Vivemos tempos de afrontas. Os que legislam cobram suas contas, quando não têm nada a receber. Os que se revezam no poder, viram gerentes dos mesmos empresários. Enquanto o povo, sobe seu calvário, a espera do dia de morrer.
Afrontas no parlamento onde instalam CPMI’s, para maltratar os Sem Terra do país. Ali, mergulhados no cinismo, consideram as ocupações, atos de terrorismo. Na verdade, legislam para a grande propriedade. Então acham legal, considerar que as lutas ameaçam a “segurança nacional”.
Afronta dos latifundiários e fazendeiros, que se julgam tão ordeiros, por isso ordenam as emboscadas. Três anos de governo é quase nada, mas no campo matou-se mais que a guerra, pois foram assassinados sobretudo, neste desesperanço período, nada menos que 143 trabalhadores Sem Terra.
Afronta do poder Executivo, que engana desde os fracos aos mais altivos, com seus rompantes populistas. Enquanto bajula os capitalistas, a reforma agrária estaciona no caminho. Não avança sequer nem um pouquinho, na elevação dos índices de produtividade. Assim fortalece a grande propriedade, a opulência e o poder mesquinho.
Afronta do judiciário que invalida processos de desapropriação, não julga e não leva até a prisão os criminosos de nossas lideranças. É ágil para apagar as esperanças nos despejos, nos mandados e nas condenações da militância; mas não dá nenhuma importância, à vida dos adultos e das crianças.
Afronta dos meios de comunicação, braço político da criminalização, que faz a sociedade acreditar em sua versão. Que atenta contra o direito de defesa, divulga a violência entre a pobreza, como se esta, fosse dela promotora. Que faz da burguesia parlamentar e exploradora, referência da moral, da honestidade e da pureza.
Afronta do capital financeiro, que explora e lucra o ano inteiro, sem se importar com a miséria da nação. Que ostenta com sarcasmo e presunção, os bilhões de juros acumulados. Que se apropria da máquina do Estado, para ampliar a sua dominação.
Afronta das empresas multinacionais, que fazem dos ministérios seus currais, para forjarem seus planos indecentes; seja na biodiversidade ou nas sementes, atacam como aves de rapinas, apossam-se dos rios e das colinas, dos minérios, da madeira e do ambiente.
Afronta do imperialismo e de seus colaboradores, todos, sem exceção, exploradores, capachos ou submissos, governantes que renegam os compromissos e se agarram à burocracia. Que esquecem que a democracia, não é divulgar as negociatas que se fez, mas trabalhar com afinco e honradez, para alcançar a soberania.
Afronta contra todos os direitos, que se misturam com a falta de respeito, de decência e honestidade. Afronta contra a solidariedade e todos os valores. Contra a cultura, a arte e aos seus defensores. Afronta contra a juventude que precisa tomar uma atitude e não se deixar matar; e, assim no fim das contas, revidar as mesmas afrontas, e então, passar também a afrontar.
Afrontar pela desobediência, dar por encerrada a fase da paciência e levantar-se para dizer não! Afrontar com organização, todas as formas de afrontamento. Unir-nos em um grande movimento, afinal, somos nós, pobres, neste exato momento, a última classe em ascensão.
Cartas de Amor Nº 145
AO COMBATE
Quando o neoliberalismo projetou-se contra o socialismo, não podíamos perceber pelas aparências, quais seriam todas as conseqüências. Insurgiu-se como um furacão devastador, com seu instinto privatizador, eliminou as empresas estatais, destruiu as práticas sindicais, cooptou os partidos e, enraizou-se profundamente nas consciências.
Quando falavam que o “Estado seria diminuído”, é claro que era em um só sentido! Na verdade ele seria privatizado, mas continuaria forte enquanto Estado. Controlaria, as aposentadorias reformando a previdência, para isto precisaria da conivência da classe trabalhadora; usada através de uma cúpula do poder ainda “caloura”, que não ofereceu nenhuma resistência.
O capital financeiro, as empresas e instituições planejaram a economia. A política, como o pão de cada dia, normalizou a importância, pode até faltar de vez em quando, pois quem garante as ordens de comando, são os que controlam o modelo, e os políticos tratam como muito zelo, dando a entender que estão livremente governando.
