Kapittel 6 En flyplass-strid i tre versjoner
6.3. Mediedekningen som tema
Dentre os estudos sobre o Bilingüismo, um dos temas mais relevantes diz respeito às
possíveis conseqüências do crescer bilíngüe no desenvolvimento da criança. Olga Katchan
(1986), em artigo intitulado Early bilingualism: friend or foe?, apresenta uma revisão
comentada das pesquisas realizadas até então sobre o tema “conseqüências do Bilingüismo”,
tendo como foco os estudos referentes aos efeitos do Bilingüismo Precoce (aquisição da
segunda língua na primeira infância) para o desenvolvimento cognitivo da criança.
Katchan afirma que a literatura estudada é vasta, complexa e contraditória. Até meados da
década de 1960, as pesquisas apontavam para desvantagens associadas ao Bilingüismo.
Porém, reanalisando esses trabalhos, percebe-se que houve falhas metodológicas graves, que
resultaram de uma confusão entre o Bilingüismo e os fatores ambientais. Ou seja, os
resultados não podem ser creditados ao fato das crianças serem bilíngües, já que vários outros
fatores fundamentais não foram devidamente controlados.
Butler e Hakuta (2004, p. 120) esclarecem que tais falhas envolviam o controle de
variáveis como inteligência não verbal e nível sócio-econômico na composição dos grupos a
problemas metodológicos, os resultados das pesquisas passaram a apontar vantagens
relacionadas ao Bilingüismo. Segundo Baker e Prys-Jones (1998, p. 63), o período da
descoberta dos efeitos positivos do Bilingüismo sobre a inteligência tem como maior
expoente uma pesquisa feita por Peal & Lambert em 1962, em Montreal. Foram comparados
bilíngües balanceados e monolíngües de 10 anos de idade, em 6 contextos sócio-culturais
diferentes.
Bialystok (2001/2006, p. 187) também se refere a tal pesquisa como um ponto de virada
nos estudos das relações entre Bilingüismo e inteligência. Como já foi mencionado, antes do
estudo de Peal e Lambert (1962), as pesquisas apontavam para desvantagens cognitivas
associadas ao Bilingüismo. A autora esclarece que tal perspectiva era tão forte que as
hipóteses de Peal e Lambert pressupunham que monolíngües e bilíngües teriam o mesmo
desempenho em testes de inteligência não verbal, e que as crianças monolíngües teriam um
desempenho melhor do que as bilíngües nos testes de inteligência verbal utilizados na
pesquisa. Relata que os resultados foram exatamente opostos, para surpresa dos autores do
estudo. As crianças bilíngües tiveram desempenho melhor em quase todos os testes de
inteligência utilizados, inclusive os de inteligência não verbal.
Segundo Baker e Prys-Jones (1998, p. 64), os bilíngües balanceados apresentaram
pontuação significativamente maior em 15 dos 18 testes de QI utilizados, e nos outros 3, o
efeito foi neutro. Bialystok (2001/2006, p. 187) esclarece que tal estudo mudou a
configuração das pesquisas na área, bem como a expectativa dos pesquisadores quanto aos
resultados. Por exemplo, passou-se a dar mais atenção ao controle de variáveis e à língua em
que as tarefas e testes eram realizados. Porém, Bialystok (2001/2006, p. 188) alerta que é
preciso cautela na interpretação de tais dados, uma vez que a população estudada por Peal e
Lambert parece representar uma parcela privilegiada da sociedade, mais especificamente, um
Baker e Prys-Jones (1998, p. 64) também fazem ressalvas à interpretação de tais
resultados, afirmando que tal pesquisa tem questões metodológicas a serem questionadas,
dentre elas, uma certa confusão entre causa e efeito, de modo que não se saberia ao certo se
foi o fato de ser bilíngüe balanceado que levou a um aumento no QI ou se foi o fato de já
serem crianças com QI elevado que as tenha levado a desenvolver um Bilingüismo
Balanceado. Os autores também comentam o fato dos resultados se referirem somente a
bilíngües balanceados com boa proficiência nas duas línguas (não podendo ser generalizados
para outros tipos de Bilingüismo) e falam sobre a necessidade de se diferenciar entre o nível
sócio-econômico e o nível sócio-cultural (duas crianças podem ter o mesmo nível sócio-
econômico, mas diferentes níveis sócio-culturais).
