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5. Discussion and conclusion

5.7 Conclusion

Liliane de L. Gurgel, Márcia Maria do Nascimento, Mirlla Cibely Gomes de Souza, Wallace Silva do Nascimento e Sathyabama Chellappa.

Introdução

Espécies do gênero Prochilodus são distribuídas em todas as bacias hidrográficas do Brasil. Prochilodus brevis, comumente conhecido como curimatã, pertence a ordem Characiformes e é distribuído em todo o Nordeste e uma parte do Sudeste do Brasil (Nelson 1994). Apesar de fato que P. brevis apresenta um valor econômico considerável no Nordeste do Brasil, não é muito estudado cientificamente. A curimatã não defende território e não apresenta cuidado parental. Ele habita preferencialmente áreas profundas da coluna d’água e durante a fase juvenil, alimenta- se no plâncton e apresenta regime alimentar iliófago quando adulto, alimentando-se de material orgânica. Faz parte do grupo de peixes reofílicos que migra vários quilômetros rio acima até as áreas reprodutivas, onde desova em áreas abertas (Araújo et al. 2003).

Além de seu valor econômico, as espécies de Prochilodus são consideradas um componente ecológico importante dos rios Sul Americanos. Por exemplo, Taylor et al (2006) investigaram os efeitos do desaparecimento de uma espécie dominante detritívora e migradora como, Prochilodus mariae no funcionamento do ecossistema do rio da região Andina da bacia Orinoco. A ausência desta espécie causou mudanças no metabolismo e fluxo de carbono orgânico deste ecossistema, levando a degradação total do rio. A captura indiscriminada de P. brevis, especificamente durante o período de dosava (período de defeso), quando os machos e fêmeas estão maduros e aptos a reprodução, prejudica a sobrevivência da população o que pode afetar o funcionamento do ecossistema. Considerando estes importantes fatos, o presente trabalho apresenta um estudo autêntico sobre as características reprodutivas do curimatã da região semiárida brasileira.

O estudo inclui, proporção sexual, comprimento da primeira maturação gonadal, estádios macroscópicos de maturidade gonadal, índice gonadossomático e fator de condição de P. brevis.

Material e Métodos

Os indivíduos da espécie estudo foram coletados no período de maio de 2008 a abril de 2009, no rio Assu que pretence a bacia hidrográfica Piranhas-Assu, Nordeste do Brasil (05º39’92’’Lat. S; 036º53’92’’ Long. O). Um total de 257 indivíduos foram coletados, dentre os quais, 121 foram fêmeas e 136 machos. Para cada espécime foram registradas medidas morfométricas, tais como, comprimento total (Lt) em centímetros, peso total (Wt) e peso das gônadas (Wg) em gramas. O sexo e o estádio de maturação gonadal foram determinados. A escala de maturidade gonadal foi baseada em Vazzoler (1996). Proporção sexual de machos e fêmeas foi calculada mensalmente e a hipótese nula 1:1 foi testada utilizando o teste qui-quadrado ( χ2).

qualitativo baseado nas mudanças macroscópicas mensais de porcentagens dos estádios de desenvolvimento gonadal; um método quantitativo baseado em mudanças mensais dos parâmetros relacionados a maturidade sexual, tais com índice gonadossomático (IGS) e fator de condição (K).

O índice gonadossomático foi definido baseado em McAdam et al. (1999) como segue: IGS = (Wg/ Wt) × 100; onde Wg é o peso das gônadas e Wt é o peso total do corpo. Fator de condição (K) foi baseado em Lima-Junior et al. (2002), onde K = 100 (Wt / Ltb); Wt = peso total do corpo, Lt = comprimento total e b = coeficiente angular. O comprimento da primeira maturação gonadal (L50) foi calculado separadamente para cada sexo e também para sexos agrupados, utilizando a porcentagem de indivíduos maduros (estádios II, III, IV e V) que ocorreram durante o período reprodutivo.

Resultados e discussão

A proporção sexual anual foi diferente do esperado 1:1 e estatisticamente significante, exceto nos meses de junho e setembro (χ2 = 1,15 e 0,14), com uma predominância de machos nos outros meses. Segundo Nikolsky (1969), a proporção sexual pode providenciar um subsídio importante para explicar a relação entre indivíduos e o ambiete e sobre a situação da população de uma espécie.Esta análise pode refletir a adaptação da espécie em relação ao alimento disponível no ambiente. Se o nível de alimento disponível não é adequado resultará numa redução das fêmeas e resultando numa baixa taxa de recrutamento da população.

