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De acordo com o modelo de estudo investigado, as variáveis determinantes à inovação e os indicadores considerados foram, respectivamente: proximidades entre empresas (geográfica, tecnológica, organizacional), influências institucionais (política/legal e estruturas institucionais); condições de demanda (mercados consumidores e fornecedores); fatores condicionantes (fatores produtivos, fornecedores e mercados); relação entre indústrias; estratégia, estrutura e rivalidade entre empresas (relações mantidas com empresas do setor e fora do setor). Os resultados apresentados sobre os determinantes à inovação foram gerados por meio seção 2 do roteiro de entrevistas considerado.

O quadro a seguir demonstra como os determinantes à inovação foram percebidos durante desenvolvimento da APROVALE. É importante mencionar que os resultados que demonstram esses determinantes se configuram em elementos que, também, podem estar relacionados com as explicações sobre como essa rede de cooperação conseguiu gerar inovações demandadas pelo mercado e por seus associados, no sentido de avançar na sua trajetória evolutiva. Vale destacar que a fase de desenvolvimento que compreende a análise dos resultados apresentados condiz com o período de 2007 a 2009, portanto, alterações que ocorreram nesse contexto após esse período, não foram analisadas nesta pesquisa em virtude do encerramento da coleta de dados.

Indicadores determinantes à

inovação EMBRAPA Uva e Principais aspectos observados por ator central

Vinho IBRAVIN Gerência Executiva da APROVALE Proximidade geográfica

(Code36 = 28 incidências) Existia, com sedes localizadas no município de Bento Gonçalves Existia, com a sede localizada dentro do Vale dos Vinhedos

Proximidade tecnológica

(Code38 = 24 incidências) Existia, com associados somente produtores por meio da difusão de tecnologias

relacionadas ao plantio e produção

Existia somente entre grandes vinícolas por envolver questões relacionadas à promoção e articulação de macro ações

Continuou não existindo por temas de interesse não compreenderem somente questões relacionadas com atividades produtivas, mas sim, políticas e sociais. Proximidade organizacional

(Code37 = 26 incidências) Não existia, pois estes atores constituíam-se em estruturas organizacionais distintas, com abrangência institucional Influências de estruturas institucionais (Code40 = 34 incidências) Exercia porque as normas e procedimentos técnicos adotados estavam relacionados com organizações e institutos de pesquisa de maior abrangência. Portanto, suas atividades não podiam diferenciar-se muito de padrões de qualidade já adotados no setor global de vinhos finos certificados Exercia porque as estratégias de articulação e promoção comercial do setor (e da rede) estavam condicionadas às melhores práticas já estabelecidas no mercado, um exemplo são os padrões de comportamento que as vinícolas seguiam na participação de eventos e concursos internacionais Exercia devido ao aumento da abrangência da rede, na qual, suas atividades começaram agregar outras instituições relacionadas ao contexto de inserção da rede. Da mesma forma, este processo recebia também influências diretas de instituições do setor e de fora dele, sejam relacionadas com questões sociais ou econômicas

Demanda de mercado

(Code41 = 25 incidências) O mercado demandava desse ator o desenvolvimento econômico e social do contexto do setor vitivinícola nacional, inclusive relacionando o mesmo com outras culturas frutíferas

O mercado demanda desse ator uma maior competitividade mercadológica dos produtos e serviços destinados aos mercados externo e interno O mercado demandava desse ator uma postura de centralização das atividades relacionadas ao contexto de inserção da rede, principalmente no nível local e regional Condições produtivas

(Code43 = 18 incidências) Existência de recursos financeiros e humanos especializados Existência de recursos financeiros advindos de 25% do FUNDOVITIS, bem como recursos humanos especializados Existência de recursos organizacionais (imagem) dada a alta credibilidade da rede no contexto local/regional de inserção Relacionamentos mantidos no setor (Code46 = 23 incidências)

Vínculos estabelecidos com as empresas da cadeia produtiva de vinhos e espumantes, inclusive com os associados APROVALE, bem como com as demais redes criadas a partir do modelo APROVALE