E os poderes então constituídos, passaram a ser os guarda-costas dos bandidos. O Executivo cheio de eloqüência, passou a pedir ao povo, paciência: “A criança só começa a andar com um ano de idade!”, e foi fazendo menos da metade, em tudo o que havia prometido. Importava que o “medo estava vencido”, e os ricos podiam ficar à toa e à vontade.
O judiciário seguiu com sua severidade, austero protetor da propriedade. Mas o Congresso Nacional já quase sem função, desviou-se para a investigação. Faz o papel que um dia foi da ditadura militar; prepara as leis para criminalizar.
Em várias coisas sabíamos o que era o neoliberalismo, desconhecíamos que este resgataria a ideologia do fascismo, que perseguia e até matava quem não concordava. Agora, o “pensamento único”, não virá pela razão, mas pela repressão que elimina o oponente. Ser pobre é uma ameaça permanente, e organizar-se é tornar-se delinqüente.
Vejamos afinal, o que ameaça a segurança nacional, são os Sem Terra ou o latifúndio improdutivo? As ocupações ou os transgêncios liberados ao cultivo? Trabalhadores mortos pacificamente ou fazendeiros armados até os dentes?
Não senhores! O que ameaça a segurança nacional é a riqueza e a opulência! A reforma da previdência, os juros altos e a dívida externa! A matança dos jovens que a todos nos consterna! A renda acumulada, a terra concentrada e a negação de todos os direitos! A falta de respeito à nossa soberania! De hospitais e enfermarias, e renegar todos os bons conceitos.
Neste governo que caminha já ao final, ameaçou-se a segurança nacional, quando quinze dezenas de pessoas no campo foram assassinadas, sobre isso as CPIs não dizem nada, não indiciam nem consideram crime hediondo ou terrorismo. O parlamento é o retrato do cinismo, onde tudo se faz contra a democracia. Quem vota, ou submete-se à burguesia, ou é enquadrado pelo seu legalismo!
É preciso analisar e compreender, para que se volte a combater. Belas lutas fizemos no passado; pela anistia, pelas diretas, pela defesa dos direitos conquistados. Mas tudo isso foi fruto da unidade! Se nos calarmos nos campos e nas cidades, eles amordaçarão os nossos movimentos. É tempo de enfrentar, para que não venha a se tornar, o que era uma esperança, um grande tormento.
Cartas de Amor Nº 146 AO PAPAI NOEL
Antes de se transformar, o Natal, foi uma bela e sincera festa popular. Originou-se no dia, em que, no Norte do planeta iniciava-se a estação fria. O povo, por duas semanas fazia a despedida. Sabendo que faltaria comida, muitos poderiam morrer; por isso era preciso festejar e torcer, para que quando o calor voltasse a aparecer, ainda houve vida.
Os Romanos em sua cultura, homenageavam Saturno, o deus da agricultura. “Saturnália” era o nome da comemoração. Sendo inverno, não havia produção, e, por isso a terra descansava. Dessa forma, o povo festejava a longa espera, aguardando o despertar da terra, quando de novo o trabalho começava.
No século quarto, o Papa Júlio Primeiro, aproveitou, também por ser festeiro, e unificou a tradição com o Natal. Novidade, nascimento, trabalho, agricultura, ficou tendo por igual, o mesmo significado. É tempo de rever o que está errado, modificar as práticas e o comportamento. É sempre um renascimento, que deve ser considerado.
Mas Dezembro também, em todos os rincões da terra, o Papai Noel se espera. Deve vir de algum lugar com sua maestria, para trazer-nos um pouco de alegria. Seu nome está associado à cortesia, visitas, presentes e fantasias que nos tornam mais fraternos, embora nestes tempos modernos, todas as coisas viram mercadorias.
Mas de onde ele se originou? Quem foi que o inventou e o transformou neste personagem popular? Para tudo o que se inventa, há um lugar e um dia. Esse também, em Myra, hoje Turquia, por volta do ano quatrocentos, nasceu com um senhor, astuto e trabalhador, que dava aos pobres com amor, todos os anos, parte de seus proventos.
