2.6 Former for styrehonorarer
2.6.2 Effekt av de forskjellige honorarene
Na atividade individual inicial utilizada como disparadora das discussões referentes à temática fracasso escolar, foi abordado dentre outros aspectos, o entendimento das professoras acerca do que para elas seria sucesso escolar, bom e mau aluno.
Para o desenvolvimento de tais tópicos nos encontros do grupo, utilizamos o cruzamento dessa atividade individual com uma outra em que as professoras descreveram seus alunos. A opção por tal medida refere-se ao fato de que ao analisarmos as descrições feitas, percebemos que as professoras descreviam alguns alunos apresentando comportamentos considerados por elas, em outros momentos,
como sendo de indisciplina. Dificuldade de aprendizagem também eram apresentadas, mas ao mesmo tempo, descreviam a criança como sendo uma ótima aluna. Diante de tal fato, objetivávamos levar as professoras a perceberem que não existe um aluno ideal e nem relação entre comportamento e aprendizagem, ou seja, não é porque um aluno conversa bastante na sala que ele não pode ser um bom aluno, e ao contrário, nem todo aluno quieto e sem problemas de indisciplina deixa de apresentar dificuldades de aprendizagem. Assim, muitos fatores considerados pelas professoras como determinantes da aprendizagem e/ou dificuldade foram postos em discussão.
Abaixo, segue alguns exemplos31 de descrição de alunos utilizados como elemento disparador das discussões do grupo:
3 É uma excelente aluna. Tem 11 anos e está na 3ª série. A professora e a coordenadora tentaram reclassificá-la, mas a aluna não quis realizar a prova. Disse que não teria amigos na 4ª série e que tinha medo. Realiza todas as atividades com facilidade e rapidamente. Geralmente sempre esta sozinha porque seus colegas de classe falam que ela já tem peito, bigode e outros. É o exemplo para a toda a sala, pois os próprios alunos reconhecem, falam que ela é quieta e que é a melhor aluna da classe.
3 É uma ótima aluna, realiza todas as atividades, produz excelentes textos e é comunicativa. Anda e fala o tempo todo na sala.
3 É um aluno que tem dificuldades na escrita, na leitura e na interpretação, mas é muito interessado, sempre pede ajuda quando tem dúvidas, participa da aula dando exemplos e realiza com mais facilidade as operações de matemática.
3 É uma aluna bastante esforçada, dedicada, com muita vontade de aprender. No 1º bimestre teve dificuldades em Matemática, porém já foi sanada devido sua persistência. Na maioria das vezes não apresenta problemas de indisciplina, porém, às vezes vem para a escola muito falante e risonha.
3 É uma aluna bastante esforçada. Não a conheci o ano passado. Pelo que pude perceber era uma menina bem difícil, que ficava nas ruas, enfim não recebia a atenção devida da família. Hoje, ela freqüenta uma instituição, onde participa de oficinas como, por exemplo: manicure, bordados, etc. Acho que isso ajudou na melhora de seu comportamento. Às
31 Embora as professoras tenham descrito todos os seus alunos, foram utilizados nesse momento, apenas
dez exemplos, contendo alunos das diferentes professoras. A escolha dessa amostra teve como critério os alunos que as professoras apontaram como: bons alunos, mas com dificuldades; bons alunos, mas falantes e inquietos; alunos com dificuldade, mas comunicativos, participativos e interessados. Ou seja, procurou- se possibilitar a reflexão sobre as relações estabelecidas entre os diferentes “pólos” (bom aluno x mau aluno).
vezes noto que ela chega cansada nas aulas, pois, vai de manhã à instituição e volta direto para a escola. Contudo não apresenta dificuldades na aprendizagem (Extraídos de relato escrito).
Por meio dos exemplos citados é possível perceber as seguintes relações:
• Aluna com distorção série/idade, mas que realiza todas as suas atividades com facilidade e rapidez. É considerada excelente aluna por sua professora;
• Embora considerada como uma ótima aluna pela professora, fala e anda pela sala o tempo todo;
• Apesar de apresentar dificuldades, o aluno é interessado e participativo;
• Aluna esforçada, dedicada e com vontade de aprender. Apresentou dificuldades que já foram sanadas, mas às vezes é falante e risonha em sala de aula;
• Embora a aluna vivencie o que as professoras classificariam como problemas familiares, ela não apresenta dificuldades de aprendizagem.
