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Presentasjon av informantene

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Quando, em 1971, Wozniak leu um artigo na revista Esquire, intitulado "Secrets of the Blue Box" (―Segredos da Caixa Azul‖) de Ron Roseblum, entrou em contato, pela primeira vez, com os hackers de telefone.

A Caixa Azul podia fazer ligações gratuitas para qualquer lugar. Para isso, a pessoa precisava discar qualquer número de ligação grátis (0800) e depois emitir um tom de assobio que controlasse o tandem, uma peça do circuito telefônico que, a partir de determinados tons, direciona as chamadas telefônicas, assim era possível usar a linha sem pagar. Essa descoberta está associada a John Draper, que utilizou um apito que vinha de brinde no cereal Cap'n Crunch e podia emitir o tom certo, por isso, Draper passou a ser conhecido como Capitão Crunch.

Em junho de 2011 o Capitão Crunch esteve presente na Campus Party23, realizada em Bogotá, Colômbia. Ali, falou para jovens programadores24 e obcedados por tecnologia sobre o uso do apito para controlar a linha telefônica e pediu aos seus ouvintes para o reinventarem no meio digital, com o objetivo de descobrir falhas, não mais enquanto subversão, e sim, como reparo eficiente para aperfeiçoar as ferramentas.25

No entanto, a descoberta dos comandos telefônicos por meio de tons já havia sido realizada, no final da década de 1950, por um garoto de 8 anos, Joe Engressia, que havia nascido cego e que gostava de fazer ligações para qualquer número para escutar mensagens de erro26. Enquanto fazia uma dessas ligações, começou a assoviar e sua

23 A Campus Party é realizada desde 1997. Sua primeira edição foi na Espanha e depois ocorreu no Brasil,

Colômbia e México. Neste evento, jovens programadores e internautas acampam por uma semana em algum prédio alugado pela organização e desfrutam de conexões velozes (na última edição foram 20GB. Atualmente os planos de banda larga oferecem velocidade mínima de 1MB e máxima de 100MB, sendo uma conexão de 20GB 20000 vezes mais veloz que a velocidade mínima e 200 vezes mais que a máxima). Ali também assistem a palestras de grandes nomes da informática do planeta inteiro. Ao Brasil já vieram John Maddog Hall, um dos primeiros defensores do software livre; Tim Berners Lee, um dos pioneiros da internet; Marcos Galperin, fundador do site MercadoLivre.com; Scott Goodstein, realizador da campanha de Barack Obama na internet; Marcos Ponte, o primeiro astronauta brasileiro; entre outros. O evento é patrocinado pela empresa espanhola Telefônica, atual Vivo. A empresa tem um espaço próprio no evento, em que promove o Educaparty, onde realiza palestras e discussões a respeito de participação social na internet, abordando temas como governo eletrônico e a chamada inclusão digital por meio de planos populares de conexão.

24 Neste trabalho entende-se por programador aquele que desenvolve um software e realiza suas

atualizações, é conhecido também como desenvolvedor de softwares. Desenvolvedores de hardwares, são próximos aos técnicos, que não precisam estar em constante atualização de seus currículos, mas a estrutura física permanece semelhante. Os programadores são modulares, precisam estar em constante atualização enquanto empreendedorismo de si, já os desenvolvedores de hardwares são mais mecânicos, realizam um trabalho manual de concertos e montagens e, por vezes, de aumento de memória.

25 CPCO4 – Momento Telefónica: John Draper, 'Captain Crunch'. Disponível em:

http://www.youtube.com/watch?v=BLOnLqb9Akk&feature=related. Acesso em 20/07/2011.

26 Vale destacar que a invenção do telefone data de 10 de março de 1876, pelo escocês Gaham Bell. Este

chamada foi desligada. Ao telefonar para a companhia telefônica, o explicaram que o tom que ele havia atingido desligava a ligação (ROBSON, 2004).

Engressia começou a explorar os tons e seus comandos. No artigo da revista

Esquire, o mesmo que Wozniak leu, há destaque para a história de Engressia, apontando sua descoberta a partir de um dom desenvolvido por conta da cegueira e ressaltando que seu sonho era trabalhar para a companhia telefônica. Entretanto, quando seu invento foi descoberto, sua casa foi invadida por policiais e estes levaram todo seu equipamento. Entretanto, já havia apresentado a Caixa Azul a outras pessoas que a transmitiram a outras, como Ron Roseblum, que era seu conhecido (ROSEBLUM, 1971).

