Ao contrário das universidades particulares, sabemos que as públicas desenvolveram ações que pudessem unificar e legitimar suas práticas extensionistas, desde o período militar. Constituíram, em 1975, o CODAE (Coordenação de Extensão Universitária) dentro do MEC e extinto em 1979; em 1993, construíram o PROEXTE (Programa de Fomento à Extensão Universitária) e com a parceria do MEC, produziam, em 1996, a RENEX (Rede Nacional de Extensão) com o objetivo de interligar projetos de extensão das universidades públicas brasileiras.
Em 1998, constroem o Plano Nacional de Extensão que levaria a formulação de uma avaliação nacional da extensão universitária (2001) e um sistema de dados e informações da Extensão (2001). Estes dois últimos configuram-se como os mais importantes documentos sobre política de extensão até então, sendo utilizados tanto por universidades públicas como particulares.
É interessante notar que estes dois documentos são resultados de uma década de discussões (exclusivamente nos Fóruns de Pró-reitores de Extensão das Universidades Públicas) sobre política extensionista da realidade do ensino público que, durante o governo FHC, a universidade privada utilizou como único direcionador legitimado, tanto do discurso como das práticas extensionistas dentro de suas instituições. Como ressalta Nogueira:
a elaboração do Plano Nacional de Extensão representa, certamente,
uma estratégia do Fórum de Pró-reitores de Extensão das Universidades Públicas brasileiras (...) mas, embora o MEC, por meio do SESu, tenha participado de sua concepção, ele nunca assumiu o Plano
política das IES públicas brasileiras do que do MEC. (NOGUEIRA, 2000 ,p.67)
Pautada nesse documento, a universidade pública buscava atender ao momento político, que exigia “um processo institucional que valorize e reconheça
a extensão como parte do fazer acadêmico” (Fórum de Pró-reitores de Extensão
..., 2001,p.15). Assim, a Extensão era definida como um processo educativo, cultural e científico, caminhando de forma articulada com o ensino e a pesquisa, desenvolvendo uma prática de transformação social baseada no direcionamento de suas ações às grandes demandas comunitárias , regionais e locais.
Expressava os objetivos de instaurar uma avaliação institucional permanente das atividades de extensão, que servisse de parâmetro para avaliar a própria instituição universitária e realizasse a vinculação com o Estado, com base na elaboração, acompanhamento e avaliação da implantação de políticas públicas voltadas à maioria da população. A intenção era desenvolver um Programa Nacional de Avaliação da Extensão, bem como de sua organização e busca de financiamento público para suas políticas.
A partir do Plano Nacional de Extensão elaborado, em 1999, pelo Fórum de Pró-reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras e pelo MEC/SESu e da Proposta de Avaliação Institucional – SINAES – de 2005, já discutida neste trabalho, procuramos elaborar categorias de análise da extensão na universidade privada, levando em conta suas especificidades.
Assim, os itens como ‘Finalidade do setor dentro da universidade’, ‘Fomento’, ‘Plano acadêmico/pedagógico’ e ‘Plano de produção científica e produção de saberes/conhecimentos construídos no intercâmbio entre
comunidade e instituição universitária’ foram produzidos com a finalidade de complementar tais bibliografias.
A importância da construção de um instrumento objetivo de análise das atividades extensionistas é diversa. Hoje, constitui-se em um recurso a ser pensado na Avaliação Institucional interna e externa, pois o Paidéia (parte dos SINAES que avalia atividades de extensão) apresenta bons recursos teóricos para compreensão das atividades extracursos e mesmo culturais intra e extra- universidade, mas até o atual momento não ficou claro como as Comissões de Avaliação Institucionais (CONAES) irão efetuar estas avaliações, dentro das universidades privadas e públicas.
Definimos as dimensões de análise do setor dentro da universidade, que juntos organizam a Política de Gestão da Extensão nas universidades privadas paulistanas que se disponibilizaram a contribuir com nossa pesquisa. Ressaltamos o que chamaremos de política de gestão da Extensão, o conjunto político-ideológico que se constrói em cada universidade, que tem referência com sua finalidade dentro da instituição, como é fomentada, quais suas atribuições e funções administrativas e pedagógicas (ensino e pesquisa), qual a relação que estabelece com a sociedade/comunidade e com a própria comunidade interna (alunos, professores e coordenadores). Esclareçamos cada um deles.
