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4. The social activities and networks of immigrant women

4.4 The national network

No período de janeiro a dezembro de 2009 foi capturado um total de 211 exemplares de L. piau, onde houve uma leve predominância de machos (55%) sobre fêmeas (45%). A proporção sexual de 1 macho:1 fêmea não diferiu significativamente ao nível de 5% (2

= 0,57). Análise mensal apontou alterações na proporção sexual, com predominância de machos entre janeiro a março e setembro enquanto que as fêmeas predominaram em maio e outubro (Fig.2).

→ INSERIR Fig. 2

Estrutura em comprimento e peso

As fêmeas apresentaram amplitude de comprimento total (Lt) de 11 a 32,9cm (20,9±4,8) e os machos de 9,6 a 27,5cm (18,4±4,1). A maior freqüência de indivíduos do sexo feminino foi observada na classe de 15 a 25 cm de comprimento total (Fig. 3a). Os machos tiveram seu maior número de indivíduos na classe de 15 a 20 cm de comprimento total. As fêmeas atingem significativamente comprimentos maiores que os machos (t = -3,94; p = 0,0001).

A amplitude de peso total (Wt) para as fêmeas de L. piau, variou de 15 a 601,5g (164,7 ± 127), e para machos de 11,5 a 275g (98,3 ± 70,8). O maior número de indivíduos de sexo feminino foi registrado na classe de 15 a 115g (Fig. b). Os machos tiveram sua maior freqüência na classe de 15 a 65g. As fêmeas alcançam significativamente pesos superiores aos machos (t = -4,6; p = 0,000007).

54

Relação peso - comprimento

Para as fêmeas a equação da relação peso total–comprimento total foi a seguinte, Wt = 0,0055Lt3,3234 , com r = 0,9957 (Fig. 3c) e para machos a equação foi Wt= 0,0072Lt3,2187 , com r = 0,9872 (Fig. 3d). A espécie apresenta um crescimento do tipo alométrico positivo, indicando que a espécie ganha mais incremento em peso do que em comprimento.

→ INSERIR Fig. 3

Tamanho da primeira maturação (L50)

Os machos maturam em tamanhos menores que as fêmeas, o valor estimado para a primeira maturação dos machos foi de 17,5cm (± 0,08) de comprimento total (Fig. 4b), enquanto que para as fêmeas foi de 21 cm (± 0,25) (Fig.4a).

→ INSERIR Fig. 4

Os estágios de maturidade das gônadas

As gônadas de L. piau são pares, localizadas dorso-lateralmente na cavidade celomática e ventral mente a bexiga natatória. A escala de maturidade foi constituída por quatro estádios para ambos os sexos (Fig. 5):

Imaturo: Os ovários apresentaram-se de tamanho reduzido, transparentes, sem

irrigação evidente com presença de ovócitos translúcidos. Margens lisas e arredondadas. Os testículos apresentaram-se em transparentes, pequenos e finos. Ambos com grande quantidade de gordura celomática (Fig. 5a).

Em maturação: Há um aumento no tamanho e volume do órgão, ocupando cerda de

1/3 a 1/2 da cavidade celomática, com ovócitos visíveis a olho nu. Apresenta uma coloração parda e vascularização bem evidente. Os testículos apresentam um aumento na dimensão e vascularização, forma de filetes e mudança na coloração, agora esbranquiçada. Ambos ainda apresentam grande quantidade de gordura celomática (Fig. 5b).

55

Maduro: Neste estádio os ovários estão em tamanho máximo, ocupando quase toda a

totalidade da cavidade celomática (2/3 ou mais). Os ovócitos maiores e bem visíveis. Coloração parda a acinzentada com vascularização bem evidente. Os testículos se apresentam eu seu tamanho máximo, com coloração rosa - leitosa, sob uma leve pressão ocorre fluência do liquido espermático. Não há presença gordura celomática evidente (Fig. 5c).

Esvaziado: Os ovários apresentaram-se flácidos com coloração avermelhada e menores

proporções. Os testículos encontravam-se com um aspecto hemorrágico e flácido. Para ambos os sexos foi observada pouca ou nenhuma gordura celomática (Fig. 5d).

→ INSERIR Fig. 5 Período reprodutivo

A freqüência relativa dos estádios de desenvolvimento gonadal indica que os indivíduos em maturação ocorreram em todo período de estudo, sendo mais freqüente nos meses de julho a dezembro enquanto os peixes maduros ocorrem com maior freqüência janeiro a junho. O período reprodutivo estendeu-se de janeiro a junho com desova ocorrendo nos meses de abril a junho, quando ocorrem peixes com gônadas esvaziadas alem de um número maior de indivíduos imaturos (Fig. 6).