As Caixas Azuis, como conta Michael Moritz ao escrever a biografia de Jobs, não tinha tantos ruídos como os telefones disponibilizados pela companhia telefônica. Aqueles que burlavam a telefonia com o uso dessas caixas, passaram a ser conhecidos como phreaks (Phone+Freak).

Moritz ainda afirma que ―A história, publicada em outubro de 1971, com certeza estimularia qualquer um com gosto pelo fantástico‖ (MORITZ, 2011, 78). No entanto, não menciona a vontade de alguns daqueles que burlavam o sistema da companhia eletrônica em ter um emprego. Engressia afirma em uma entrevista para a elaboração do mesmo artigo da Esquire: ―Eu quero trabalhar para a Ma Bell. Eu não a odeio, como alguns phreaks. Eu não quero arruinar a Ma Bell. Para mim, é o puro prazer do conhecimento. Há algo de belo quando você conhece intimamente o sistema, como eu faço‖ (ENGRESSIA apud ROBSON, 2004).

Esta publicação ainda obteve outras repercussões: Engressia e Draper, que eram citados, foram investigados e levados a julgamento. O primeiro recebeu a proibição de estudar os sistemas de telefonia e de adquirir uma linha telefônica, bem como lhe foi recusado o desejado emprego na companhia. Draper foi condenado pela primeira vez à prisão (ROBSON, 2004).

Outro ataque à AT&T (American Telephone and Telegraph – empresa de telecomunicações estadunidense) foi na década de 1980, desta vez pelo Capitão Zap, codinome de Ian Murphy. Seu alvo foi o sistema de cobranças computadorizado da companhia. Para recolher conhecimento para esta atividade, Zap procurou um meio de entrar no sistema telefônico. Precisava ter acesso aos manuais da telefonia e, para isso, vasculhou o lixo da companhia.

Seu acesso se deu pelo portal de manutenção, que não tinha proteção: as respostas eram automáticas, sem a necessidade de confirmação de senhas.

Zap se definia como o Robin Hood moderno. Mudou os relógios do sistema de telefonia para 12 horas de diferença, assim, nos horários mais caros, as ligações ficavam menos caras. A ação só foi descoberta no fechamento das contas. Começou a perseguição a Zap, que só foi encontrado 18 meses depois.

Capitão Zap abandonou suas ações de Robin Hood e desvencilhou-se de seu codinome. Ian Murphy, após ser preso e condenado a dois anos e meio de prisão, virou consultor de segurança de internet. Hoje, em livros de banca de jornais, como o Escola

Hacker, sua história é destacada mostrando como um hacker pode ser bom e trabalhar como segurança de computadores (Escola Hacker, 2008).

A companhia telefônica estadunidense, após a publicação do artigo na Esquire, ainda pediu às bibliotecas que removessem manuais técnicos de telefone de suas prateleiras (MORITZ, 2011). Isso dificultou o acesso a livros referentes ao tema quando Wozniak convidou Jobs para fazerem sua própria Caixa Azul.

Wozniak e Jobs vasculharam a biblioteca do centro do Acelerador Linear de Stanford, que possuía vários livros sobre informática e tecnologia. No entanto, os manuais como The Bell System Telephone Journal e o The Bell Laboratories Record também haviam sido recolhidos. Encontraram, porém, o pequeno livro CCITT

Masterdata, contendo uma lista completa de frequências dos números dos telefones. Assim que saíram da biblioteca, os jovens empreendedores compraram os equipamentos necessários para construir o aparelho (WOZNIAK, 2011).