Mesmo com essas limitações metodológicas, tal pesquisa inaugurou a “fase dos efeitos
positivos do Bilingüismo”, que persiste até os dias de hoje. Inúmeras pesquisas subseqüentes
encontraram resultados nesse mesmo sentido. Concordamos com Bialystok quando ele diz
que o estudo de Peal e Lambert tem uma importância imensa na literatura sobre o assunto,
mas que é necessário que se interprete tais resultados com cautela. Ela afirma que
“provavelmente deve haver áreas específicas do funcionamento cognitivo em que crianças
bilíngües difiram de monolíngües, mas afirmações generalizadas sobre uma superioridade
intelectual são provavelmente exageradas e insustentáveis.”42 (Bialystok, 2001/2006, p. 188,
tradução nossa).
A autora ressalta a necessidade de se esclarecer a natureza e a extensão da influência do
Bilingüismo. Aponta que evidências encontradas em estudos sobre o assunto mostram a forte
interação entre o desenvolvimento da língua e da cognição. Na perspectiva piagetiana, tal
interação pode ser compreendida, por exemplo, a partir da importância da língua, ou da
42
“There may well be specific areas of cognitive functioning in which bilingual children differ form monolinguals, but broadly based statements about intellectual superiority are probably excessive and unsupportable.”
linguagem verbal, nas trocas inter-individuais, fundamentais para a construção da inteligência,
sobretudo no que diz respeito à reciprocidade de pontos de vista e à superação do
egocentrismo43.
1.2.1 Pesquisas atuais: uma visão geral
Atualmente, o tema Bilingüismo vem sendo bastante pesquisado. Por exemplo,
tomando como referência a base de dados PsycInfo44, limitando a busca para a partir do ano
2000 até atualmente (setembro de 2007), foram encontrados 2053 itens relacionados ao termo
Bilingualism. Além disso, há 10 anos existem duas revistas especializadas em Bilingüismo, a International Journal of Bilingualism e a Bilingualism: Language and Cognition, o que mostra o crescimento das pesquisas na área.
Voltando à base de dados PsycInfo, quando se busca de forma mais refinada,
encontra-se 487 itens referentes à interface Bilingualism and linguistic, 495 itens referentes à
Bilingualism and Acquisition, a partir do que se pode concluir que grande parte das pesquisas sobre Bilingüismo acontece dentro da perspectiva da Lingüística. Os termos Bilingualism and
Culture levam a 155 itens , Bilingualism and Identity a 158 itens, e Bilingualism and Brain a 164 itens. Quando se coloca os termos Bilingualism and Cognition o número de itens é de
285; Bilingualism and Child Development, o número de itens encontrados é de 21.
Jim Cummins, Kenji Hakuta e Helen Bialystok, autores referência no campo do estudo
do Bilingüismo a partir da abordagem cognitiva, foram indicados também como palavras-
chave em pesquisa na base de dados PsycInfo, limitando a busca às obras posteriores ao ano
43
Egocentrismo significa impossibilidade de perceber outras perspectivas de observação dos fenômenos do mundo diferente da sua própria. Envolve necessariamente a não consciência de que seu ponto de vista é um entre vários. A pessoa que percebe a relatividade de sua perspectiva de observação dos fenômenos já alcançou uma certa descentração, conceito que exprime o extremo oposto do egocentrismo.
44
2000. Foram encontrados 35 itens referentes a Bialystok, 8 ligados a Cummins e 6 referentes
a Hakuta.
Outras fontes de informação foram a participação em congressos, como a ANPOLL em
2006 (GT de Psicolingüística), o Primeiro Congresso Brasileiro de Educação Bilíngüe (2005)
e o Segundo Congresso Brasileiro de Educação Bilíngüe (2007) e a lista de indicações do
LIAAC (Lingüística PUC).
1.2.1.2 Pesquisas no âmbito brasileiro
Procurando pelo termo Bilingüismo pelo BVS-PSI45, que traz pesquisas feitas no
Brasil sobre o tema, encontrou-se 31 itens, nenhum deles referentes a estudos do Bilingüismo
a partir da perspectiva piagetiana. Um número significativo (aproximadamente um quarto)
entre essas versava sobre a interface “Surdez e Bilingüismo”. Outros temas encontrados
foram: aquisição bilíngüe, Bilingüismo e consciência metalingüística, auto-conceito e a
identidade cultural do bilíngüe, Bilingüismo e letramento, Bilingüismo Subtrativo, educação
indígena e Bilingüismo, sobre a produção sonora de um bilíngüe precoce.
Já quando se pesquisa pelo Dedalus46 , serviço de buscas a partir do qual se tem acesso às bibliotecas da USP, encontrou-se alguns itens no Instituto de Psicologia (Abbud,
Cantizanni, algumas obras de Capovilla), um estudo na Faculdade de Educação e alguns itens
na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH), que versavam sobre
diferentes temas, como code-switching (alternância de código), interferência lingüística,
ensino de vocabulário, léxico, educação bilíngüe, fluência.