→ INSERIR Fig. 6

Índice Gonadossomático (IGS) e Fator de condição (K)

Em relação ao índice gonadossomático, para os machos o menor valor (0,7) foi registrado no mês julho e o maior (16,9) foi no mês de dezembro. O menor valor (1,1) de IGS para as fêmeas foi de julho e o maior (28,03) em janeiro. As variações mensais do IGS dos machos e fêmeas foram semelhantes, sendo altos de janeiro a abril, seguidos de valores de maio a setembro, voltando a valores mais altos de outubro a dezembro (Fig. 7). Os valores do fator de condição aumentaram no período de junho a setembro de 2009, período no qual o índice gonadossomático (IGS) apresentou valores médios baixos (Fig.7). A análise de correlação entre os valores mensais do IGS e os valores médios mensais ambientais de machos e fêmeas, mostrou que a precipitação

56 pluviométrica se correlacionou positivamente com o IGS total, com valor de r = 0, 8101.

→ INSERIR Fig. 7

Fecundidade e Tipo de desova

Quanto à fecundidade absoluta, o número de ovócitos vitelogênicos variou de 13,077 a 140,523, com média de 54,966 (±24,396). A fecundidade relativa foi de 184,4 ovócitos/g de peso corporal. A menor fecundidade foi verificada em uma fêmea com comprimento total de 19,5 cm e gônada pesando de 15,58g. O maior valor de fecundidade foi verificado em uma fêmea apresentando 31cm de comprimento total com ovários pesando de 116,77g. Houve uma correlação positiva entre o número total de ovócitos vitelogênicos e o comprimento total das fêmeas (Fig. 8b), do tipo exponencial (r = 0,8795), demonstrando que a fecundidade aumenta exponencialmente com o comprimento. A relação entre o peso total (Wt) e a fecundidade (Fig. 8c) mostrou uma correlação positiva ( r = 0,8327), sendo a relação mais forte encontrada entre o peso das gônadas (Wg) e a fecundidade (Fig. 8d), com r = 0,9161 (Fig. 8).

O diâmetro dos ovócitos maduros variou de 7,0 a 1400 micrômetros com média de 1112 μm (± 250,2). A análise da distribuição do diâmetro de ovócitos mostrou a maior freqüência relativa de ovócitos de 1300 μm e uma menor freqüência de ovócitos pequenos (Fig. 8a). A alta fecundidade e a distribuição do diâmetro dos ovócitos em dois lotes indicam que o tipo de desova é total ou sincrônica.

→ INSERIR Fig. 8 Variáveis ambientais Dados pluviométricos

Com base na pluviosidade média registrada no açude Marechal Dutra para o período de 2000 a 2007, o período de janeiro a junho é tradicionalmente chuvoso da região, ocorrendo chuvas escassas entre julho e dezembro. Em 2008 ocorreram precipitações atípicas para a região, com valores de 340 mm no mês de março e 280 mm em abril.

57 Para o período de estudo de 2009, as chuvas não foram registradas nos meses de agosto a dezembro (Fig. 9a). A partir do mês de janeiro as chuvas esperadas para a região ocorreram com grande intensidade.

→ INSERIR Fig. 9 Dados Limnológicos

A temperatura da água variou de 25°C a 30,3°C com média de 27, °C (± 1,6DP), sendo registrados os menores valores em abril (25,5°C) e maio (25°C) de 2009, que correspondem aos meses de maiores precipitações pluviométricas e o maior em dezembro com 30,3°C, durante o período de estiagem (Fig. 9b). O oxigênio dissolvido variou com mínimo de 5,7 mgL-1 em agosto e máximo no 12,4 mgL-1 em fevereiro, com média de 7,5 mgL-1 (± 1,8) (Fig. 9c). O potencial hidrogeniônico (pH) se apresentou alcalino durante todo período de estudo com um valor máximo de 9,4 no mês de novembro e mínimo 7,8 em maio, com média de média de 8,6 (± 0,5) (Fig. 9d). A média da condutividade elétrica foi de 439,5 μScm-1 (± 59,9), tendo os meses abril e maio os menores valores com 352 μScm-1 e 330μScm-1 respectivamente e o maiores valores foram registrados de novembro a janeiro, que apresentou o maior valor de 533 μScm-1

(Fig. 9e).

