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4. STRATEGISK ANALYSE

4.1 E KSTERN BRANSJEORIENTERT ANALYSE

4.1.1 PESTEL

A implantação do tratamento supervisionado no ambulatório de tisiologia de Bauru pode ser considerada um avanço do Programa Municipal de Controle da Tuberculose, principalmente por ter proporcionado maior integração da equipe e dos gerentes do serviço. A concordância dos profissionais com a implantação dessa nova estratégia, demonstra a persistência, no serviço público, da vontade de melhorar sua prática e, que a acomodação e o conformismo não são características desse grupo.

A implantação do tratamento supervisionado de maneira gradativa e adaptada para duas vezes por semana, ocorreu devido às dificuldades operacionais concretas que a equipe identificava. Mesmo assim parece ter sido acertada, porque houve a expansão da cobertura logo nos meses subseqüentes e a ocorrência do abandono no grupo de doentes em tratamento supervisionado foi reduzida. A elaboração de rotinas para os procedimentos implantados representou um esforço importante para a organização do serviço frente à nova estratégia. Isto permitiu à equipe enfrentar e superar as dificuldades e os imprevistos que surgiram nos primeiros meses de atividade.

Os bons resultados iniciais, ainda que modestos, evidenciados por esta primeira avaliação, poderão contribuir para que se dê continuidade ao tratamento supervisionado, ampliando sua cobertura, descentralizando suas atividades através de parcerias com outros serviços e programas de saúde, implantando ações de supervisão continuada e aumentando o número de profissionais comprometidos. A avaliação contínua dos resultados poderá representar o estímulo necessário e indispensável à continuidade das atividades propostas, além de permitir sua readequação constante.

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Considerações Finais

O grupo de doentes de tuberculose pulmonar estudado era composto por adultos jovens, principalmente do sexo masculino, de baixa escolaridade e pequeno poder aquisitivo com, na maioria das vezes, ocupação indefinida.

A limitação da oferta para participarem do tratamento supervisionado pode ter restringido a variedade de suas observações a respeito das dificuldades em aderir.

As dificuldades alegadas pelos doentes abordados foram, além da distância, principalmente o horário de trabalho coincidente com o horário de funcionamento do ambulatório. A possibilidade de mudança nos horários de atendimento de alguns serviços de saúde deve ser cuidadosamente pensada e, ainda, a descentralização do atendimento de doentes de tuberculose através do maior envolvimento dos profissionais do Hospital Psiquiátrico, do Ambulatório de Saúde do Trabalhador e do Programa de Agentes Comunitários de Saúde. Evidentemente, que se o município pudesse contar também com a implantação do Programa de Saúde da Família e com a expansão do Programa de Agentes Comunitários para maior número de bairros, o controle dos doentes de tuberculose e o desenvolvimento de ações de prevenção, poderiam dar um salto de qualidade.

Este estudo mostra que uma das contribuições importantes da implantação do tratamento supervisionado foi o estímulo para que os profissionais de saúde envolvidos, retomassem com empenho sua função educativa no controle da tuberculose.

As entrevistas com os doentes mostraram que eles se sentiam muito valorizados por receberem informações sobre a doença, tanto individuais quanto em grupo.

Por outro lado, era previsível que o empenho dos profissionais na parte educativa não tivesse, nesse primeiro momento, a repercussão e o impacto esperado, junto aos doentes. Esses

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Considerações Finais

permanecem com sua própria representação da doença, com múltiplos fatores interferindo, entre eles o preconceito milenar a respeito da tuberculose, cujos mitos e crendices ainda são evidentes na sociedade contemporânea.

Houve maior grau de mudanças de comportamento dos doentes em relação às pessoas do que o inverso, possivelmente fundamentadas nos conhecimentos leigos previamente adquiridos e incorporados de forma consciente ou inconsciente, expressadas através de atitudes como: parar de fumar, de beber, de tomar café, de tomar gelado e também, sentir tristeza, depressão e medo de morrer.

As declarações dos doentes mostram claramente não apenas o impacto da doença em suas vidas e na de seus familiares, bem como, a necessidade de os profissionais relevarem sempre tal impacto e enfrentarem, sem desistir, as dificuldades de um longo processo educativo mútuo exigido por uma doença com as características da tuberculose.

O abandono no grupo de doentes acompanhados em tratamento auto-administrado foi significativamente maior do que no grupo acompanhado em tratamento supervisionado, apesar de os primeiros doentes em tratamento supervisionado serem justamente aqueles com maior dificuldade de adesão.

Mais de um terço dos doentes entrevistados interrompeu a medicação por alguns dias durante o tratamento, mesmo estando parte deles sendo acompanhados em tratamento supervisionado. Essa realidade mostra a necessidade de busca de novas formas de abordagem dos doentes, no intuito de tentar minimizar essa forma subliminar de abandono, que pode ser responsável por uma resposta menos favorável à terapia, por algumas recidivas e até pela possível evolução para a multirresistência.

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Considerações Finais

Embora mais da metade dos doentes tenha considerado o tratamento longo e cansativo e 21% deles tenham revelado a presença de efeitos colaterais atribuídos aos medicamentos, surpreendentemente, os doentes que interromperam o tratamento por alguns dias, deram outras explicações para esse comportamento, alegando esquecimento ou o uso de bebidas alcóolicas e outras drogas.

Ao concluirmos que a taxa de abandono encontrada ainda está muito elevada e que a taxa de cura da doença permanece insatisfatória, entendemos que o tratamento supervisionado não deve ser considerado a única solução para a problemática da tuberculose, mesmo que propicie aos serviços repensarem suas práticas em busca de novas formas de controle do abandono e redução da multirresistência.

Cabe aos gestores evitarem a descontinuidade das ações de controle da doença e garantirem a manutenção de equipes estruturadas e motivadas. É importante a interação das três esferas de governo: federal, estadual e municipal, para disponibilizar os recursos cognitivos, técnico-normativos e financeiros, necessários ao efetivo controle da doença no país.

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