4.3 Eckhoffs bevisrett, 1940—1950
4.3.2 Beviskravet i Tvilsrisikoen
A França é aqui! Enfim, os burgueses realizaram o desejo mais profundo: estão no primeiro mundo! Chegaram de uma só vez! Fogo nas ruas, carros incendiados, policiais assassinados, rebeliões nas praças e nas cadeias; são sinais da barbárie que campeia, nestes tempos tão globalizados.
Globalização é isso aí! É internacionalizar o capital, o tráfico e a violência. Enquanto o Estado, finge que toma providências, as empresas com seus hábeis mercadores, vendem armas, aparelhos de escuta e rastreadores; investem na polícia e na propaganda dos candidatos a presidente e a governadores.
A mídia se diverte expondo as mazelas isoladas. Como se ela não tivesse responsabilidade com nada do que está acontecendo. “Mais escola!”; exigem as reportagens; expondo programações recheadas de bobagens, e induzem a juventude a consumir. É o mercado tentando usufruir, das tragédias, mais lucros e mais vantagens.
Então, por um período a barbárie é a solução. Iludem a população que a saída é investir em segurança; enquanto o capital avança sobre as florestas, a água e a biodiversidade; saqueia ou transforma em propriedade, aquilo que é de direito coletivo. Os governantes como bestas no cultivo, levam a carga na camaradagem.
A França é aqui! Já temos incêndios dos meios de transporte. Manifesta-se o preconceito cada vez mais forte contra os pobres, migrantes, negros, índios e Sem Terra. Prende-se gente com rigor mais do que as feras; e investe-se na assistência social. É a lei do próprio capital, que sobrevive em função de novas guerras.
Então a burguesia mesquinha, não percebe que chegou ao primeiro mundo pela porta da cozinha, se igualando no que tem de mais errado: riqueza e mais lucro concentrado é a receita da ordem internacional. Aumentar cada vez mais o arsenal, treinar melhor o policial e aumentar a segurança nas penitenciárias, não falam em distribuir renda nem em reforma agrária, esta é a ordem e o poder do capital.
Os políticos falam em fazer leis ainda mais duras, tornar as cadeias mais seguras e impedir que entre ali o telefone celular. Sobre isto é preciso analisar, nos Estados Unidos onde a repressão é muito forte; há prisão perpétua e até pena de morte; revistam-se advogados e carcereiros, mas não diminuíram as rebeliões! É o país é campeão em detenções, e já tem lá mais de dois milhões de prisioneiros.
A sociedade deveria tomar consciência, de que, quem gera a violência é a burguesia, não a pobreza. Se no Brasil distribuíssemos a riqueza, as cadeias seriam esvaziadas, pois ninguém precisaria tomar nada e a fartura reinaria em todas as mesas.
Os presídios tornar-se-iam centros culturais. As cadeias, as localizadas em lugares mais centrais, seriam museus ou escolas de música e pintura. Os policiais dariam cobertura para quem procurasse os endereços; mas isto custaria um alto preço, ninguém poderia sonhar com propriedades e ditaduras.
Mas enquanto o capital estiver globalizado, o comércio liberado, e a ganância das elites persistir; a violência não irá diminuir e aumentarão as desconfianças. Os presídios manterão duras lembranças e a burguesia terá do que se orgulhar; que houve um tempo, em que aqui neste lugar, ela conseguiu respirar o ar da França.
Carta de Amor Nº 169 AOS DIAS NORMAIS
Era para ser um dia normal. Dia das mães, filhos e flores. Mas não foi. O dia anunciava a rebeldia. O sistema asfixiado perdeu sobre os presos o comando, e eles insuflaram os seus bandos a agirem com o máximo de rigor; o sistema por um dia foi perdedor e envergonhou-se de sua própria covardia.
Era para ser um dia normal. Dia em que o capital lucraria com a afetividade. Mas não foi. A fúria da grande cidade se expandiu e ruíram as estruturas da cobiça; que espreme gente igual lingüiça, esquecendo dos tratos humanitários; bem feito para o poder judiciário que vê nas leis a única forma de justiça.
Era para ser um dia normal. Dia em que o crime organizado daria folga. Mas não foi. A força da tecnologia louvada pelos arautos da civilização, mostrou que é na contradição que se compreende o bem e o mal; bem feito para o capital que julga ter todas as soluções, perdeu o controle sobre as rebeliões e, foi atacado com seu próprio arsenal.
Era para ser um dia normal. Dia em que as televisões nos seus alienados domingões, não diriam nada. Tiveram que mostrar as cadeias rebeladas, onde os presos levaram para o mundo, as imagens que o capital também aqui é imundo, egoísta, gera violência e crises combinadas.
Era para ser um dia normal. Dia em que os políticos descansam ou ficam isolados. Mas não foi. Tiveram que se mover e negociar com o crime organizado, que comanda os presídios e as ações. Bem feito para os grandes figurões, que julgam controlar a sociedade, sentiram que suas imunidades, não valem nem ao menos dois tostões.
Era para ser um dia normal. Dia em que a bolsa de valores não opera. Mas não foi. O crime organizado deflagrou uma dura guerra, queimando os Bancos e o dinheiro. Bem feito para o capital financeiro que pensa lucrar em segurança, pode tardar a justiça, mas não tardará a vingança, chegará também a vez do capital interno e estrangeiro.
Era para ser um dia normal. Dia em que os estádios estariam lotados, os times jogariam embalados pelas torcidas organizadas. Mas não foi. As chamas nas cadeias incendiadas roubaram a cena e o cenário. Bem feito para os grandes empresários, que forjam entre o povo a delinqüência, eles são a causa da violência, e do mesmo povo, os grandes mercenários.
Era para ser um dia normal. Dia em que as igrejas fazem preces e orações. Mas não foi. As almas embrutecidas entraram em convulsões, assustando os crentes e os ateus. Os políticos imploraram a Deus, mas este não quis se revelar, então tiveram que se ajoelhar, diante do comando dos bárbaros e plebeus.
Era para ser um dia normal. Dia em que os carros ficariam estacionados, nas ruas passeariam os namorados e de mãos dadas trocariam juras de amor. Mas não foi. Os miseráveis com instinto vingador atacaram o Estado de Direito, que estabelece uma ordem com defeitos, que defende apenas a propriedade. Bem feito para os portadores de vaidades, que querem impor o direito de seu jeito.
Era para ser um dia normal. Mas não foi. Sob a barbárie, dias normais não há mais, tudo é surpresa. Até o dia em que os filhos da pobreza, decidirem a ordem organizar. Com uma lei, que ninguém poderá mais explorar, nem ameaçar seu semelhante. Então se avistará daí por diante, dias normais plenos de gentileza.
Cartas de Amor Nº 170