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Atualmente, o estado do Rio Grande do Norte tem 167 municípios, distribuídos em áreas denominadas microrregiões. O município de Nova Cruz, em termos geográficos, localiza-se na Mesorregião do Agreste Potiguar e Microrregião da Borborema Potiguar63.

63 FELIPE; José Lacerda Alves; CARVALHO, Edílson Alves de. Atlas escolar do Rio Grande do Norte.

De acordo com a organização político-administrativa do município, citada no

Diagnóstico e Plano Estratégico de Desenvolvimento de Nova Cruz, elaborado pelo

SEBRAE/RN (2000), com o objetivo de nortear as ações públicas e instruir os investimentos privados64, o município de Nova Cruz está dividido em localidades,

denominadas distritos65. Os nomes mais pitorescos e os que aludem à lagoa e anta,

elementos presentes na narrativa de fundação da cidade, aparecem nas falas de nossos interlocutores, as quais assinalam os topônimos em situações vivenciadas e outras presentes no imaginário local, como em Lagoa do Couro, devido à abundância de gado bovino, incrementando o comércio da região, na produção do couro nos anos 1930 ou em Lagoa

D’Anta66, “lugar onde a anta bebia água”, de acordo com o poeta popular, Domingos Matias

e, ainda, Lajedo da Onça, provavelmente uma alusão às aparições do felino, outrora comum na fauna da região.

Ao conhecer a dimensão física da cidade, através das caminhadas a que nos referimos anteriormente, os discursos dos moradores nos permitem compreender as relações sócio-econômicas da região, assim como os debates políticos sobre construções de estradas e otimização dos transportes rodoviários, em sua inter-relação com a Paraíba e Pernambuco, por exemplo. Diante desses e outros elementos coletados em campo, podemos

64 Trata-se do Programa de Emprego e Renda (PRODER), desenvolvido pelo sistema SEBRAE, em parceria com as prefeituras. Os trabalhos para a montagem do Plano de Ação de Nova Cruz contaram com a significativa participação popular, através dos Seminários Setoriais. Dentre os colaboradores, destacamos um de nossos interlocutores, José Bezerra dos Anjos, o “Seu” Zezito. Para atualizarmos esses dados para nossa pesquisa, produzimos, com base no supracitado documento, um questionário (anexo I), respondido pelo Gabinete do Prefeito com a colaboração da Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal de Nova Cruz. 65 Conforme o relatório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE/RN), os distritos são: Barbaço, Bom Pastor, Boqueirão, Bujari, Cajazeiras, Capim Açu, Campo de São João, Carnaúba do Catolé, Conceição, Curralinho, Fernando, Fortaleza, Gravatá, Jatobá, Juriti, Lajedo da Onça, Lagoa da Mata, Lagoa Limpa, Lagoa Limpa do Fernando, Lagoa Verde, Lajedo do Paiva, Maranhão, Pedra Grande, Pedra Tapada, Primeira Lagoa, Relâmpago, Serrote dos Bezerros, Três Voltas, Trigueiro e Xique-Xique. 66 No dia 11 de maio de 1962, pela Lei Estadual nº 2788, Lagoa D’Anta foi desmembrado de Nova Cruz, tornado-se um novo município potiguar (MORAIS, 1998, p.123).

empreender uma reflexão acerca das representações desses moradores, especialmente os mais antigos, sobre a cidade de Nova Cruz.

O município de Nova Cruz limita-se ao Norte com os municípios de Várzea e Santo Antônio; ao Sul, com o Estado da Paraíba; a Leste, com os municípios de Pedro Velho, Montanhas e Espírito Santo e a Oeste, com Lagoa D’Anta e Passa e Fica.

Nova Cruz apresenta uma taxa de urbanização de 63%, pois 21.634 moradores têm domicílio na zona urbana e apenas 12.217 (36%) residem na zona rural. Nosso recorte empírico limitou-se à área urbana do município, onde residem os entrevistados. Outros dados que acreditamos ser relevantes para o entendimento da dinâmica populacional da cidade em estudo são demonstrados na tabela a seguir67:

Tabela 1- Principais indicadores do município de Nova Cruz, 2000.

População Total 33.834 Homem 16.614 Mulher 17.220 Urbana 21.634 Rural 12.200 Taxa de Crescimento (1) 1,34 Taxa de Alfabetização 63,40 Taxa de Urbanização 63,94 Densidade Demográfica 119,89 % Chefe de Domicílio: Ganhando até 1 S. M. 47,60

67 Dados do ano 2000, conforme Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em:

<www.1.ibge.gov.br/cidadesat/default>. Acesso em 11 set. 04. Os indicadores sócio-econômicos, conforme Relatório da Prefeitura de Nova Cruz/Secretaria de Planejamento/Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (IDEMA), em 2004, “são preocupantes”: 73,3% de seus habitantes são considerados pobres; 53,2% das pessoas de 15 anos e mais são analfabetas; 29,9% da população economicamente ativa (PEA) tem renda familiar per capita de meio salário mínimo; a expectativa de vida, ao nascer, é de 63 anos; possui 47 escolas, entre municipais, estaduais e particulares, sendo, o nº de escolas municipais = 32; escolas estaduais = 11 e particulares = 04; creches municipais = 12; privadas/ filantrópicas = 05.

Ganhando até 2 S. M. 15,62 Ganhando mais de 2 S. M. 14,03 Sem Rendimento 22,75

FONTE: PNUD; IBGE, 2000.

Nota: (1) Taxa de crescimento correspondente ao período de 1991/2000

Antes de nos debruçarmos na evolução desse processo de ocupação, cabe entendermos o significado da expressão “agreste”. Já que essa denominação regional não é exclusividade do Rio Grande do Norte, utilizamos, reiteradas vezes, a expressão Agreste Potiguar para distingui-lo dos demais Agrestes, quais sejam: paraibano, pernambucano, alagoano, sergipano e baiano. Conforme Andrade (1998), o que caracteriza o agreste é o fato de possuir, ao lado de áreas semi-áridas, com vegetação de caatinga, que se assemelham às do sertão (solos muito pouco espessos, afloramento de grandes lajedos, de rios temporários e de uma vegetação de caatinga que perde as folhas durante a larga estação seca), outras áreas úmidas, os brejos, com vegetação primitiva de mata. Ao lado dessas, existem áreas intermediárias, denominadas mais propriamente de “agreste” ou popularmente de “encosto de brejo”. Como sub-região fisiográfica tradicional, dispõe-se em faixa paralela à periferia úmida do Nordeste, do Rio Grande do Norte até o Sudeste da Bahia68. Galvão (2002, p.12) sintetiza: “o Agreste Potiguar constitui uma faixa ou área de

transição paralela à Zona da Mata entre o litoral leste e o interior do Estado”. Vejamos

como se operaram os primeiros contornos dos limites físicos no território do Agreste Norteriograndense.

68 MELO, Mário Lacerda de. Os agrestes: estudos dos espaços nordestinos do sistema gado-policultura de uso de recursos. Recife: SUDENE, 1980. Na referida obra, encontra-se, além da caracterização do agreste, uma análise do desenvolvimento econômico desse espaço, em sua relação histórica e geográfica.