Kapittel 7 Den lokale suksessen
7.5. Suksess, optimisme og ansvarlighet
Iniciamos o capítulo apresentando diferentes definições de Bilingüismo, a
complexidade do tema e a necessidade de se definir claramente a que tipo de Bilingüismo nos
referimos. Em nosso trabalho, tratamos do Bilingüismo infantil precoce, no qual a aquisição
da segunda língua se inicia antes dos três anos, ou seja, antes da aquisição completa da
primeira língua.
Em seguida, apresentamos um levantamento de pesquisas acerca de conseqüências do
Bilingüismo infantil sobre o desenvolvimento, dividindo o conjunto de temas abordados em
três grandes grupos: vantagens, diferenças e desvantagens. No primeiro grupo (vantagens?)
foram abordados temas como desenvolvimento cognitivo em geral, controle inibitório,
pensamento criativo, memória, competência metalingüística, resolução de problemas de
matemática, surdez, problemas no desenvolvimento. Temas como o letramento
(biletramento), aquisição bilíngüe, mudança de código e funcionamento cerebral foram
abordados dentro do segundo grupo (diferenças?). No item referente a possíveis desvantagens,
trabalhamos temas como a influência do ambiente escolar, social e cultural, o papel da
aculturação e o Bilingüismo Subtrativo. Importante ressaltar que as desvantagens às quais nos
referimos não são fruto do Bilingüismo em si, mas do contexto no qual ele se desenvolve.
No terceiro item do presente capítulo, centramos nossa atenção nas pesquisas sobre a
influência do Bilingüismo infantil sobre o desenvolvimento cognitivo, a partir da perspectiva
piagetiana. A mencionada questão não é algo que se possa sintetizar de modo absoluto. A
partir do levantamento de pesquisas realizado, bem como das revisões de literatura às quais
tivemos acesso, salientamos que o Bilingüismo infantil precoce pode ter como conseqüência
uma antecipação da percepção da relação entre a palavra e o objeto representado e
afirmando que crianças bilíngües mostram ter vantagens em tarefas que demandem controle
inibitório e de atenção.
Entre todos os pontos por nós apresentados no presente capítulo, esses últimos serão
desenvolvidos com profundidade e interpretados à luz da teoria da equilibração de Piaget. O
primeiro critério de seleção foi a relação com a perspectiva piagetiana. Na questão do
aumento do controle inibitório, a relevância do tema e a revisão de literatura vasta e
diversificada foram consideradas ao selecionar tal tópico para análise mais aprofundada.
Porém, há pesquisas que não constatam tais vantagens, mesmo com um controle de
variáveis poluidoras. Hamers e Blanc (1983/2003, p. 94-100), ao trabalharem tal tema,
apontam duas possíveis explicações para pesquisas que constatam neutralidade ou
desvantagem vinculadas ao Bilingüismo. A primeira delas seria a falta de proficiência
acadêmica nas línguas. A segunda explicação possível refere-se a uma desvalorização da
língua e da cultura de origem da criança. Tal perspectiva será por nós utilizada como
organizadora de nossa leitura a partir da teoria da equilibração.
Assim, de maneira geral, a seqüência de temas a ser trabalhada acerca de relações
entre Bilingüismo e cognição será:
- A maioria das pesquisas aponta para vantagens quanto à
1) Antecipação da percepção da relatividade da relação signo-referente no real
2) Intensificação da capacidade inibitória e do controle de atenção
3) Antecipação da entrada no pensamento operatório
- Pesquisas que apontam desvantagens – explicações possíveis:
1) Falta de proficiência acadêmica nas línguas
Tal quadro de pesquisas será o norteador da presente tese, que discute possíveis
conseqüências do crescer em contexto bilíngüe para o desenvolvimento cognitivo da criança,
a partir da teoria da equilibração de Piaget. Para discutir tal tema, é fundamental que se
esclareça o que se entende por cognição e linguagem verbal, bem como a relação entre elas.
2. INTELIGÊNCIA E LINGUAGEM VERBAL
Piaget, no início de seus estudos no campo da psicologia, trabalhou com testes de
inteligência numa abordagem psicométrica. Pensamos que essa experiência lhe foi
extremamente útil para desenvolver seu próprio método investigativo, chamado pelo próprio
de método clínico. Piaget constatou que os resultados absolutos encontrados em testes
psicométricos não possibilitavam que se conhecesse a construção do raciocínio da criança,
mas somente seu produto final. Sendo o seu interesse conhecer como se dava a construção do
conhecimento do mundo pela criança, ficou clara a necessidade de uma outra forma de
acesso. Na metodologia piagetiana, o mais importante não é a resposta em si, dada pela
criança, mas a orientação do pensamento que levou a essa resposta.