A análise de componentes principais (PCA) aplicada com as variáveis ambientais mostrou que os dois primeiros eixos juntos explicaram 95,05% da variância total das variáveis ambientais. O primeiro eixo fatorial explica 80,87% da variância dos dados, enquanto o segundo eixo explica 14,18%. Analisando o diagrama de ordenação é possível observar que as variáveis ambientais como o oxigênio dissolvido e a pluviosidade foram os fatores que mais destacaram no período chuvoso (janeiro a junho de 2009), enquanto que o pH a temperatura da água e condutividade elétrica foram os fatores mais importantes no período de estiagem (de julho a dezembro de 2009) (Fig. 10).

58

DISCUSSÃO

A análise da estrutura populacional em relação ao sexo fornece subsídios importantes para o conhecimento da relação entre os indivíduos e o meio ambiente (Nikolsky, 1969). A proporção sexual não diferiu do esperado 1:1, porem mensalmente foi constatada a predominância significativa de machos entre janeiro a março e em setembro, existindo a possibilidade de que ocorra segregação espacial relativa ao sexo, com machos e fêmeas habitando áreas diferenciadas do ambiente, o que se refletiria sobre as proporções sexuais observadas neste período. Narahara et al. (1985) sugeriram que o desvio na proporção entre os sexos poderia estar relacionado ao comprimento dos indivíduos o que pode ocasionar captura preferencial, em maior ou menor escala, dos exemplares de um dos sexos. Enquanto que as fêmeas predominaram no maio e outubro, isto pode ter ocorrido devido ao peso das gônadas, tornando as fêmeas mais susceptíveis à captura (Gurgel, 2004).

As fêmeas de L. piau, foram maiores que os machos em relação ao comprimento e peso corporal. Santos & Jegu (1996), inventariando a família Anastomidae em um lago da Amazônia, constatou que as fêmeas eram maiores que os machos. Mesmo resultado foi também registrado para outras espécies, tais como, Salminus brasiliensis (Sato et al., 2000) e Prochilodus brevis (Nascimento, 2006).

A estimativa do parâmetro b maior que 3,0 para machos e fêmeas de L. piau, sugere tratar-se de um peixe com valor alométrico positivo, ou seja, a espécie se desenvolve mais em peso do que em comprimento. A análise da relação peso- comprimento tem sido utilizada para estimar biomassa a partir de dados de freqüência de comprimento e como medida da variação do peso esperado para o comprimento de um indivíduo, indicando sua condição, ou seja, o acúmulo de gordura e de desenvolvimento gonadal (Chellappa et al., 1989).

Embora o comprimento da primeira maturação apresente variações entre as espécies determinadas pela disponibilidade de alimento e em ocorrência de taxas de crescimento diferenciadas (Nikolsky, 1963), várias espécies tropicais parecem alcançá- lo quando atingem de 40 a 50% do comprimento assintótico (Agostinho et al., 1991). A análise da primeira maturação de L. piau, revelou que os machos maturam antes que as fêmeas. Resultados similares para e mesma espécie foram descritos (Tavares & Godinho, 1994 e Soares et al., 1996).

59 Mediante a observação macroscópicas, notou-se que a morfologia das gônadas de L. piau segue o mesmo padrão descrito para peixes anostomídeos (Costa et al., 2005; Thome et al., 2005; Andrade & Gondinho, 1983 e Ferreira & Gondinho, 1990).

O IGS demonstra o estado funcional da gônada em relação ao peso do peixe, assim indicando o período de desova. Os valores médios de IGS mostram que o período reprodutivo dos machos e fêmeas ocorre durante o período de chuvas da região. Observou-se que as fêmeas apresentam valores mais elevados do que os machos. Os valores de IGS mais elevados para fêmeas foram relatados (Godoy, 1959; Chellappa et al., 2003; 2009), demonstrando que o volume dos ovários durante o processo de maturação gonadal ocorre de modo acentuado.

A análise do fator de condição se parece ser um bom indicador do período reprodutivo para L. piau, pois é observada uma relação inversa ao IGS. Esse resultado pode estar relacionado com a gordura visceral dos indivíduos que é utilizada durante o processo de desenvolvimento gonadal da espécie. A variação sazonal do fator de condição pode estar relacionada ao processo de maturação dos ovários e conseqüente mobilização de reservas energéticas acumuladas (Chellappa et al., 1995; Lima-junior & Goitten, 2003).