Outra importante leitura para que Wozniak montasse o seu projeto para a Caixa Azul foi Steal this book (Roube este livro) de Abbie Hoffman (IDEM). O livro é vinculado à contracultura escrito na década de 1960, e lançado em 1971, quando o autor estava preso. Hoffman expunha um estilo de vida subversivo, separado em três capítulos: ―Sobreviva!‖; ―Lute!‖; ―Liberte!‖. O primeiro mostra como sobreviver na sociedade-

prisão, como caracteriza os EUA, por meio de invenções em que não se depende de alguém para lhe fornecer algo, como plantar maconha em casa, construir meios de comunicação sem depender da companhia telefônica, fazer sua própria roupa, viajar de graça com caronas, etc.. Em ―Lute!‖, seção vinculada à anterior, apresenta formas de confrontos com autoridades, onde a luta aparece como necessária para a vida. Aqui são apresentadas receitas de bombas e armas, bem como técnicas de roubo. A última seção, ―Liberte!‖, destina-se às quatro cidades, Chicago, Nova Iorque, Los Angeles e São Francisco, onde o autor acredita que há um potencial de revolta que pode se espalhar para outros lugares. Neste sentido, apresenta como reconhecer um agente policial nestes

locais, como roubar um carro, como conduzir seu julgamento sem a presença de um advogado, etc.. (HOFFMAN, 1971).

Entretanto, Wozniak não estava interessado neste estilo de vida, mas em uma pequena receita que ali se encontrava: a de uma Caixa Preta em que, quando o telefone recebia uma ligação de longa distância, um botão era acionado e informava à companhia telefônica local que a chamada havia sido atendida. No entanto, como não havia resposta nos dois segundos seguintes, assim, a companhia telefônica não enviava o sinal de cobrança, mas a pessoa permanecia na linha, sem que ninguém percebesse a conexão (WOZNIAK, 2011; HOFFMAN, 1971).

No mesmo ano de lançamento de Steal This Book, 1971, também foi lançado o

Anarchist Cookbook (Livro de receitas anarquistas) de William Powell, um jovem ativista antiguerra e contra a Guerra do Vietnã, que mostrava como fazer bombas e drogas com ingredientes que as pessoas possuíssem em casa.

O material para o desenvolvimento do livro foi adquirido por meio de uma pesquisa desde compêndios militares a manuais de guerrilha. Eliane Knorr, em sua resenha do Anarchist Cookbook, afirma que Powell, diante da batalha disposta aos seus olhos, ―assume o contrataque violento como única saída possível‖ (KNORR, 2012, 415). Knorr ainda retoma as práticas radicais de anarquistas no final do século XIX que lançaram bombas em meios burgueses. Os ataques de Vaillant, Ravachol e Émile Henry recusavam a representação de tribunais, sujeições e a exploração. Afirmaram a prática anarquista por meio de bombas e de invenção de novos costumes. Essas práticas não devem ser confundidas com ―o terror com as armas e as bombas empregadas para conter, submeter, conformar, pacificar, sufocar‖, os anarquistas no XIX ―inventaram e saborearam, sob riscos e dores, um modo de fazer liberdade‖ (IDEM, 419).

Hoje, cópias deste também circulam pela internet à disposição de qualquer um. É possível encontrar tanto a versão original como as atualizadas por grupos anarquistas, como o Anarchist Cookbook 2000, de Jolly Roger27, que contém mais de 219 receitas de explosivos.

Em The Anarchist Cookbook, também se encontra receitas de como realizar ligações de graça, entretanto, foi o Steal This Book que circulou nas mãos dos jovens que viriam a fundar a Apple. Na primeira construção da Caixa Azul, Wozniak não

27 É possível fazer o download em: http://www.freeinfosociety.com/pdfs/misc/anarchistcookbook2000.pdf.

obteve sucesso. Após armazenar os tons em um gravador que a Caixa reproduzia, não conseguiu com que as ligações fossem completadas. Enquanto isso, as caixas eram fabricadas por outras pessoas, havia uma competição entre os phreaks para construir caixas mais compactas e de fácil funcionamento (MORITZ, 2011).

Assim, Wozniak fez um projeto para uma caixa digital. Cada botão da Caixa emitia um som claro e limpo, a caixa também não possuía botão de ligar, e ao apertar um botão a máquina já estava funcionando.

Wozniak entrou em contato com o Capitão Crunch após um amigo da época do colégio ter dito que ele trabalhava em uma estação de rádio. Wozniak ligou na estação e deixou um recado pedindo para que Crunch retornasse, o que veio a acontecer.

Crunch foi ao seu dormitório em Berkeley e Wozniak lhe apresentou à Caixa Azul digital. Além dos dois, também estavam presentes Jobs e um amigo de Wozniak. Os futuros fundadores da Apple aprenderam como realizar ligações para qualquer lugar do continente americano e terminá-las como se fosse uma chamada local.

