nº 141