A educação é um aspecto muito importante para o ser humano, ela o direciona para viver em sociedade. Segundo Freire (1992), não há educação fora da sociedade, assim como não existe homem no vazio.
Diante disto, foi perguntado aos professores qual a concepção que eles tinham sobre educação. O que se percebeu, é que as respostas apresentavam forte ligação com a formação acadêmica de cada professor.
Os professores que tinham alguma formação na área da educação apresentavam uma visão mais aproximada da perspectiva da complexidade, como a educação que prepare para vida, que estimule a reflexão e que valorize o próprio ser humano na sua totalidade. Por outro lado, os professores que não tinham nenhuma formação na área da educação ou área afim, revelavam uma visão tecnicista, reducionista e mecanicista científica.
Vejamos agora na figura 08 o mapa das falas de professores, com uma visão mais complexa quanto ao aspecto “educação”
CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO Papel do educador Visão como educador Concepção pedagógica 1ª Categoria/1º Aspecto 2º Aspecto 3º Aspecto 4º Aspecto
Figura 08: Representação do aspecto- educação (1ª parte) /primeira categoria. Fonte: Pesquisa de campo.
Como mostra a figura acima, a concepção de educação deste grupo de professores está voltada para uma concepção mais próxima dos princípios da complexidade, como a preparação para vida, sem uma delimitação específica, desassociada de uma visão puramente técnica e fragmentada. Para o respondente P10 “[...] a educação é fundamental para preparar
o homem para a vida”. Para P2 “[...] de um modo geral é preparar o aluno para a vida”. E
para o P6 “[...] é todo movimento voltado para o desenvolvimento para a vida”.
Sobre isto, Padilha (2004), chama atenção para uma educação que priorize questões essenciais para a vida do ser humano como a ética e a sua formação plena em todas as suas dimensões. Identifica-se também na fala de P10, a preocupação com uma perspectiva aberta de educação: “[...] a construção da humanidade”, não limitando-se a um grupo fechado e elitizado.
Do mesmo modo, a concepção de educação do P4 e P3 direciona para uma forma de construção do homem, P4 “[...] a educação é um processo de humanização[...]”, voltado tanto para si como indivíduo particular, quanto para a sociedade, “[...] onde o ser humano
EDUCAÇÃO
“Educação na minha concepção é o meio pelo qual se prepara o cidadão para viver em sociedade, ou seja, de um modo geral é preparar o aluno para a vida”. (P2)
[...]a educação é fundamental para preparar o homem para a vida, para o crescimento da sua cidade e por que não dizer para a construção da
humanidade”.( P10) “Educação é todo movimento voltado para o desenvolvimento da vida [...]”. (P6)
“[...]a educação é um processo de humanização aonde o ser humano encontra consigo mesmo e com a sociedade”. (P4)
“Educação nada mais é do que a formação da pessoa como indivíduo, como ser, como cidadão [...]”. (P3)
“Educação é estimular no aluno sobre determinado tema uma reflexão e um
pensamento crítico”. (P8) “A educação é necessária e
imprescindível na formação do ser humano ,[...]principalmente na fase adulta,[...]”. (P7)
encontra consigo mesmo e com a sociedade.” P3 “Educação nada mais é do que a formação da pessoa como indivíduo, como ser, como cidadão [...]”.
A concepção destes professores, além de estarem de acordo com a justificativa do Projeto Político Pedagógico do curso analisada na seção anterior, também convergem também com o pensamento de Bonh (1992), quando explica que a realidade apresenta-se em uma totalidade intocável, na qual, cada parte, (aqui representada nas falas dos participantes), é uma extensão de uma totalidade maior, ou seja, da sociedade, na qual, sua realidade se expressa por meio de sua multidimensionalidade.
Na fala do P2, a educação é entendida como tendo a missão de dar condições para viver em sociedade, observe: “[...] prepara o cidadão para viver em sociedade[...]”. A concepção de educação deste professor vai ao encontro da visão de Freire (1992), já discutido no início deste tópico, em que a educação possa preparar o homem para viver em sociedade.
Destaca-se também, uma congruência entre a concepção pedagógica do curso, que trata a educação voltada para a preparação do ser humano e incentivada na reflexão contida nas falas da P7 “A educação é necessária e imprescindível na formação do ser humano ,[...]” e P8 “Educação é estimular no aluno sobre determinado tema uma reflexão e um pensamento
crítico”.
