2.2 Agentteori
2.2.3 Moralsk hasard og skjev utvelgelse
ocorriam comigo. Talvez esses tipos de comportamento sejam típicos da faixa etária de 9 e 10 anos; sem contar os outros aspectos envolvidos. Porém, ouvindo os relatos e as atitudes com relação à indisciplina, vejo que ainda tenho muito a aprender, pois, a maior parte dos acontecimentos de indisciplina de minhas salas têm origem na minha inexperiência enquanto docente. Esses encontros têm contribuído muito para a reflexão da minha prática pedagógica (Relato escrito – Professora 3).
4.1.3. Medidas tomadas pelas professoras iniciantes mediante situações de indisciplina
Várias medidas visando à superação das situações de indisciplina foram descritas pelas professoras. O tipo de medida tomada modificou-se ao longo do desenvolvimento dos encontros do grupo. No início estavam mais relacionadas à figura da diretora da escola, em que os eventos de indisciplina quase sempre terminavam na
20 Atividade de fechamento: prática adotada no término de alguns encontros com o intuito de impulsionar
processos reflexivos sobre a prática individual de cada participante tendo como referência a prática do outro.
sala da direção. Posteriormente, esse tipo de medida deixou um pouco de ser usado. A justificativa das professoras era de que tal procedimento não surtia efeito na sala de aula, uma vez que nenhuma atitude mais drástica era tomada e nada acontecia com o aluno, chegando, às vezes, até a piorar a situação.
O quadro a seguir apresenta exemplos de estratégias utilizadas pelas professoras diante de situações envolvendo eventos de indisciplina. Várias dessas medidas foram apontadas como estratégia de superação dos problemas ocasionados pelos comportamentos indisciplinares já apresentados anteriormente.
Quadro 4 Medidas Tomadas
- Dar uma atividade atrás da outra. (P1)
- Parar tudo, conversar, explicar, levar a uma reflexão coletiva/tentar ser mais flexível, realizando uma discussão com os alunos sobre o acontecido/tentar conversar. (P1, P2) - Solicitar que os alunos sentem em suas carteiras. (P2)
- Chamar a atenção. (P2)
- Diante de uma situação constrangedora, a professora não sabia o que falar ou fazer. Então apenas disse que iria comunicar o acontecido ao pai. (P2)
- Separar os alunos que estavam brigando para não se ferirem. (P2)
- Retirar os objetos alheios à sala de aula que são trazidos de casa/Pegar a bolinha de gude e não devolver. (P2, P4)
- Em uma situação de prova, mandar os alunos que já terminaram para a sala de outra professora. (P2)
- Premiar, elogiar/elogiar os melhores alunos/recompensa. (P2, P3)
- Encaminhar para a diretoria/ameaçar contar para a diretora/ameaçar mandar para a diretoria/comunicar a direção. (P2, P3)
- Ameaçar escrever bilhete para os pais/mandar bilhete. (P2, P3))
- Construir regras de convivência no início do ano/na construção das regras solicitar aos alunos que digam o que realmente irão cumprir/lembrá-los sobre as regras. (P2, P4) - Ameaçar/gritar e ameaçar. (P2, P4)
- Marcar na lousa. (P2, P4)
- Estabelecer o respeito em sala de aula. (P3)
- A própria professora resolver a situação, sem ameaçar que vai chamar ou levar para a diretoria. (P3)
- Explicar para os pais na reunião, porque os alunos não podem levar objetos para a sala de aula. (P4)
As medidas adotadas pelas professoras tiveram conseqüências e acarretaram em sucessos e em insucessos.
Exemplo 1 (Professora 1 - extraído de relato escrito)
Situação: Falta de atenção, conversas paralelas, agressão com palavras ou físicas entre os colegas, brincadeiras.
Medida tomada: Parar tudo, conversar, explicar, levar a uma reflexão coletiva. Insucesso: Embora tome tal atitude, ainda não percebe mudanças.
Exemplo 2 (Professora 2 - extraído de relato escrito)
Situação: Crianças que não param na carteira e falam o tempo todo, atrapalhando a sala. Correm, pulam e sobem nas carteiras. Gritam, imitam bichos, cantam paródias, geralmente com conteúdo pornográfico.
Medida tomada: Solicitar que sentem nas carteiras.
Insucesso: Os alunos ignoram, fazem que não ouvem, desafiam a professora: “Pode chamar a diretora”, “Eu quero ir para a diretoria”.
Exemplo 3 (Professora 2 - extraído de relato escrito)
Situação: Desrespeito com a professora e colegas da sala quando a mesma pede ao aluno para copiar, ver o caderno ou a tarefa.
Medida tomada: Ameaçar de escrever bilhete para os pais.
Insucesso: As falas mais comuns: “Pode escrever, eu não tenho medo”. “A minha mãe não fala nada”. “Eu não vou fazer”. “Não estou com vontade de escrever e nem copiar”.