Relacionamentos mantidos fora do setor (Code47 = 19 incidências) Vínculos estabelecidos com universidades e institutos de pesquisas brasileiros e internacionais Vínculos estabelecidos com empresas públicas, particulares, entidades relacionadas ao setor em questões comerciais no nível nacional e internacional Vínculos estabelecidos com empresas associadas e não associadas, entidades internas e externas ao setor e ao poder público Concorrência direta

(Code48= 26 incidências) Inexistência de outras instituições de fomento quer sejam públicas ou

Inexistência por não existir outra agência no Brasil na promoção e

Existência de competição com outras associações no Brasil e

privadas articulação de ações de Marketing junto ao setor

indicações geográficas / DOC internacionais

Quadro 46 Determinantes à inovação no desenvolvimento da APROVALE Fonte: tratamento e análise de dados

De acordo com os resultados apresentados como determinantes à inovação na fase de desenvolvimento da rede, foi constatada que a proximidade geográfica entre os atores centrais e os demais continuou prevalecendo, ou seja, mesmo com a incorporação de novos atores junto à rede, a proximidade geográfica continuou existindo entre eles. Vale destacar, conforme já mencionado, que o estado do Rio Grande do Sul concentra 95% da produção de vinhos finos e espumantes no Brasil (APROVALE, 2009). Por esse motivo, as instituições que compõem este setor, na sua maioria, estão concentradas nesse estado.

Quanto à proximidade tecnológica, percebe-se que a mesma continuou inexistindo entre todos os atores centrais da APROVALE com os demais associados na fase de desenvolvimento examinado. O tamanho e a diversidade de atores que compuseram a rede nesse período constituíram-se como importantes justificativas desta condição. Por exemplo, a EMBRAPA Uva e Vinho, devido à inclusão de novos ramos de negócio não relacionados diretamente com a elaboração ou distribuição de vinhos finos e espumantes, começou a se distanciar tecnologicamente de associados que não eram produtores, pois envolvia negócios de fruta de caroço e maçã.

O IBRAVIN, por sua vez, devido ao envolvimento com a articulação de macro ações, possuía somente proximidade tecnológica com atores expressivos da rede. Um exemplo pode ser verificado na definição e elaboração de pesquisas junto aos mercados consumidores. Grandes vinícolas, como a Chandon Brasil e a Miolo Wine Group desenvolveram por conta própria, estudos relacionados à preferência de consumo, em nível nacional. Portanto, nestes moldes, equiparadas a esse ator central. No entanto, empresas menores, ficavam bastante aquém da capacidade tecnológica desse ator central. Não dominando algumas técnicas de leitura de mercado ou mesmo estratégias promocionais.

Um ponto importante ainda referente à proximidade tecnológica pode ser verificado com a continuidade da distância tecnológica entre a Gerência Executiva da APROVALE junto aos demais atores envolvidos com a rede APROVALE, conforme pode ser observado em Kaufmann e Tödtling (2000) é esperado que um ator central devesse ser equivalente tecnologicamente aos demais atores que fazem parte da rede para consolidar o papel de centralidade. No entanto, conforme já explanado na fase de consolidação, os temas de interesse da Gerência Executiva da APROVALE ganharam outras orientações com cunhos

políticos e sociais, as quais, não necessariamente, eram de interesse direto de todos os associados e muito menos, necessitavam de equipamentos e técnicas avançadas para sua efetivação. Aumentando com isso, o distanciamento tecnológico com os associados.

A proximidade organizacional continuou não existindo entre as empresas e instituições que se relacionavam com a APROVALE na fase de desenvolvimento, tampouco, com os atores centrais definidos nesse estágio. Mesmo, entre as pequenas vinícolas, que compartilhavam de estruturas familiares na gestão dos negócios, cada uma detinha processos organizacionais que a diferenciava das demais, sejam estas diferenças provocadas por fatores internos, tais como, os recursos envolvidos, sejam por fatores externos, como aqueles relacionados com padrões culturais e influências institucionais. Este fato acabou dando um contorno diferenciado à rede, ou seja, para quem observava a rede externamente, percebia um todo homogêneo. Várias vinícolas muito semelhantes em sua estrutura organizacional. No entanto, examinando detalhes destas estruturas, percebe-se diversidades e complexidades únicas em cada ator analisado, sejam relacionadas a gestão interna da vinícola ou sua visão de mercado. Por isso é válido afirmar que, nessa fase, não existia proximidade organizacional entre todos os atores da rede.