Foram discutidas as diferentes descrições apresentadas e cada professora falou sobre seu aluno, apontando mais elementos.
Sobre a relação aluno com dificuldade x bom aluno x conversa em sala de aula, as discussões giraram em torno do não estabelecimento de características determinantes do bom ou mau aluno. Como exemplo podemos observar o diálogo a seguir:
Pesquisadora – Você vê que interessante, porque apesar dela ter dificuldade é uma aluna participativa...
Professora 2 – Ela é participativa, questiona... Professora 1 – Superou, né?
Pesquisadora – Questiona.
Professora 2 – Questiona. É uma aluna...
Pesquisadora – E apesar de tudo isso, ela é uma aluna falante. Então nós não podemos dizer que o aluno que tem dificuldade, não é um bom aluno. Não podemos dizer, também, que o aluno que não tem dificuldade ou que o consideramos como um bom aluno, não conversa em sala, porque nós vemos que no caso da Professora 2, vários alunos foram classificados por ela como excelentes ou ótimos e são alunos falantes em sala de aula32.
32 Conversar em sala de aula representa um dos comportamentos de indisciplina identificado e muito
Professora 2 – É uma aluna falante.
Pesquisadora – Então não dá para fazermos essa relação muito...
Professora 1 – Cada caso é um caso.
Pesquisadora – Cada caso é um caso (Transcrição do 16º encontro – 28/09/2004).
Com base nos registros escritos33, observamos que de modo geral as professoras entendem o bom aluno como aquele que questiona, debate, critica, faz associações, comparações, se esforça, tem responsabilidade, investiga, participa, ensina, supera, troca.
Com relação ao mau aluno a Professora 2 destacou que não é somente o indisciplinado e nem o que apresenta dificuldades de aprendizagem, mas aquele que não participa de forma ativa na construção de sua aprendizagem. A Professora 3, por sua vez, afirmou que costumamos dizer que é aquele que não se esforça para aprender, não faz as atividades propostas, não traz as tarefas prontas, ou seja, não se mostra interessado. Contudo, refletindo, disse ter concluído que não existe a distinção entre bom ou mau aluno, mas sim alunos que ora estão propensos a aprender, ora não, acreditando sempre existir algum fator influenciando o comportamento da criança. Para a Professora 4, na maioria das vezes, o mau aluno já tem um histórico de fracasso escolar que o limita demonstrar interesse, dedicação e superação. Pra ela, ainda, o próprio ambiente escolar é quem cria o bom ou o mau aluno, dependendo das expectativas levantadas.
Outro tópico abordado junto às professoras foi o entendimento que elas tinham sobre sucesso escolar. A esse respeito às professoras disseram que:
• Ocorre quando o aluno consegue desenvolver várias habilidades e competências, não apenas ler, escrever e realizar exercícios de português, matemática e outras disciplinas, mas compreender o processo envolvido, associando as disciplinas, comparando e sabendo criticar (P2);
• Ocorre quando o aluno consegue atingir o nível de desenvolvimento adequado a sua idade (P3);
• É compartilhar objetivos, superar expectativas dentro do ambiente escolar (P4).
Esses três aspectos se entrelaçam entre si e estão ligados a questão do fracasso escolar, uma vez que considerar o aluno como “bom” ou “mau” pode maximizar a ocorrência de fracasso e minimizar o sucesso, podendo influenciar as atitudes e ações do professor em relação ao aluno. É claro que isso não é uma regra, mas também não é uma exceção.
Procurou-se refletir sobre as concepções, crenças e opiniões das professoras a respeito desses três aspectos, relacionando-as com as descrições feitas por elas:
Pesquisadora – Então, o que nós podemos tirar de tudo isso? São só alguns exemplos. Vocês deram vários outros. Eu só separei alguns, porque as classes são heterogêneas, bem heterogêneas e cada aluno tem o seu jeito particular de ser. Nós precisamos levar isso em consideração. Outra coisa que podemos tirar é que bons alunos não são somente ‘os ideais’, ou seja, sem dificuldades, que aprendem qualquer coisa, que são participativos e comportados. Alunos com dificuldade, com “problema de comportamento” também podem ser considerados bons alunos. Os primeiros porque as dificuldades fazem parte do processo de aprendizagem e os com problemas de comportamento, porque certas atitudes são típicas da idade, como a conversa em sala de aula, por exemplo. Vamos dar uma olhadinha nesse... A P1 não fez o sucesso escolar, o bom aluno e mal aluno, porque ela falou que não conseguiu definir.
