2 Theoretical and methodological framework
2.3 Methodological considerations\ Selection of data
Destacam-se aqui duas pesquisas, a Tese de Paula Francinete da Silva (Universidade de Brasília), “A coluna como gênero de fofoca” (2010)45, e o estudo realizado por Ani Mari
Hartz Born (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), “Mídia e vida social: uma reflexão sobre categoria, gênero e subgênero”, apresentado no Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) da Região Sul, em 201046.
O estudo realizado por Paula F. da Silva (2010) identifica a coluna social como um gênero misto, nascido da interseção entre o gênero fofoca e o gênero coluna, vindo do jornalismo do início do século XX que se configurava como espaço de pessoalidade e opinião. A autora analisa as colunas sociais editadas pelo jornal O Globo entre os anos de 1987 e 1989, período em que a sociedade brasileira transitava do regime ditatorial para o democrático. Assim, contrapondo os textos da coluna social com o estudo dos gêneros jornalísticos foi
44Como exemplo do verbete coluna apresentado por Rabaça e Barbosa (2001, p. 148): “Seção especializada de
jornal ou revista, publicada com regularidade, geralmente assinada, e redigida em estilo mais livre e pessoal do que o noticiário comum. Compõe-se de notas, sueltos, crônicas artigos ou textos-legendas, podendo adotar, lado a lado, várias dessas formas. As colunas mantêm um título ou cabeçalho constante, e são diagramadas geralmente numa posição fixa e sempre na mesma página, o que facilita a sua localização imediata pelos leitores”.
45Trabalho publicado em livro, com mesmo título, no ano de 2011 pela Editora CRV (Curitiba-PR).
46Trabalho com base na tese de doutorado “As representações das elites na mídia de colunismo social em porto
alegre: um estudo de caso sobre o Programa Sociedade com Odalgir Lazzari”, defendida em 2011, na UNISINOS.
observado que a coluna social não poderia ser encaixada em um gênero específico, posto que o que a caracterizava era uma grande mistura de textos.
Na busca por caracterizar a coluna social como um espaço de mexericos47, Paula F. da
Silva (2010) reconheceu que a classificação dos gêneros jornalísticos está ligada à própria evolução do conceito de jornalismo e que a coluna social se constitui de dois elementos fundamentais: a memória e o riso. O primeiro representado pelo registro de eventos já acontecidos e o segundo em razão do nível cômico das espécies caricatura e charge presentes nas colunas analisadas – Coluna de Ibrahim Sued e Coluna de Carlos Swann.
O trabalho de Born (2010) reflete mais profundamente sobre a questão de como se referir a um tipo de mídia que aborda predominantemente a vida em sociedade. Para isso, a autora analisou o conteúdo de diversas mídias (jornal, revista, televisão e internet) de Porto Alegre com intuito de buscar uma nomeação e classificação mais adequada para o jornalismo que veicula eventos sociais.
A pesquisadora ressalta em seu artigo que forma e conteúdo são os critérios normalmente utilizados nos estudos de categorias e gêneros de autores clássicos como Beltrão e Melo. E os subgêneros não são normalmente trabalhados sob esta nomenclatura. Para o estudo dos gêneros televisivos foi utilizado como referência a obra de José Carlos Aronchi de Sousa, “Gêneros e formatos na televisão brasileira” (2004).
Desse modo, Born verificou que estes autores trabalham com duas categorias (jornalismo opinativo e de entretenimento), dois gêneros (coluna e crônica) e um subgênero (social) para compor um gênero próprio. A partir disso, o estudo demonstra que é possível a utilização de categoria, gênero e subgênero somente utilizando o critério conteúdo/tema, eliminando o critério quanto à forma. A autora então propõe que a coluna social seja enquadrada na categoria “Entretenimento”, dentro do gênero “Colunismo” como um subgênero.
A autora explica que a escolha da categoria “Entretenimento” se deu em relação ao fácil entendimento do senso comum e pelo fato de não descartar seu caráter opinativo. A opção pelo gênero “Colunismo” se deu pela noção de mais liberdade de estilo e não remeter a um formato pré-estabelecido de Coluna/Crônica, pois transmite a ideia de ação, movimento. Já o subgênero “Colunismo Social” foi escolhido em virtude dos temas encontrados na pesquisa exploratória tratarem da vida em sociedade, embora esse subgênero também revele
seu caráter impresso, mas em menor grau do que a palavra “Coluna”. Portanto, foi adotado o tipo de mídia estudado como “mídia de colunismo social” (BORN, 2010).
Fonte: BORN (2010, p. 13).
O que podemos notar com o resultado desses dois trabalhos é que a preocupação em classificar, nomear e caracterizar o colunismo social é pertinente e vem requerer uma análise cuidadosa da teoria dos gêneros discursivos, bem como do próprio texto jornalístico em seus variados contextos de enunciação. É interessante notar o surgimento de novos elementos na composição do colunismo social, como a memória e o riso, sendo novidade também a sua própria caracterização enquanto um “subgênero”48.
A distinção entre “coluna” e “coluna social” deve se efetivar na teoria atual dos gêneros jornalísticos, pois é comum encontrarmos estudos que definem a coluna e a prática do colunismo (modo discursivo da coluna) a partir das peculiaridades da coluna social. O fato é que existem colunas dos mais variados tipos e finalidades, de acordo com a vontade de seus responsáveis ou respectivas editorias: coluna de esporte, coluna política, coluna de economia, coluna de moda etc. Podem, portanto, tratar de um único tema ou serem compostas de pequenas notas que abrangem vários assuntos, a exemplo das colunas sociais contemporâneas.
48Talvez sem a intenção de encarar o prefixo latino “sub” com o significado de inferioridade, mais como o
significado de “posição abaixo de”, abaixo do gênero coluna ou um tipo de coluna, como na verdade o é.
Mídia de colunismo social Categoria Entretenimento Gênero Colunismo Gênero e Subgênero Colunismo social