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FMS‟ interaction with civil society and other state agencies

3 The Russian state as a migration manager

3.4 Which state organs are handling migration in Russia? The FMS: Institutionalizing a

3.4.1 FMS‟ interaction with civil society and other state agencies

O colunismo social narra os diferentes modos de interação humana, também chamados de socialidades. São os eventos comemorativos, festas e cerimônias (tradicionais ou modernas) que demarcam os ritos de passagem numa sociedade: batizados, aniversários, casamentos, formaturas, entre outros, e que nos remetem a uma multiplicidade de experiências compartilhadas.

Essas situações, encontros e momentos festivos nos permitem compreender o cotidiano como local de permanência da socialidade e de união:

A socialidade de todos os dias [...] é justamente o lugar onde a potência social tenta se exprimir. Para além da moral estreita do dever ser, existe um imoralismo dinâmico que traduz uma profunda exigência ética, cujo único sentido, não nos esqueçamos, é o de viver junto, viver coletivamente (MAFFESOLI, 1984, p. 48).

O “viver junto” designa a necessidade humana de partilha, mas também o modo de aparecer, de teatralização do ser social e individual. E tudo isso faz parte do domínio do espetáculo, onde, explicitadamente, estes fenômenos tornam-se indispensáveis e constituintes da própria essência da sociedade.

O jornalismo que se dedica a relatar e descrever os eventos sociais, nesse sentido, funciona como indicador de formas de socialidades, por apontar para a vivência sensível e para as maneiras coletivas de celebração. Mais que isso, podemos dizer que o colunismo social constrói as apresentações dos ritos e da realidade cotidiana, agenciando nossas memórias.

A memória coletiva é transmitida e atualizada por esse gênero jornalístico, através dos registros das festas passadas e do agendamento das seguintes. Não apenas festas, mas também

69Essa é a hipótese que serve de base a esse trabalho e a qual nos motiva a investigar: como se dá a forma de

apresentação (construção) do cotidiano nas colunas sociais? Que aspectos do cotidiano são revelados neste gênero?

outras formas de manifestações artístico-culturais – shows, espetáculos de teatro, exposições de arte, etc.

Dessa maneira, o cotidiano encontra-se inscrito na coluna social através de seus temas e atividades mundanas, porque não dizer banais. Maffesoli (1984) nos lembra que é na vida concreta que existe mais socialidade:

A animação das ruas, a vida dos bares, os rumores da circulação, os diversos odores que percorrem a cidade, constituem um espectro semântico que deve ser decifrado. Os mínimos atos da vida banal constituem um ‘ambiência’ que se desmembra em vários territórios. Passando de um a outro, descobrimos diversas formas de socialidade. Não há nada de comum entre a praça junto à saída de uma fábrica e a praça do mercado ou dos velhinhos ociosos, como não há entre o burburinho dos botequins e o rumor de uma manifestação e, no entanto, todos esses elementos (e outros ainda) perfazem juntos um território e suas particularidades, a especificidade da poesia cotidiana que se vive bem mais do que se verbaliza e que, por ser obra coletiva e anônima, é expressão gestual e plural da vida social em seu desenvolvimento (MAFFESOLI, 1984, p. 61).

O espaço público e a cidade são os espaços privilegiados em que brotam os assuntos e as formas de socialidades nas quais o colunista vai narrar. Um colunista social não é um simples observador da realidade social, pois ele descreve a realidade ao mesmo tempo em que a constitui.

Os atos comuns da vida cotidiana, os objetos mais triviais que constituem o meio circundante de todos os dias, as festividades, o lazer, tudo isso se encontra sob o olhar do colunista social, seus aspectos matizados e luxuriantes, fato importante que explica a fascinação que a coluna social exerce sobre o leitor. Contudo, essa cristalização social nada mais faz do que acentuar um caráter encontrado no cotidiano (MAFFESOLI, 1984).

A acentuação feita pelos colunistas sociais pode resultar em um “mostrar desmedido”, vulgarizando a aparência dos objetos e dos atores. A imagem mais que o texto é a responsável por isso. Nesse caso, a imagem visa reforçar a experiência cotidiana, mas também alimentar o fascínio.

Como nos contos, nas lendas populares, a imagem eufemiza o que, na prática de todo o dia, passa despercebido. Essa eufemização do tempo e do espaço mostra a ligação orgânica, no sentido forte do termo, que une fantástico e cotidiano. [...] Essa relação ‘totêmica’ que pode assumir múltiplas formas encontra-se na fascinação que exercem o chefe, a vedete, o herói, o criminoso, etc., onde a força dessa relação reside no fato de encontrarmos nesse totem, nesse ícone, um pedaço de nós mesmos, de nossa vida. [...] A imagem do filme, da história em quadrinhos, do semanário sensacionalista, que revela a vida cotidiana da vedete em voga, ressalta com força toda a

carga fantástica, mágica, contida em nossa própria vida (MAFFESOLI, 1984, p. 73-74).

Nesse sentido, as imagens “fantásticas” dos modos de vida apresentados pelo colunismo social constituem importantes reveladores da realidade social, mesmo sofrendo acentuações ou cristalizações particulares. Já os atores ali colunáveis, mundanos, tornam-se visíveis pelo papel que ali representam. Advogados, empresários, políticos, artistas, todos fazem parte da teatralidade da vida cotidiana, pois o homem em sociedade sempre utiliza formas de representação para se mostrar a seus semelhantes (GOFFMAN, 2011).

A teatralidade cotidiana pode convir como meio para compreender a estrutura da vida social, já que, nesse palco, os atores e enredos se repetem e se renovam continuamente. Por isso, “o cotidiano é em si, uma maneira de experimentar a vida” (BRETAS, 2006, p. 30).

Socialidade, no entanto, difere-se de sociabilidade. Para Maffesoli (2006), enquanto a sociabilidade se caracteriza por relações sociais institucionalizadas, a socialidade faz referência a um conjunto de práticas que escapam ao controle social rígido, a um “estar-junto à toa”, ou seja, que independe de um objetivo a ser atingido. Tem haver, portanto, com o lado das paixões humanas, com os laços afetivos e as sensações comuns que perpassam as relações sociais.

A temática da vida cotidiana ou da socialidade, na verdade, desafia o político e o social70, em detrimento do chamado relacionismo. Maffesoli assim define a característica

primordial do social versus da socialidade:

Característica do social: o indivíduo podia ter uma função na sociedade, e funcionar no âmbito de um partido, de uma associação, de um grupo estável. Característica da socialidade: a pessoa (persona) representa papéis, tanto dentro de sua atividade profissional quanto no seio das diversas tribos de que participa. Mudando o seu figurino, ela vai de acordo com seus gostos (sexuais, culturais, religiosos, amicais) assumir o seu lugar, a cada dia, nas diversas peças do theatrum mundi (MAFFESOLI, 2006, p. 133, grifos do autor).

Na coluna social podemos visualizar claramente os papeis assumidos por cada pessoa colunável e assinalados pelos variados formatos discursivos (notas, legendas, fotos), o que indica a prevalência da socialidade, que constitui e descreve a realidade cotidiana, juntamente com seus estilos.