2.2 Innholdet i kritisk rettspositivisme
2.2.2 Deskriptiv eller normativ teori
Desejar é a arte de antecipar o futuro pela imaginação. É querer de coração que os sonhos se realizem. Há os que se contradizem e misturam os desejos. Seguimos nós o cortejo, alimentando o sonho antigo, de sermos todo dia como o trigo, repartindo-nos com aqueles que precisem.
Desejar que venha a chuva, para produzir a uva que dá o vinho. Desejar ver o caminho aberto das mudanças. Desejar como crianças o dia de Natal. Desejar que todo o mal suma inclusive das lembranças.
Desejar que a juventude tome uma atitude de por abaixo a alienação. Que os saqueadores da nação partam com seus vagões. Desejar que os corações transbordem de amor puro, que nem divisas nem muros, dividam nossas nações.
Desejar que as madrugadas, com sereno e neblina, desenhem sobre as colinas sinais de otimismo. Desejar que o imperialismo naufrague em suas transações. Que não haja mais patrões, senhores e candidatos; e que os únicos contratos, sejam de boas relações.
Desejar que os rios e açudes nunca sequem e nem sejam poluídos. Desejar que os mais sabidos eliminem a ignorância. Que as coisas sem importância não sejam utilizadas. Todas as leis aprovadas elevem a democracia, e que sempre a rebeldia alimente a confiança.
Desejar felicidades aos que fazem aniversário. Que não haja adversários na prática dos valores. Que nossos educadores sejam exemplo de coragem; transformem cada mensagem em atos de convivência, que prezem pela coerência da cultura e da linguagem.
Desejar ver as sementes e as lavouras sem veneno. Sem erosão nos terrenos, nem fogo queimando as matas. Sonhar que cada cascata cante seu próprio sentido, que entre em cada ouvido o som da preservação, e, que nunca falte o pão nem a farinha na mesa, que se encha de grandeza o pulsar do coração.
Desejar que as andorinhas façam sinfonia no espaço, que o beijo e o abraço sempre sejam praticados. Que os seres irmanados defendam os mesmos valores. Desejar todas as cores e o vermelho das bandeiras, surgindo sob a poeira, tremulando sobre as flores.
Desejar que as faculdades se encham todos os meses, de operários e camponeses e de outras categorias. Sonhar que sempre a alegria esteja à frente dos eventos; que nem tristezas e lamentos interrompam o caminho, e ninguém queira sozinho o que é para a maioria.
Sonhar e escrever poesias, teatro e letras de cantos, surpreender, causar espanto, naqueles que nos duvidam. Sonhar que os que se intimidam, breve perderão o medo. Sonhar que todo dia cedo, nascerá com a alvorada, uma imensa gargalhada contando cada segredo.
Desejar que a sociedade elimine as divisões, que as imensas multidões deixem de ser como o gado, que segue manso e calado para a triste execução. Desejar que a nação não se dobre à covardia, e que a soberania seja o refrão da canção.
Desejar que o desejo nunca deixe de existir. Que enquanto vozes forem ouvidas e rastros tiverem no chão, nunca falte animação nem mesmo força e certeza; que sobre cada uma mesa, caia um grão de esperança, que cada uma criança cresça amando a natureza.
Deseje sempre e cultive o desejo de sonhar, não perca tempo em amar pois o amor é como o vento, se parar por um momento a terra deixa de girar.
Cartas de Amor Nº 151
À DOR
Quem se atreveria um dia a explicar a dor? Haveria um professor capacitado a fazê-lo? Mesmo que cheio de zelo, não haveria sapiência, nem tamanha inteligência que pudesse nos premiar, nem tampouco se arriscar a dar uma explicação, pois a dor só tem razão quando pára de judiar.
Existem em nossas vidas, diversos tipos de dores, algumas de nostalgia, outras de perda de amores. Há as que causam enfermidades, outras feitas de acidentes, a pior é a dor de dente quando lateja a gengiva, mas há dores corrosivas que de ódio vão matando, o pobre ser sem comando quando descamba à deriva.