Mais tarde por ter marcado tanto, foi declarado santo. São Nicolau, conhecido em todo canto, agora por Papai Noel. Vestia-se de Verde para fazer o seu papel de artista da alegria. Fantasiado ninguém reconhecia quem era o novo pai dos desvalidos. Tornou-se por isso conhecido, e até hoje, o ano inteiro, espera-se pelo seu dia.
Aos poucos tudo foi se elitizando. O mercado assumiu o comando, impondo o modo da comemoração. Perdeu-se o sentido da distribuição, da renda, dos lucros e dos ganhos acumulados. Ao contrário, aproveita-se nestes tempos exaltados, para acumular ainda mais. As relações tornaram-se comerciais e os sentimentos foram domesticados.
Para aumentar ainda mais o consumismo, o capital com seu cinismo, modificou também a sua cor. Para tornar a Coca-Cola um louvor, fez do Papai Noel sua referência. O Vermelho como parte da consciência, tingiu o personagem atrativo, e o produto enfadonho e corrosivo, passou dos grandes e dos pequenos, o ano inteiro tendo sua preferência.
Mas o Natal ainda é uma festa popular. Temos que comemorar como parte desta herança. Presentear os adultos e as crianças com objetos de nossa cultura. Evitar o plástico e a usura, e ajudar a consciência a renascer. Renegar o que nos faz empobrecer, nos valores, nas virtudes e na ternura.
Aproveitemos o momento já existente, para reencontrar os vizinhos e os parentes e trocar energias positivas. Festejar as conquistas decisivas que tivemos alcançado. Reafirmemos que, seguiremos lado a lado, no decorrer do ano novo. Afinal, este é um dos poucos momentos onde o povo, tem que assumir o seu papel e não ser representado.
Sem fingir nem fantasiar, sejamos o Papai Noel em cada lar. Distribuamos virtudes e valores, para derrotarmos os mercadores dos sonhos e objetos. Que cada gesto seja lúcido e concreto, para que a terra adormecida, se orgulhe de ter-nos como moradores.
Cartas de Amor Nº 147 À IMAGINAÇÃO
Se o mundo fosse uma aldeia, como pregam os liberais, não precisaria mais, acordos comerciais nem eleições presidenciais. Bastaria que a humanidade entrasse num entendimento, que, nem um ser humano, uma empresa ou um convento, teriam uma só nacionalidade. Não haveria direito à propriedade, nem privada ou estatal, todos viveriam de forma igual conscientes e com dignidade.
Não haveria exploração. O operário manteria a sua profissão, mas seria um produtor. O patrão, ora administrador, se tornaria o lixeiro. Não haveria mais banqueiros e o dinheiro estaria à disposição nos caixas eletrônicos. Existiria um só modelo econômico e todos teriam a sua habitação, com quartos, cozinha, sala, banheiro, portas e janelas; mas somente se poderia comprar e se apropriar, daquilo que coubesse dentro dela.
Não haveria outras propriedades. Nem nos campos ou nas cidades, tudo seria gerido socialmente. Os carros seriam usados coletivamente e de acordo com as necessidades. O trabalho seria obrigatório, uma ou duas horas por dia; o pão estaria disponível em todas as padarias, cada um pegaria o seu quantitativo. A carne, o queijo, o feijão o arroz o óleo e a farinha, se alguém quisesse levar para a sua cozinha, poderia, mas não precisaria, pois haveria grandes restaurantes coletivos.
Os bens da natureza seriam preservados. Em cada parte do mundo onde eles existissem. Quando alguém deles usufruísse, teria que pensar nos habitantes de toda a humanidade. As técnicas e as pesquisas, de ninguém seriam propriedade, estariam à disposição. Não haveria o governante da nação e o poder seria da humanidade.
Os impostos seriam substituídos pelo trabalho voluntário.Todos os dias se comemoraria aniversários, das plantas, dos sapos, dos pássaros e das crianças. Ninguém transportaria mais mudanças, pois onde andasse encontraria abrigo. Os cemitérios não teriam jazigos, apenas uma placa com sinais, apontando os extensos castanhais, onde renasceríamos em harmonia como amigas e amigos.