45
Disponível em <htttp:\\www.bvs-psi.org.br >, acessado em setembro/2007.
46
Disponível em <htttp:\\dedalus.usp.br:4500/ALEPH/por/USP/USP/DEDALUS/START>, acessado em setembro/2007.
Quando, pelo contrário, pesquisa-se o termo Bilingüismo no portal Biblioteca Digital
da USP 47, que traz as teses defendidas na USP, encontra-se 13 pesquisas sobre aquisição, mas
nenhuma delas referente ao Bilingüismo ou à aquisição bilíngüe. Vale esclarecer, contudo,
que esse portal só dá acesso aos trabalhos apresentados em formato digital, de modo que não
representa toda a produção de pesquisas da USP.
1.2.1.3 Periódicos Internacionais específicos
Alguns periódicos internacionais importantes serão utilizados aqui como
“termômetro” para as principais pesquisas na área. A revista International Journal of
Bilingualism existe há 10 anos. No editorial do último número (2007, v. 11, n. 1, p. 1), o editor Li Wei afirma:
IJB, conforme é amplamente conhecido, tornou-se um importante periódico em lingüística bastante reconhecido por meio de contribuições, resenhas e citações de estudantes de uma grande variedade de disciplinas do mundo inteiro. Como demonstram os índices publicados nos 10anos de existência dessa publicação, IJB publicou mais artigos sobre mudança de código, desenvolvimento lingüístico da criança bilíngüe e interações bilíngües do que qualquer outro periódico. E suas contribuições vêm de todos os principais continentes do mundo.48 (Wei, 2007, p. 1, tradução nossa)
Assim, tal publicação parece servir como uma boa referência acerca de pesquisas na
área do Bilingüismo. A partir de 2001, foram encontrados 93 itens relativos ao termo
Bilingualism. Destes, aproximadamente 59 se referem principalmente à abordagem lingüística, abrangendo as áreas da gramática, fonologia, fonética, prosódia, aquisição de
linguagem e, especialmente, estudos sobre mudança de código e a mistura de códigos, tema
sobre o qual versam aproximadamente 22 dos estudos aos quais se teve acesso nessa busca.
47
Disponível em <htttp:\\www.teses.usp,br>, acessado em setembro/2007.
48
“IJB, as it is widely known, has become a major linguistics journal that enjoys attention, through contributions, reviews, andcitations of scholars of a wide range of disciplines and worldwide. As the 10-years index in this issue shows, IJB has published more articles on codeswitching, bilingual children´s language development, and bilingual interaction than any other journal, and its contributions come from all major continents of the world.”
Aproximadamente dez itens referiam-se à pesquisas a partir da abordagem cognitiva,
sendo os temas relacionados à memória e à formação de conceitos os mais proeminentes, com
quatro itens sobre cada um. Controle cognitivo e habilidade metalingüística também foram
temas encontrados.
Aproximadamente dez itens partiam de uma abordagem sócio-cultural, e os temas que
mais apareceram foram a formação da identidade e a influência da cultura sobre o
desenvolvimento, em diferentes aspectos. Além disso, encontrou-se três pesquisas referentes
ao Bilingüismo Subtrativo, três sobre neurologia e dois sobre proficiência.
Como foi visto acima, a perspectiva lingüística aparece de forma marcante no estudo
do Bilingüismo. Contudo, a presente pesquisa, ao ter na perspectiva piagetiana sua base
principal, parte de uma abordagem cognitiva, mais especificamente, da psicologia do
desenvolvimento. Por isso, foi feita uma busca pelo termo Bilingualism em um periódico
importante na área de Psicologia do Desenvolvimento, o Child Development. Foram
encontrados 50 itens, dos quais a grande maioria (aproximadamente 30) parte de uma
abordagem sócio-cultural, relacionando o Bilingüismo a diferentes temas, como identidade
étnica, a influência da interculturalidade sobre diferentes campos do desenvolvimento,
aculturação, interação social, e/imigração. Por volta de dez itens partiam da abordagem
cognitiva, sendo quatro deles sobre controle de atenção, e seis tinham uma abordagem
lingüística.