Exemplo 4 (Professora 2 – extraído das transcrições do 4º encontro – 22/06/2004)
Situação: Desenvolvimento do processo de construção das regras da sala de aula. Ao mesmo tempo em que construíam as regras, manifestavam os mesmos comportamentos que apontavam como os que não poderiam ocorrer.
Medida tomada: Lembrá-los sobre as regras.
Insucesso: Os alunos diziam: “Ah, é verdade”, mas daí a pouco começavam tudo novamente.
Exemplo 5 (Extraído de relato escrito – Professora 3)
Situação: Esconder material do colega, fazendo-o chorar. Medida tomada: Ameaçar contar para a diretora.
Sucesso: Os alunos contam aonde esconderam o material.
Exemplo 6 (Professora 4 – extraído das transcrições do 6º encontro – 06/07/2004)
Situação: Alunos com bolinha de gude na sala de aula. Medida tomada: Retirar e não devolver.
Sucesso: Está tendo resultados, pois quando houve barulho de bolinha, a professora questiona e as crianças guardam.
Como foi possível perceber por meio dos exemplos, a Professora 2 era quem mais relatava a vivência de situações de indisciplina em sua sala de aula. O insucesso também era mais indicado por ela. Uma razão plausível para que tais acontecimentos ocorressem com maior freqüência em sua sala de aula pode ser atribuído ao fato dessa professora estar vivenciando seu primeiro ano de docência, lidando com situações inesperadas, enquanto que as demais se encontravam em seu segundo ano como professoras efetivamente, já carregando consigo um repertório de conhecimentos produzidos a partir da prática diária de sala de aula do ano anterior, em que conhecimentos oriundos do curso de formação e da vivência como alunos foram colocados “em xeque” e, assim, reelaborados e ampliados.
Às vezes, as medidas tomadas pelas professoras não eram a que elas consideravam como sendo as mais corretas, mas diante de determinadas situações era como elas conseguiam manter a disciplina e continuar a aula. Era o caso, por exemplo, da estratégia de ameaçar:
Professora 4 – O ano passado.... Era bem assim. Era troca. Muita troca. Assim, “Ah, não vou fazer”. “Ah, não vai fazer? Você quem sabe. A caneta está aqui. Não vai fazer, vai bilhete”. Sabe, assim, era sempre assim. Sabe, aquela coisa de... Ah, fazer o que. Era o único jeito que andava. [...] Mas foi o ano todo com troca. O ano todo. “Ah, está bom então, você não quer fazer?” Aí tinha hora que virava assim: “Então está oh, agora é tal hora.
Se eu passar e daqui a meia hora não estiver pronto, minha caneta está aqui, oh”.
Professora 2 – É, é por aí. Funciona comigo, ele assim, é assim também.
Professora 4 – Ficava assim, bem... Várias vozes – Sempre ameaçando. Professora 4 – Sempre ameaçando. Professora 1 – Sempre com ameaça, nê?
Professora 4 – É, é complicado, você pensar. Às vezes destrói tudo que eu pensava.
Professora 1 – É, então.
Professora 4 – Eu nunca me imaginava... Professora 2 - Vai contra tudo que...
Professora 1 – Psicologia, Didática... Tudo vai para o chão. Professora 4 – Vai.
Professora 2 – Eu nunca me via, assim, falando para o aluno “senta” e hoje eu me pego toda hora “senta”, “senta (...)”, “senta (...)”, “senta ...” (Transcrição do 4º encontro – 22/06/2004).
A estratégia de mandar para a diretoria, muito mencionada, principalmente pela Professora 2, não parecia surtir o efeito esperado:
Professora 2 – É. Eles vão assim... abrindo a sala, nê?, Essas carteiras vão se juntando, apesar de eu falar, eu não quero trabalho em dupla, só em trabalhos específicos, nê?, que eu os deixo trabalhar em dupla. E as carteiras vão indo aos poucos, quando eu vejo tem um buraco na sala, no meio da sala, assim, no fundo e aí eles começam a virar estrelinha e jogar capoeira. Tem dois alunos... E aí assim, eu estava dando uma matéria nova – Tipos de frases – eu estava explicando para eles e eles começaram a brincar lá no fundo da sala, aí eu chamei a atenção uma vez, até coloquei aqui (refere-se atividade individual), uma vez, duas vezes... Aí eu tentei assim, vou ser mais flexível, vou abrir uma discussão com eles: por que eles estão fazendo aquilo, vamos falar sobre as regras da sala, que na escola tem horário para estudar, para brincar, para ouvir, prestar atenção, mas eles não queriam saber de... de nada. Aí eu falei assim: “Olha, eu vou levar vocês então para conversar com a Diretora!”. Aí um deles que é o (...), que é o mais indisciplinado, falou assim: “Eu quero ir! Eu quero conversar com ela! Então sabe, eu tentei ser o mais flexível possível, mas não adiantou, até que eu perdi a paciência, peguei ele, assim, não peguei ele, nê? Esperei o intervalo, eles irem para o recreio, aí conversei com... Sentei, conversei com a diretora. Aí ela falou: “Não, trás para eu conversar com eles”. Aí foram os três pra lá. Eu expus a situação que cada um... E eles assim, o (...), os outros chegaram com receio na sala, com medo, tanto é que até o final da aula eles não conversaram mais, prestaram atenção na aula, mas o (...), ele mostrava o ‘alerta’
dele pra todos e falava assim pra mim, com motivo de orgulho sabe: “Olha, eu fui lá! Estou levando pra casa!” Aí ele falou assim pra mim se eu podia dar um bilhete pra ele ir participar de algum curso de capoeira. Então assim... Nossa! Ele tirou uma na minha cara ainda, nê? Eu não sabia nem o que fazia. Eu falei assim: “Você acabou de conversar com a diretora, está levando um comunicado para casa, fica brincando ainda!” Ele dava risada, sabe, não sei.