Há dores de enganação feitas de promessa e juras. Há dores claras e escuras de parte ou do corpo inteiro. Há dores em que o roceiro sente quando vai chover; quando alguém ao correr força a musculatura, há dores de impostura, traições e arrependimento; há dores que são lamentos outras de pura loucura.
Um poeta nordestino, Patativa do Assaré, quando viveu, tinha fé e muita inspiração. Deu um dia de fazer então, uma poesia a este mal, do processo eleitoral que engana toda a nação. “O que mais dói” disse então, no título de seu escrito, negou com versos bonitos coisas até corriqueiras, mas a dor eleitoreira, para ele era um delito:
“O que mais dói não é sentir saudade Do amor querido que se encontra ausente Nem a lembrança que o coração sente Dos belos sonhos da primeira idade. Também não é a dor da crueldade Do falso amigo quando engana a gente Nem os martírios de uma dor latente Quando a moléstia o corpo nos invade. O que mais dói e o peito nos oprime E nos revolta mais que o próprio crime Não é perder da posição um grau. É ver os votos de um país inteiro Desde o praciano ao camponês roceiro Para eleger um presidente mau”.
Mas este velho poeta estava indignado, pelo povo ter votado em um homem desleal, amigo do capital, defensor do imperialismo. Governava com cinismo pois do povo era alheio. Outro presidente veio, depois da poesia escrita, vejam que coisa maldita, praga ou maledicência. Isto é uma coincidência, ou é uma seqüência infinita?
Dizer qual é a pior dor, cada um dirá que é a sua e se a vida continua, continuará tendo dores; de moléstias ou de amores, penará a humanidade e não haverá piedade enquanto a degradação, não morrer no coração, na consciência e na vaidade.
Cartas de Amor Nº 152
À REFLEXÃO
Refletir sempre é importante, sobretudo o que fazemos, quando nos arrependemos temos um ganho seguro. Nos tornamos mais maduros e nos enchemos de alegria. Vemos na filosofia frases de muita sapiência. Para elevar nossa estima, emprestamos à nossa rima para estas belas coerências.
“O deserto cresce, ai daquele que dá abrigo a desertos”. Representa algo encoberto que há dentro de muitos seres, que sobrepõe aos quereres, seus interesses incertos.
“Não venhas a ser o que tu és”. Seja como as marés que iniciam e se desmancham, que se revolvem e não mancham sequer a ponta dos pés.
“Todos estamos sujeitos a dizer tolices; o mal está em as enunciar com pretensão”. Pretender que uma ilusão seja tida por verdade. Há tolos de qualidade, e outros que não têm consciência; os que vivem de aparências, são os tolos de verdade.
“Quem não tem dois terços do dia para si é um escravo”. Seja na terra que eu lavro, ou na oficina da rua, se o imaginar não flutua, nunca haverá criação, e a maldita escravidão com certeza continua.
“Há em nós, mais vaidade que infelicidade, mais vazio que maldade, mais vileza que miséria”. Viver é uma coisa séria que às vezes nem percebemos, os vazios que trazemos que podiam ser preenchidos, como um balão aquecido, giramos e nada aprendemos.
“A ordem econômica capitalista tem necessidade dessa devoção à vocação de ganhar dinheiro”. Como grandes desordeiros agem os capitalistas, passam sempre em revista onde podem acumular, são devotos do roubar, em todos os pontos de vista.
“A propriedade privada não aliena apenas a individualidade dos homens, mas também a individualidade das coisas”. Este é o mal que a propriedade causa em cada ser social, o torna individual que se julga separado, por isso é alienado e vítima do capital.
“Nossas possibilidades de felicidade sempre são restringidas por nossa própria constituição”. É a nossa própria razão que nos impede de ser felizes. Somos o réu e o juiz, disputando a mesma cena, que às vezes é tão obscena, que nos corrói na raiz.
“As virtudes são disposições não só de agir de determinadas maneiras, mas também de pensar de determinadas maneiras”. Como lenha nas fogueiras vamos queimando os momentos, de gestos e pensamentos, fazemos nosso destino, que deixa um rastro longo e fino, é o nosso comportamento.
