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Labour migrants‟ troubles and the side effects of state management

4 Non-state managers of migration. Their view on the state management. . 61

4.1.1 Labour migrants‟ troubles and the side effects of state management

O estilo, segundo Maffesoli (1995), é o próprio cotidiano do sujeito, as maneiras de ser, de viver e de pensar de cada um que permitem enfatizar a pluralidade dos elementos constitutivos da vida social:

Todas as diversas massificações, as emoções coletivas, as diversas efervescências festivas, as atrações tribais e outras modas de vestir, de linguagem e de gestos nada mais fazem do que indicar, no quotidiano, a pregnância de um estilo de vida ao qual a pessoa não pode escapar (MAFFESOLI, 1995, pp. 65-66).

Por meio da publicização do estilo cotidiano, o jornalismo de eventos sociais ou colunismo, demonstra uma profusão de costumes e habitus comuns, fornecendo, assim, material para a análise do social sob o ponto de vista do sujeito – peça fundamental da cotidianidade71.

O estilo é muitas vezes a razão da distinção social, o que faz com que a elite, por exemplo, institua símbolos, ícones ou crie imagens de sua apresentação em sociedade, garantindo sua diferenciação dentre os demais estratos, concretizada através do consumo de luxo e da ostentação.

Bourdieu (1989), a partir do conceito de mundo social, ligado ao conjunto de relações de forças em busca de determinado poder ou capital social, nos ajuda a pensar sobre o estatuto do sistema simbólico que se organiza segundo a lógica da diferença e da distinção em sociedade. Para o autor, o espaço social e as diferenças que nele se desenham (espontaneamente) tendem a funcionar simbolicamente como “espaço dos estilos de vida” ou como conjunto de Stand72, isto é, de grupos caracterizados por estilos de vida diferentes.

A distinção – no sentido corrente do termo – é a diferença inscrita na própria estrutura do espaço social quando percebida segundo as categorias apropriadas a essa estrutura; e o Stand weberiano [...], é a classe construída por meio de um recorte adequado do espaço social. O capital simbólico – outro nome da distinção – não é outra coisa senão o capital, qualquer que seja a sua espécie [...] (BOURDIEU, 1989, pp. 144-145).

A noção de estilo de vida empregada por Bourdieu baseia-se em Weber quando trata da “estilização da vida”, como uma prática rotinizada que orienta e organiza o conjunto das

71A cotidianidade é uma das formas qualitativas da vida social. Ver Pereira (2008). 72Na verdade, Stände em alemão.

ações mais diversas, permitindo, que o indivíduo dê um sentido às suas atividades, traduzindo-se em hábitos e preferências distintas, como o de vestir, comer e certos modos de agir (WEBER, 1982). A estilização seria, sob essa perspectiva, a procura por estilos definidores de condutas de uma pessoa ou grupo.

Os estilos nas colunas sociais norteiam as maneiras de ser e estar dos sujeitos colunáveis e do próprio colunista. São eles também que enfatizam a existência material e imaterial dos olimpianos, que fascina, seduz e nutre o imaginário do público. Mas, o público por sua vez, ao ler, ver, ouvir ou navegar pelo mundo dos colunáveis/olimpianos, estão também criando ou escolhendo que estilo (de leitura, de vida) seguir.

De uma forma ou de outra, estamos todos envolvidos no projeto de construção e manutenção de uma aparência, de uma imagem, de um estilo, ao mesmo tempo particular e socialmente desejável. Numa conjuntura histórica habitualmente conceituada como tardo moderna, neo-moderna ou pós-moderna, temos consciência de que nossas disposições corporais, a maneira como articulamos nosso discurso, nossas opções de férias e lazer, nossas preferências em termos de música, cinema, TV, roupa, comida, qualquer objeto ou expressão cultural submetido a julgamento de gosto, serão avaliados como principais indicadores de nossa personalidade, de nossa individualidade (FREIRE FILHO, 2003, p.72).

Em linhas gerais, para Freire Filho (2003), o estilo de vida reflete a sensibilidade (ou a “atitude”) revelada pelo indivíduo na escolha de certas mercadorias e certos padrões de consumo e na articulação desses recursos culturais como modo de expressão pessoal e distinção social. Nesse sentido, os estilos de vida, “constituem uma forma por intermédio da qual o pluralismo da identidade pós-moderna é administrado pelos indivíduos e organizado (e explorado) pelo comércio” (p. 74).

