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Odin Augdahl, Jon Skeie og Herman Scheels beviskrav

4.2 Mangfold og teoretisk diskusjon, 1907—1940

4.2.4 Odin Augdahl, Jon Skeie og Herman Scheels beviskrav

De que mudas vamos nós falar? Daquelas de plantar ou das que nunca tiveram o direito à palavra? Das árvores das empresas ou das escravas? Das que expulsam ou daquelas que cultivam? Falamos das mudas que cativam. Das que romperam o cerco da alienação e transformaram o silêncio em uma ação, que nos orgulham e ainda mais motivam.

Elas chegaram, mudas, com bocas e narizes encobertos, aproximaram-se da origem do deserto e agarraram a ameaça com as mãos. E com força atiraram pelo chão aquilo que chamavam de ciência. Disseram não, à decadência, mesmo com cara de conhecimento. Não tem direito a existir, algo que vem para ferir a ética e o desenvolvimento.

Elas chegaram, mudas, mas conscientes. Tocaram-se delicadamente, parabenizando-se pelo dia da mulher. Não poderia ser um dia qualquer, tinha que haver uma comemoração. Mudas sim, omissas não! Pois o perigo rondava os próprios lares; reagiram com heranças milenares, em defesa de cada geração.

Elas chegaram, mudas, para dizer que não são surdas. Que ouviram os lamentos futuros das florestas. Da invasão das árvores desonestas, expulsando os animais e os passarinhos. Distanciando as casas dos vizinhos, e tomando o espaço cultivado. Captaram com sentidos aguçados, que os campos iam ficar sozinhos.

Elas chegaram, mudas, para mostrar que há outras formas de falar, sem precisar usar a voz. Para dizer que do momento atroz, guardam-se ainda referências; e não aceitam as bobagens da ciência, como se elas não tivessem o direito à palavra. Conhece a terra quem a terra lavra, e há muitos séculos o faz com competência.

Elas chegaram, mudas, e mudas se afastaram. Por isso os poderosos não gostaram e dirigiram contra elas os adjetivos mais banais. Sentiram que elas podem muito mais, do que só exigir os direitos à igualdade. Que em suas mãos há uma capacidade, de ataque superior às armas de fogo; viram que uma nova força entrou no jogo, com muito mais combatividade.

Elas chegaram, mudas e otimistas, causando ódio aos capitalistas por terem sido surpreendidos, em suas condições de machos e de maridos; foi uma afronta, presenciar esse gesto, forte e bravo. Como o senhor que teme o próprio escravo, mesmo a revolta tendo sido em outra senzala, o medo é que, o exemplo que ora fala, se alastre e vire a “revolução dos cravos”.

Elas chegaram, mudas, para destruírem um viveiro, de plantas estimadas no estrangeiro, que aqui cresciam com orgulho e prepotência. Utilizando a inteligência, perceberam a misteriosa luz, que teriam que “arar a terra com a cruz”, se deixassem a peste entrar em sua convivência.

Elas chegaram, mudas, para enfrentar a mudez. Foi na história pela primeira vez, que se juntaram as simbologias. As “mudas” destruídas nesse dia, não foram as que estavam no viveiro, mas aquelas que por séculos inteiros, calavam nas consciências. As mudas, arrancadas foram as da obediência, para chamar o homem, amigo e companheiro.

Elas chegaram mudas, mas queriam falar. Por mais que a justiça queira prender e processar, será fatalmente derrotada. Na Aracruz a mensagem foi passada, e esta não se pode prender. Os processos e as prisões jamais irão deter, a coragem daquelas que da mudez estão curadas.

Cartas de Amor Nº 163

AO VIVER

Quero viver, para ver: as crianças, as mudanças e a juventude rebelada. Ver o anoitecer e as madrugadas, o raiar do dia e o sol a pino. Viver para dizer ao destino que ele pode se enganar. Viver, só para abusar, dos governantes e das autoridades; daqueles que defendem a propriedade e não vacilam na hora de matar.

Quero viver para admirar a lua. Para dizer que a luta continua mais atrativa do que no passado. Viver, para dizer aos namorados, que não há tempo a perder; viver também só por viver, para deixar pelo menos um espaço ocupado, viver só para ser questionado, é também uma maneira de viver.

Quero viver para escrever muitas poesias, para pôr letras em belas melodias, que venham a se tornar belas canções. Viver para sentir as emoções de encontros cheios de lembranças; para fazer com outras forças alianças, ligando as velhas às novas gerações.

Quero viver para sonhar de olhos abertos; para ver os campos encobertos de plantações floridas e bem cuidadas. Para incluir-me na classe organizada, que se levanta para marchar bem cedo. Quero viver para driblar o medo, e discursar nas praças enfeitadas.