1. Finalidade do setor dentro da universidade: como os atores da
universidade (Pró-reitor, Vice-reitor ou coordenador; coordenadores/diretores; docentes e discentes) conceituam a extensão e quais finalidades atribuem a ela.
2. Fomento: como a universidade dispõe de recursos financeiros,
3. Infra-estrutura da Extensão: informa as condições físicas e
gerenciais, de realização da organização do setor – se é Pró-reitoria, se é coordenadoria, quantos profissionais estão envolvidos com o setor – definindo o organograma e o fluxograma do setor. Entendendo como análise do fluxograma, o que a Extensão planeja e o que ela consegue consolidar das metas planejadas, também, é possível analisar, dentro do fluxograma como os projetos são gerados.
4. Relação da universidade com a sociedade e a comunidade: pode
revelar de que modo as atividades de Extensão estão presentes na sociedade, quais as finalidades destas intervenções, como entendem a recíproca entre o saber institucionalizado pela ciência e o saber produzido pela comunidade externa.
5. Relação intra-universidade analisa a possibilidade de incorporação
da extensão na vida acadêmica. Podemos investigar se há professores ou alunos (da área de Psicologia, especificamente) que tenham contato com a extensão, se sabem de sua função na universidade, se estabelecem críticas a respeito das práticas ou formas de gestão do setor. Esta inter- relação pode se dividir em dois ou mais planos:
Plano acadêmico/pedagógico: analisa a possibilidade de acesso de
professores e alunos às práticas extensionistas, sejam elas quais forem. E, também, a possibilidade de propostas de projetos de extensão por parte de professores e alunos, isto é, qual o ‘tamanho’ da verticalização do setor da extensão na universidade privada. A partir daí, compreendemos a Extensão, como um setor síntese das relações hierárquicas da universidade privada.
Plano de produção científica e produção de saberes/conhecimentos construídos no intercâmbio entre comunidade e instituição universitária. Neste
item, procuramos investigar se as práticas de extensão estão vinculadas à produção de conhecimentos (especificamente, à área de Psicologia) ou se estabelecem com a comunidade uma relação de dominação e assistencialismo dos serviços gerados pelas diversas áreas de atuação.
Desta forma, os itens de análise que criamos para investigar as Políticas de Gestão, propõem-se como um método objetivo de análise do setor e os sentidos de sua utilização na universidade privada.
Assim, a avaliação da Extensão que agora serviria de diagnóstico para a instituição, deveria abordar três ações inter-relacionadas: o compromisso institucional para a concretização de atividades de extensão; o impacto social que estas atividades provocariam e os métodos e instrumentos de avaliação das atividades de extensão. Assim, a avaliação deve obedecer alguns pressupostos:
- demonstrar a qualidade do que se produz na extensão;
- abranger todas as ações da extensão: programas, projetos, eventos, cursos, produções acadêmicas e prestações de serviço;
- propiciar a credibilidade do que a extensão produz, no contexto interno e externo;
- ser contínua, processando-se no decorrer das atividades;
- ser qualitativa e quantitativa, realizada pela comunidade universitária e pela sociedade;
- ter seus resultados considerados no planejamento e tomada de decisão das IES nas áreas de ensino e pesquisa. (Fórum dos
Pró-reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, 2001,p.36)
O documento de Avaliação propôs, teórica e metodologicamente, um sistema de análise dos diversos componentes da extensão (na universidade pública): as dimensões da Extensão: Política de Gestão, Infra-estrutura, Relação universidade-sociedade, Plano acadêmico, Produção científica que, por sua vez, seriam avaliados, conforme a visão de todos os atores da extensão: Universidade
(documentos produzidos por ela), Pró-reitores, Corpo docente, corpo discente, corpo técnico –administrativo e comunidade, por meio de metodologias alguns indicadores qualitativos e quantitativos, como entrevista, análise documental, questionário e observações.
É importante ressaltar aqui que os indicadores propostos de avaliação da Extensão são mais amplamente discutidos no capítulo metodológico deste trabalho, pois são utilizados, como base crítica para a construção de nossos instrumentos de investigação.
Já o documento chamado “Sistema de Dados e informação da Extensão: base operacional de acordo com o Plano Nacional de Extensão”, elaborado pelo mesmo Fórum, organiza a Extensão, conforme “áreas temáticas”:
1. Comunicação: atividades que estivessem relacionadas com comunicação