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No plano da elaboração de políticas extensionárias, o período militar caracteriza-se pela tentativa de unificação e integração das comunidades carentes à nação (‘Integrar para não entregar’ era o lema). Os jovens estudantes são requisitados para prestar serviços nos projetos elaborados e dirigidos por militares nacionalistas.

Um claro exemplo desses projetos, é o Projeto Rondon que, em 1967, teve sua primeira atuação em Rondônia para suprir as necessidades mais eminentes dos povos afastados, promover a integração, segurança e desenvolvimento nacional. Este projeto não é, originalmente, nacional importou exemplos de experiências que já se desenvolviam em outros países.

A origem dos “serviços de desenvolvimento” aconteceu na Inglaterra (1958), com o surgimento do Voluntary Service Overseas. Sua finalidade era promover a cooperação com as nações subdesenvolvidas do Terceiro Mundo. A partir dessa experiência, surgiram outros serviços similares nos Estados Unidos da América do Norte, Áustria, Alemanha, Bélgica, França, Itália, Suécia e Suíça. No caso da América Latina e da África, os programas que surgiram se diferenciavam por objetivarem canalizar a “energia jovem” para causas nacionalistas (SOUSA, 2000, p. 62).

Destaca-se a Lei básica da Reforma Universitária de nº 5.540/68 que considera a prestação de serviço por parte dos estudantes universitários, como prioridade das atividades de extensão, estas tinham cunho assistencialista e integrativo.

O período da ditadura militar às políticas de extensão universitária significou uma mudança, também, na concepção da ação extensionista, descaracterizando a extensão como difusão de conhecimentos acadêmicos e tornando-a prestação de serviços assistenciais às comunidades. Vejamos o Artigo 40 da Lei nº 5.540/68:

As instituições de ensino superior, por meio de suas atividades de extensão, propiciarão aos corpos discentes, oportunidades de participação em programas de melhoria das condições de vida da comunidade e no processo geral de desenvolvimento nacional..

No período militar, a extensão passa a ser vista como uma terceira função da universidade, embora com seu cunho assistencialista, terá seu caráter utilitarista discutido, entretanto, sua institucionalização e sua legitimação terão um grande avanço a partir de projetos como Rondon, Centros de Recrutamento de treinamento e Ação Comunitária (Crutac).

Nos avanços da concepção de extensão no Brasil, Tavares (1997) inclui as iniciativas de entidades privadas, também, criarem seus órgãos de extensão: o Instituto Erivaldo Lodi (IEL) criado em 1969, com financiamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Serviço Social da Indústria (SESI) que tinham como finalidade a formação de mão de obra especializada fora das universidades.

campus avançados em várias regiões afastadas e carentes do Brasil com dupla função: responder às críticas dos estudantes partícipes que demandavam por ações mais elaboradas e permanentes que, ao mesmo tempo, serviam para desmobilizar os estudantes engajados politicamente nos centros urbanos, levando-os a colaborar com a nação nos confins do País!

As principais atividades desenvolvidas nos campi eram ações de assistência e assessoramento para desenvolvimento regional (40%); atividades educativas à população (33%), pesquisas dos próprios estudantes e professores (17%) e programas de sensibilização e envolvimento de comunidades (9%). (GURGEL, 1986, p.126).

Desta forma, as atividades de extensão dentro das universidades públicas federais passaram a ser financiadas, geridas e elaboradas pelo Estado, inclusive, pelo MEC, Ministério do Interior e Forças Armadas. Da mesma forma como os campi surgiram, apareceram as dificuldades para gerenciá-los. O custo era altíssimo e o governo já não dava conta de controlá-los. Em 1989, o projeto foi extinto.