Quero viver para aplaudir, a quem se dedica a fazer sorrir, pessoas que buscam diversão. Viver só para dar razão, a quem ousa enfrentar os poderosos; para vaiar os discursos melosos, e elogiar quem fala com emoção.

Quero viver para fazer loucuras, só para ver o que vem depois da conjuntura, ou do que foi dito no jornal; o que sucede o processo eleitoral, depois que os candidatos chegaram onde queriam. Viver para ver se eles fariam, a metade do que sempre prometeram; conversar com aqueles que perderam, se mesmo assim ainda continuariam.

Quero viver para ver as mulheres liderando, altivas, compondo os comandos, com uma flor vermelha no cabelo. Ver o combate e compreendê-lo, e assinar uma carta coletiva. Viver para poder deixar mais viva, a causa da libertação; para sentir o pulsar do coração, ao abraçar a companheira combativa.

Quero viver para ver o que tem atrás da placa. Para derrotar uma proposta fraca e chegar primeiro d’outro lado do rio. Para dançar numa noite de frio, e aproveitar cada festa junina. Quero viver para banhar-me de neblina, nas serenatas sentindo calafrios.

Quero viver para ver o florescer, do poder dos trabalhadores. Viver para pintar as cores do arco-íris no palácio da alvorada; pichar nos barrancos das estradas, um viva à revolução. Viver só para ver se o coração, suportará uma luta prolongada.

Quero viver para dormir na rede, daquelas em que os ganchos nas paredes, propõem um encontro de casal. Para sonhar como um imortal, que com o tempo não tem pressa; para cumprir com esforço uma promessa, ou pagar uma aposta com prazer. Viver o anoitecer e o amanhecer, sentado numa roda de conversa.

Quero viver para sentir saudade; para bendizer a liberdade, que de ninguém pode ser subtraída. Quero viver para fazer comida, e convidar os vizinhos e os parentes. Para beber um licor de aguardente, e adoçar o beijo para a despedida.

Quero viver nas folhas do jasmim, no caule do jacarandá, na flor do angelim. No canto do canário que anuncia a florada, na chuva que desmancha as folhas já tombadas. Quero viver na terra fecundada, na casca das raízes profundas penetradas. Quero viver, no prazer das aves em revoada, no vinho sobre a mesa, na cama preparada.

Cartas de Amor Nº 164

AO 1O DE MAIO

Data o 1o de Maio, como dia do trabalhador. Desde 1889, em Paris, onde um Congresso recordou com muita dor, a execução, (três anos anteriores), quando uma greve, nos Estados Unidos da América, (que jamais foi esquecida), onde quatro operários pagaram com a vida, os protestos dirigidos contra os patrões malditos exploradores.

Naquele tempo, a superexploração levou à mobilização milhões de trabalhadores pelo mundo; o desejo sincero e mais profundo era a diminuição das horas trabalhadas; o sacrifico das longas jornadas levavam a morte homens, mulheres e crianças; para evitar em silêncio essa matança, duras batalhas foram organizadas.

Na origem o “trabalho” era prazer. Caçar e pescar, um bom lazer e cada ser o fazia com muito gosto. Mas aí veio a dominação e uma parcela recebeu a punição: ganhar o pão com o suor do próprio rosto.

Trabalho, na etimologia, quer dizer tripaliare, do substantivo tripalium, aparelho que seria, formado por três paus, onde se prendia o animal para ferrar. Mas os humanos também iam a esse lugar, para mudar o comportamento. Por isso, o trabalho passou a ser mal visto, como, pena, labuta e sofrimento.

Na antiga Grécia o trabalho manual não era valorizado. Platão, um filósofo renomado, achava que as idéias tinham a supremacia. Contemplar e fazer filosofia, cabia ao “homem superior”, o escravo era servidor ou cidadão de outra categoria.

Entre os romanos era a mesma situação. Tanto assim que, negotium (negociar), era negar o ócio e o prazer; somente os podiam ter, os livres, que possuíam tal condição.

Em outros tempos de maneira natural, o pagamento pelo esforço era o sal; daí é que o “salário” teve a denominação. Sendo o produto de difícil extração, mas era de grande utilidade, pois não havia outra possibilidade, de salvar os alimentos da putrefação.

Tomás de Aquino no período medieval, equiparou o trabalho manual ao esforço da contemplação. Na verdade estava em decadência o feudalismo, e o esforço humano no capitalismo, seria o principal meio para a exploração.