As escolas seriam em campo aberto, onde haveria pássaros e flores. Não haveria professores, nem cadeiras, mesas, quadro e giz. Cada qual, na posição de aprendiz, formularia suas questões. Juntos buscar-se-ia as soluções, não haveria diplomas e nem tampouco formaturas; o saber seria a prática da cultura, que cada qual teria como raiz.
O mercado não seria lucrativo. Não haveria o judiciário nem o legislativo, e as leis seriam fruto da vontade coletiva. Não haveria polícia repressiva, apenas um corpo de conselheiros. Não tendo herança, não haveria herdeiros, e as relações seriam sempre afetivas.
Se o mundo fosse uma aldeia, ninguém seria indigente, não haveria divisão entre ateus e crentes e nem existiria classes sociais. As idéias não seriam iguais, porque haveria diversidade, mas aquelas que ameaçassem a humanidade, seriam retiradas de circulação; os excessos de civilização estariam controlados; eliminar-se-ia o Estado, e o mundo funcionaria como uma grande associação.
Se o mundo fosse uma aldeia, uma só comunidade, haveria honestidade e viver seria um prazer. Ninguém disputaria o poder, e este teria outro sentido, ao ser constituído, com lealdade e parcimônia. Como ainda vivemos com impérios e colônias, sofremos as conseqüências desta teia. Mas é bom imaginar com otimismo, quando triunfar o socialismo, com certeza, o mundo iniciará a ser uma grande aldeia.
Cartas de Amor Nº 148 AO ANO NOVO
Quando éramos crianças, tempos idos, boas lembranças; esperávamos o ano inteiro, para, no dia primeiro de Janeiro, irmos desejar Feliz Ano Novo aos visinhos. Ganhávamos um biscoito, um carinho, às vezes, uma nota de dinheiro. Ouvíamos desculpas e lamentos, relatos de acontecimentos, doenças, secas, tormentas e sofrimentos, que o velho ano criara o tempo inteiro.
Mas, em nossas inocências, não sabíamos o que era a decadência, do simples e pobre camponês. Ele sabia que mais uma vez, não tinha conseguido progredir. A casa começava já a cair; as estradas de terra esburacadas; as cercas velhas derrubadas; já se tornava difícil resistir.
Agradeciam com gentileza o desejo, e aproveitavam o ensejo, para enviar recados aos nossos pais. Há quem não se lembra mais; outros abandonaram a tradição. Mas havia esta superstição, que as crianças eram um bom sinal. Se faltassem atrairiam o mal, se chegassem o ano seria bom; assim preparavam a doação e a entregavam de forma cordial.
Passados já bons anos de nossa pobre vida, tivemos décadas perdidas de alegrias e de tristezas. O êxodo ampliou a sua grandeza e feriu de morte a solidariedade. Milhões se foram para as cidades, em busca de um lugar para morar. Ali já não podem desejar, porque o espaço do sonho está encurtado. O futuro esperam agachados, pois lhes falta a força para se levantar.
Então, revisando os pensamentos, recordamos daqueles bons momentos onde o desejo era um valor. Existia nele algum fervor, e por ele se passava confiança. Se havia progresso, era por causa das crianças, e, no ano novo seriam melhor tratadas. Hoje vemos que as décadas passadas trouxeram os mesmos lamentos como herança.
Olhamos para cada cicatriz; em cada uma está a história do país. Ano a ano escrita em cada sinal. O retrato visível e desigual está na face vazia de esperanças. Anos velhos que não deixaram nem lembranças; anos novos que por nada envelheceram. Dias sofridos que trabalhando se perderam, noites tristes que nos mataram a confiança.
Vemos pelos anos passados, que os camponeses continuam maltratados, embora teimem em produzir os alimentos. E o peso é cada vez mais violento, que os ombros começam a vergar. Os governantes que deveriam se envergonhar, se exaltam como as plumas dos pavões, pensam somente em eleições e como fazer para nos enganar.
Uma vantagem hoje nos diferencia, dos velhos tempos quando se dizia: Feliz Ano Novo durante o dia inteiro. Hoje acrescentamos: companheira e companheiro e mudamos a base da conduta. O desejo tornou-se uma permuta, que mutuamente entre nós trocamos. Temos certeza quando desejamos, que o ano será bom, porque haverá lutas!
