5 DEN POLSKE VELFERDSSTATENS ENDRINGER
5.2 Perioden 1980-89
5.2.5 Familialisme-dimensjonen 1980-89
Um dos principais inventores a conseguir reproduzir o movimento de forma realista, ou seja, registrando com cada vez mais precisão o deslocamento e gestos humanos em uma duração uniforme, será Eadweard Muybridge.
Consideramos importante detalhar a descrição de seu método de trabalho para demonstrar como o seu pioneirismo funda uma série de descobertas significativas tanto para a ciência quanto para a arte. O detalhamento do desenvolvimento dos seus experimentos ajuda-nos a demonstrar as variáveis envolvidas na sua operacionalização e a visualizar a relação entre pesquisa e processo de instauração de poética que há em seu trabalho.
Todo o processo acontecia entre engenharia dos aparatos utilizados, catalogação em uma base de dados e edição para posterior publicação. Também funciona para vislumbrar possíveis relações entre os métodos utilizados em trabalhos referenciais, e a forma através da qual conduzimos a instauração da poética de nosso trabalho a partir de pesquisa laboratorial.
Um empreendedor que entre EUA e Inglaterra petenteou muitos inventos, foi na Califórnia e logo em várias viagens pelos Estados Unidos que Muybridge explorou a fotografia, começando com registros de paisagens, grandes planos gerais, e criando séries de 2000 stereo images. Em seus álbuns como fotógrafo explorador, ele assinava com seu pseudônimo “Helios”, personificação do sol, na mitologia grega.
O estudo mais famoso de movimento de Muybridge seria o do galope do cavalo, em 1863, cuja conclusão demonstraria que em um instante as quatro patas do animal perderiam o contato com o chão. A perfeição e precisão descritivas de um movimento muito veloz para ser compreendido pelo olho humano finalmente seria alcançada. Tecnicamente, estas primeiras imagens eram quase como silhuetas, e eram um primeiro resultado dos experimentos que demorariam, de fato, 5 anos para serem publicados.
Portanto, até chegar a imagens publicáveis, sem imperfeições técnicas, que provariam o sucesso de seus experimentos sobre o movimento do corpo, Muybridge efetuou uma série de testes que tornam-se referência tanto para a fotografia quanto para a fine art acadêmica.
Em paralelo, o fisiologista Étienne-Jules Marey também estudava o movimento dos animais, a partir da cronofotografia (fotografia de alta velocidade). Seus aparatos de decomposição e leitura do movimento eram combinações de sensores mecânicos (para coletar dados) diretamente ligados com a parte do corpo pesquisada, e aparatos de transcrição e conversão dos dados em diferentes formas, para finalizar em inscrição em mecanismos que poderiam desvendar os movimentos invisíveis do sangue, respiração, etc. A pesquisa de Marey inicia com a gravação e transcrição de movimentos externos através de aparatos mecânicos e logo é modificada com o uso de sensores eletrônicos e óticos.
Com Muybridge, Marey inicia a captura do movimento contínuo através de captura fotográfica, concebendo a cronofotografia. A descrição do movimento é transcrita em uma série de intervalos de tempo, fazendo com que a locomoção humana torne-se um fenômeno visível, capturando o que é constante no movimento, ou seja, sua continuidade.
Muybridge e Marey encontram-se em Paris, em 1881, em um tour do fotógrafo para falar de seus experimentos sobre o movimento dos animais. Um comitê de universidades, entre as quais a Universidade da Pensilvânia, apoia o projeto de Muybridge, pela sua capacidade de inovação tecnológica.
O projeto envolvia estudos de fisiologia muscular do movimento, visando analisar, comparativamente, como animais e pessoas caminham, correm ou pulam.
O aparato consistia em uma câmera que captava o movimento humano e logo transferia para uma forma visual comprimida, com objetivo de reduzir a informação ruidosa do próprio objeto. As imagens que hoje vemos como
movimentos decodificados a partir de sistemas de sofisticadas roupas de neuprene com sensores aclopados, eram, nas técnicas de Marey, organizados da seguinte forma: ele escurecia o corpo humano, pintando de preto, e pintava finas linhas brancas metalizadas ou com pontos de papel que atuavam de forma a delinear o movimento em relação a fundos pretos ou neutros. Os corpos de Marey produziam, então, traços manifestados através de imagens abstratas de linhas móveis e pontos com aparência fantasmagórica.
Ao contrário da abordagem de Muybridge, que criava uma justaposição visual do corpo em relação ao fundo preto, Marey mapeava seus objetos moventes (cavalos ou corpos humanos) em uma estrutura de grade (grid-like coulisse) através de várias fotografias que mapeavam as ações de seus objetos, ajudando o observador a perceber as mudanças geradas nos mesmos, através do movimento.