Como relembrou o Capitão Crunch na palestra da Campus Party, foi nesse encontro que Wozniak teve a ideia de ligar para o Vaticano. Identificaram-se como Henry Kissinger, secretário de Estado estadunidense que serviu na Segunda Guerra e que ganhou o Nobel da Paz pelo acordo de cessar fogo com o Vietnã; afirmaram que era em nome do presidente Nixon e que havia urgência de falar com o Papa para uma confissão. No entanto, o Papa estava dormindo e quem atendeu não o acordou.

Wozniak e Jobs passaram a vender as Caixas Azuis e adotaram codinomes: Berkeley Blue e OafTobark. O custo era de 40 dólares e era comercializada a 150.

A perseguição aos phreaks continuava. Com o artigo da Esquire, Crunch passou a ser investigado, algumas de suas ligações foram rastreadas pela empresa telefônica e uma lista de números com a identificação de quem era o usuário foi entregue ao FBI. Nesta, constava Steve Jobs. Capitão Crunch foi preso pela primeira vez em 1972 e, após o julgamento, foi condenado a 5 anos de liberdade condicional e multado em mil dólares (BUTCHER, 1993).

Diante disto, Jobs resolveu abandonar o negócio. Wozniak ainda continuou por mais um ano e dividia seu lucro com Jobs, mesmo com este não participando mais. No entanto, as cartas do diretor de Berkeley sobre seu mau rendimento na Universidade o levaram a deixar as Caixas Azuis de lado (MORITZ, 2011).

Jobs estava mais interessado em outras experimentações e em seu namoro com Nancy Rogers. Passavam as tardes bebendo e conversando. Com ela, Jobs experimentou

pela primeira vez LSD, em um campo de trigo. ―Foi demais. Eu estava ouvindo muito Bach. De repente, o campo de trigo estava tocando Bach. Foi a experiência maravilhosa da minha vida até o momento. Eu me senti como o maestro dessa sinfonia de Bach que saía do campo de trigo‖ (JOBS apud MORITZ, 2011, 75).

Jobs nunca escondeu suas experimentações com estados alterados. Albert Hoffman, o inventor do LSD, chegou a escrever para Jobs em 2007, aos 101 anos para pedir doações para pesquisas do MAPS (Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos), entidade de estudos dos benefícios médicos e psiquiátricos do uso de substâncias alucinógenas.

Steve Jobs,

Eu tomei conhecimento por relatos da mídia que você considera que o LSD te ajudou criativamente no desenvolvimento dos computadores da Apple e em tua busca espiritual. Estou interessado em saber mais sobre como o LSD foi útil para você.

Estou escrevendo agora, logo após meu 101° aniversário, para solicitar que você apoie o estudo proposto pelo psiquiatra suíço Dr. Peter Gasser para uma psicoterapia com participação do LSD em pessoas com ansiedade associada a doenças mortais. Este será o primeiro estudo para uma psicoterapia com LSD depois de mais de 35 anos.

Espero que você ajude na transformação de minha ―criança problema‖ em uma criança prodígio.

Sinceramente,

A. Hofmann (HOFMANN, 2007a).

Hoffman foi amigo de Rick Doblin, o fundador da instituição, para quem escreveu relatando o envio desta carta e afirmando ter seguido as recomendações de escrever a mão.

Querido Rick,

Obrigado por tudo o que você tem feito pela minha criança problema. Acrescento com prazer o que puder fazer de minha parte.

Aprendi muito com a sua grandiosa carta, a agir depois de esperar pelo momento certo, o quão hábil e cuidadoso você organiza e faz o seu trabalho. Espero que minha carta a Steve Jobs corresponda a suas expectativas, especialmente no que diz respeito à escolha do papel escrito. Acredito que eu tenha seguido sua prescrição.

Espero que o Dr. Gasser obtenha sucesso com a sua solicitação. Cordialmente -

Albert (HOFFMAN: 2007b).

A carta foi entregue por Doblin ao repórter Ryan Grim, que a publicou no livro

This is Your Country on Drugs: the Secret History of Getting High on America (Este é

Posteriormente, relata Grim, Doblin e Jobs se encontraram e se reuniram por 30 minutos e Jobs afirmou que ainda estava pensando e silenciou.

Com as experimentações de LSD e haxixe e o amor por Nancy Rogers, Jobs tomou a decisão de morar durante o verão com ela. Assim que concluiu o ensino médio, alugou um quarto em uma pequena cabana nas montanhas com vista para Cupertino e Los Altos.