A fecundidade é um importante subsídio na estimativa de estoques pesqueiros e produção de alevinos, alem de dar indicações da estratégia de vida da espécie. A fecundidade absoluta de L. piau verificada neste estudo foi semelhante à encontrada por outros autores (Sampaio & Sato, 2009). Há registros de fecundidade absoluta de outras espécies de Leporinus variando de 4.663 a 884.616 ovócitos (Vazzoler, 1996; Sato et al., 2003). Assim, verifica-se que, dentro desse gênero, há uma amplitude grande nos valores de fecundidade absoluta.

Os diâmetros médios dos ovos registrados para a espécie estudada neste trabalho estão dentro dos padrões observados em outras espécies de Leporinus, com variação de 1 a 1,06 mm para ovos (Nakatani et al., 2001).

Os fatores ambientais exercem influência nos ecossistemas aquáticos continentais, agindo sobre os processos ecológicos das comunidades biológicas. A interação entre as variáveis ambientais, entre as quais, destacam-se o fotoperíodo, a temperatura, as chuvas e as cheias, parece oferecer um controle exógeno sobre a periodicidade dos eventos reprodutivos. O primeiro em função do caráter previsível de sua variação anual, deve ter ação mais generalizada sobre o ciclo, enquanto que os demais atuam no desencadeamento de eventos específicos como a desova (Lowe-

60 McConnell, 1987). As chuvas e conseqüentemente o enchimento dos reservatórios têm demostrado maior correlação com o desencadeamento da desova em peixes tropicais.

O período de desova de L. piau no açude Marechal Dutra está correlacionado com as mudanças das variáveis limnológicas, tais como, o aumento do oxigênio dissolvido e a diminuição da temperatura, pH e condutividade elétrica ocorridas com o início do período chuvoso. Agostinho et al. (2004) também verificaram a importância das variáveis limnológicas nas comunidades de peixes em ecossistemas dulcícolas.

As chuvas esperadas para a região ocorreram com grande intensidade durante o período de estudo alcançando maiores valores nos meses março e abril de forma atípica, provocando como em 2008, o segundo ano de enchimento total do açude e conseqüentemente seu transbordamento. Este fato pode ter ocorrido pela influência do fenômeno climático La Niña nos anos de 2008 e 2009 (CPTEC/INPE, 2009). A maior intensidade pluviométrica e do oxigênio dissolvido coincidiram com o período de desova da espécie em estudo.

L. piau da ordem Characiformes é um importante componente ecológico dos rios da América do Sul. A aniquilação de uma espécie dessa ordem pode gerar grande impacto no ciclo ecológico da degradação e síntese de moléculas orgânicas de carbono na natureza. Taylor et al. (2006) investigaram os efeitos da retirada da espécie detritívora e migradora, Prochilodus mariae, no funcionamento do ecossistema do rio Lãs Marias da região Andina da bacia Orinoco na Venezuela. A ausência desta espécie causou mudanças no metabolismo e fluxo de carbono orgânico deste ecossistema, levando a degradação total do rio.

61

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65 LEGENDAS DE FIGURAS

FIG.1. Localização da área de estudo Açude Marechal Dutra, Rio Grande do Norte. FIG.2. Proporção sexual mensal de L. piau (* Diferença significativa ao nível de 5%). FIG. 3. Distribuição da classe de (a) comprimento total, (b)peso total e coeficiente de correlação entre o comprimento total e peso total para (c) machos e (d) fêmeas de L. piau.

FIG.4. Freqüência relativa de (a) fêmeas e (b) macho, indicando a primeira maturação gonadal (L50) de L. piau.

FIG. 5. Ovários e Testículos de L. piau nos estádios de maturação: a – Imaturo b – Em maturação, c – Maduro e d – Esvaziado (Escala: 2 cm).

FIG.6. Freqüência de ocorrência mensal dos estádios de maturação gonadal para sexos agrupados de L. piau.

FIG. 7. Freqüência mensal do Índice gonadossomático e fator de condição para fêmeas e machos de L. piau.

FIG.8. Distribuição de freqüência dos ovócitos no ovário maduro (a), relação de fecundidade com o comprimento total (b), peso total (c) e o peso das gônadas (d), para fêmeas de L. piau.

FIG.9. Valores médios de pluviosidade no período de 2000 a 2009 (a), valores mensais de temperatura (b), oxigênio dissolvido (c), pH (d) e condutividade elétrica da água (e) do açude Marechal Dutra.

FIG.10. Diagrama de ordenação da análise de componentes principais (PCA) das