“Há apenas uma diferença: a alegria que vem do bem é séria, ao passo que a que vem do mal é acompanhada de riso e zombaria”. Portanto, sejamos sérios, até pra ter alegria, para que a “zombaria” não desmereça os valores. Como somos sonhadores temos que visar o bem, alegrar-nos e ir além, como sérios construtores.
“Se construíste castelos no ar, não te envergonhes deles; estão onde deveriam estar. Agora constrói os alicerces”. Os castelos como as preces são belas suposições, surgem das inspirações e por isso são conscientes; uma espécie de videntes são os que constroem calados e fazem do imaginado uma causa do presente.
“Quando todos pensam da mesma maneira, é porque nenhum pensa grande coisa”. Este é o grande resumo, que a história pode fazer, a burrice do poder do império intransigente, pensa impor a toda a gente uma única ideologia, contra esta covardia, vamos pensar diferente!
Cartas de Amor Nº 153
À PAIXÃO
Na antiga Grécia, sempre que alguém morria, condições ainda não havia, para detectar a causa ou a razão. Por isso os óbitos eram declarados, mas o defunto era interrogado, com a pergunta: ele viveu com paixão?
Recorrendo ao seu passado, cada período era observado e verificado com franqueza, no final, então se concluía, que sua vida tinha sido de alegrias, ou ao contrário, de tristezas.
De acordo com a vida levada, a causa era revelada, mostrando a morte pelas conseqüências. Se viveu com paixão vivera bem, não ficando dúvidas a ninguém, de que havia utilizado a inteligência.
A paixão, diz a definição, é um sentimento ou uma emoção levados a um alto grau de intensidade. A razão confunde-se com a vontade inibindo às vezes a lucidez. É uma força com tamanha solidez que obriga o corpo a se exaltar. Desperta ela o carisma de vigiar e de se comportar com imensa polidez.
Quem se apaixona vive entusiasmado ou entusiasmada. Como uma folha amarelada que se balança com o vento. Destaca-se entre as demais pelos seus movimentos e expõe suas qualidades diferentes. Paixão é uma força ardente que direciona os acontecimentos.
Há milhões de pessoas apaixonadas, porém muitas são mesquinhas e desviadas que se agarram às coisas materiais. Dominadas por ilusões comerciais, vivem as custas do consumo; no final da vida, o seu resumo, mostra a tamanha pequenez, que ela foi uma invalidez, sobrou o corpo apenas para servir-se como insumo.
Apaixonar-se por causas coletivas é a maneira mais bela e construtiva de aplicar as nossas emoções. Há os que se agarram às frustrações, mas há os que vivem de otimismo. Não se abatem frente ao derrotismo e sempre encontram uma saída, para estes tem valor a vida, a lealdade e o companheirismo.
Se houver paixão, há revolução. Basta que esta se mantenha em evidência. Acompanham a dedicação e a coerência e o desejo profundo de vencer. A paixão nos dá outro poder que sem ela fica obscurecido, o que ganhamos por ter-nos envolvido, é uma vida inteira de prazer.
Quem teme uma paixão teme a si e aos sentimentos.Não admite estar sedento e nem revela suas necessidades. Apaixonar-se é buscar dignidade através do empenho e da exposição. Dispor de si e de cada reação, para que a causa possa ser servida. Uma paixão se confunde com a vida, e a vida com a história em construção.
Por isso, apaixonar-se é uma tarefa revolucionária, seja pela transformação ou pela reforma agrária, o motivo podemos escolher. É preciso ousar surpreender a nossa própria intimidade, que usamos menos da metade do potencial que ela tem a oferecer.
A rotina é a morte da paixão. Quando esta já não incomoda o coração, o ser humano já se petrificou. Oferece para amar apenas o que restou da desanimação. Tocar em um corpo sem paixão e como trabalhar a terra sem vigor, derrota o próprio plantador que perde a força , o interesse e a admiração.
Para nós que somos caminhantes, e levamos as paixões em condições ambulantes, temos uma grande obrigação: recriar seres apaixonados, para que, quando estivermos em outro Estado, não havendo a concorrência de mercado, a moeda de troca será apenas a paixão.
Cartas de Amor Nº 154