O fato de o estilo estar ligado hoje, muitas vezes, ao mostrar, exibir e ao distinguir, faz com que gêneros/subgêneros jornalísticos como as colunas sociais e as revistas sobre a vida de celebridades se mantenham com sucesso e grande público, já que tanto os estilos como os produtos midiáticos são abastecidos pela mesma lógica – o da sociedade do espetáculo.

Nesta cultura das aparências, do espetáculo e da visibilidade, já não parece haver motivos para mergulhar naquelas sondagens em busca dos sentidos abissais perdidos dentro de si mesmo. Em lugar disso, tendências exibicionistas e performáticas alimentam a procura de um efeito: o reconhecimento nos olhos alheios e, sobretudo, o cobiçado troféu de ser visto. Cada vez mais, é preciso aparecer para ser. Pois tudo aquilo que permanecer oculto, fora do campo da visibilidade [...] corre o triste risco de não ser interceptado por olho nenhum. E, de acordo com as premissas do espetáculo e da moral da visibilidade, se ninguém vê alguma coisa é bem

provável que essa coisa não exista (SIBILIA, 2008, pp.111-112, grifos da autora).

Somente para ilustrar o que diz Sibilia, pensemos na criação das celebridades instantâneas, aproximando-se preferencialmente da realidade estudada, teremos a “invenção” de Luiza, que estava no Canadá. Luiza Rabello, estudante de intercâmbio, filha do colunista social paraibano, Gerardo Rabello (sua coluna compõe o corpus desta pesquisa), consagrou-se celebridade pelo discurso comercial do pai, no ano de 2012. A propaganda televisiva73 de um

condomínio residencial de luxo, tido como o “novo endereço da sociedade paraibana”, transformou inocentemente (ou não) Luiza em celebridade através da constituição do meme74:

“menos Luiza que está no Canadá”. O meme repercutiu maldosamente, pois para muitos soou como um exibicionismo de um pai (colunista social, de classe média alta) que quis aproveitar a oportunidade para dizer que a filha encontrava-se no exterior – uma ostentação, portanto, peculiar à profissão e ao estilo de vida que usufrui o colunista.

Tem-se no caso Luiza, de acordo com a premissa da visibilidade referida por Sibilia (2008), a “existência” de Luiza como uma celebridade ou como o próprio espetáculo, pois ela existiu aos olhos de um número indefinido de pessoas (Luiza foi convidada a ceder entrevistas, participou de programas de televisão, foi matéria de telejornais, sites, serviu como modelo de estudante de intercâmbio, etc.), muito em parte graças ao seu modo de vida na época. Outro aspecto deve ser então considerado, o modo/estilo de vida da família Rabello (vetores de divulgação de estilos, de tipos luxuosos de moradia) que também fez parte do cenário no qual se constituiu o debate em torno da invenção da celebridade e no qual se organiza o ethos profissional do pai.

É importante considerar, apesar das demonstrações vaidosas que se tem em alguns estilos cotidianos, sobretudo, nos estilos tratados pelas colunas sociais, voltados à distinção, ao elitismo, que “há nesse estilo de vida uma aquiescência da existência tal como ela é” (MAFFESSOLI, 1995, p. 65). Por isso, como lembra Maffesoli, o estilo pode ser considerado, stricto sensu, uma “encarnação” ou ainda a projeção concreta de todas as atitudes emocionais, maneiras de pensar e de agir, em suma, de todas as relações com o outro, pelas quais se define uma cultura.

Vale ainda ressaltar o estilo como crucial para se entender o funcionamento das nossas sociedades e a escrita de nossas histórias.

73A propaganda está disponível na internet: http://www.youtube.com/watch?v=BVxcWbh9HWE.

74Termo que rapidamente se difunde, relacionado. Algo como um bordão que se repete em várias ocasiões e

O estilo de vida não é uma coisa inútil, pois é isso mesmo o que determina a relação com a alteridade: da simples sociabilidade (polidez, rituais, civilidade, vizinhanças...) à socialidade mais complexa (memória coletiva, simbólica, imaginário social). Ora, como apreender o estilo de uma época se não for através do que se deixa ver? (MAFFESOLI, 2005, p.160, grifo do autor).

A reposta à pergunta (mais uma exclamação talvez) de Maffesoli certamente tem haver com a análise das estruturas do cotidiano, principalmente no que se refere à análise dos elementos constitutivos da aparência que, de forma clara, podem ser percebidos com frequência nas colunas sociais – os trajes de moda, por exemplo – e tomados como marcas de estilos de vida.