De 1884 a 1887, Muybridge faz uma série de estudos com diferentes formatos e configurações de câmeras e também cria técnicas para capturar e desvendar as formas do movimento dos corpos. Ele constrói um sistema de captura que consistia em uma roda com orifícios girando na frente das lentes. Isto possibilitou a captura de múltiplas fases do movimento em uma única placa fotográfica.
Ele organiza os equipamentos para realizar a série de experimentos fotográficos sobre o movimento do corpo humano e dos animais, que resultam na pesquisa e publicação de Folio Collection102, uma espécie de dicionário de formas
do movimento da vida cotidiana.
Entre o início do experimento, na primavera de 1884 e o outono do próximo ano, Muybridge e sua equipe expuseram por volta de cem mil placas de vidro. A média era de 750 fotografias por dia.
O principal objeto de estudo de Muybridge em Folio Collection era o corpo em movimento, que era fotografado de três diferentes ângulos simultaneamente. Seus protagonistas eram mulheres, homens e crianças.
A dinâmica e a ordem dos gestos, a tradução da fisicalidade da mobilidade das partes que compõem nossa capacidade de locomoção em diferentes situações
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102 A descrição, neste tópico, da forma de desenvolvimento dos experimentos de Folio Collection é um resumo do relato da vida e obra de Muybridge em ADAM, Christian Hans. Eadweard Muybridge: the human and animal locomotion photographs. UK: Taschen, 2010.
compondo estudos de cinesia, ou seja, detalhando a dinâmica sistêmica da movimentação dos órgãos visíveis.
Para realizar Folio Collection Muybridge conta com a colaboração de professoras e estudantes de artes. As modelos femininas deveriam mover-se, em uma pista, em esteiras de borracha que corriam em uma área aberta. O fundo era pintado de preto com uma rede branca sobreposta. Painéis portáteis com as mesmas marcas poderiam ser erguidos ao lado. A composição de fundo e aparato para o movimento, seriam um aperfeiçoamento para as técnicas testadas anteriormente por Muybridge. Entre doze e vinte e quatro câmeras, a quinze centímetros de distância, eram instaladas em paralelo às linhas. Tal procedimento foi nomeado por Muybridge como “movimento lateral”. Duas unidades de câmeras móveis, em caixas de madeiras, com lentes ajustáveis, cujo foco seria referência para as 12 câmeras laterais, foram instaladas em cada lado, em um ângulo entre 30 e 90 graus, dependendo do objeto e do movimento fotografado.
Figura 16 - Plate 409 de Follio Collections. Pourring basin of water over head103
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Figura 17 - Plate 115 de Follio Collections. Descending incline, with hands clasped in front104
Atrás destas lentes, a inovação dos experimentos seria o controle individual do obturador da câmera, que era solto por um interruptor elétrico. O temporalizador do interruptor enviava uma série de sinais eletromagnéticos para as câmeras laterais que disparavam em curtos espaços de tempo. Todo o sistema de câmeras e disparadores eletromagnéticos funcionava como um circuito, e os objetos em movimento podiam ser captados em três diferentes ângulos simultaneamente.
Alguns ajustes individuais do temporizador eram possíveis, por exemplo, para disparar somente as câmeras escolhidas simultaneamente ou sucessivamente. Um mecanismo no circuito vibrava 100 vezes por segundo, deixando traços em um papel de larga escala. A partir do número de vibrações registradas, o comprimento de cada exposição e o tempo entre cada exposição podia ser calculado. O que interessava a ela não era a exposição, mas a uniformidade do intervalo de tempo entre as exposições.
O fato interessante a ser destacado está na complexidade que Muybridge deveria equilibrar entre o domínio da técnica e o trabalho com as modelos ou performers. Ele deveria primeiramente encontrar modelos dispostas a participar dos exaustivos experimentos. Logo, deveria instruí-las a executar os movimentos e as repetições dependiam ainda do correto funcionamento de todos aparatos que constituiam o sistema fotográfico. Por exemplo, a única forma de saber a duração """"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""
aproximada das inteiras sequencias em movimento a serem fotografadas seria por experimento e erro. Tal aspecto, entre outros relacionados com o correto funcionamento das variáveis técnicas, demandava paciência pois todos os resultados deveriam ser gravados, organizados e preparados para publicação.
Em suas pesquisas, ele mantinha um caderno de notas no qual anotava diversos detalhes, entre os quais:
- Data de realização; - Número da série; - Nome da modelo;
- O tipo de movimento fotografado;
- O número de disparos laterais e frontais; - O intervalo entre as exposições.
Figura 18 - Eadweard J. Muybridge. Movement of the Hand, Beating Time. De Follio Collections. Plate 535 from Animal Locomotion - 1884-86105
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105 Movimentos executados pelo professor de arte Mr Tadd http://www.moma.org/collection/works/47744?locale=en