5 DEN POLSKE VELFERDSSTATENS ENDRINGER
6.1 Oppsummering av funn fra analysen
Para seguir apresentando as obras em diferentes condições espaciais e temporais, os artistas focam em certas temáticas e enfatizam recursos expressivos específicos, desenvolvendo, a cada apresentação, diferentes configurações na relação entre poética e dispositivo técnico.
No caso do coletivo de artistas AntiVJ, a projeção da luz em espaços tridimensionais é o principal elemento formal pesquisado. Os artistas do coletivo desenvolvem todos os aspectos técnicos e expressivos do processo, incluindo programação de software usado para gerar as imagens. As obras são desenvolvidas em diferentes estágios, a cada apresentação, e em algumas situações de interação anteriores ao acontecimento em tempo real.
Projeções de vídeo com uma abordagem voltada ao uso da luz e combinatórias de diferentes camadas de telas transparentes, elaboradas especialmente para seus trabalhos, criam formatos distintos da clássica tela retangular cinematográfica, usando espaços em seu entorno como superfície de projeção. Também usam técnicas híbridas como mapeamento, objetos e estruturas por eles desenhadas para tornarem-se superfícies de projeção das luzes, criando
diferentes espaços performáticos, com configurações imersivas geradas por visões panorâmicas com efeitos tridimensionais resultantes do uso das camadas.
Os recursos de diferentes camadas combinados formam diferentes perspectivas, volumes e profundidades, gerando um jogo com a percepção do público.
Um exemplo é a performance Murcof + SIimon Geilfus (AntiVJ), na qual telas transparentes em camadas funcionam como cenografias para projeção lumínica de imagens 3D programadas para serem acionadas através de interação com propriedades sonoras. O dispositivo cria um efeito de imersão, e o público sente-se em um “mar cósmico de estrelas”,177 enquanto o artista visual interage com o extrato
da execução sonora, transformando propriedades em camadas de imagens em movimento.
A abordagem da luz como principal elemento de suas poéticas confirma as reflexões de Doane 178 sobre os “regimes de visibilidade” do audiovisual
contemporâneo. A autora lança uma discussão em relação à instabilidade de definição dos regimes de visibilidades contemporâneos, conjugando os mesmos diretamente com a noção de poética como constituintes da emergência de novas formas de difusão das obras. É a partir da identificação desta instabilidade que a autora questiona as mídias digitais, problematizando-as como meio, focando na noção de materialidade que há́ no cinematográfico.
A partir de seu conceito de deslocamento das imagens para a imaterialidade específica do feixe de luz, a projeção questiona diretamente a ideia de materialidade da superfície de projeção, pois modifica a fonte de emissão e a localização da imagem que parece “palpável” ao público presente na performance.
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177 Esta interpretação é dos próprios artistas que falam sobre o trabalho no vídeo produzido para performance executada na Mostra On_Off (Itaú Cultural – São Paulo) – 2012 – Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=5kMhgBLYkI0 Acessado em 20/05/2014.
178 Em DOANE, Mary Ann. The Location of the image: cinematic projection and scale in modernity. In __________________. The emergence of Cinematic Time: Modernity, Contingency, the Archive. Cambridge, Massachusetts. London: Harvard University Press, 2002.
Figura 61 a 64 – Frames de Performance Murcof + SIimon Geilfus (AntiVJ) na mostra ON_OFF (Itaú Cultural, São Paulo, 2012)179
Embora cada artista busque seu estilo, nesse universo de performances audiovisuais há recursos expressivos que são recorrentes, como técnicas como sampleado, scratching, looping, remixagens e sincronismo entre imagens generativas e sons executados em tempo real.
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Também há o que Salter180 identifica como granulações digitais-binárias
típicas da cultura computacional e fragmentações da imagem e do som em pequenas células espaço-temporais, formando um universo de abstrações correlativas entre diferentes obras.
Figura 65 - Imagem de Equações, de Caio Fazolin na mostra Live Cinema (2013), projetada na fachada do prédio da Fundação Oi Futuro (RJ)181
Figura 66 - Imagem de The planck universe [micro], de Ryoji Ikeda182.
"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""" 180 2012, p. 174.
181 Fonte. Website mostra Live Cinema. Disponível em http://livecinema.com.br/portfolio/caio-fazolin/ Acessado em: 14 jun. 2015.
Verificamos, em trabalhos de diferentes artistas, semelhantes configurações abstratas, com projeções em superfícies alternativas à tela retangular cinematográfica, simulando o fluxo de informações e a linguagem binária da base de dados. É o caso dos trabalhos The planck universe, de Ryoji Ikeda e Equações, de Caio Fazzolin. Projetados em diferentes espaços, as performances apresentam alguns parâmetros visuais semelhantes, conforme a sequencia de 65 e 66.
Essas similitudes de linguagem formam o que pensamos como uma característica marcante deste tipo de trabalho, quando referimo-nos à simulação do fluxo de binário de informação, através de metalinguagem. Quando recorrente, esse recurso cria formas abstratas coincidentes cujos parâmetros poéticos ultrapassam a realidade tangível em um acontecimento específico, causando impactos sensoriais e de consciência coletiva típicos da cultura VJ e da convergência audiovisual.
Entre hardwares conectados a sistemas de softwares manipulados em tempo real, os artistas de performance audiovisual criam parâmetros responsáveis por uma expansão dos limites sensoriais, compondo uma mente corporificada que inclui o público a partir da não tangibilidade imagética coletiva e expansiva da linguagem. São o que Timothy Druckery183 chama de interfaces “póscorporais” e
“pósóticas”, de imagens com uma desintegração performativa cujas formas dissolvem-se, transmutam-se e transfiguram-se em diferentes parâmetros, aproximando-se mais de um estado mental que de uma condição corporal palpável.
Partindo de questionamento de Jonathan Crary, em Techniques of the Observer, sobre como o corpo, incluindo o corpo observado, pode ser pensado como um componente de novas máquinas no sentido mecânico, social, libidinal e social, Salter184 identifica a tensão entre o orgânico e o mecânico – e aqui incluímos o numérico-combinatório, mental e imaterial – como um dos temas centrais da teoria e da prática da performance com tecnologias digitais.
Para além de uma relação, considerada por Salter já ultrapassada, de prolongamento ou de uma visão turvada da relação corpo-máquina, há um processo de transformação mútua entre tecnologia e constituição física, como um conjunto corporal, um sistema mecânico-orgânico e sensorial. Nesta perspectiva, o corpo é pensado como uma tecnologia, um complexo de esqueleto-músculos, compondo um sistema fundado nas capacidades da mente corporificada.
"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""" 183 Apud Salter, 2012, p. 174. 184 p. 221.
Acompanhando o raciocínio de Salter sobre uma tensão do orgânico em relação ao mecânico como parte do sistema humano-maquínico, seguimos uma reflexão composta por um mapeamento focado nos experimentos e invenções nos quais a relação entre corpo e tecnologia serve à análise do movimento.
Sobre o mesmo aspecto, voltamos a enfatizar a concepção de realidade sincrética de Roy Ascott185 a partir da qual pensamos a relação entre arte, tecnologia, cultura e meio como um só organismo formador de uma consciência em rede, um tipo de mente corporificada cujas conexões ultrapassam a necessidade de compartilhamento espaço-temporal específicos.