Os resultados demonstram ainda que durante a fase desenvolvimento da rede APROVALE, todos os atores centrais influenciaram institucionalmente os demais associados, bem como sofreram influências do seu contexto de inserção. A EMBRAPA Uva e Vinho continuava exercendo influência institucional por meio de normas e procedimentos técnicos relacionados ao plantio e à produção de vinhos finos e espumantes, inclusive, gerindo com regras rígidas o processo relacionado às atividades que ocorriam no dia a dia das vinícolas associadas à APROVALE em termos de controles técnicos. Todavia, percebe-se que essas influências, apesar de existirem, não eram vistas satisfatoriamente pelos associados produtores.

Entre os resultados obtidos nas entrevistas um ponto chama a atenção para a queda de quase 40% da quantidade de garrafas certificadas com o selo de procedência Vale dos Vinhedos entre os associados da APROVALE, durante o período de 2002 a 2007. Ressalta-se que esta certificação representa um exemplo das influências institucionais exercidas por meio da EMBRAPA Uva e Vinho, uma vez que o selo de controle consistia na materialização da indicação de procedência criada. A tabela abaixo apresenta a quantidade de vinhos elaborados pela rede APROVALE destinados ao mercado versus a quantidade de vinhos certificados com o selo de controle de procedência durante 2002 a 2007.

Tabela 1 Quantidade de vinhos elaborados versus certificados

SAFRA VINHO FINO ELABORADO

TOTAL DE GARAFAS VINO FINO ELABORADO TOTAL DE GARAFAS COM SELOS

2002 7.416.170 2.120.973 2003 10.249.490 1.983.525 2004 12.478.149 2.349.333 2005 12.858.373 2.299.087 2006 9.170.196 1.751.192 2007 9.985.780 1.652.667 Fonte: APROVALE (2009)

Com base nesses resultados, a queda percebida na utilização dos selos pode ser explicada por dois motivos: o primeiro compreende o alto custo de produção que o setor vitivinícola possui no Brasil. Como o selo de procedência foi cobrado das vinícolas durante o período analisado, acabou onerando ainda mais o custo de produção dos produtos. Para muitos gestores das vinícolas, a grande maioria do consumidor brasileiro ainda não consegue reconhecer o selo de procedência como um indicador confiável de qualidade do produto. Portanto, para estes associados, o selo nada agregou em termos de vendas, o que pode explicar, em parte, a queda de utilização.

O segundo motivo refere-se ao incremento do valor da marca das vinícolas associadas à APROVALE após a fase de consolidação da rede. Esse fato aconteceu porque algumas das pequenas organizações da região do Vale dos Vinhedos se transformaram em grandes vinícolas, tornando suas marcas próprias mais importantes que a da rede perante o mercado consumidor. Por essa razão, nessas organizações, o selo de procedência não foi mais capaz de agregar valor aos produtos, caindo em desuso.

No entanto, apesar de este indicador representar uma perda na força da influência institucional exercida por meio da EMBRAPA Uva e Vinho, nota-se que outros relacionamentos continuaram sendo decisivos na permanência deste ator central na determinação de normas e regulamento na rede. Entre outras ações, exemplos podem ser percebidos na forma de condução dos parreirais (sistema em espaldeira), na utilização de agrotóxicos e recolhimento das embalagens, processos industriais como a instituição de metodologias analíticas para determinação da razão isotópica do oxigênio em vinhos. Tais ações demonstram, com isso, importância decisiva das ações estabelecidas por esse ator para o desenvolvimento da rede em termos de qualidade e controle das atividades técnicas realizadas pelos associados.

O IBRAVIN também demonstrou exercer influências institucionais durante a fase de desenvolvimento da APROVALE. Essas influências compreenderam temas referentes à comercialização dos vinhos finos e dos espumantes no mercado interno e externo, principalmente, no sentido da definição de uma imagem para o vinho brasileiro: caracterizado

pela expressão francesa: terroir. Vale destacar que terroir significa a definição de quatro elementos fundamentais de um vinho: o solo, o clima, a cepa e a interferência do homem. Neste sentido, as influências institucionais estabelecidas por esse ator objetivaram por meio das ações de promoção e articulação no mercado consumidor, a definição e o reconhecimento de características próprias dos vinhos produzidos no Brasil, características essas, verificadas como ausentes no setor (TONIETO, 2007).