Por exemplo, no campo da moralidade, duas crianças afirmam que não se pode mudar
as regras do jogo. Uma delas justifica tal afirmação dizendo que as regras não podem ser
mudadas, pois foram dadas por seu pai, demonstrando um funcionamento heterônomo. A
outra criança diz que as regras não podem ser modificadas, pois são fruto de um combinado
do grupo, e que só o grupo poderia modificá-las, se houver consenso. As respostas das duas
crianças inicialmente eram iguais, ou foram iguais em termos absolutos: não se poderiam
mudar as regras. Mas a explicação dada mostra duas perspectivas bastante diferentes, uma
mais heterônoma, a outra mais autônoma.
Assim, inteligência, para Piaget, é algo bastante diferente da inteligência para a
abordagem psicométrica. Para o autor, inteligência refere-se à capacidade de se adaptar a
novas situações. O termo adaptação, nesse caso, deve ser tomado no sentido biológico, ou
seja, dadas as variações no meio, a capacidade do organismo de se transformar visando
Inteligência para Piaget, pode ser sintetizada como a possibilidade de coordenar meios
para alcançar determinados fins. Por isso, ele considera a coordenação entre meios e fins no
sensório-motor o primeiro comportamento verdadeiramente inteligente do ser humano. É o
momento em que o bebê usa conhecimentos que já tem, como levantar objetos, para alcançar
um fim novo para ele. Por exemplo, a criança que já sabe levantar um lençol e pegar a
chupeta: num determinado momento, depois de ver a chupeta ser escondida embaixo do
lençol, constrói a coordenação de ações “levantar o lençol para pegar a chupeta”. A
intencionalidade é clara: dado um problema a resolver e dispondo de meios conhecidos, a
criança criou a solução para o mesmo. O aparecimento de uma relação criativa como essa é
considerado o primeiro ato de inteligência propriamente dita, na perspectiva piagetiana.
Vemos que, para Piaget, o conceito de inteligência está intimamente ligado à
adaptação do indivíduo ao meio. A inteligência se constrói, uma vez que exista a
potencialidade cerebral, no contato do indivíduo com o meio, por intermédio da ação do
sujeito no mundo. Nessa perspectiva, há espaço para a hipótese de que uma mudança no meio,
ou um meio configurado de modo específico, possa influenciar a construção do conhecimento
do mundo pelo sujeito. Porém, é importante deixar claro, essa mudança não teria relação com
uma construção de estruturas cognitivas diferentes das anteriormente descritas por Piaget,
uma vez que essas dependem também de uma condição estrutural, das possibilidades do ser
humano enquanto espécie. As mudanças que se podem esperar, coerentemente com essa
perspectiva, dizem respeito a uma aceleração na construção de estruturas de conhecimento, à
atualização de uma capacidade específica ou ao fortalecimento de uma determinada
potencialidade.
Por exemplo, diversos estudos comparativos em epistemologia genética mostram que
a seqüência desenvolvimental descrita por Piaget mantém-se a mesma em diferentes culturas.
atualização ou fortalecimento de potencialidades pode variar muito em função das solicitações
do meio. Por exemplo, Dasen e Heron (1981) relatam uma pesquisa de Berry que mostrou que
caçador-coletores desenvolviam mais cedo a noção de espaço em sua dimensão operatória
(importante para sua sobrevivência a partir da caça e da coleta) e que tribos indígenas de
agricultores desenvolviam mais cedo a noção de conservação operatória (importante para sua
sobrevivência a partir da agricultura)83.
Bialystok (2001/2006, p. 186) esclarece que, sob seu ponto de vista, nenhum modelo
de inteligência dá conta de todos os resultados de pesquisas. Segundo a autora, o modelo que
parece mais coerente a partir das pesquisas trabalhadas na obra em questão é o que coloca a
língua como parte do sistema cognitivo, e não os separa como compartimentos totalmente
isolados. Assim, o essencial em sua perspectiva é a consideração de que há interação entre
linguagem verbal e cognição. Sem esse pressuposto, não seria possível se sustentar a hipótese
de que o crescer em contexto bilíngüe pode influenciar (acelerar) o desenvolvimento
cognitivo quando comparado ao crescer monolíngüe.
Consideramos tal perspectiva coerente com a piagetiana e com a leitura que
apresentamos nessa tese, pois entendemos que relacionar o desenvolvimento da linguagem
verbal ao da inteligência, mostrando influências mútuas, não é igual a dizer que um derive do
outro.