• No results found

Diversos estudos relatam tipos de inovações gerados por meio de redes de cooperação (HANNA; WALSH, 2002; BALESTRIN; VARGAS; FAYARD, 2005; BOEHE et al. 2004; DOTTO; WITTMANN, 2004; MACADAR, 2004; PEREIRA; PEDROZO, 2004; CHIPIKA; WILSON, 2006, entre outros). Para Tidd, Bessant e Pavitt (2005), as organizações que inovam em rede conseguem reduzir os custos de desenvolvimento tecnológico, reduzir os riscos, buscar economias de escala de produção ou reduzir o tempo de desenvolvimento e comercialização dos novos produtos. Para Nakano (2005), as redes de cooperação têm sido apontadas como uma nova fonte de inovação, pois apresentam ambientes nos quais os conhecimentos podem ser gerados de forma mais eficiente e rápida. A existência de um fluxo de informações e materiais entre as organizações participantes possibilita-lhes manterem-se atualizadas quanto ao desenvolvimento do setor de inserção, e a soma de esforços permite- lhes a criação de diferentes inovações.

Com base na definição de inovação em redes de cooperação proposta nesta discussão, nota-se que os quatro tipos de inovação propostos no Manual Oslo (OCDE, 2006) contemplados no nível organizacional, também podem ser contemplados no nível de redes, pois, apesar das redes de cooperação possuir um volume maior de recursos e aprendizado, elas estão imersas no mesmo mercado que as organizações individuais. Por isso, necessitam promover mudanças em matérias-primas, produtos, processos, organizacional ou marketing, como forma de superar limitações provenientes de aspectos internos e externos relacionados a criação de vantagem competitiva. Dessa forma, vale destacar que uma inovação de produto, da mesma forma que nas organizações individuais, pode ser percebida nas redes de

cooperação como “a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado no que concerne a suas características ou usos previstos, incluindo melhoramentos significativos em especificações técnicas, componentes e materiais, softwares incorporados, facilidade de uso ou outras características funcionais” (OCDE, 2006, p. 12).

As inovações de produto podem utilizar novos conhecimentos ou tecnologias, ou podem basear-se em novos usos ou combinações para conhecimentos ou tecnologias existentes. O termo produto abrange tanto bens como serviços. As inovações de produto incluem a introdução de novos bens e serviços, bem como melhoramentos significativos nas características funcionais ou de uso dos bens e serviços existentes. Novos produtos são bens ou serviços que diferem significativamente em suas características ou usos previstos dos produtos previamente produzidos na rede. Por sua vez, melhoramentos significativos para produtos podem ocorrer por meio de mudanças em materiais, componentes e outras características que aprimoram seu desempenho (OCDE, 2006).

O segundo tipo de inovação é a de processos. O Manual Oslo (OCDE, 2006, p.58) define uma inovação de processo como: “a implementação de um método de produção ou distribuição de um processo novo ou significativamente melhorado. Incluem-se mudanças significativas em técnicas, equipamentos e/ou softwares”. As inovações de processo nas redes de cooperação podem reduzir custos de produção ou de distribuição, melhorar a qualidade, ou ainda, produzir e distribuir produtos novos ou significativamente melhorados. Os métodos de produção envolvem as técnicas, equipamentos e softwares utilizados para produzir bens e serviços. Já os métodos de distribuição dizem respeito à logística, equipamentos, softwares e técnicas para fornecer insumos, alocar suprimentos ou entregar produtos finais (OCDE, 2006).

O terceiro tipo de inovação contido na definição do Manual Oslo (OCDE, 2006, p.59) trata-se da inovação de marketing que compreende: “a implementação de um novo método de marketing com mudanças significativas na concepção do produto ou em sua embalagem, no posicionamento do produto, em sua promoção ou na fixação de preços”. Dessa forma,

inovações de marketing são voltadas para melhor atender as necessidades dos consumidores, abrindo novos mercados ou reposicionando os produtos da rede no mercado existente, com o objetivo de aumentar as vendas. As inovações de marketing em redes de cooperação podem compreender mudanças substanciais no design do produto, constituindo um novo conceito de marketing. Mudanças de design do produto referem-se às mudanças na forma e na aparência do produto que não alteram as características funcionais ou de uso. Por sua vez, novos métodos de marketing em posicionamento de produtos envolvem, primordialmente a

introdução de novos canais de vendas. Os novos métodos de marketing em promoção de produtos envolvem o uso de novos conceitos para promover produtos ou serviços. As inovações em fixação de preços compreendem o uso de novas estratégias de fixação de preços para comercializar os bens ou serviços da rede (OCDE, 2006).

