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2. CHAPTER TWO: BACKGROUND

2.3 T HREATS AND H OAXES

2.3.1 Nuclear Threats

Os nós de transportes são parte do sistema de transporte, compostos pela interconexão de dois ou mais sistemas ou modos, podendo estar, ou não, inseridos no território de uma centralidade.

Um nó de transporte é capaz de interligar diversas regiões da cidade ou metrópole, diversos motivos de viagens em diferentes horários e acesso a diferentes centralidades. Trata-se de um espaço que se caracteriza pelas trocas frequentes e tem influência no movimento e fluxo de pedestres na escala local, explica Richer (2008).

A importância do nó para uma cidade ou região se dá em função do número de destinos que ele atende, assim, afirma Plassard (1989 apud Richer 2008), o nó de transportes pode ser o fator de influência na consolidação e formação de uma centralidade e responsável pela estruturação e desenvolvimento de um território.

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Esse pode ser definido como um “lugar que concentra e redistribui os usuários dos sistemas para muitas direções” BRUNET, FERRAS, THERY (2003 apud RICHER 2008).

As centralidades podem ou não ter um nó de transportes em sua composição. Izaga (2009) explica que há centralidades mais importantes que outras e existem diversos tipos: as de trabalho, de lazer ou turística, consumo, e até as multifuncionais.

Richer (2008) conceitua os termos “conexão” e “interconexão” através de 3 diferentes autores – Margail (1996), Varlet (1992) e Dupuy (1988). Para Margail (1996), a conexão consiste-se em “unir”; já para Varlet (1992), a conexão é o encontro de dois eixos de um mesmo modo de transportes e interconexão significa para o autor o encontro de pelo menos dois modais de transporte; para Dupuy (1988), interconexão significa a fusão dos espaços, ou seja, um espaço em comum para ao menos dois sistemas de transportes:

Le terme de « connexion » signifie « lier ensemble » (MARGAIL, 1996). Selon Jean Varlet, « la connexion consiste en l'établissement d'un lien ou d'une liaison entre deux points ou deux axes du réseau d'un même moyen de transport », tandis que l’interconnexion connecte « au moins deux modes de transport différents » (VARLET, 1992). En effet, elle « implique au moins deux réseaux, deux exploitations, deux territoires différents qui vont se combiner, s’interpénétrer et peut-être fusionner » (DUPUY, 1988). RICHER, 2008 p. 7

Richer (2008) explica que o nó se refere ao sistema e não ao território e configura-se pelo cruzamento de linhas de transportes. A proximidade de dois ou mais sistemas de transportes formam interconexões de nós. Esses espaços são fundamentais para a estruturação do território onde está inserido, e o espaço público é o elemento ordenador que reforça a ligação do homem ao lugar. Esse conjunto urbano deve assegurar a interface entre a cidade e o sistema de transportes, explica Richer (2008 apud. SANDER 1991).

Nessa dissertação foca-se em nós de transportes configurados pela interconexão de sistemas de alta capacidade (metrô e trem) e sistemas de ônibus, tendo o espaço público como suporte para o movimento de pedestres. A Figura 1.13 representa a ideia onde o espaço público é suporte para a interconexão entre dois modos de transporte.

34 Figura 1.10: Interconexão entre nós de transportes

Fonte: Elaboração da autora

Izaga (2009) explica que os nós de transportes se interligam por “infraestruturas que suportam os fluxos, para e entre os nós, exemplificadas por ruas, avenidas, leitos ferroviários, ciclovias etc” (IZAGA, 2009, p. 45).