Ainda, notam-se as influências institucionais estabelecidas por meio da Gerência Executiva da APROVALE perante os outros atores participantes da rede. Essas influências estiveram relacionadas com a definição de normas e procedimentos vinculados à gestão estratégica da associação. Conforme já relatado, com o aumento do número de organizações associadas, diversos interesses pairaram sobre a rede. Uma das questões mais discutidas nesse período foi a supervalorização imobiliária que aconteceu dentro dos limites do vale, fazendo com que, em alguns casos, a atividade produtiva fosse relegada a segundo plano. Nessa direção, a Gerência Executiva da APROVALE exerceu influência decisiva para a preservação das características naturais da região com o estabelecimento de relacionamentos políticos com o contexto de inserção, mesmo que, algumas vezes, em um primeiro momento, não fosse percebida como uma decisão consensual entre os associados.

Os resultados sobre as condições de demanda, estiveram relacionados com a continuidade do desenvolvimento econômico e social das regiões produtoras abrangidas pela APROVALE. Todavia, nesta fase, essa demanda não era proveniente somente de organizações localizadas no Vale dos Vinhedos, mas sim, abrangendo outras indicações de procedência que foram criadas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Além dessa demanda por ações de orientação e resultados, nota-se ainda, que a EMBRAPA Uva e Vinho expandiu-se para outras culturas produtivas, como as frutas de caroço e maçã. O que agregou outras esferas do mercado também influenciando com demandas esse ator.

Com relação as demandas de mercado ao IBRAVIN, vale ressaltar que o projeto Wines from Brazil demandou desse ator soluções a várias questões e procedimentos técnicos de exportação e exposição internacional de produtos. Dentre as ações desenvolvidas por esse ator, vale destacar a realização de visitas comerciais promovidas junto ao continente asiático, como por exemplo, realizada em Cingapura, em abril de 2009. Essa demanda foi originada por meio da Miolo Wine Group, que, juntamente a outras vinícolas, estiveram participando com o propósito de estreitar laços com este mercado em potencial. As vinícolas apresentaram seus vinhos e espumantes, além de efetuar visitas técnicas em pontos de venda e contatos com importadores locais. Desse modo, o IBRAVIN por compreender que Cingapura constitui-se

no maior entreposto comercial do Sudeste Asiático, com participação expressiva na reexportação para outros países da região e Leste Asiático, apoiou e organizou esta ação. O que demandou deste ator, procedimentos e atividades específicos.

Por último, nota-se que as condições de demanda, que orientaram os relacionamentos estabelecidos por meio da Gerência Executiva da APROVALE, continuaram vinculadas à imagem de um ente centralizador para a gestão dos conflitos existentes na rede, ou seja, nessa fase de desenvolvimento, devido aos associados, que, em sua maioria, já possuíam uma estrutura organizacional individual ou obtida por meio de parcerias, capaz de suportar as demandas originadas no mercado, buscavam a Gerência Executiva da APROVALE para solucionar divergências de interesses que surgiam em torno do desenvolvimento de atividades de maiores abrangências, repercutindo efeitos em toda a rede. Também, a comunidade e o poder público local/regional, começaram demandar da Gerência Executiva da APROVALE decisões que objetivassem um maior desenvolvimento social da região, devido ao peso político que a mesma começou a desempenhar no contexto de atuação.

Da mesma forma que na fase de consolidação, foram percebidas diferenças entre os atores centrais no que condiz à análise de condicionantes produtivos analisados, principalmente, na natureza dos recursos envolvidos no estabelecimento dos relacionamentos. A EMBRAPA Uva e Vinho concentrava recursos financeiros e humanos na consecução de critérios definidores da Denominação de Origem Controlada Vale dos Vinhedos. O IBRAVIN, com a participação de 25% do FUNDOVITIS, detinha recursos financeiros para investimento em ações de promoção e desenvolvimento do mercado consumidor. Todavia, conforme observado nos relatos efetuados pelos gestores das vinícolas entrevistados, os recursos não eram suficientes para o desenvolvimento de todo o mercado. Os trechos observados abaixo ilustram esta questão:

O valor investido pelo IBRAVIN na divulgação dos vinhos produzidos aqui na região ainda não atende todas as necessidades do setor, como acontece na Argentina e no Chile. No entanto, contribuem com o desenvolvimento de todos (Trecho da entrevista com o diretor industrial da Vinícola Cordelier).

