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A teoria da complexidade possibilita pensar algumas alternativas educacionais, objetivando reintegrar tudo aquilo que foi separado pela ciência positivista moderna (MORIN, 2008a).

Neste sentido, a complexidade se apresenta como um desafio e não como uma resposta. Diante disto, foi considerado relevante compreender o olhar de professores a respeito deste desafio. Para tanto, foi lhes perguntado se conheciam a teoria da complexidade.

EDUCAÇÃO E COMPLEXIDADE Teoria da complexidade Complexidade educacional A prática da complexidade 2ª categoria 1º Aspecto 2º Aspecto 3º Aspecto

50% (P1, P3, P4, P7, e P9) informaram que já conheciam, todavia, de forma superficial. Importante esclarecer que ainda que informando conhecer a teoria da complexidade, apenas três professores (P1, P4 e P9) apresentaram respostas coerentes relacionadas à complexidade, como pluralidade de variáveis e realidade dinâmica.

Já os outros cinco, (50%) professores (P2, P5, P6, P8 e P10), informaram que não conheciam a teoria da complexidade. No entanto, o que mais chamou a atenção, foi o fato de apesar de informar não conhecerem a teoria, três professores (P2, P6 e P8) apresentaram conceitos significativos sobre complexidade, de forma similar aos professores componentes do primeiro grupo tais como: dinâmico, conjunto de conhecimento e pluralidade de variáveis. Para melhor compreensão, a figura 17, apresenta partes dos discursos de professores que apresentaram conceitos mais próximos da teoria da complexidade.

Figura 17: Representação do aspecto- teoria da complexidade /segunda categoria. Fonte: Pesquisa de campo.

No discurso de P2, ainda que desconhecendo teoricamente a teoria da complexidade, foi possível perceber certa empolgação e sensibilidade ao tentar descrevê-la, compreendendo a educação na atualidade como um processo dinâmico: “[...] No entanto, a

“Já ouvi falar por alto, não cheguei a pesquisar sobre isso. E quando eu ouço falar em

complexidade eu imagino que as coisas não são tão simples como se parecem ser, pois existem muitas variáveis para que algo ocorra ou aconteça, e isso já é uma forma de complexidade”. (P1)

TEORIA DA COMPLEXIDADE “Não conheço. No entanto, a primeira

coisa que me vem a mente sobre complexidade, é o fato como a educação hoje está sendo conduzida [...] bem mais dinâmica.” (P2)

“Já ouvi falar[...] envolve diversos fenômenos que alteram o

comportamento da sociedade e que implicam numa nova dinâmica de organização,”. (P9) “Sim, eu já ouvi falar... e

compreendo-a da seguinte maneira: a realidade é

dinâmica e complexa[...]Então é preciso que as pessoas e a educação atualize essas teorias para que acompanhem essa realidade que está aí”. (P4)

“Olha eu nunca ouvi falar, mas eu acho que são todas variáveis que envolvem a educação e nossos alunos[... ]e a complexidade e são diversas situações que exigem tomadas de decisões”. (P8)

“Não eu desconheço[...]Agora, complexidade é o conjunto de conhecimento da construção para o ser humano, não é uma coisa pronta, mas algo que precisa ser desenvolvido”. (P6)

primeira coisa que me vem a mente sobre complexidade, é o fato como a educação hoje está sendo conduzida... bem mais dinâmica.

Dito isto, sua fala permite identificar uma zona de congruência com os participantes P4 e P9, que asseveram: P4 “Sim, eu já ouvi falar... e compreendo-a da seguinte maneira: a realidade é dinâmica e complexa...Então é preciso que as pessoas e a educação atualize essas teorias para que acompanhem essa realidade que está aí”. P9 “Já ouvi falar... envolve diversos fenômenos que alteram o comportamento da sociedade e que implicam numa nova dinâmica de organização”.

Sobre esta questão, Demo (2002), confirma a realidade complexa como sendo um processo dinâmico, de vir a ser, inovando sempre, preparado ao inesperado e ao imprevisível. Ademais, as realidades dinâmicas apresentam-se criativas e imprevisíveis, se distanciando da concepção tradicionalista linear.

No entanto, é importante lembrar que a intenção neste processo não é o de excluir a realidade linear, pois é inquestionável a sua existência, mas sim, iconizar característica da não linearidade contida nos diversos níveis de realidades, sobretudo, no processo educacional como um todo e especificamente no processo de aprendizagem.

