5.4 External explanations – National political context
5.4.1 Political context in the US
A teoria motivacional é muito discutida na administração escolar. O mais citado entre seus autores é Abraham Maslow com sua famosa pirâmide das necessidades. Maslow que publicou em 1970 divide sua pirâmide das necessidades em níveis hierárquicas que vão de baixo para cima como ilustra a figura abaixo:
Figura 1: Pirâmide das Necessidades de Abraham Maslow (1970). In Chiavenato (2000, p. 128).
Os professores estrangeiros se encontrariam no mínimo no terceiro nível da pirâmide. Ao serem questionados sobre sua motivação/realização na atividade que exercem quase todos os professores responderam de forma afirmativa alegando o seguinte: “gosto do meu trabalho, pois me proporciona aprendizagem contínua”; “gosto
muito da tarefa docente, me encanta trabalhar no nível superior”; “gosto de ensinar e
acho que posso ser útil para os alunos”; “o trabalho motiva por estar engajado”; “gosto muito de trabalhar com os alunos e de fazer pesquisa e extensão. É muito enriquecedor”; “gosto do assunto de trabalho e também das trocas de ideias/experiências com os alunos”; Esses dizeres demonstram realmente que os docentes pesquisados estão motivados com a atividade que exercem no Brasil. De toda sorte a literatura sobre motivação aponta dois principais aspectos que dão um sentido a um trabalho: um contexto formado por elementos extrínsecos a atividade exercida e que
podem ser a estrutura e todos os fatores higiênicos ao trabalho, ou seja, as condições do trabalho (salário justo e aceitável, estabilidade no emprego, vantagens apropriadas, segurança, saúde e processos adequados) e o conteúdo que representa os elementos intrínsecos ao trabalho, ou seja, o trabalho em si (variedade e desafios, aprendizagem contínua, margem de manobra, autonomia, reconhecimento e apoio, contribuição social que faz sentido, um futuro desejável) (KETCHUM & TRIST apud MORIN, 2001, p. 8- 19).
A maioria encontrou um bom espaço profissional que propicia retornos de crescimento pessoal e profissional, relações profissionais que oferecem coesão no cotidiano do trabalho, uma boa equipe de coordenação. O grupo também alegou estar no melhor momento para sua realização profissional, tem encontrado às vezes dificuldade no processo comunicacional com barreiras que desnorteiam o trabalho e acreditam ter perfil de liderança suficiente e sala de aula para líder com os alunos. Quase nenhum afirmou ter recebido a devida preparação para enfrentar as tarefas que realiza na universidade confirmando os dizeres acima citados. O estabelecimento de vínculos profissionais que é algo importante na qualidade de vida no ambiente do trabalho tem sido algo nem sempre fácil para todos os professores estrangeiros. Nem sempre soluções são encontradas para os desafios propostos no espaço de sala de aula. Existe algum tipo de apoio no ambiente profissional mesmo com as reclamações de uma boa parcela dos entrevistados.
No entanto, problemas como: atrasos nas obras que influenciam na estrutura, os processos burocráticos, falta de reuniões e de comunicações entre outros foram elencados por alguns. O que se nota é a mesma realidade vivida por todos aqueles que se encontram no espaço universitário. Os problemas e distorções nas condições de trabalho sempre estarão à tona ainda mais nos países com baixos investimentos na área como o Brasil.
Ao declarar seus níveis salariais, vê se que a maior parte dos professores estrangeiros tem um salário alto por serem adjuntos ou mais. Comparando aos níveis salariais de muitos países, pode-se afirmar que eles têm trabalhando no Brasil, os docentes estrangeiros conseguem estar na categoria que têm as rendas mais altas, o que consiste em uma motivação a mais na carreira. Certamente se comparado aos salários dos executivos trazidos de fora, seus salários podem ser considerados baixos. No entanto, isso não esconde à insatisfação geral dos professores universitários no diz que
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respeito aos seus ganhos se comparados com outras carreiras do país, como a do poder legislativo e/ou judiciário. Isso faz com o que o professor estrangeiro se envolva nessas lutas por melhoria das condições docentes de maneira geral. Não estamos afirmando de maneira nenhuma que o salário consiste na principal motivação profissional desses professores até porque em momento algum isso foi sobressaiu ao se tratar desse quesito, o que mais se ouviu refere-se à oportunidade de atuação e de crescimento, como confirma a fala desse docente.
Se comparada à universidade no meu país, o Brasil está muito a frente, mas pela riqueza gerada no país, se existisse mais investimentos na ciência e tecnologia, podíamos estar muito longe quem sabe até nos patamares dos países de primeiro mundo, pois temos os recursos humanos, o know how, o talento e a vontade de sermos os melhores. O que falta é apenas mais dinheiro para melhorar a estrutura para pesquisa. Aqui, temos tudo para realizar ótimas pesquisas e dar resultados extraordinários. (Professor chinês, Matemático, 17 anos de Brasil).
Outro professor na ocasião da conversa tida no momento do preenchimento do questionário alegou que:
O problema não é até o grande problema, pois se o cara produz, tem outros mecanismos de complementação da renda, como as bolsas do CNPq, CAPES, os projetos financiados etc., mas a questão maior é a estrutura e, sobretudo, uma política voltada à pesquisa aplicada com os alunos. Temos sérios problemas como os tamanhos dos laboratórios e sua manutenção, às vezes quebram ou avariam uma peça, e você fica parado muito tempo até que se termine o processo burocrático para sua aquisição, tem licitação, tomada de preço, pregão e um monte de nomes que eu nem sei, isso desanima e reduz nossa motivação. Mas, se não fosse isso, a gente poderia estar bem melhor (Professor cubano, administrador, 9 anos de Brasil)
Ou seja, temos vários mecanismos de motivação que variam de acordo com aquilo que a pessoas dê valor no trabalho. Encontramos as mais diversas respostas como a do professor inglês do Departamento de Antropologia que acredita que:
É difícil falar de motivação no ambiente acadêmico, ainda mais para min que está perto da aposentadoria, digamos que aguentamos, pois passamos por ciclos, cada governo que chega trata a universidade de uma forma, dependendo do governo como a atual, podemos ter ganhos em alguns aspectos e perder em outros, então a balança nunca está equilibrada, o que temos é trabalhar com a realidade. Também além da estrutura, dos colegas de trabalho, temos também os alunos que aumentam e reduzam nossa vontade
de permanecer na carreira, então eu falaria de vontade e talvez de sentimento de satisfação por estar formando gente, mas não de motivação (Professor Inglês, antropólogo, 26 anos de Brasil)
São realmente essas diversas apreensões que podem ser encontradas nas entrelinhas dos trechos de falas quando se trata de motivação no ambiente de trabalho. Mas, o que podemos concluir é que de maneira geral e de acordo com os dados desta pesquisa, pode-se se afirmar que o professor estrangeiro está motivado para seu trabalho na universidade brasileira.