No começo, nós alugávamos um caminhão em conjunto e saíamos Brasil afora para procurar novos consumidores. Hoje, por meio do Wines from Brazil, existe até escritório para nós em diversos países do mundo. Inclusive com ajuda de custo (Trecho da entrevista com gerente de marketing da Miolo Wine Group).

A Gerência Executiva da APROVALE, por sua vez, conseguiu contornar a escassez de recursos observada na fase de consolidação por meio da valorização da imagem institucional junto ao contexto de inserção, o que gerou, de forma geral para a rede, maior visibilidade para as empresas associadas, sejam essas organizações produtoras ou não produtoras. Por meio desta ação, esse ator central obteve ganhos de imagem, vinculados à busca da qualidade

constante nos produtos, sem deixar de se preocupar com o bem-estar de seus consumidores. Vale notar, que Kotler e Armstrong (2008), ao definirem o conceito de marketing societal, identificam que a partir do momento que uma organização passa a estar preocupada com o meio no qual está inserida, está de fato construindo relacionamentos de agregação de valor, refletindo com isso, sobre um importante condicionante para o aumento da competitividade frente aos concorrentes.

Outro ponto de destaque na análise dos determinantes da inovação foi a relação existente entre indústrias. De maneira similar ao que aconteceu nas fases precedentes, os atores externos que mantiveram relações com os atores centrais da APROVALE tratavam-se de atores já atuantes no mercado, em sua maior parte, originados de outros setores já desenvolvidos, quer sejam de áreas relacionadas diretamente à cadeia produtiva dos vinhos finos e espumantes ou, indiretamente, em atividades ligadas ao turismo. No entanto, a partir desta fase, pode-se observar que instituições relacionadas ao poder público começavam a ter maior atuação, como foi o caso da Apex Brasil, da Secretaria de Desenvolvimento do estado do Rio Grande do Sul e da própria Secretaria de Turismo de Bento Gonçalves.

A importância dada aos atores públicos no desenvolvimento sustentável local, conforme proposto por Frey (2003), trata-se de uma ação com maior efetividade quando a mesma se dá por meio de redes interorganizacionais, o que garante, na visão desse autor, uma estratégia com desenho institucional capaz de mobilizar o capital social e garantir às comunidades locais acesso ao poder social e político. Da mesma forma, Balestrin, Vargas e Fayard (2005), indicam que a definição de políticas por meio de atores públicos que assumem projetos com interesses comuns constitui-se em um importante fator para o desenvolvimento de uma rede que objetive aumento de competitividade para seus associados.

Finalmente, nota-se a inexistência de competição em relacionamentos estabelecidos por meio da EMBRAPA Uva e Vinho e IBRAVIN. A justificativa pela ausência de competição em atividades desses atores centrais acontece devido à natureza institucional e aos propósitos coletivos objetivados. O mesmo não pode ser observado na Gerência Executiva da APROVALE, que, durante o desenvolvimento da rede, começou a competir com outras indicações de procedência no Brasil e no exterior. Apesar das novas indicações de procedência no Brasil possuírem um estágio de desenvolvimento inferior ao da APROVALE, as mesmas começaram a competir pelo mesmo mercado consumidor, seja na elaboração de vinhos finos e espumantes, seja no turismo. O mesmo acontece com outras associações internacionais provenientes do Chile e da Argentina, que durante esse período, beneficiadas por acordos industriais multilaterais brasileiros, ganharam maior espaço no mercado nacional.

Este fato resultou em um aumento de concorrência para os produtos provenientes dos associados da APROVALE.

Apresentados os resultados dos determinantes à inovação que se fizeram presentes durante o desenvolvimento da APROVALE, a seguir, os resultados que envolveram os determinantes à inovação nas três fases evolutivas da rede são discutidos e relacionados à luz das abordagens verificadas no marco teórico.