O Serviço de Urgência funciona 24 horas por dia, de modo a fazer face a situações em que a demora de diagnóstico ou de tratamento pode originar grave risco ou prejuízo para o doente. Exemplos de situações de urgência são traumatismos graves, intoxicações agudas, queimaduras, crises cardíacas ou respiratórias. Dada a natureza de algumas urgências, devido à extrema gravidade da situação (paragem cárdio- respiratória; politraumismos), estas são consideradas emergências médicas.
No hospital em análise, o serviço de urgência encontra-se dividido nas seguintes áreas: (1) sala de emergência; (2) salas de observação e urgência interna; (3) área médica; (4) área de cirurgia; (5) pequena cirurgia; (6) ortotraumatologia; e (7) pediatria. A planta do serviço de urgência é apresentada na Figura 12, onde se pode visualizar a distribuição do espaço pelas diversas áreas da unidade.
Figura 12. Planta do Serviço de Urgência
Encontra-se implementado o Sistema de Triagem de Manchester (Figura 13), de modo a que se atribua uma determinada cor à situação clínica do doente. Por exemplo,
se um doente apresentar um quadro de encefalia (dores de cabeça muito intensas), ou se tiver levado um choque eléctrico ser-lhe-á atribuída a cor laranja. Se um doente apresentar dores no peito permanentes há mais de 24 horas terá a cor amarela. No caso de um doente ter caído e em consequência queixar-se de uma dor num dos membros inferiores, na triagem será atribuída a cor verde. Cada cor representa um grau de gravidade e o tempo máximo de espera que o doente pode ficar a aguardar o atendimento por um membro da equipa médica. Assim, os doentes são divididos por grau de emergência, de acordo com os sintomas e queixas apresentadas, e encaminhados para os respectivos serviços dentro do próprio serviço de urgência.
Figura 13. Prioridades no Sistema de Triagem de Manchester
Cor Azul Verde Amarelo Laranja Vermelho
Tempo Máximo
de Espera (240’) (120’) (60’) (10’) (imediato)
O Sistema de Triagem de Manchester (no Anexo 6 é apresentada a informação disponível aos doentes na entrada da sala de espera) implica que os doentes a quem for atribuída a cor vermelha (emergência) são atendidos de imediato, como são os casos de paragens cárdio-respiratórias e politraumatizados. Os doentes com as cores laranja e amarela, com tempos máximos de espera de 10’ e 60’, são considerados como casos urgentes. Nesta categoria incluem-se doentes com sintomas de acidente vascular cerebral e doentes com dores fortes na área do peito. Os doentes com as cores verde e azul, com tempos de espera de 120’ e 240’, ou ainda mais se o movimento no Serviço de Urgência assim o exigir, são casos considerados pouco urgentes, de que são exemplos doentes com dores que perduram por vários dias, doentes com quadro de constipação, entre outros. Existe ainda uma sexta cor (branco) para os doentes que se
dirigem ao serviço de urgência por referência do médico assistente, cujo tempo de espera máximo se situa nas 8 horas. Nestes casos, os doentes apresentam quadros clínicos que exigem internamento, ou que obrigam à realização de exames complementares de diagnóstico que só poderão ser efectuados no hospital. Com a Triagem de Manchester, o hospital procura suplantar as ineficiências do sistema que prevalecia anteriormente (ordem de chegada, excepto casos emergentes), através de um protocolo clínico que permite classificar a gravidade de situação de cada doente que recorre ao Serviço de Urgência.
A entrada de um doente no serviço de urgência processa-se da seguinte forma:
(1) Inscrição nos serviços administrativos, onde são preenchidos os dados pessoais do indivíduo e atribuído um código identificador do doente.
(2) O doente depois dirige-se à sala de espera onde permanece até ser chamado a uma das salas de triagem de modo a que seja identificada a causa da presença no serviço de urgência e a escala de urgência da situação.
(3) Chamada a uma das salas de triagem, onde os doentes são sujeitos a um questionário exaustivo para aferição da escala de urgência, e identificação da área do serviço de urgência onde o doente será atendido e acompanhado ao longo da sua permanência no serviço de urgência: área médica (engloba especialidades como a cardiologia, a psiquiatria, a neurologia, a medicina interna e a pneumologia); área de cirurgia (reúne especialidades como a urologia, a oftalmologia e a otorrinolaringologia); área de pequena cirurgia (para realização de intervenções cirúrgicas simples, geralmente
tratamento de cortes ou ferimentos diversos); área de ortotraumatologia (vocacionada para a especialidade de ortopedia); ou área de pediatria (especialidade que oferece cuidados médicos às crianças desde o nascimento até a adolescência).
(4) Após a identificação da escala de urgência da situação apresentada pelo doente, os doentes aos quais são atribuídos as cores laranja e amarelo entram para o serviço de urgência, para a área conducente com as suas queixas (área médica; área de cirurgia; pequena cirurgia; ortotraumatologia; pediatria); os doentes com a cor verde ou azul regressam à sala de espera e aguardam a chamada do médico para se dirigirem a um dos gabinetes de avaliação.
Com a deslocação das instalações do Serviço de Atendimento Urgente para as imediações do Serviço de Urgência, em Janeiro de 2006, os doentes com cores verde ou azul passaram a ser atendidos por este serviço, sendo transferidos para o Serviço de Urgência no caso de serem necessários exames complementares de diagnóstico ou tratamento específico que só aí poderá ser ministrado.
O processo do doente é encaminhado para a sala de trabalho no interior do serviço de urgência, onde permanece num cacifo ordenado por prioridades até ser levantado por um dos médicos de serviço com disponibilidade para iniciar a consulta ao doente.
(5) Após o levantamento do processo do doente, o médico dirige-se a um dos gabinetes médicos para iniciar a avaliação do estado clínico do doente, que determinará os procedimentos subsequentes a que o doente será submetido.
(6) De acordo com a situação clínica apresentada:
- O doente é encaminhado para os serviços de imagiologia, de modo a fazer a(s) radiografia(s) e/ou ecografia(s);
- O doente é encaminhado para a sala de enfermagem onde é preparado para os exames (análises) e é iniciada a medicação;
- O doente aguarda a chegada do técnico que realiza o electrocardiograma para efectuar o exame;
- O doente realizará todos ou uma combinação dos procedimentos anteriores.
(7) Posteriormente o doente permanece em espera ou em observação, de acordo com o seu caso específico, enquanto aguarda os resultados dos exames efectuados e o efeito da medicação efectuada.
(8) Quando os exames complementares de diagnóstico solicitados se encontram disponíveis no sistema informático do serviço de urgência (exames do serviço de imagiologia e do serviço de análises), o médico assistente efectua a análise dos mesmos. Nesta fase, ocorre a confirmação ou alteração do diagnóstico inicial, a confirmação ou alteração da medicação ministrada ou a ministrar, e o pedido de mais exames complementares no caso de tal ser considerado necessário.
(9) De acordo com a situação específica do doente e do procedimento efectuado no passo anterior, o doente pode permanecer mais tempo em observação, pode ser transferido para internamento, ou pode-lhe ser dada a alta do serviço de urgência.
Este ciclo-base de procedimentos é sempre ajustado ao caso específico de cada doente. As excepções mais visíveis são:
- Os doentes em situação efectiva de emergência (cor vermelha no sistema de triagem de Manchester), que entram no serviço de urgência por uma porta específica e são encaminhados para a sala de emergência, cujo acesso é directo a partir desta entrada, de modo a acelerar a prestação de cuidados ao doente;
- Os doentes que se encontram em situação de urgência, que são encaminhados para o serviço de observação.