Pesquisadora – Dá para ver que para ele não adianta levar para diretoria.
Professora 2 – Não e hoje foi novamente. Eu estava corrigindo, novamente, só que hoje a classe... Até a coordenadora passou pelo corredor e estranhou porque a minha sala é um barulho, assim infernal, eles falam o tempo todo e eu tinha trabalhado sobre o bairro na primeira parte da aula e estava nos exercícios. Então eu ía corrigindo um por um aqueles que íam terminando e a sala estava em silêncio e eu estava corrigindo um caderno, quando eu olhei na porta e vi a coordenadora. Ela falou assim: “Professora 2, o (...) está no corredor chorando!” Um aluno meu saiu da sala, sem autorização, porque o (...) tinha batido nele e eu não vi. O (...) foi até a carteira dele deu um murro nas costas dele e o (...) saiu para pedir socorro para alguém. Ele não veio pedir para mim e a coordenadora nessa hora coincidiu que ela estava passando. Ela falou: “Eu não me conformo. A sua sala quieta...” Ela falou assim: “E você não viu ele sair?” Eu falei: “Ele saiu sem autorização e eu nem vi o (...) bater nele”. Ele foi lá na carteira, deu um murro nas costas e tirou o fôlego do menino. E ele foi no... Aí a coordenadora, pegou-o e levou-o para a diretora. E sabe e ele chegou dando risada, foi pela segunda vez pra lá. Sabe, não tem o que fazer com ele. Eu não sei o que que eu faço com ele (Transcrição do 5º encontro – 29/06/2004).
Auto questionar-se quanto à estratégia adotada também é apontado nas discussões do grupo. Frente à dada situação, em que os alunos trazem bolinhas de gude para a sala de aula e a professora resolve retirá-las e guardá-las com o intuito de conseguir prosseguir a aula, a professora manifesta-se da seguinte forma:
Professora 4 – Sabe, foi muito difícil. Isso aqui, graças a Deus, hoje eu já não tenho mais, mas essa primeira situação de briga porque ‘aí porque pegou, porque aí escondeu, eu que ganhei’, é assim constantemente. Constantemente e isso assim, você está lá explicando empolgada e falando, de repente você tem que parar para resolver questão de bolinha de gude tal. Então, assim, eu até coloquei como que eu faço, né? Eu estou pegando e não devolvo. Então, assim, às vezes eu fico: Aí, será que é o certo? Eu falo: “Não vou devolver”. E fica lá. Passou. Então eles... Assim, está tendo resultado? Alguns. Então eles... Assim, eu ouço
barulhinho eu já... Tem alguém com bolinha aí. Aí já ficam assim, eles já guardam, tal.
Professora 1 – Não mexem mais.
Professora 4 – Mais é o que mais assim... Eu acho que isso daí é um tipo de indisciplina, porque a sala toda acaba se envolvendo com a briga. ‘Aí foi ele.’ Não sei... Aí levanta, já vai... Então aí já perde aquilo que nós estamos dando (Transcrição do 6º encontro – 06/07/2004).
Diante das dificuldades relacionadas a indisciplina, a Professora 1, que no decorrer das discussões relatou poucas situações vivenciadas nesse sentido, atendo-se mais a participar das discussões propostas pelas demais professoras, apontou a responsabilidade que os alunos também têm com relação a superação dos problemas de indisciplina, destacando que o aluno também precisa fazer a sua parte nesse processo.
... Acredito que por mais que o professor busque alternativas tentando contornar a indisciplina é preciso que o aluno também faça a sua parte. Enquanto isso não ocorrer a indisciplina se fará presente (Relato escrito – Professora 1).
Pesquisadora – “Acredito que por mais que o professor busque alternativas tentando contornar a indisciplina é preciso que o aluno também faça a sua parte”. O que vocês acham sobre isso? Professora 1 – É o que eu vivencio na minha sala. Por mais que eu faça, tente, que eu busque alternativas, que faça desse ou daquele jeito, se eles não fizerem um pouco da parte deles, não dá (Transcrição do 4º encontro – 22/06/2004).