E assim nesta viagem ao passado, vimos surgir o proletariado; quando, o capital em seu estado acelerado, tornou o trabalho uma mercadoria. A força vendida todo dia passou a ser a referência. Mas iniciou-se aí a resistência, para evitar a exploração e a mais-valia.

Então as máquinas e as técnicas com suas inovações foram impondo novas condições e o braço humano perdeu parte da importância. O desemprego em outras circunstâncias levou o “exército de reserva” à decadência, corroendo a organização e a consciência, dificultando as tarefas da velha militância.

Seguimos hoje para um futuro incerto. As técnicas avançam em campo aberto diminuindo os sacrifícios dos trabalhos manuais. Com isto cada vez veremos mais, desempregados e pessoas inativas. Porém, sejam bem-vindas todas as iniciativas, que visam o sofrimento desfazer. O trabalho voltará a ser prazer, quando as relações sociais, alcançarem, o desenvolvimento das forças produtivas.

Por isto, o dia do trabalhador continua atual. Errado está o capital que mantém os lucros concentrados. Quando o sistema for um dia superado, os afazeres serão como um lazer; cada qual fará o que der prazer, pensar e trabalhar serão equiparados; e o tripalium assim como o “salário”, serão apenas lembranças do passado.

Cartas de Amor Nº 165

À TECNOLOGIA

O ser humano é alguém que tudo inventa; produz os próprios bens e todas as ferramentas. É por sua intervenção, que há transformação em um caminho combinado, ao mesmo tempo que faz, se constrói e se desfaz, como um ser eternamente inacabado.

Conhecemos a história, por mil fatores estudados. Construções, velhas em ruínas, escritos, textos gravados. Mas a parte mais sensível, que, através dela o saber se faz possível, é pelos restos de instrumentos encontrados.

São eles que indicam como viviam nossos antepassados. Como era o trabalho organizado e também como se relacionavam. O que comiam, o que plantavam; tudo como restos de memória; assim são resgatadas as histórias, das gerações que em outros tempos aqui habitavam.

É a tecnologia. Ela é quem provoca e desafia a fazer mais descobertas; às vezes difícil e arredia, em outras situações, cordial e mais aberta. Mas revendo na história a sua conduta, não tirando a sua importância absoluta, mas nem sempre ela esteve certa.

Há coisas importantes no caminho da invenção, desde que surgiu a roda e o motor a combustão. Mas o que dizer da pólvora e do canhão, da bomba atômica, dos mísseis, do agrotóxico e do carvão, das árvores e sementes transgênicas que se tornam plantação?

Dizem que a ciência, em suas tarefas vitais, não pode submeter-se as opiniões sociais, pois seus valores não são éticos, mas intelectuais. Então, é o capital que passa a decidir e a sociedade de consumo, perde o rumo e deixa de saber para onde ir.

O capital que tudo dinamiza é quem impõe a necessidade da pesquisa, daí é que surgem as invenções! Cada empresa busca inovações para ampliar seus lucros em dinheiro; torna-se então capital financeiro, que espezinha os direitos das nações.

Vejamos um exemplo de avanço exagerado, quando surgiu a escrita no passado, escrevia-se em pedras, na argila e em couro de animais. Um chinês juntando vários materiais, há dois mil anos inventou o papel; e a técnica foi ficando mais cruel, pois avançou sobre as florestas naturais.

Pelo consumo ter sido estimulado, o papel passou a ser bem mais visado, pelas perversas forças do capital. Mas o processo passou a fazer mal, primeiramente no meio ambiental, pelo excesso de veneno e poluição; por isso o capital sob pressão, inventou a floresta artificial.

E essas foram aqui plantadas. As mudas todas clonadas para que tenham o mesmo tamanho e espessura; passaram a dominar a agricultura, secando os rios, os córregos e os açudes; poluindo e destruindo o habitat e a saúde, desde os humanos até as saracuras.

Há um excesso de consumo e desperdício, que o capital alimenta como vício. Um norte americano consome, de papel, em média a cada ano, trezentos e trinta quilos sem perdão, um brasileiro, trinta e oito, e então? Será aquele um país desenvolvido, ou é um sinal de que o planeta está comprometido, pelo descaso, ganância e poluição?

E hora da humanidade se insurgir. Colocar-se diante do devir, e intuir o que de fato passará. Se as empresas não sabem o que será, e nem podem imaginar o que vai ser, devem se calar e obedecer, os limites que a cada uma caberá.

Sejam elas privadas ou estatais, devem saber que já se estragou demais, e o planeta não suportará. O bom senso deve alertar a inteligência, sabemos a causa da ganância e da demência, mas ninguém sabe o que será, do que será.

Cartas de Amor Nº 166