Gil e Read (2012) explicam como se configura fisicamente um nó intermodal:

It is a simple topological undirected network where the stations or stops represent nodes [...] Where there is more than one stop of the same transport mode with the same name within a close location, either representing diferent platform in a station, or diferent tram stops on either side of a road or around a crossing, we only consider one node. (GIL e READ , 2012, p. 7)

Fruin (1971) afirma que o volume do tráfego do pedestre é inversamente proporcional à área ocupada. O volume usuários que se movimentam aumenta à medida que diminui a área pedonal, até atingir um ponto crítico, onde a locomoção se torna restrita em função da falta de espaço. Quando há o intenso uso destes espaços ocorre o que chamamos de acumulação do tráfego de pedestres:

Accumulations of waiting pedestrians, caused by service stoppages or capacity restrictions of any type, are an aspect of design quality that should be carefully evaluated. The pedestrian holding capacity of all public spaces should be known. If potential exists for crowding approaching the limits of human convenience, comfort or safety, alternative designs or operating procedures must be considered. (Fruin 1971, p. 64)

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Os espaços públicos de interconexão entre os modos de transportes são problemáticos nas cidades brasileiras, o pedestre é negligenciado. A qualidade da interação do pedestre com o espaço público no entorno de nós de transportes depende de alguns aspectos: a) sistema metropolitano de transporte em relação às suas demandas de atividades; b) a própria configuração do nó de transportes em relação à implantação das estações e/ou paradas; c) pela densidade e uso do solo; d) pelo desenho urbano - ou a falta dele - e os componentes da microacessibilidade13.

No Brasil, pode-se dizer que existe uma relação problemática entre esses aspectos (a, b, c e d), pela falta de um planejamento integrado que englobe todas as escalas da cidade de forma complementar. A inadequação física de ambientes voltados para a circulação pedonal traz uma configuração bastante negligente. Fruin (1971) confirma essa afirmação ao discorrer sobre o exemplo do estreitamento das escadas das estações de metrô, as quais geram filas de pedestres, tanto na superfície (no espaço público) quanto dentro das estações. O espaço no entorno dos nós de transportes deveria ser capaz de facilitar as práticas intermodais, assim como deve ser criador de urbanidade14.

Os nós de transportes, quando inseridos em uma centralidade, devem se organizar em 3 funções cotidianas definidas por Richer (2008) na Figura 1.11: 1) Função de transportar; 2) Função urbana; 3) Função de serviços. É necessário combinar a qualidade do meio urbano, dos sistemas de transportes e dos serviços oferecidos nessas localidades.

       

13 Esse trabalho não aprofunda no assunto. Para melhor entender Microacessibilidade no entorno de

estações de alta capacidade ver o Mestrado de Yara Baiardi: BAIARDI, Yara Cristina Labronici. O

papel da microacessibilidade na mobilidade urbana: o caso da estação de trem Santo Amaro na

cidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. Universidade Presbiteriana Mackenzie: 2012.

14 A Urbanidade diz respeito a civilidade, da democratização dos espaços, da qualidade daqueles que

vivem na cidade, entre outros. Para um maior conhecimento sobre urbanidade, consultar o trabalho de Pereira (2013)

36 Figura 1.11: “Le trinôme fonctionnel des pôles d’échanges”15

Fonte: Cyprien Richer (2008)

Na função transporte através da acessibilidade, oferta de transporte, coordenação física dos sistemas de transportes; Em relação à função urbana é necessário que haja um tratamento dos espaços públicos que têm ligação direta com o nó, assim como sua inserção urbana por meio de um desenho que se adeque à estrutura multipolar do território; já em relação à função serviços faz-se necessária a segurança, comunicação do usuário com os equipamentos, o conforto, entre outros.

As funções apresentadas reforçam a importância da configuração do espaço público, destacando-se o entorno dos nós de transportes e a sua função de ampliar a microacessibilidade dos usuários. Esse espaço tem o papel de integrar o movimento dos pedestres, denominado nesse trabalho pelo deslocamento e permanência. O usuário é beneficiário de um lugar de intermodalidade, de acessibilidade múltipla e privilegiada entre o nó e a centralidade, assim reforça Richer (2008).

A inserção de um nó de transportes no território de uma cidade deve ser planejado a longo prazo e elaborado por um Desenho Urbano16. Esse espaço de

       

15 A tripla função dos espaços de troca de modais. Elaborado por Richer(2008).

16 Esse trabalho não aprofunda no assunto do Desenho Urbano. Para entender melhor como funciona

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recepção, onde os pedestres fazem as trocas, embarcam e desembarcam são parte fundamental para o bom funcionamento dos sistemas de transportes.