Que os dias do novo calendário, que marcam a reunião e o aniversário, sejam de fato promissores. Num mundo de explorados e exploradores só resta uma saída aos primeiros organizar- se e lutar o ano inteiro, contra os que criam a miséria e a exploração. E desejar com convicção: Feliz Ano Novo a todo o povo, que se prepara para a revolução.
Que seja um ano de fartura, de otimismo e de alegria. Que nos lembremos a cada dia, que os inimigos sem nós ficam mais poderosos. Que os novos tempos sejam vitoriosos, e ampliem o nosso envolvimento. Façamos os acontecimentos, não deixemos que eles nos surpreendam, pois enquanto os ricos não se rendam, estaremos sempre em movimento.
Cartas de Amor Nº 149 À CONTINUIDADE
Quando termina um ano, outro logo se inicia, é como a noite e o dia que se emendam pela continuação. Um ano que traz recordação, é um ano de fartura e de bondade, tempo de felicidade que valeu à pena. Há àqueles em que os momentos ruins entraram em cena e marcaram pela perversidade.
O novo ano começa com uma promessa, que só aos tolos faz sentido. Vem dos Estados Unidos, esta provocação. Para preservarem a nação que está em apuros. Prometem construir um muro na fronteira com o país vizinho, que, de todos os latinos, entrou sozinho no tratado de livre comércio com a América do Norte; triste sina, pobre sorte, se não obstruírem este caminho.
O projeto de lei foi aprovado no final do ano passado, conhecido como “Reforma Migratória”. O muro iniciará uma nova história de separação. Mil quilômetros terá sua extensão, construído pelo povo separado, que, ficará aqui do outro lado, como velhos bárbaros ameaçadores. Haverá câmaras e refletores para que estes sejam bem vigiados.
Será considerado criminoso quem entrar ilegalmente no país. Pego o infeliz, será preso e não mais deportado. Os empregos serão fiscalizados pelas próprias empresas, que terão de provar sem esperteza, que não contratarão gente ilegal. É a crise do Estado e do Capital, que já não cresce nem sabe o que fazer com a pobreza.
São os tempos de duras semelhanças. No mundo as únicas mudanças podem ser vistas nas legislações. É o medo dos ricos das nações, que já não sabem como se defender. Sobrou a força para manter o poder e, a violência é a única saída. Ocorre que essas investidas, não conterão os grandes movimentos. A repressão serve apenas de fermento, para agitar as massas enfurecidas.
As leis se parecem em toda a parte. Como uma obra de arte, ampliam as imaginações. Aqui, lutar por terra leva a condenações, quem se organiza torna-se um criminoso. O regime é astuto e perigoso, pois é ele que gera a violência. Quanto mais repressão mais impaciência, quanto mais leis, mais desobediência.
O império se protege de seu jeito. Cerca o país, muda o código do direito, mas terá que sair para roubar. Mesmo que se arme e vá guerrear, nunca terá força suficiente. Seus aliados internos decadentes, não terão como resistir. Nem mesmo os muros poderão construir, para cercarem o que têm acumulado. Já não tememos o arame farpado, nem a cerca que tem data pra cair.
O ano novo será cheio de armadilhas, avançará quem souber achar as trilhas para driblar a engenharia da direita. As estratégias nunca são perfeitas, contém sempre imprecisões. A última oferta foram as eleições, onde as forças populares foram iludidas. As mudanças acabaram em comida, que após usada foi esgoto afora! O que farão agora, os produtores de mentiras, quando as massas se levantarem enfurecidas?
As condições estão chegando ao ponto, que exigirão unidade nos confrontos. “Uma andorinha só, não faz verão!”, mas pode espalhar a convocação. Poucas vezes a humanidade combinou estes fatores, que unifica a luta dos trabalhadores. Temos que ser imensamente criativos e organizar as lutas e os protestos. Pôr em prática a profecia do Manifesto: “Proletários do mundo inteiro, uni-vos!
Cartas de Amor Nº 150