Outro traço importante da complexidade colocado por Demo é o fato de o processo de aprendizagem poder ser reconstruído, e não precisamente reprodutivo. Assim, fica claro que o sistema complexo nunca se repete, mas, acontece em um processo de reconstrução, com implicações relevantes para a educação, sobretudo, na mediação pedagógica.

Outro ponto congruente é encontrado nas falas do P1 e P8. Ambos associam a complexidade com a pluralidade de variáveis: P8 “Olha eu nunca ouvi falar, mas eu acho que são todas variáveis que envolvem a educação e nossos alunos... e a complexidade são diversas situações que exigem tomadas de decisões”. P1 “Já ouvi falar por alto, não cheguei a pesquisar sobre isso. E quando eu ouço falar em complexidade eu imagino que as coisas não são tão simples como se parecem ser, pois existem muitas variáveis para que algo ocorra ou aconteça, e isso já é uma forma de complexidade”.

O interessante nestas falas, é que a congruência dos discursos aparece independente do conhecimento sistemático da teoria da complexidade, pois, P8 afirma desconhecê-la, e isso não interferiu na elaboração de um conceito coerente sobre a teoria. Outro ponto importante foi a canalização do conceito para a realidade educacional.

Nesta mesma direção, P6 também concebe a pluralidade de variáveis relacionada à complexidade, na medida em que a conceitua como sendo um conjunto de conhecimento em desenvolvimento: “Não, eu desconheço [...] Agora, complexidade é o conjunto de conhecimento da construção para o ser humano, não é uma coisa pronta, mas algo que precisa ser desenvolvido”.

Por outro lado, dois informantes (P7 e P10), apresentaram conceitos que divergem da proposta da complexidade. Um, partindo da perspectiva reducionista em que concebe o todo sendo a soma das partes. O outro, concebendo o conceito de complexidade como sendo algo apenas difícil, ou seja, um obstáculo. Vejamos:

De forma complementar, não tenho muito aprofundamento sobre o assunto, mas a teoria da complexidade está presente na educação e por isso você precisa entender o que o alunado tem de aprender para que você possa alinhar esse conhecimento de forma equalizada. A complexidade tem a ver com a questão do entendimento e isso é muito complexo, é um todo formado por várias partes. (P7). (Grifo nosso). Não, eu não me atreveria dizer especificamente o que seja isso. [...] Complexidade é algo difícil de transpor, um obstáculo. (P10). (Grifo nosso).

Como pode-se perceber na fala do P7, por falta de conhecimento sobre a questão da complexidade, permite perpetuar a visão reducionista da realidade. Esta visão vai de encontro ao pensamento Moriniano, o qual através do Princípio sistêmico-organizacional compreende que o todo é mais que a soma das partes.

Trata-se de um processo em que o conhecimento e o reconhecimento das partes, encontra-se integrado ao conhecimento e ao reconhecimento do todo. De acordo com Moraes (2010b), este princípio esclarece que tanto o observador, quanto o objeto observado, bem como o processo de observação não se separam, formando parte de uma realidade não fragmentada devido a um ajustamento estrutural resultante do intercâmbio da matéria, energia e informação.

Neste mesmo caminho, P10 também parte de um conceito reducionista que associa a complexidade com algo difícil. Todavia, por mais que a palavra lembre algo difícil e complicado, Morin (2006) explica que a teoria da complexidade refere-se ao que é tecido junto, funcionando como um princípio regulador do pensamento, para conceber a realidade dando-lhe um tratamento sem fragmentá-la.

A seguir, o quadro 06 destaca os principais elementos que foram identificados nas falas dos professores, quanto ao quarto aspecto, “teoria da complexidade.”

Quadro 06: Principais falas do 1º aspecto “teoria da complexidade/2ª categoria. Fonte: Pesquisa de campo.

Diante das análises, constatou-se que apenas 50% dos informantes (P1, P3, P4, P7 e P9) afirmaram ter conhecimento da Teoria da complexidade. Entretanto, apenas três (P1, P4 e P9) apresentaram conceitos coerentes. Os outros 50% dos informantes (P2, P5, P6, P8 e P10), afirmaram não conhecer a teoria. No entanto, mesmo sem conhecê-la, três informantes (P2, P6 e P8) apresentaram conceitos relevantes relacionados à complexidade, como mostra o quadro acima.