No quarto tipo de inovação proposto no Manual Oslo (OCDE, 2006) tem-se inovação organizacional. Define-se como inovação organizacional “a implementação de um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do seu local de trabalho ou em suas relações externas” (OCDE, 2006, p. 61). Dessa maneira, inovações organizacionais podem visar à melhoria do desempenho da rede por meio da redução de custos administrativos ou de custos de transação, estimulando a satisfação no local de trabalho, ganhando acesso em ativos não transacionáveis ou reduzindo os custos de suprimentos.

Os aspectos distintivos da inovação organizacional comparada com outras mudanças organizacionais que podem acontecer na rede, tratam-se da implementação de um método organizacional (em práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas) que não tenha sido usado anteriormente e que seja o resultado de decisões estratégicas tomadas por seus gestores. Assim, conforme define o Manual Oslo, “as inovações organizacionais em práticas de negócios compreendem a implementação de novos métodos de rotinas e procedimentos para a condução do trabalho (OCDE, 2006, p.124).

Portanto, as inovações na organização do local de trabalho envolvem a implementação de novos métodos para distribuir responsabilidades e poder de decisão entre os empregados na divisão de trabalho e entre essas atividades. Participam também novos conceitos para a estruturação de atividades, tais como a integração de diferentes atividades de negócio. Novos métodos organizacionais nas relações externas da rede podem compreender a implementação de novos meios para organizar as relações com outras organizações ou instituições públicas, tais como: estabelecimento de novos tipos de colaborações com organizações de pesquisa, consumidores, novos métodos de integração com fornecedores, uso de outsourcing ou a introdução da subcontratação das atividades de negócios na produção, no aprovisionamento, na distribuição, no recrutamento e em serviços auxiliares (OCDE, 2006).

Estes quatro tipos de inovações propostos no Manual Oslo (OCDE, 2006) constituem- se em inovações que surgiram a partir da tipologia proposta por Schumpeter (1982), portanto, compatíveis com o conceito de inovação em redes de cooperação proposto. No entanto, nesta tese, considera-se ainda para as redes de cooperação um quinto tipo de inovação, caracterizado como inovação em matérias-primas. Essa inovação é adicionada a esta tipologia, como base em Schumpeter (1982), por compreender que em redes de cooperação

com enfoque produtivo, inovações em matéria-prima podem constituir-se em importantes instrumentos de geração de vantagem competitiva para as redes, bem como à adaptação de mudanças que ocorrem no contexto de inserção das mesmas. Portanto, ganhando destaque como um tipo de inovação há ser considerado. Nesses termos, vale ressaltar que a inovação em matéria-prima é definida por esse autor, como o desenvolvimento de fornecedores ou novas fontes de materiais utilizadas no processo produtivo (SCHUMPETER, 1982).

Assim, sintetizando as ideias apresentadas neste tópico, o quadro a seguir resume os tipos de inovação que podem ser relacionados com as redes de cooperação tendo em vista a superação de limitações durante seu processo evolutivo.

Tipo de Inovação Descrição das inovações

Inovação de produto Melhoramentos significativos em especificações técnicas, componentes e materiais, softwares incorporados, facilidade de uso ou outras características funcionais.

Inovação de processo Mudanças significativas em técnicas, equipamentos e/ou softwares relacionados ao processo produtivo. Inovação organizacional Implementação de novas práticas para melhorar o

gerenciamento de atividades e o compartilhamento do aprendizado e do conhecimento no interior da rede. Inovação de Marketing Mudanças significativas na concepção do produto ou

em sua embalagem, no posicionamento do produto, em sua promoção ou na fixação de preços.

Inovação em matéria-prima Desenvolvimento de novos fornecedores ou fontes de matérias-primas utilizadas no processo de produtivo.

Quadro 2 Tipos de inovações em redes de cooperação Fonte: adaptado de OCDE (2006) e Schumpeter (1982)

Assim, como resultado das inovações, as redes de cooperação crescem e desenvolvem- se como novas estruturas organizacionais. Dessa maneira, no próximo tópico, são apresentados as principais metodologias de geração de modelos de inovação capazes de sistematizar de forma prática como esse processo acontece na realidade das redes. Por isso, são discutidos, de forma específica, modelos lineares de inovação, bem como aqueles que abordam a inovação como um processo interativo.