Assim, numa revista em que o tema é desenvolvimento infantil, quando se busca o
termo Bilingüismo, a imensa maioria das pesquisas versa sobre condições sócio-culturais e
contextuais dentro das quais o Bilingüismo acontece. Tal resultado parece bastante
interessante. Katchan termina seu artigo, publicado em 1986, mencionando a necessidade de
quais determinado tipo de Bilingüismo se desenvolve. O resultado da busca no periódico
Child Development parece indicar que tal direcionamento realmente está se concretizando. A revista Bilingualism: language and cognition, por sua vez, dedicou o último número
inteiro (vol. 10. Issue 02, July 2007) a pesquisas sobre Bilingüismo a partir da perspectiva da
neurologia e, no número anterior (vol 10. Issue 01, March 2007), deu grande ênfase às
reflexões acerca da Teoria dos Sistemas Dinâmicos como uma forma de explicação para a
aquisição bilíngüe.
Essa breve apresentação teve o intuito de apresentar o cenário dentro do qual
realizamos nosso levantamento bibliográfico, partindo do princípio de que tais bases de dados
e periódicos apresentam um recorte significativo desse universo de estudos.
A partir desse levantamento de literatura mais geral, foi feita uma classificação dos
temas mais relevantes para a presente pesquisa acerca das relações entre Bilingüismo e
desenvolvimento da criança. Dentre esses, selecionou-se algumas pesquisas a serem
brevemente comentadas.
1.2.2 Bilingüismo e Inteligência
A introdução do presente capítulo versou sobre esse tema, trazendo um breve
histórico. Naturalmente, os estudos sobre Bilingüismo a partir da perspectiva piagetiana
inserem-se nessa classificação. Eles serão apresentados mais adiante, neste mesmo capítulo.
1.2.2.1 Bilingüismo infantil aumenta a inteligência?
Pensamos ser fundamental que não se busque uma resposta absoluta para tal questão.
Já salientamos a grande diversidade de tipos de Bilingüismo, relacionados a diferentes
contextos de vida, que configuram relações particulares com o desenvolvimento cognitivo.
Bilingüismo pela abordagem cognitiva,desenvolve tal questão, afirmando que uma criança se
torna bilíngüe por diversas razões, que podem incluir migração, educação, família estendida
(avós, primos, tios), residência temporária. Segundo a autora, esses diferentes contextos estão
associados a diferentes classes sociais, oportunidades e expectativas educacionais, acesso a
sistemas de apoio, oportunidades de experiências enriquecedoras e ambiente lingüístico
doméstico.
A autora explica que cada um desses fatores, por si só, pode ter um impacto
significativo sobre o desenvolvimento cognitivo e intelectual e facilmente ofuscaria qualquer
efeito universal que possa ser decorrente do fato da criança conhecer duas línguas. Ressalta
que a proficiência da criança em cada uma das línguas é um fator particularmente crítico
nessa equação, influenciando marcadamente as relações entre Bilingüismo e inteligência.
Bialystok (2001/2006, p. 182-183) preocupa-se em desmistificar a idéia segundo a
qual o Bilingüismo infantil aumentaria a inteligência da criança. Concordamos com a
relevância dessa questão, ressaltando a necessidade de se considerar o sujeito psicológico ao
se utilizar conhecimentos sobre desenvolvimento infantil no trabalho prático com crianças. A
autora explica que a influência positiva do Bilingüismo sobre a inteligência parece estar
relacionada a um contexto referente a crianças de nível sócio econômico elevado.
Esclarece ainda (Bialystok, 2001/2006, p. 183) que a busca de respostas acerca das
relações entre Bilingüismo e inteligência é influenciada por convicções políticas, posições
sociais e sabedoria popular. Afirma que se podem encontrar pesquisas que corroborem quase
todas as posições, ressaltando a necessidade de uma leitura crítica das pesquisas. Acrescenta
que outra questão que dificulta o esclarecimento dessas relações é a falta de consenso quanto
às definições ou conceitualizações de Bilingüismo e de inteligência.
Respeitando a ressalva feita acima, apresentamos a seguir alguns exemplos de
como letramento, aquisição de linguagem verbal, problemas de desenvolvimento.
Organizamos as pesquisas em três grandes grupos: um que aponta para vantagens vinculadas
ao Bilingüismo, outro indicando diferenças no desenvolvimento de bilíngües e monolíngües,
e um terceiro mostrando possíveis desvantagens relacionados a certos contextos nos quais o
Bilingüismo se dá. Temas como percepção metalingüística e pensamento operatório serão
apresentados separadamente, ao falarmos sobre a interface entre estudos sobre Bilingüismo e
a perspectiva piagetiana.
1.2.3 Vantagens?
Apresentaremos a seguir alguns campos de pesquisa em que se conclui, na maioria das
vezes, por vantagens vinculadas ao Bilingüismo infantil. Vale salientar que não se trata de
unanimidade, mas de uma orientação geral a partir de pesquisas na área.