Quanto a isto, Câmara (2002) defende que a ação reflexiva permite ao sujeito ter mais consciência de suas práticas, direcionando-as para alcançar mudanças conceituais, reestabelecendo, assim novas ações.
A figura 09, traz o mapa das falas de professores com visão tecnicista, reducionista e mecanicista científica, quanto ao mesmo aspecto “educação”:
Figura 09: Representação do aspecto- educação (2ª parte) /primeira categoria. Fonte: Pesquisa de campo.
EDUCAÇÃO “Educação é a formação científica que contribui para a formação de conhecimentos científicos e empíricos[...]”(P9)
“Eu vejo na educação o ato de educar, preparar, são etapas no nosso ensino superior preparar [...] para encarar os desafios do mercado, da
concorrência acirrada e do mercado altamente competitivo”. (P5)
“A meu ver, é uma forma de organizarmos o nosso conhecimento e compartilhar com outras pessoas e assim formar novos conhecimentos” (P1)
Como pode-se observar na figura 10, as falas dos professores manifestam uma concepção de educação fechada em uma perspectiva tecnicista, reducionista e mecanicista, indo na contramão do Projeto Político Pedagógico do curso que apresenta, de forma aberta e sistêmico, na medida em que prioriza a prática transdisciplinar.
Do mesmo modo, na fala do P9, a concepção de educação isola-se e limita-se a um conhecimento puramente instrumental: “Educação é a formação científica [...] para a formação de conhecimentos científicos [...]”. Esta concepção é criticada fortemente por
Oliveira (2001), quando diz que a partir da modernidade, presenciamos um mundo em que a técnica e o conhecimento instrumental, tem sido a única dimensão da razão.
Consoante a isto, a proposta emancipadora científica moderna, parece ter fracassado. O que era para transformar-se em um processo de emancipação, resultou em um homem refém da instrumentalização da razão em uma perspectiva fragmentada (BEHRENS, MASETO, MORAN, 2005).
Nesta mesma perspectiva, desde o surgimento da sociedade industrial, presencia- se uma educação em que supervaloriza a formação para o trabalho, é o que denuncia Câmara (2006). Esta realidade pode ser identificada nas falas do P5 e P1: P5“Eu vejo na educação o
ato de educar, preparar, [...] para encarar os desafios do mercado, da concorrência acirrada e do mercado altamente competitivo”. P1, “A meu ver, é uma forma de organizarmos o nosso conhecimento e compartilhar com outras pessoas e assim formar novos conhecimentos”.
O quadro 02 mostra um resumo dos principais elementos que foram identificados nas falas dos professores, quanto ao primeiro aspecto, “concepção de educação.
No
me
1º ASPECTO: CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO Preparar para a vida Formar o homem Processo de humanização Preparação para o mercado Formação científica Formar novos conhecimentos Estimular o pensamento crítico P1 X P2 X P3 X P4 X P5 X P6 X P7 X P8 X 1ª CATEGORIA
Quadro 02: Principais falas do 1º aspecto “concepção de educação/1ª categoria. Fonte: Pesquisa de campo.
Diante do exposto, confirma-se que a maioria dos professores apresentou uma concepção de educação de alguma forma relacionada à questão da complexidade. A educação para a vida foi o elemento mais destacado, representando 30 % dos professores (P2, P6 e P10). Já a educação para a formação do homem, representou 20% (P3 e P7). A educação como processo de humanização (P4) e estimular o pensamento crítico (P9), representaram 10% cada, somando assim, 20%. Assim, a concepção destes professores harmoniza-se com a proposta do Projeto Político Pedagógico do curso pesquisado.
No entanto, o que chamou mais atenção, foi o fato de três (30%) professores apresentarem uma visão mecanicista e tecnicista de conceber a educação, são eles, P5 com uma visão de educação voltada para o mercado de trabalho, P9 voltado para a formação científica e o P1 que entende a educação como uma forma mecânica de produção de conhecimentos.
Diante disto, percebe-se que a concepção de educação deste último grupo de professores, diverge com a proposta do Projeto Político Pedagógico do curso, sobretudo, no que diz respeito a concepção pedagógica.