Em 1974, a Universidade da Bahia é solicitada a realizar uma avaliação da implantação da Reforma Universitária nas Instituições Federais de Ensino Superior. Esta avaliação levantou a necessidade de considerar a extensão a terceira função da universidade, status que ainda não havia no seio das organizações federais. Nestas, a extensão ainda era (e o é até hoje) considerada menos importante do que o ensino e a pesquisa. O relatório acrescenta que a extensão seria “talvez uma das formas de ensino das funções puras (ensino e

Entretanto, como nenhum dado é completo suficiente para descrever um período histórico e o desenvolvimento de um conceito (o de extensão), devemos dizer neste ponto que os objetivos do desenvolvimento das políticas extensionistas no período visavam, também, a desenvolver um mecanismo político de “ajustamento e acomodação social”, buscando direcionar ideológica e culturalmente os setores marginalizados, envolvidos com movimentos contestatórios do modelo de governo nacional. A participação das forças armadas na gestão do Projeto Rondon e Crutacs não era desinteressada nem tão pouco ingênua. (FAGUNDES, 1985)

Em abril de 1975, o MEC elaborou o primeiro Plano de Trabalho da Extensão Universitária, que tomava como princípio legal a Lei nº 5.540/68. Este novo texto apropriou-se nitidamente dos princípios do educador Paulo Freire (1971) e definiu extensão como a concebemos hoje: o espaço estratégico ao desenvolvimento da pesquisa e do ensino, interligado com a sociedade, concebendo a troca de saberes populares e acadêmicos como a origem de uma ciência verdadeiramente nacional. As formas de atuação da extensão são definidas como:

cursos, serviços, difusão de resultados de pesquisas, projetos de ação comunitária, de difusão cultural e outras formas de atuação exigida pela realidade da área onde a instituição encontra-se inserida, ou exigências de ordem estratégica (...) a forma através da qual a instituição de ensino superior entende sua área de atendimento às organizações, outras instituições e populações de um modo geral, delas recebendo um influxo no sentido de retroalimentação dos demais componentes, ou seja, o ensino e a pesquisa (MEC/DAU, 1975, p.10)

Entretanto, a elaboração desse documento não garantia às instituições universitárias a possibilidade de construir suas próprias intervenções, pois todas as atividades estavam controladas e fiscalizadas pelo poder público, não

garantindo minimamente a autonomia necessária ao desenvolvimento de práticas conscientizadoras.

No final da década de 1970, o governo militar perde sua força política – em razão dos inúmeros manifestos de políticos articulados com a sociedade civil organizada – entidades sindicais, movimento de trabalhadores rurais, entidades representativas de classe, intelectuais engajados politicamente – e, também, sua força econômica, já que os anos de “milagre econômico” do período de ditadura começavam a cobrar seus benefícios do Estado que, desorganizado, perde o pé da gestão econômica do governo ,obrigando este a efetuar a tão esperada abertura política.

No plano da Educação, o final de 1970 foi marcado pela criação de diversas associações docentes que se consolidam no final da década ou no início dos anos de 1980, a Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior (ANDES), a Federação das Associações de Servidores das Universidades Brasileiras (FASUBRA) e a UNE (que sai da clandestinidade a que foi reclusa no período militar). A Associação Nacional de pós-graduação e pesquisa em Educação (ANPEd), e a Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO).

Em 1985, a Lei nº 7.395 reconhece a UNE como entidade representativa dos estudantes universitários do País. Nesse mesmo ano é fundado o Fórum Nacional de Pró-reitores de Extensão das universidades públicas brasileiras. A Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) é também fundada na mesma época.

A importância da extensão é, então, defendida não só pelo Estado e pelos estudantes como também pelas organizações docentes e pelo próprio Conselho de reitores das Universidades públicas, entendendo que esses atores tinham

construído debates sobre a importância da extensão dentro da universidade no período militar. Agora, com a autonomia de gestão, que as universidades conquistam na década de 1980, elas poderão desenvolver seus planos extensionistas. Nas universidades privadas, a extensão vai ser entendida como cursos de extensão ou, ainda, como lugar de planejamento de eventos por meio dos quais ela se promoveria na comunidade.