1.2.3.1 De uma maneira geral
Diaz e Klinger (1991/2000, p. 183/184), ao proporem um modelo de explicação para
as relações entre Bilingüismo e desenvolvimento cognitivo, apresentam o que chamam de
“sumário de conclusões confiáveis” às quais se pode chegar a partir de pesquisas sobre
experiências bilíngües precoces e desenvolvimento cognitivo. Dentre elas:
1- Crianças bilíngües mostram vantagens consistentes em tarefas envolvendo
habilidades verbais e não-verbais;
2- Crianças bilíngües mostram habilidades metalingüísticas avançadas, especialmente
manifestada em seu controle sobre o processamento da língua;
3- As vantagens cognitivas e metalingüísticas aparecem em situações bilíngües que
envolvem o uso sistemático das duas línguas, como a aquisição simultânea ou a educação
4- Os efeitos positivos do Bilingüismo aparecem relativamente cedo no processo de
tornar-se bilíngüe e não requerem alto nível de proficiência nem que se tenha alcançado o
Bilingüismo Balanceado;
1.2.3.2 Aumento do controle inibitório
Tal tema será aprofundado no item intitulado “Aumento do controle inibitório”, no
capítulo 4. Nesse momento, apresentamos brevemente o assunto, dada a relevância do tema
em nosso trabalho.
Em livro intitulado “Consequences of Bilingualism for Cognitive Development”,
Bialystok (2005a) afirma que pesquisas acerca de possíveis conseqüências do Bilingüismo
para o desenvolvimento cognitivo da criança encontraram resultados confusos ao buscar
efeitos em domínios como habilidade lingüística ou inteligência. Em sua pesquisa, delimitou
os seguintes domínios cognitivos a serem examinados: conceito de quantidade, mudança de
tarefa e formação de conceito, e teoria da mente. Como fator comum a esses domínios,
encontrou-se que crianças bilíngües tiveram vantagens na resolução de problemas que
requeriam inibição de informações não relevantes. Bialystok conclui que o Bilingüismo
acelerou o desenvolvimento de uma função cognitiva geral relativa à atenção e inibição, e que
efeitos facilitadores do Bilingüismo são encontrados em tarefas em que essa função seja
requisitada.
No mesmo sentido, Bialystok (2001/2006), após examinar pesquisas referentes à
aquisição de língua, habilidade metalingüística, letramento e resolução de problemas,
percebeu que tais estudos mostram que o Bilingüismo teve um impacto significativo sobre a
habilidade da criança em prestar atenção seletiva a informações importantes.
Bialystok & Senman (2004) apresentam duas pesquisas sobre o papel da habilidade de
representação e do controle de atenção na solução de tarefas de realidade e aparência,
de tarefa e conclui que a habilidade representacional foi preditiva da performance nas
questões sobre a aparência, e o controle inibitório foi preditivo da performance nas questões
sobre a realidade. A segunda pesquisa comparou o desempenho de crianças bilíngües e
monolíngües. A performance dos grupos foi equivalente nas questões sobre a aparência, mas,
nas questões sobre realidade, a performance dos bilíngües foi melhor (uma vez que a
proficiência na língua foi controlada). A diferença foi atribuída ao controle inibitório
avançado, associado ao Bilingüismo.
Bialystok e Shapero (2005) pesquisaram a habilidade de identificar uma imagem
alternativa numa figura reversível em crianças de 6 anos de idade, e concluíram que bilíngües
se saíram melhor nas duas tarefas em que o significado de uma imagem tinha que ser
redefinido. Tais resultados são compatíveis com os de uma pesquisa anterior (Bialystok e
Martin, 2004), conduzida com crianças em idade pré-escolar, com uma metodologia diversa,
na qual foi constatado que bilíngües tiveram melhor controle inibitório de informações
perceptuais do que monolíngües, sendo que, no entanto, não foram encontradas diferenças
quanto à sua capacidade de representação.
1.2.3.3 Pensamento criativo
Segundo Baker e Prys-Jones (1998, p. 66), quando uma questão demanda apenas uma
resposta correta, estamos falando em “pensamento convergente” (o que seria, geralmente, o
mais demandando em testes de QI). O “pensamento divergente ou criativo” seria um estilo de
pensamento alternativo, mais livre, aberto para novos fechamentos, elástico, imaginativo e
criativo. Nesse estilo de pensamento, em vez de procurar por uma única resposta correta, o
sujeito preferiria uma variedade de respostas igualmente válidas.
Baker e Prys-Jones (1998, p. 66-67) explicam que, para se medir o “pensamento
divergente ou criativo”, faz-se perguntas para a criança do tipo: “Em quantos usos você pode