Durante o período de estudo, o comprimento da primeira maturação gonadal (L50) foi calculado em 19,2 cm (± 0,21) cm para fêmeas e 18,6 cm (± 0,07) cm para machos. Estes valores foram diferentes de um outro membro Curimatidae, Curimatella lepidura a qual atingiu a primeira maturidade gonadal com 7,7 cm de comprimento padrão para fêmeas e 7,1 cm para machos no reservatório Juramento, Minas Gerais (Alvarenga et al. 2006). Os estádios mensais de maturidade gonadal de machos e fêmeas da curimatã mostraram que o período de desova inciou-se simultaneamente para ambos os sexos, durante o período de maio de 2008 a abril de 2009. Indivíduos nas fases antes da desova (estádio III) e pós desova (estádio V) foram menos representativos nas amostragens, com porcentagens variáveis durante o ano.

A frequência de peixes em desova foi mais intensa no período de maio a julho de 2008. Durante agosto a novembro de 2008, a maioria dos peixes completaram suas atividades reprodutivas e entraram no período de repouso, exceto alguns raros i ndivíduos que ainda estavam com atividade de desova. As características reprodutivas e o período de desova dos peixes variam em relação à espécie e as características ecológicas das bacias hidrográficas (Lagler et al. 1962).

A região semiárida do Nordeste brasileiro é caracterizada pelo curto período de chuva juntamente com um longo período de estiagem e as chuvas atuam como sendo o fator ambiental mais importante que modula o período reprodutivo dos peixes (Chellappa et al. 2009). O aumento da media do I GS dos machos e fêmeas apresentam mesmo padrão. Os valores médios do IGS aumentaram gradualmente em dezembro e um pico de IGS foi observado em janeiro de 2008. Em seguida, os valores do IGS reduziram atingido os menores valores em abril. A análise das frequência de ocorrência de indivíduos maduros em estádio III e valores médios de IGS indicam o período reprodutivo da curimatã que estende de maio a julho. O período de repouso ocorre durante agosto a novembro. O principal período reprodutivo de P. brevis ocorreu durante o período de chuva. Isto mostra que o ciclo reprodutivo dos peixes tropicais geralmente coincidem com melhores condições ambientais. Os resultados do presente

trabalho estão em acordo com as observações de Carmassi et al. (2008), que observaram o período reprodutivo da curimatã, Cyphocarax modestus em Rio Claro, SP. O fator de condição (K) mostra padrões anuais similares em machos e fêmeas de P. brevis. No período de 2008 a 2009, as variações temporais do K demonstou um definido ciclo sazonal. Curimatã atingiu altos valores de K durante outubro a Janeiro, que baixaram de fevereiro a março e durante agosto a setembro. Foi observado um pico anual em novembro de 2008 e um valor mais baixo em março.

O fator de condição mostrou que os machos apresentaram uma estratégia similar às fêmeas, em relação ao metabolismo de energia e sua distribuição durante a maturação gonadal e período reprodutivo (Chellappa et al., 1995).

Conclusão

Para manter o estoque da população em equilíbrio, é importante que os peixes tenham uma chance para reproduzir pelo menos uma vez na sua vida. No caso de P. brevis, o tamanho mínimo de captura deve ser 19,20 cm (± 0,21) cm para fêmeas e 18,60 cm (± 0,07) cm para os machos. Período de defeso para P. brevis é recomendado nas bacias hidrográficas do Estado do Rio Grande do Norte durante o período de desova que estende-se de maio a julho.

Referências bibliográficas

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VAZZOLER, Anna Emília A. de M. Biologia da reprodução de peixes teleósteos: teoria e prática. Maringá: EDUEM, 1996. 169 p.

Anexo 8b: Trabalho apresentado de forma de painel no XII Congresso Nordestino de

Anexo 8c: Certificado de apresentação do trabalho no do XII Congresso Nordestino de

Anexo 9a: Trabalho expandido publicado nos ANAIS do XII Congresso Nordestino de

Ecologia, realizado de 13 a 16 de outubro/2009 em Gravatá/PE.

Fator de condição, índice hepatossomático e aspectos