Professora 1 – Eu não consegui. [...]
Pesquisadora – É difícil classificarmos como bom e mal. Todas – É.
Pesquisadora – A P3 colocou um aspecto interessante. Professora 1 – Eu gostei de uma coisa também.
Pesquisadora – ...“... Comecei a refletir sobre tudo o que escrevi e acho que cheguei a seguinte conclusão: não existe o mau aluno e o bom aluno; acho que existe, alunos que ora estão propensos a aprender, ora não; acredito que há sempre algum fator influenciando o comportamento da criança”. Professora 1 – Eu gostei dessa parte também. É um dia pelo outro, né?
Pesquisadora – Um dia pelo outro. A P4 também colocou um aspecto interessante: “Classificar o aluno como bom dependerá das expectativas do professor”. [...] “O próprio ambiente escolar cria o “bom” e o “mal” aluno, tudo dependerá das expectativas levantadas”. Então vai depender muito. Vai depender do contexto, do momento ali que a criança está passando...
Professora 1 – Vai muito, assim, do momento ali mesmo. Não tem uma coisa estabelecida, mal e bom. Então acho que é
algo que vai mudando a cada tempo, a cada momento, a cada... Dependendo da atividade, da circunstância, né? Pesquisadora – Nós temos que dar o caráter de movimento. Professora 1 – É. Não é uma coisa estagnada.
Pesquisadora – Como a aluna da P3, que tinha dificuldade no primeiro bimestre e agora não tem mais. Se nós falássemos dessa menina no primeiro bimestre, olhássemos somente a dificuldade dela e falássemos assim: “Ah, essa menina é uma má aluna, porque ela tem dificuldade e tal”. Entretanto, depois de um tempo ela já não tinha mais. E aí? Professora 1 – Oscila, né? Muda.
Pesquisadora – É um processo (Transcrição do 16º encontro – 28/09/2004).
Ao término das discussões sobre sucesso escolar, bom aluno e mau aluno foi realizada uma atividade de fechamento de encontro34 com o objetivo de propiciar momentos de elaboração e (re) elaboração de conceitos e concepções. Nessa atividade as professores destacaram que:
A partir da discussão que tivemos penso que não podemos estabelecer avaliações definitivas quanto à situação de alunos com dificuldade de aprendizagem, de comportamento e até mesmo de fracasso escolar. Devemos considerar uma série de situações que envolvem todo o processo de aprendizagem, que faz de cada caso uma situação particular. Nada é totalmente definitivo. É preciso tomar muito cuidado ao se falar dos alunos (Relato escrito - Professora 1).
A partir da discussão que tivemos penso que não há regras fixas para analisarmos ou questionarmos o comportamento e a aprendizagem dos alunos, pois ficou claro com os depoimentos das professoras que alunos com problemas de comportamento ou com alguns problemas de aprendizagem possam se tornar bons alunos ou ser bons alunos. Ou ao contrário, que bons alunos não precisam ser necessariamente alunos que ficam o tempo todo quietos, imóveis e que participam sempre da aula.
Portanto, há uma variação muito grande e não podemos dizer que há classes homogêneas. Tudo vai depender do bom senso do professor, percebendo e analisando as dificuldades e as características individuais de seus alunos, pois só assim, ou a partir desta análise é que ele terá requisitos e conhecimento para poder desenvolver um excelente trabalho com os seus alunos (Relato escrito - Professora 2).
CAPÍTULO 5
GRUPO COLABORATIVO DE TRABALHO: PARTE II
No capítulo anterior abordamos dois dos quatro focos de análise estabelecidos a partir das temáticas discutidas no grupo. No presente capítulo, será abordado os dados referentes à alfabetização e a matemática.
5.1. Alfabetização
Quando as professoras iniciantes realizaram o levantamento das prioridades, dúvidas, questionamentos, curiosidades que possuíam e que gostariam de discutir durante o desenvolvimento dos encontros, a alfabetização foi um dos temas apontados.
Para a apresentação dos dados serão considerados os seguintes eixos norteadores: principais tipos de dificuldades enfrentadas pelas professoras com relação à alfabetização dos alunos; como as professoras alfabetizam; dificuldades na alfabetização de um aluno específico e estudo teórico.
5.1.1. Principais tipos de dificuldades enfrentadas pelas professoras com