Após o verão, Jobs decidiu entrar para a Universidade. Não optou por Berkeley, que, para ele, era uma fábrica de diplomas, nem por Stanford, que achava muito careta, mas pelo Reed College, em Portland. Devido à alta mensalidade da universidade, Jobs vendia máquinas de escrever da IBM e latinhas para reciclagem. Em uma dessas vendas conheceu Robert Friedland, um jovem que usava túnicas indianas e que já ficara preso por fabricar e vender LSD. Em seu julgamento, disse ao Juiz que este deveria experimentar o LSD antes de julgá-lo, no entanto, o juiz recusou a sugestão de Friedland, afirmou que não precisava expandir sua mente para definir a punição e o condenou a dois anos (BUTCHER, 1993).

Foi com este amigo que Jobs iniciou sua busca espiritual, fez experimentações com alimentação, como comer apenas frutas para purificar o corpo e assim não precisar mais tomar banho, o que não teve muito sucesso (MOISESCOT, 2010).

No semestre seguinte, Jobs não se matriculou. Em uma palestra à turma de formandos de Stanford, a universidade que achava careta, em 2005, ano de lançamento do Ipod Nano28, apresentou um pouco deste itinerário e mostrou aos jovens a importância de descobrir o que realmente os agrade e de realizar tudo com a maior perfeição possível, como se fosse o último dia de vida, para ser bem sucedido na área dos negócios.

Após seis meses, eu não via valor naquilo. Eu não tinha ideia do que fazer da minha vida e como a universidade poderia me ajudar a descobrir. E eu estava lá, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado a vida inteira. Então eu decidi sair e confiar que tudo daria certo. Naquela época, foi muito assustador, mas olhando para trás, foi uma das melhores decisões que já tomei. No momento em que sai, pude parar de assistir às aulas obrigatórias que não me interessavam e comecei a assistir as que pareciam interessantes. Não foi tudo romântico. Eu não tinha um dormitório, então eu dormia no chão de quarto de amigos, devolvia garrafas de coca-cola para ganhar 5 centavos para poder comprar comida e andava 7 km pela cidade aos domingos à noite para ter uma boa refeição no templo Hare Krishna. Eu adorei (Jobs, 2005).

Mesmo não tendo se formado, Jobs consta nas propagandas do Reed College. Segundo o site da universidade,; sua experiência ali foi importante para se tornar um programador.29

Enquanto isso, Wozniak estava entretido com seu novo emprego na HP, onde trabalhava em circuitos de calculadoras. Cada vez mais os computadores ficavam distantes e ficou ali por quatro anos.

Jobs, ao voltar para Califórnia, em 1974, estava disposto a juntar dinheiro para uma viagem à Índia e, para tal, conseguiu um emprego em uma empresa que tinha acabado de ser fundada em Sunnyvale, a Atari.

A Atari (termo do jogo Go, quando o oponente não tem opções de movimentos) fora criada por Nolan Bushnell, que também residia no vale de Santa Clara, em 1972. O primeiro jogo desenvolvido era baseado na simulação de uma nave espacial em que dois jogadores podiam disparar mísseis um contra o outro, chamado de Computer Space.

Jobs convidou Wozniak para trabalhar na Atari e, convenceu Bushnell de que, com a ajuda do amigo, seria possível desenvolver jogos que utilizassem menos chips. Ali, os dois desenvolveram o jogo Breakout30, projetado por Wozniak, como afirma em sua biografia, enquanto Jobs apenas conectava os chips. Ao final, Jobs afirmou ao amigo que tinha recebido a quantia de 700 dólares, dando-lhe a metade do valor. No entanto, o enganou, pois recebeu 7000 dólares (BUTCHER, 1993).

Ele recebeu uma quantia mas me disse que recebeu outra. Steve não foi honesto comigo e isso me feriu. Mas não fiz grande alarde a respeito. […] Ainda não entendo por que ele recebeu determinado valor e me disse ter recebido outro. Mas as pessoas são diferentes. De forma alguma me arrependo da experiência na Atari com Steve Jobs. Ele era meu melhor amigo e ainda me sinto extremamente ligado a ele. Desejo tudo de bom para Steve (WOZNIAK, 2011, 120).

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