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4.3 Eckhoffs bevisrett, 1940—1950

4.3.5 Eckhoffs bruk av rettspraksis

Na vida cotidiana, seja ela santa ou profana cada ser procura produzir o seu saber. São invenções feitas pelas multidões, que aparecem sem autores. Refletem alegrias e dores; dão conselhos e indicam formas de se comportar. É a sabedoria popular, quem produz os mais astutos professores.

Quem come tudo num dia, no outro assovia. De janeiro em janeiro, o dinheiro é do banqueiro.Gato escaldado tem medo de água fria. Galo só canta alto em seu terreiro.

Doente que espirra não morre naquele dia. Quebrado de dinheiro, tristeza profunda. A pior roda é aquela que mais chia. Quem muito abaixa a cabeça mostra a bunda.

Em pé de pobre é que sapato aperta. Deixa estar jacaré que a lagoa vai secar. Cada um espicha os pés até onde vai a coberta. Falar sem pensar é atirar sem apontar.

Grande gabador, pequeno fazedor. Depois da tempestade vem a calmaria. Em terra alheia chama-se porco de senhor. Quando a esmola é demais, o Santo desconfia.

Antes só que mal acompanhado. Pelo afinar da viola se conhece o tocador. Ao bom entendedor, uma piscada é mandado. Paga o justo sempre pelo pecador.

Ladrão de tostão, ladrão de milhão. Entrada de leão, saída de cão. A ocasião faz o ladrão. Quem vê cara não vê coração.

A regra, se põe na boca do saco. Só se vê bem com os olhos do coração A corda arrebenta, sempre do lado mais fraco. Quem furta pouco é ladrão, quem furta muito é barão.

Quem entra lambendo sai mordendo. Serra que faz barulho não corta. Morrendo e aprendendo. Quem fala do diabo, olha para a porta.

Quem não tem cão caça com gato. Tamanco faz zoada mas não fala. Quem pisa em ovos não gasta sapato. Em casa que tem gato não passeia rato.

Depois de beber cada um dá seu parecer. Navio apita quando está no porto. Acaba-se o dever, fica o saber. Mais vale um burro vivo que um sabido morto.

O pior cego é aquele que não quer ver. Em casa onde não há pão, todos brigam e ninguém tem razão. A necessidade faz a lebre correr. No primeiro de janeiro todo ano é bom.

A vida do homem é errar, da besta é teimar. Ruim não é mudar de idéia, é não ter idéia pra mudar. Amar e rezar, a ninguém se pode obrigar. Depois de rapar não há o que tosquiar.

A porta da rua é serventia da casa. Leitão de um mês, pato de três. A agulha veste os outros e vive nua. Vida e confiança, só se perde uma vez.

Quem canta seus males espanta. Só se dá conselho a quem compreende. Quem com os cães se deita com pulgas se levanta. Só burro velho não aprende.

Não senta perto do fogo quem tem rabo de palha. Do prato à boca é que se perde a sopa. Onde o ouro fala, tudo cala. A justiça tarda, mas não falha.

Quem trabalha conhece o caminho da roça. Peru calado está preservado, peru falando sai apanhando. Pelo andar dos bois se conhece o peso da carroça.

Entrada de leão, saída de cão. De passinho em passinho, se faz o caminho. O cão tanto vai ao moinho que um dia deixa lá o focinho. Quem vê cara não vê coração.

Salve a sabedoria popular. Salve o tempo, velho e novo. Salve os provérbios e os contos. Salve a ciência do povo.

Cartas de Amor Nº 177

À ESPERA

Esperar é uma característica imortal que se desenvolveu na espécie animal; seja naqueles que contemplam a sua caça ou nos que conscientemente planejam o futuro; são maneiras de dizer cada querer no silêncio, nas clareiras ou no escuro.

Acompanha o querer a necessidade de aprender. Esperar é silenciar, contemplar, ter paciência; é sem dúvida uma ciência há milhares de anos, feita de experiências.

Quando esperamos ampliamos nossa forma de existência. Cresce em nós o raio de abrangência; vamos além do espaço costumeiro. Ouvimos o tropeçar, sentimos cheiro, daquilo que ainda se tornará vivência.

Há espera que nada modifica, como por exemplo, certos fatos na política; o tempo apenas cumpre o seu vagar, devagar, sem parar. Então querem fazer acreditar que o não virou sim, são aqueles que já não querem ir até o fim e por isso deixaram de sonhar.

São os tempos em que muitos esperam mudanças e transformações, mas por fazerem todas as concessões nada acontece. E aquilo que devia subir, desce, como se a força agisse contra o próprio ser. São as esperas em que o querer vira ceder, e o tempo não espera quem fenece.

Esperar é sonhar. Sonhar é tudo. Quem não sonha não espera, é fraco e se desespera por qualquer desilusão. Sonhar com uma irrupção que ameaça o futuro, sem dúvida caminha mais seguro, quem tece com a imaginação.

Quem espera se prepara. Quando as possibilidades são poucas, raras, as exigências são imensamente superiores. Como os caules formados antes das flores, que esperam altivos e coesos, pois sabem que logo virá o peso, misturando a beleza, o cheiro, as cores.

Esperar é ultrapassar limites. É deixar-se motivar pelos convites de que o amanhã virá e responderá todas as perguntas feitas. Se houve plantios, haverá colheitas; se houve esforço haverá recompensa. São os sonhos que fazem a diferença e não a técnica e as máquinas perfeitas.

Esperar é cuidar. É ver em cada olhar o mesmo brilho. É buscar no passado todo auxílio para não se deixar dominar pela descrença. É cultivar a experiência imensa de todas as lutas já vencidas. É preservar o suspiro da vida e aumentar sempre mais a pertença.

Esperar é desejar. É querer ver o que será. É deixar-se influenciar pela idéia em construção. Esperar é a revolução que se forma aos poucos sem ser vista. É a vida da consciência socialista que está escondida em cada coração.

Esperar é acordar para saber se o sol trará o mesmo brilho.É imaginar que os vagões estão nos trilhos à espera da locomotiva. É acreditar como a aquele que cultiva que a semente se tornará uma planta. É confiar como o galo que na madrugada canta, sem ver a luz, que a manhã será mais bela e mais festiva.

Esperar é um movimento. Mesmo que às vezes um forte sentimento esconda os pilares da grande construção. Eles estão lá na base do canteiro, a espera de quem o tempo inteiro, fez sua obra na imaginação.

Quem desanima não espera mais. Mistura-se a todos os demais, iguais desanimados. Se o futuro ainda está por ser criado, ninguém se pode dar por derrotado. Esperemos a roda dar a volta e preparemos o grito de revolta, para anunciar que o dia é chegado.

Cartas de Amor Nº 178